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Discursos sobre a influência da sociedade civil transnacional na Rio-92
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política, Florianópolis, 2013.Esta dissertação compreende o estudo de discursos de ativistas a respeito da influência da sociedade civil transnacional (SCT) sobre a Rio-92, também conhecida por Eco 92. Múltiplas fontes embasaram este estudo: entrevistas com ativistas que foram protagonistas durante os eventos preparatórios e de culminância; documentos históricos como a Agenda 21, a Declaração do Rio de Janeiro e os Tratados Alternativos da Sociedade Civil; a bibliografia consolidada no tema; conceitos e noções referentes ao atravessamento dos limites estatais exercido pela sociedade civil, em sua configuração e formas de atuação; e abordagens pós-coloniais para a contextualização do sistema atual e de possibilidades de transformação imaginadas no Sul. A análise de discursos dos ativistas demonstra que o evento representou um momento de emergência de um pensamento de fronteira, de fissura no imaginário dominante, que permitiu que a Rio-92 fosse uma ocasião maior que a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), e congregasse ocasiões como o Fórum Global, evento paralelo composto predominantemente por ONGs e movimentos sociais. As disputas da SCT por hegemonia no direcionamento de discursos e na organização do evento paralelo compartilharam espaço com propósitos de reconhecimento da transversalidade de lutas sociais e ambientais (majoritariamente orientados por um pensamento do Sul), e na conformação de novas redes de relações entre atores de cunho não-governamental, governamental e intergovernamental. Foi possível perceber que as conferências da ONU da década de 1990 se configuraram como estruturas de oportunidade política de internacionalização das ações coletivas, insurgentes na Rio-92 em muito devido às novas alianças estabelecidas. Mais além, a SCT constituiu distintos modos de atribuição de sentido para o desenvolvimento sustentável, o principal tema de discussão do evento, de acordo com a orientação dos projetos políticos dos grupos - fossem projetos tendentes à construção de contra hegemonias ou à colaboração com o sistema dominante.<br
“O mal de Alzheimer nacional”: (in)justiça, história e literatura
Fifty years after the Brazilian military coup, the arts are still trying to represent this period. One of the greatest examples of contemporary Brazilian literature, which this article intends to talk about, is K. (2011), of Bernardo Kucinski, which narrates the search of a father for her daughter, A., missed politician in the period of civil-military dictatorship, and to whom he tries to give some justice through the narrative. The reading of the book will contrast different areas of knowledge, such as History, Psychoanalysis, Politic and Law, especially with the Shoshana Felman’s book The juridical unconscious (2002). According to Felman, the perspective is that the trials and the law usually reproduce and repeat political and social traumas, through his juridical unconscious (using Freud’s concepts), and they are marked by the impossibility of listening. Otherwise, the literature would be the space in which the violence hypocrisy would be put in evidence, giving pace to those that usually do not have it in the legal environment.Cinquenta anos depois do golpe militar brasileiro, as artes ainda procuram refletir e representar o período. Um dos grandes exemplos da literatura brasileira contemporânea, e sobre o qual este texto pretende versar, é o livro K. (2011), de Bernardo Kucinski. A trama centra-se na busca de um pai, K., por sua filha, A., desaparecida política no período do regime militar, e para a qual exige justiça, através da construção de uma narrativa. A leitura da obra proposta buscará contrastar diferentes áreas do conhecimento, como História, Psicanálise, Política e Direito, em especial com o texto de Shoshana Felman, O inconsciente jurídico (2002). A perspectiva levantada pela autora é a de que os julgamentos e a lei, de maneira geral, reproduzem e repetem os traumas sociais e políticos, a partir do seu inconsciente jurídico (dotada dos conceitos de trauma e de inconsciente de Freud). Os julgamentos históricos são marcados pela sua impossibilidade de escuta da voz do testemunho, enquanto a literatura seria o espaço no qual a hipocrisia da violência é colocada à prova, garantindo a escuta daqueles que não tem voz garantida no ambiente jurídico
Uma espectrografia do autoritarismo: o tempo da Ditadura na literatura do século XXI (2000-2020)
Narrar um período histórico é sempre contingente a questões políticas, sociais, históricas, culturais e temporais. No caso de um período histórico recente como as ditaduras do Cone Sul do século XX e, em especial, a ditadura brasileira de 1964 a 1985, “o que foi” (ou o que é) ainda está em disputa. A história do passado é reconstruída no presente quando recuperamos, reacendemos, reincorporamos e mesmo modificamos o modo de ver, de contar e de dizer. Este artigo pretende apresentar e situar histórica, social, literária e temporalmente a catalogação da produção de narrativas literárias longas em que as ditaduras militares brasileiras e do Cone Sul são recuperadas e reconstruídas literariamente, no século XXI, bem como sua relação formal, estética e temática com o período em questão. Também se dedicará a pensar como a obra de Bernardo Kucinski pode ser lida a partir dos deslocamentos temporais que opera e da relação com as diferentes temporalidades em que se situa, da justiça, da memória e da história
O TEMPO DA TRANSMISSÃO EM A CHAVE DE CASA, DE TATIANA SALEM LEVY E A RESISTÊNCIA, DE JULIÁN FUKS: PÓS-MEMÓRIA, SEGUNDA GERAÇÃO E HERANÇA
More than fifty years after the coups d'état in Latin America, there is a "generational turn", in Leonor Arfuch's terms, in contemporary production. Through a "second generation" writing, authors born after the historical period, heirs of the traumas of other(s), reopen the historical and familiar past in literature. This is the case in the novels by Tatiana Salem Levy, A chave de casa, and Julián Fuks, A resistência, in which authors who are sons and daughters of those persecuted during the military regimes take the word about this past. This article will seek to discuss how literature deals with this temporal displacement, observing especially how the trauma of dictatorial violence continues to produce subjective and social effects in the following generations and how it manifests itself literarily. It will also look at trauma theory and the transmission of traumatic events to subsequent generations.Passados mais de cinquenta anos dos golpes de Estado na América Latina, há um “giro geracional”, nos termos de Leonor Arfuch, na produção contemporânea. Com uma escrita de “segunda geração”, autores e autoras nascidos depois do período histórico, herdeiros dos traumas de outro(s), reabrem o passado histórico e familiar na literatura. Esse é o caso dos romances de Tatiana Salem Levy, A chave de casa, e de Julián Fuks, A resistência, em que autores filhos e filhas de perseguidos durante os períodos militares tomam de assalto a palavra sobre esse passado. Este artigo buscará debater como a literatura lida com esse deslocamento temporal observando, especialmente, como o trauma da violência ditatorial segue produzindo efeitos subjetivos e sociais nas gerações seguintes e de que forma se manifesta literariamente. Também se debruçará sobre a teoria do trauma e as transmissões dos eventos traumáticos às gerações seguintes
“SE FOSSE POSSÍVEL, EU GOSTARIA DE CONTAR UMA HISTÓRIA”: O TEOR TESTEMUNHAL NA LITERATURA CONTEMPORÂNEA PÓS-DITATORIAL
Diante da série de catástrofes da “era dos extremos”, no século XX, as artes e a literatura, especificamente, junto de outras formas de representação do passado tiveram de repensar a sua própria relação com a linguagem. Na balança entre a necessidade e a impossibilidade do contar, a literatura encontrou no testemunho o seu principal representante. No contexto brasileiro, pós-ditadura civil-militar, a tentativa de “narrar o inenarrável”, ou seja, de apresentar outra forma de elaboração para que a experiência traumática possa, ainda que sob o signo da impossibilidade, ser contada e dividida, permanece até os dias atuais, com a literatura brasileira contemporânea. Esta proposta centra-se em uma leitura comparativa das obras K. – relato de uma busca (2011) e Os visitantes (2016) de Bernardo Kucinski, e Não falei (2004), de Beatriz Bracher, tendo em vista o seu teor testemunhal
On living and surviving : mourning, guilt and testimony in the post-dictatorship literature
Orientador: Márcio Orlando Seligmann SilvaDissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da LinguagemResumo: Este trabalho realiza uma leitura comparativa entre as obras da literatura contemporânea brasileira K. - relato de uma busca (2011) e Não falei (2004), tendo em vista o teor testemunhal dessas obras em relação ao período da ditadura civil-militar brasileira. Escritas com um distanciamento temporal de mais de quarenta anos, as obras constroem uma leitura acerca do passado histórico a partir do presente, e principalmente da tentativa de elaboração da experiência traumática por parte dos sobreviventes. A inscrição do trauma dos sobreviventes percorre, principalmente, as questões do luto e da culpa; bem como a dificuldade da realização do trabalho de luto e da expiação. A narração e o testemunho serão, dessa forma, uma tentativa necessária, ainda que fragmentária e determinada sob o signo da impossibilidade, de elaboração da experiência. De outra parte, as obras debatem a crítica e a autocrítica das violências perpetradas durante o período ditatorial brasileiro, bem como exigem a definição das responsabilidades e de formas de reparação. Refletem sobre o passado no contexto de seu tempo, o presente, sobre uma história que ainda não acabou, mas que é decidida também pelo movimento dos dias atuais. A leitura intertexual perpassa os debates dos campos do saber da literatura, da filosofia, da psicanálise, da história e da educação, bem como de outras criações literárias e artísticasAbstract: This work is about a comparative reading between the contemporary Brazilian books K. - relato de uma busca (2014) e Não falei (2004), towards its testimonial content about the Brazilian civilian and military dictatorship. Written with a passage of more than forty years apart of the event, the literary works build a type of reading about the historical past from the current days, and mostly about the survivors¿ attempt of working through the traumatic experience. The survivors¿ trauma inscription is about, mostly, the issues of mourning and guilt; and the associated difficulties in the work of mourning and atonement. Thereby, the narration and the testimony goes through the the traumatic experience elaboration and the imperative to tell, even though in a fragmentary and difficult way. This work also discusses the criticism and the self-criticism about the violence perpetrated during the dictatorships¿ period. The literary pieces reflect about the past regarding their own written time - the present - about a history that is not over, but it is also decided in the current days. The intertextual reading goes through debates of different fields, such as literature, philosophy, psychoanalysis, history and education, as well as other literary and artistic creationsMestradoTeoria e Critica LiterariaMestra em Teoria e História Literária1481644CAPE
Compondo temporalidades: o colonial e a ditadura nas narrativas brasileiras do século XXI
Contar um período histórico está diretamente relacionado a questões políticas, sociais, históricas, culturais e temporais. No caso da ditadura militar brasileira, “o que foi” (ou o que é) ainda está sendo produzido, seja na historiografia ou na literatura. Muitas dessas histórias, entretanto, ainda não foram contadas e permanecem esquecidas, excluídas e/ou ignoradas. Neste artigo, atentaremos para os pontos cegos da história, observando a relação e composição das temporalidades coloniais e ditatoriais e discutindo quais histórias de violência e de resistência foram contadas, como foram escritas e mobilizadas, mesmo anos depois dos processos de justiça de transição e de reparação, no presente e na literatura, a partir das narrativas Nem tudo é silêncio (2010), de Sonia Bischain, a chamada Trilogia infernal, composta pelos livros Aqui, no coração do inferno (2016), O peso do coração do homem (2017), e O amor, esse obstáculo (2018), de Micheliny Verunschk, em maior medida, e, em menor medida, as obras Ainda estou aqui (2015), de Marcelo Rubens Paiva, e Antes do passado (2012), de Liniane Brum
“VOCÊ FOI LUTA, NÓS SEREMOS RESISTÊNCIA”: RESISTIR À SEGUNDA MORTE NA LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
Este artigo tem como objetivo debater a produção literária acerca da ditadura civil-militar brasileira, especificamente os romances produzidos a partir do século XXI, Ainda estou aqui (2015), de Marcelo Rubens Paiva; Azul-corvo (2010), de Adriana Lisboa; K. – relato de uma busca (2011), de Bernardo Kucisnki e Soledad no Recife (2009), de Uraniano Mota. Escritos com um distanciamento temporal de mais de quarenta anos, as obras constroem uma leitura acerca do passado histórico a partir do presente, e principalmente da tentativa de elaboração da experiência traumática por parte dos sobreviventes e dos herdeiros da ditadura. A discussão pretende analisar as formas de (re)construção da resistência e dos militantes da resistência em tais obras, ou seja, partindo da hipótese que apresentam outra perspectiva literária para o que significava e significa, contemporaneamente, resistir. Resistir assume ainda outro sentido que se estende à própria literatura, a partir de seus narradores e autores que, décadas depois, inscrevem, nas obras literárias, as experiências traumáticas do período e as histórias apagadas e escondidas dos personagens
“VOCÊ FOI LUTA, NÓS SEREMOS RESISTÊNCIA”: RESISTIR À SEGUNDA MORTE NA LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
Este artigo tem como objetivo debater a produção literária acerca da ditadura civil-militar brasileira, especificamente os romances produzidos a partir do século XXI, Ainda estou aqui (2015), de Marcelo Rubens Paiva; Azul-corvo (2010), de Adriana Lisboa; K. – relato de uma busca (2011), de Bernardo Kucisnki e Soledad no Recife (2009), de Uraniano Mota. Escritos com um distanciamento temporal de mais de quarenta anos, as obras constroem uma leitura acerca do passado histórico a partir do presente, e principalmente da tentativa de elaboração da experiência traumática por parte dos sobreviventes e dos herdeiros da ditadura. A discussão pretende analisar as formas de (re)construção da resistência e dos militantes da resistência em tais obras, ou seja, partindo da hipótese que apresentam outra perspectiva literária para o que significava e significa, contemporaneamente, resistir. Resistir assume ainda outro sentido que se estende à própria literatura, a partir de seus narradores e autores que, décadas depois, inscrevem, nas obras literárias, as experiências traumáticas do período e as histórias apagadas e escondidas dos personagens
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