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A letter from Gilda de Mello e Souza to Oswaldo Porchat
Carta escrita por Gilda de Mello e Souza, remetida ao colega Oswaldo Porchat, que se encontrava em Berkeley, quando a ditadura civil-militar brasileira, recrudescida desde a implantação, em agosto de 1968, do AI-5, representava uma verdadeira ameaça a estudantes e docentes da Universidade de São Paulo, especialmente se lhe fizessem qualquer tipo de oposição. Porchat trocou uma sequência de cartas com Gilda nessa época, nas quais relata sua desilusão com a Faculdade de Filosofia, e com os acontecimentos políticos no Brasil. Ao mesmo tempo, confessa estar encantado com a descoberta de novos elementos da Lógica, e com a atmosfera mais amena dos Estados Unidos. Porchat sabe que Gilda enfrenta momentos difíceis, tendo de assumir a Presidência do curso em meio à tentativa do reitor Miguel Reale de submetê-lo a um interventor. Enfrentando a dúvida sobre se valeria a pena retornar ao Brasil naquele momento, Porchat escreve à amiga. A carta a seguir expressa, dentro do que era possível na época, quando as correspondências eram vigiadas, o parecer de Gilda sobre as indagações do amigo, sobre os rumos da ditadura, e sobre o que ela pensava de sua própria atitude de resistência naquele contexto. A carta original, assim como a sequência de correspondências da qual faz parte, está depositada no Fundo Gilda de Mello e Souza, no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP). Agradeço à família de Gilda, especialmente a Ana Luisa Escorel e a Laura Escorel, pela disponibilização desse documento para a presente publicação
Diogo Alves de Mello e Antônio Secundino
Professores Diogo Alves de Mello e Antônio Secundino de São josé ao centro
Fundo falso? Reflexões sobre o conceito de produtor no arquivo pessoal de Júlio César de Mello e Souza
Quem é Malba Tahan e o que é um heterônimo? Apesar do estranhamento causado pelo nome, assim como pelo termo, nosso trabalho está inserido na temática dos arquivos pessoais, e tem o intuito de investigar a aplicabilidade dos princípios clássicos da Arquivologia, como o princípio de respeito aos fundos, princípio da proveniência e da ordem original. Tendo por base o conceito de respeito aos fundos trazido por Duchein (1986), as críticas propostas pelos pesquisadores e arquivistas Jennifer Douglas (2016), Eric Ketelaar (2018) e Terry Cook (2017), no que se diz respeito, respectivamente, ao princípio da proveniência, o caráter orgânico de composição de um arquivo e o conceito de fundo arquivístico, procuramos compreender a existência de um fundo falso, a partir da organização de um arquivo pessoal, o qual traz consigo o fenômeno da heteronímia. Como objeto de estudo da pesquisa, mobilizamos o arquivo pessoal do professor de matemática Júlio César de Mello e Souza, o qual nos apresenta a figura do escritor Malba Tahan, um heterônimo. Nosso intuito com esse trabalho é de estudar os arquivos pessoais, a partir de uma revisão bibliográfica da disciplina arquivística e da Teoria Literária, no sentido de provocar a discussão sobre o status do arquivo pessoal, além do debate conceitual que envolve termos fundamentais a este, como os de produtor e acumulador em arquivos. Com isso, os resultados apresentados encontram-se inseridos na perspectiva de que o arquivo pessoal de um escritor pode apresentar, por meio das características conformadoras desses conjuntos documentais que reverberam no desempenho das funções arquivísticas, aspectos diferenciais dos arquivos institucionais e públicos, em relação a sua organização, uma vez que indagamos sobre a possibilidade de existir um fundo falso no arquivo pessoal de Júlio César de Mello e Souza.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível SuperiorWho is Malba Tahan and what is a heteronym? Despite the strangeness caused by the name, as well as by the term, our work is inserted in the theme of personal archives, and aims to investigate the applicability of the classic principles of Archival Science, such as the principle of respect of fonds, the principle of provenance and original order. Based on the concept of respect of fonds brought by Duchein (1986), the criticisms proposed by researchers and archivists Jennifer Douglas (2016), Eric Ketelaar (2018) and Terry Cook (2017), with regard, respectively, to the principle of provenance, the organic nature of the composition of an archive and the concept of archival fond, we seek to understand the existence of a false fond, based on the organization of a personal archive, which brings with it the phenomenon of heteronymy. As an object of research study, we mobilized the personal archive of mathematics professor Júlio César de Mello e Souza, which presents us with the figure of the writer Malba Tahan, a heteronym. Our intention with this work is to study personal archives, based on a bibliographical review of the archival discipline and Literary Theory, in order to provoke discussion about the status of the personal archive, in addition to the conceptual debate that involves fundamental terms to this, as a producer and accumulator of archives. Therefore, the results presented are inserted in the perspective that the personal archive of a writer can present, through the shaping characteristics of these documentary sets that reverberate in the performance of archival functions, different aspects of institutional and public archives, in relation to its organization, since we inquired about the possibility of a false fond in Júlio César de Mello e Souza's personal file.136 p
Júlio César de Mello e Souza e a Educação Matemática
O professor Júlio César de Mello e Souza, mais conhecido por Malba Tahan, é lembrado por sua produção de uma literatura infantil, na qual a matemática aparece em contextos diversos dos contextos usuais e inapropriadamente formais das escolas. Procuramos, no entanto, resgatar as outras maneiras em que Mello e Souza contribuía à Educação Matemática da sua época. Mostraremos que seus esforços nesse sentido incluíam a produção de textos sobre o ensino da matemática e textos didáticos, bem como a preparação e apresentação de cursos de curta duração para professores de matemática. Concluiremos que Mello e Souza se destacou comoproponente da importância da inclusão de elementos lúdicos no ensino da matemática, especialmente para o aluno jovem
O legado invisibilizado do pensamento de Gilda de Mello e Souza
O presente artigo busca compreender a presença deslocada da ensaísta, crítica de arte e professora Gilda de Mello e Souza na área de estética no Brasil. Trata-se de uma análise inicial dos elementos que enquadram a recepção de sua produção a fim de esboçar o processo de invisibilidade que a atingiu nas últimas décadas. Por fim, apontamos o conceito de “estética pobre”, cunhado pela autora como um caminho de pesquisa para o estudo de sua contribuição ao pensamento brasileiro.This paper seeks to understand the displaced presence of the essayist, art critic and professor Gilda de Mello e Souza in the field of aesthetics in Brazil. It is an initial analysis of the elements that framed the reception of her production, in order to outline the process of invisibility that has affected her in the last decades. Finally, it points to the concept of “poor aesthetics” coined by the author as a research path for the study of her contribution to Brazilian thought
Encontro com Gilda de Mello e Souza
Os textos que se seguem foram gentilmente cedidos por D. Gilda de Mello e Souza: o conto "Rosa pasmada", originalmente pensado com o título "O anel de vidro" (a sugestão de mudança foi dada por Mário de Andrade), e o comentário crítico de Mário, inédito
De Malba Tahan a Mello e Souza: a construção de uma identidade (1923-1938)
This article aims to establish the parallels between the changes that occurred at the end of the 1920s concerning teaching mathematics in Brazil and the fictional production of Júlio Cézar de Mello e Souza (Malba Tahan). The period chosen for analysis is circumscribed between the beginning of the 1920s and the publication of O homem que calculava in 1938. It is assumed that Malba Tahan appears before the writer Mello e Souza, which means an “Arab” writer. The process of identification with the pseudonym was gradual. There were doubts about the authorship at the time of the publication of the first short stories. In 1938, it was already known to everyone that Malba Tahan was the pseudonym of Mello e Souza. Therefore, we intend to work with two aspects. One focuses on how Mello e Souza has positioned himself as a fiction writer. The other consists of his activity as an educator and the reflections in his fictional production, especially in the work O homem que calculava. Both start from the assumption that there was a process of identity construction before the public.El objetivo de este artículo es establecer el paralelismo entre los cambios ocurridos desde lo final de la década de 1920 en la matemática en Brasil y la producción ficticia de Júlio Cézar de Mello e Souza (Malba Tahan). El período elegido para el análisis se circunscribe entre principios de la década de 1920 y la publicación de O homem que calculava, en 1938. Se supone que Malba Tahan, “escritor árabe”, aparece ante el escritor Mello e Souza, o sea, como un Escritor “árabe”. El proceso de identificación con el seudónimo fue gradual. En el momento de la publicación de los primeros relatos, existían dudas sobre la autoría, mientras que en 1938 ya era de todos conocido que Malba Tahan era el seudónimo de Mello e Souza. Por lo tanto, se pretende trabajar con dos aspectos. Uno de ellos se centra en la forma en que Mello e Souza se ha posicionado como escritor de ficción. El otro es consecuente con su actividad como educador y los reflejos en su producción ficcional, especialmente en la obra O homem que calculava. Ambos parten del supuesto de que hubo un proceso de construcción de identidad ante el público.O objetivo deste artigo é estabelecer os paralelos existentes entre as mudanças ocorridas no final da década de 1920 concernentes ao ensino da matemática no Brasil e a produção ficcional de Júlio Cézar de Mello e Souza (Malba Tahan). O período escolhido para análise está circunscrito entre o início da década de 1920 e a publicação de O homem que calculava, em 1938. Parte-se do pressuposto de que Malba Tahan, “escritor árabe”, surge antes do escritor Mello e Souza, ou seja, como um escritor “árabe”. O processo de identificação com o pseudônimo foi gradual. Na época da publicação dos primeiros contos havia dúvidas quanto à autoria, enquanto em 1938 já era conhecido de todos que Malba Tahan era o pseudônimo de Mello e Souza. Pretende-se, portanto, trabalhar com dois aspectos. Um deles está voltado à forma como Mello e Souza se colocou como escritor de ficção ao longo dos anos. O outro condiz com a sua atividade como educador e os reflexos em sua produção ficcional, em especial, na obra O homem que calculava. Ambos partem do pressuposto de que houve um processo de construção de identidade perante o público
NUNCA HOUVE UMA MULHER COMO GILDA DE MELLO E SOUZA
O presente artigo tem por finalidade realizar uma descrição fenomenológica da figura de Gilda de Mello e Souza a partir de sua aparição no filme-bricolage de Angelica Del Nery, Exercícios do Olhar – para falar de Gilda de Mello e Souza, de 2007. Essa descrição visa tanto a vida de Gilda quanto sua obra, atravessada pelo desafio de se tornar uma intelectual no Brasil. Tomamos o filme como uma oportunidade para realizar a passagem desta figura à sua forma, cujo fascínio, permeado por mistério, nos permite fazer uma análise do devir mulher em geral. Para além da clausura da figura feminina no escopo seja do sexo, seja do gênero, ambos concebidos como vetores de produção de identidades, deciframos o sentido existencial desse devir. Em suma, pretendemos conduzir o leitor a uma reflexão sobre a tensão entre as exigências identitárias que marcam a formação social da mulher moderna e a força centrífuga da liberdade, sem a qual não seria possível sustentar uma existência singular, tal como a de Gilda de Mello e Souza
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