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Irunditia: as narrativas de viagem do toánucê Murillo de Campos nas expedições da comissão de Rondon
Este texto pretende investigar e analisar, a atuação do médico e higienista do exército brasileiro Murillo de Souza Campos, como produtor e um dos divulgadores do conhecimento científico da área da saúde desta instituição, entre os anos de 1910 a 1950. A participação de Murillo de Campos no cenário nacional foi materializada em diversas publicações como jornais, periódicos, entre outros. Para este trabalho daremos ênfase na obra “Interior do Brasil: Notas médicas e etnográficas”, publicado em 1936. Neste livro Murillo de Campos descreve as viagens que realizou ao interior do Brasil no período das expedições científicas da comitiva do Candido Mariano da Silva Rondon, mais conhecido como Marechal Rondon. Nesta obra Murillo de Campos descreve suas atividades na região Nordeste de Mato Grosso, partindo do Rio de Janeiro a Cuiabá, através de Goias. Divido por regiões forjadas por este médico militar, o livro apresenta uma discussão de antropologia física e etnografia. O que nos chama atenção nesta obra e que vou explorar ao longo deste texto são as notas de tradução deste médico. Ao fim de cada capítulo Murillo de Campos apresentou um dicionário sobre os principais termos usados pelos indígenas que encontrou em sua expedição. Desta forma nossa preocupação é contextualizar este médico no campo intelectual do período e utilizando do conceito de tradução, aqui compreendo este conceito tanto no sentido da tradução como parte do processo de compreensão, por parte do receptor, da mensagem emitida por um emissor, quanto no que diz respeito às traduções de uma língua para outra. Assim sendo meu objetivo é perceber Murillo de Campos como sendo um “tradutor do mundo” que vivenciou enquanto passava pelas regiões do Brasil enquanto médico militar no início do século XX
Antropologia, raça e educação higiênica: os estudos de Arthur Lobo da Silva sobre medicina militar no Brasil das primeiras décadas do século XX
O artigo analisa a atuação do médico e higienista Arthur Lobo da Silva (1873-1964) na produção e divulgação da medicina militar no interior do Exército Brasileiro, entre os anos de 1910 a 1940. Buscamos compreender de que maneira os debates envolvendo a medicina militar estiveram ligados tanto à educação higiênica e aos serviços de saúde do exército, quanto aos estudos de antropologia física e o debate sobre a criação dos “tipos raciais” e a formação da identidade nacional, temáticas centrais na tradição antropológica desse período. Para a realização deste artigo, analisamos as obras de Arthur Lobo e outros médicos, antropólogos e educadores, bem como os textos publicados em jornais, periódicos e revistas científicas das primeiras décadas do século XX, sobretudo aqueles relacionados ao campo da medicina militar, da educação higiênica e da antropologia física
Exército, Nação e Saúde: A medicina militar brasileira como elemento de criação de fronteira nacionais
Pretendemos a partir deste texto investigar e analisar, a atuação do médico e higienista do exército brasileiro Arthur Lobo da Silva, como produtor do conhecimento cientifico da área da saúde desta instituição, entre os anos de 1920 a 1940. Do mesmo modo, será preciso entender de que maneira a medicina militar se constituiu como um elemento criador de fronteira no início do século XX. A participação de Arthur Lobo da Silva nestes campos foi materializada em diversas publicações como jornais, periódicos, entre outros. Tais obras servirão de componente básico para analise deste trabalho. Destaca-se que as ideias do autor sobre higiene, saúde, e o papel do exército nos permitirão compreender a sua representação de nação, fronteira e região e o que este autor acredita ser o papel do Estado brasileiro no período. Ao expor tais opiniões e posicionamentos Arthur Lobo da Silva ira se inserir no debate com outros intelectuais brasileiros, a respeito dos problemas sanitários do país o que inviabilizava no período a criação de uma “nação”, “fronteira” e de um “povo brasileiro”, a inserção destes militares nesta discussão legitimou o papel do Exército como uma das soluções sociais para estes problemas. Para fazer tal analise, além de utilizar algumas publicações de Arthur Lobo da Silva, em periódicos militares e civis, os livros A luta contra as moléstias venéreas no Exército brasileiro (1929), O serviço de saúde do Exército brasileiro (1958), Antropologia no Exército brasileiro (1929), também serão utilizados para mapear a sua trajetória intelectual
Entre a Loucura e o Crime: Os Discursos na Obra “Espiritismo no Brasil” (1931) De Leonídio Ribeiro e Murillo de Campos
Nas últimas décadas, a questão da construção da identidade nacional brasileira no início do século XX vem sendo revisitada e rediscutida pela historiografia. Este tema é frequentemente encontrado em discussões sobre as politicas do período Vargas, Primeira Guerra Mundial, modernismo paulista da Semana de Arte Moderna de 1922, entre outros recortes. Inserido no recorte temporal do período Vargas (1930-1945), mas não discutindo propriamente Getúlio Vargas e suas ações, este texto tem como problemática pensar a construção da identidade médica brasileira a partir da obra “O espiritismo no Brasil” (1931) escrito por Leonidio Ribeiro e Murilo de Campos. No Brasil, especialmente entre os anos de 1890 e 1940, o espiritismo torna-se alvo de preocupação de diversos intelectuais, que ligados a instituições procuraram formular teorias e acusações para defini-lo e deslegitimá-lo. Dentre estas instituições as faculdades de medicina foram um dos principais interessados em discutir o espiritismo no Brasil. Neste período, os argumentos médicos poderiam ser encontrados em teses, laudos médicos-legais e em denúncias de funcionários sanitários. “Espiritismo” e “curandeirismo”, eram representados da mesma maneira pelo campo médico, o que originou em uma campanha “contra o espiritismo”, no qual, relatórios eram formulados e entregue as autoridades policiais e governamentais, criando polêmicas com aqueles que assumissem a identidade de espíritas, dentre os quais poderiam ser juízes, advogados, jornalistas e até mesmos médicos. O enfoque deste texto é justamente pensar como o saber médico produzido por Leonidio Ribeiro e Murillo de Campos sobre espiritismo, forjou representações de identidades no campo médico do período. Entretanto, outro objetivo deste texto é pensar como estas identidades forjadas por estes médicos legitimaram práticas de intervenção social na população brasileira no período, em prol de um projeto nacional de construção de uma nação brasileira
Irunditia: as narrativas de viagem do toánucê Murillo de Campos nas expedições da comissão de Rondon
Este texto pretende investigar e analisar, a atuação do médico e higienista do exército brasileiro Murillo de Souza Campos, como produtor e um dos divulgadores do conhecimento científico da área da saúde desta instituição, entre os anos de 1910 a 1950. A participação de Murillo de Campos no cenário nacional foi materializada em diversas publicações como jornais, periódicos, entre outros. Para este trabalho daremos ênfase na obra “Interior do Brasil: Notas médicas e etnográficas”, publicado em 1936. Neste livro Murillo de Campos descreve as viagens que realizou ao interior do Brasil no período das expedições científicas da comitiva do Candido Mariano da Silva Rondon, mais conhecido como Marechal Rondon. Nesta obra Murillo de Campos descreve suas atividades na região Nordeste de Mato Grosso, partindo do Rio de Janeiro a Cuiabá, através de Goias. Divido por regiões forjadas por este médico militar, o livro apresenta uma discussão de antropologia física e etnografia. O que nos chama atenção nesta obra e que vou explorar ao longo deste texto são as notas de tradução deste médico. Ao fim de cada capítulo Murillo de Campos apresentou um dicionário sobre os principais termos usados pelos indígenas que encontrou em sua expedição. Desta forma nossa preocupação é contextualizar este médico no campo intelectual do período e utilizando do conceito de tradução, aqui compreendo este conceito tanto no sentido da tradução como parte do processo de compreensão, por parte do receptor, da mensagem emitida por um emissor, quanto no que diz respeito às traduções de uma língua para outra. Assim sendo meu objetivo é perceber Murillo de Campos como sendo um “tradutor do mundo” que vivenciou enquanto passava pelas regiões do Brasil enquanto médico militar no início do século XX
Narrativas Guaranis de José de Melo e Silva (1939) na Fronteira Brasil/Paraguai
Neste trabalho, entende-se que a produção de conhecimento veiculada por meio de textos e autores foi um alicerce de expansão do modelo de estado nacional brasileiro denominado Estado Novo (1937-1945). Tal produção visava estabelecer limites de atuação do estado, legitimando uma política de valorização do nacional em relação ao elemento estrangeiro. Neste contexto, o trabalho objetiva discutir a visão do outro no texto Fronteiras Guaranis (1939), obra de José de Melo e Silva, à época profundamente engajado com o projeto político de Getúlio Vargas denominado Marcha para Oeste. Em seu trabalho, Melo e Silva constrói a brasilidade em oposição ao “guaranizado” paraguaio, elemento fronteiriço que estaria ameaçando culturalmente a fronteira brasileira. O autor trabalha argumentos eugênicos para caracterizar aquela população, condicionando suas ações por sua etnia, e propondo soluções para integrar aquelas pessoas ao que chamava de civilização brasileira. Entende-se que ao buscar narrar uma história e constituir uma geografia humana na fronteira, Melo e Silva instituiu identidades, (re)criando aquele espaço e com isso delimitando os lugares sociais que deveriam ser ocupados pelos indígenas paraguaios, no geral como mão-de-obra barata para a extração da erva-mate e o treinamento para o trabalho agrícola em escolas profissionais. Tais ideias integram elementos materiais e imateriais do discurso, demarcam e legitimam projetos políticos e processos de classificação e controle estatal de povos indígenas em prol de um modelo de sociedade baseado na agropecuária
Fronteira Brasil/Paraguai: narrativas guaranis na obra de José de Melo e Silva (1939)
O trabalho analisa a visão do outro texto Fronteiras Guaranis (1939), obra de José de Melo e Silva, escrito durante o Estado Novo (1937-1945). Em seu trabalho, Melo e Silva constrói a brasilidade em oposição ao “guaranizado” paraguaio, cuja presença estaria ameaçando a fronteira brasileira. O autor propunha soluções para integrar aquelas pessoas ao que chamava de civilização brasileira, buscando narrar uma história e constituir uma geografia humana na fronteira. Neste processo, Melo e Silva delimitou lugares sociais a serem ocupados pelos indígenas paraguaios, no geral como mão-de-obra barata para a extração da erva-mate e o treinamento para o trabalho agrícola em escolas profissionais. Sendo assim, inscrito nas páginas dos textos de Melo e Silva encontra-se um modelo de civilidade para aqueles guaranis, o que significava o controle estatal de povos indígenas em prol de um modelo de sociedade brasileiro baseado na agropecuária
John Cage e a poética do silêncio
Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão. Programa de Pós-graduação em LiteraturaEsta tese se propõe a analisar o silêncio a partir da obra de John Cage (especialmente a literária e a musical). Esse silêncio, inicialmente compreendido por Cage como um empírico (a pausa em música), revela-se gradualmente um transcendente: não mais uma substância nem a simples ausência de som, mas um modo da ação (modo de silêncio), aparecendo como estilo, profundidade, aura, dimensão, verticalidade, densidade. Esse silêncio implica modos de percepção e temporalidade próprios, descritos aqui a partir das noções de Gelassenheit (Heidegger) e Awareness (Gestalt) e estabelecendo conexões com as noções de Invisível em Merleau-Ponty e de Nada no Zen-budismo
