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Do cosmos aristotélico ao mundo-máquina newtoniano: as bases metafísicas da ciência moderna
A visão da ciência enquanto um saber puramente objetivo e, por isso, livre de suposições metafísicas, ainda persiste na contemporaneidade, seja no âmbito ordinário do senso comum, seja nos meios científicos universitários. Sob essaperspectiva, percebe-se que há certo olhar que prevalece como uma máxima: a ciência moderna suplantou a metafísica. Noutros termos, ainda hoje se acredita que, após as descobertas científicas da Revolução Científica, com Copérnico, Galileu, Newton, entre outros, o discurso metafísico foi extinto da ciência. Embora essa visão sobre a ciência não seja unânime e, ao contrário, venha cada vez mais sendo solapada no meio acadêmico, não é incomum observar que ela ainda está presente e que se constitui como uma visão da maioria dos cientistas e teóricos brasileiros. Assim sendo, o objetivo desse artigo é, primeiramente, mostrar que a ciência moderna não rejeita — ao menos em princípio — às teses metafísicas, mas sim uma visão metafísica específica, a saber, a oriunda dos escritos de Aristóteles e que sustentou a visão científica anterior à concepção moderna. Além disso, o artigo mostra que, apesar da pretensa objetividade e ‘matematização’ da ciência, a concepção moderna lança mão de uma visão particular de ontologia/metafísica em seu fundamento. Por fim, pretendeseconcluir, por meio de uma análise comparativa da história da ciência, que não só é impensável, como também improvável se imaginar qualquer saber científico sem um alicerce ontológico, i.e., filosófico
A refutação dos argumentos ontológico, cosmológico e físico-teológico na Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant
O objetivo deste artigo é analisar a refutação proposta por Immanuel Kant (1724-1804) em sua obra Crítica da Razão Pura ([1781] 2001) aos argumentos clássicos que almejavam provar a existência de Deus presentes na história da filosofia. De acordo com a ordem de refutação feita na Crítica da Razão Pura, será analisada primeiramente a refutação kantiana do argumento ontológico, que é fundamentado na definição do Ente perfeito (ens perfectissimum). Após isso, será analisada a contestação de Kant aos argumentos tidos como “cosmológicos”, argumentos estes fundamentados no princípio de causalidade. Por fim, será analisada a refutação kantiana aos argumentos físico-teológicos.
A discussão em torno da "Parte II" (TS 234) das Investigações Filosóficas de Wittgenstein
O artigo tem dois propósitos centrais: primeiramente, expor a discussão sobre a inclusão do TS 234 (anteriormente conhecida como "Parte II") nas Investigações Filosóficas de Wittgenstein. Para atingir esse primeiro objetivo, iremos analisar as justificativas de inclusão dadas por Anscombe (1953) e Rhees (1953, 1996) na primeira edição do livro, as críticas feitas por von Wright (1982, 1992) e, por fim, os motivos que levaram Hacker e Schulte, editores da quarta edição do livro, a considerar o TS 234 como parte de um trabalho distinto das Investigações Filosóficas. O segundo objetivo do artigo é mostrar uma leitura particular sobre os escritos pós-1945 (incluindo o TS 234), a qual afirma que tais anotações não representam \u27partidas para novas direções\u27, como von Wright (1982), Hacker (2013) e Moyal-Sharrock (2004) alegam, mas são uma continuação das questões iniciadas ainda nas Investigações Filosóficas. Para este segundo objetivo, tomaremos como base a leitura exposta por Nuno Venturinha (2007) em seu artigo “Against a third Wittgenstein” e iremos nos fundamentar em menções do próprio Wittgenstein que indicam que as Investigações Filosóficas ainda estavam no horizonte de pensamento do filósofo em seus escritos pós-1945. Ao fim, concluiremos que tanto a leitura proposta por Venturinha — de “uma continuidade” dos escritos — quanto as leituras que apregoam que os escritos sobre filosofia da psicologia são “partidas para novas direções” possuem limitações e problemas graves, o que mostra que a questão em torno do locus da Parte II das Investigações e dos problemas ali inseridos continua sendo ainda hoje um capítulo polêmico das leituras Wittgensteinianas
A refutação dos argumentos ontológico, cosmológico e físico-teológico na Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant
O objetivo deste artigo é analisar a refutação proposta por Immanuel Kant (1724-1804) em sua obra Crítica da Razão Pura ([1781] 2001) aos argumentos clássicos que almejavam provar a existência de Deus presentes na história da filosofia. De acordo com a ordem de refutação feita na Crítica da Razão Pura, será analisada primeiramente a refutação kantiana do argumento ontológico, que é fundamentado na definição do Ente perfeito (ens perfectissimum). Após isso, será analisada a contestação de Kant aos argumentos tidos como “cosmológicos”, argumentos estes fundamentados no princípio de causalidade. Por fim, será analisada a refutação kantiana aos argumentos físico-teológicos.
Sobre a “Parte II” das Investigações Filosóficas de Wittgenstein: das possíveis abordagens de leitura
O artigo tem dois propósitos centrais: primeiramente, expor a discussão sobre a inclusão do TS 234 (anteriormente conhecida como "Parte II") nas Investigações Filosóficas de Wittgenstein. Para atingir a esse primeiro objetivo, iremos analisar as justificativas de inclusão dadas por Anscombe (1953) e Rhees (1953, 1996) na primeira edição do livro, as críticas feitas por von Wright (1982, 1992) e, por fim, os motivos que levaram Hacker e Schulte, editores da quarta edição das Investigações, a considerar o TS 234 como parte de um trabalho distinto da “Parte I”. O segundo objetivo do artigo é mostrar uma leitura particular sobre os escritos pós-1945 (incluindo o TS 234), a qual afirma que tais anotações não representam “partidas para novas direções”, como von Wright (1982), Hacker (2013) e Moyall-Sharrock (2004) alegam, mas são uma continuação das questões iniciadas ainda nas Investigações Filosóficas. Para este segundo objetivo, tomaremos como base a leitura exposta por Nuno Venturinha (2007) em seu artigo “Against a third Wittgenstein” as menções do próprio Wittgenstein que indicam que as Investigações Filosóficas ainda continuavam no horizonte de pensamento do filósofo em seus escritos pós-1945. Ao fim, concluiremos que tanto a leitura proposta por Venturinha – de “uma continuidade” dos escritos – quanto as leituras que apregoam uma “partida para novas direções” possuem limitações e problemas graves, o que mostra que a questão em torno do locus da Parte II das Investigações e dos problemas ali inseridos ainda continuam sendo um capítulo polêmico das leituras Wittgensteinianas
Georges Canguilhem: sobre vida e conhecimento da vida
Tendo como fundamento as obras de Georges Canguilhem, sobretudo a obra O normal e o patológico e os escritos "O pensamento e o vivente" e "O conceito e a vida", este artigo busca analisar o modo como Georges Canguilhem entende as noções de vida e conhecimento de vida, relacionando ambos os conceitos e indicando, nas linhas teóricas do filósofo francês, como é possível conhecimento o sobre a vida e o vivente. O artigo, inicialmente passando pelos conceitos de normal e patológico, buscará situar e fundamentar o conceito de vida enquanto "atividade normativa". Após isso, na segunda parte, buscará expor o tratamento dado por Canguilhem aos problemas relativos ao conhecimento da vida, analisando as questões histórico-filosóficas relacionadas ao problema e, por fim, as descobertas da biologia contemporânea que permitiram a Canguilhem lançar novos caminhos ao tema tratado
Georges Canguilhem: sobre vida e conhecimento da vida [Georges Canguilhem: on life and knowledge of life]
Tendo como fundamento as obras de Georges Canguilhem, sobretudo a obra O normal e o patológico e os escritos "O pensamento e o vivente" e "O conceito e a vida", este artigo busca analisar o modo como Georges Canguilhem entende as noções de vida e conhecimento de vida, relacionando ambos os conceitos e indicando, nas linhas teóricas do filósofo francês, como é possível conhecimento o sobre a vida e o vivente. O artigo, inicialmente passando pelos conceitos de normal e patológico, buscará situar e fundamentar o conceito de vida enquanto "atividade normativa". Após isso, na segunda parte, buscará expor o tratamento dado por Canguilhem aos problemas relativos ao conhecimento da vida, analisando as questões histórico-filosóficas relacionadas ao problema e, por fim, as descobertas da biologia contemporânea que permitiram a Canguilhem lançar novos caminhos ao tema tratado
A base ontológica da Crítica da razão pura e os postulados do Beweisgrund: Uma comparação
Given the importance of the existential predicate, not only for the Kantian’s work, but for all modern ontology, this paper aims realize a contrast of the notion of existence/being in the Kantian philosophy. In a specific way, it aims to see how the notion in the Critique of pure reason (1781) is present, in some way, in a pre-critical Kantian work, dated from 1763 and called The only possible argument in support of a demonstration of the existence of God [Der einzig mögliche Beweisgrund zu einer Demonstration des Daseins Gottes]. We will see that the basic notions about the concept of existence are present in a similar way in the pre-critical period, like the formulation that affirms “existence isn’t a real predicate” and “existence isn’t more than the absolute position of a thing”. We will also explain the importance of the experience for the formulation of existential judgments, affirmed both in the pre-critical work, as in the Critique of pure reason.Dada a importância que o predicado de existência tem não só para os escritos kantianos, mas para toda a ontologia moderna, o presente artigo tem como objetivo realizar uma comparação da noção de ser em dois períodos distintos da filosofia de Kant. De modo específico, pretende-se ver como a noção de ser presente na Crítica da razão pura (1781) já estava, em certa medida, formulada em um trabalho pré-crítico do filósofo redigido em 1763, a saber, na obra O único argumento possível para uma demonstração da existência de Deus [Der einzig mögliche Beweisgrund zu einer Demonstration des Daseins Gottes]. Como será visto, pretende-se mostrar que as noções principais sobre o conceito de existência já estavam presentes de modo bastante similar no período pré-crítico, como a formulação de que “a existência não é um predicado real” e, ainda, de que “a existência nada mais é que a posição absoluta de algo”. Será ainda salientada a importância dada à experiência para a formulação dos juízos existenciais, importância essa pontuada tanto na obra pré-crítica, quanto na Crítica da razão pura
Sobre ceticismo e fundacionalismo no da certeza de Wittgenstein
Presente na maioria dos escritos de Wittgenstein, o problema do ceticismo pode ser observado, por exemplo, nas anotações sobre o solipsismo do Tractatus Logico-Philosophicus (1922) ou, ainda, na reivindicação da necessidade de seguir regras publicamente, como afirma o filósofo nas ideias presentes sobre a significação dos termos em sua obra Investigações Filosóficas (1953). Contudo, sua investigação mais nítida sobre o ceticismo se encontra nos escritos que constituem o Da certeza (1969). A análise da argumentação wittgensteiniana presente nesse escrito torna possível revelar a posição original do filósofo a respeito do questionamento sobre os fundamentos do conhecimento e, consequentemente, da iminente possibilidade do ceticismo epistemológico. Nesse sentido, esse artigo tem como objetivo analisar as considerações do filósofo sobre o tema e salientar quais contribuições o mesmo deu para o debate dessa questão tradicional da filosofia. Após isso, pretende-se ainda indicar qual é a possível posição de Wittgenstein frente ao fundacionalismo, uma vez que a leitura da obra permite uma possível aproximação do filósofo com tal corrente epistemológica
Algumas considerações de Ludwig Wittgenstein à noção tradicional de representação (vorstellung
O objetivo da pesquisa é expor as considerações que Ludwig Wittgenstein proferiu em suas Investigações Filosófi cas (1952) contra o conceito tradicional de representação [Vorstellung], e mostrar os paradoxos provenientes de tal concepção. A fi m de atingir esse objetivo, serão expostas as características da noção tradicional de representação presente, sobretudo, nas principais correntes da filosofia moderna. No segundo momento, será apresentada a crítica de Wittgenstein à concepção tradicional de signifi cado [Bedeutung], visto que é dessa crítica que o fi lósofo fundamenta suas considerações contrárias à noção de representação, problema central do artigo
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