Inquietude (Journal)
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La diffusione degli studi storici contemporanei nell’era digitale (formati testuali e audiovisivi): Intervista a Paolo Raspadori
Interview with Paolo Raspadori on the ethical, political and methodological problems of the diffusion of contemporary historical studies in the digital age.Entrevista a Paolo Raspadori sobre as problemáticas éticas, políticas e metodológicas da difusão dos estudos históricos contemporâneos na era digital
Uma leitura antifilosófica em psicanálise lacaniana: Algumas contribuições ao debate ontológico
The article presents the interlocution of psychoanalysis and some philosophical thoughts from the perspective of antiphilosophy in Jacques Lacan\u27s teaching. It is understood that this epistemological basis, antiphilosophy, refers to a systematic rejection of ontology in psychoanalysis. Through a path that involves three important philosophical traditions, which are Heraclitus, Plato and the ancient Stoics, this study demonstrates how Lacan elaborated a refusal of the predominant Western ontology. This ontology establishes that there is a being in things, as if there were a substantial reality prior to discourse. It was concluded that, for Lacanian theory, being only exists in a discursive dimension. Thus, first there is discourse, then there are things. Therefore, it can be said that, according to Lacan\u27s perspective, things are only what they are through discourse.O presente estudo apresenta a interlocução da psicanálise e de alguns pensamentos filosóficos sob a perspectiva da antifilosofia no ensino de Jacques Lacan. Compreende-se que essa base epistemológica, a antifilosofia, se refere a uma rejeição sistemática da ontologia em psicanálise. Através de um percurso que envolve três importantes tradições filosóficas, a saber, Heráclito, Platão e os estoicos antigos, este estudo demonstra de que modo Lacan elaborou uma recusa da ontologia ocidental predominante. Esta ontologia estabelece que há um ser nas coisas, como se houvesse uma realidade substancial anterior ao discurso. Concluiu-se que, para a teoria lacaniana, o ser só existe em uma dimensão discursiva. Deste modo, primeiro há o discurso, depois a coisa. Portanto, pode-se afirmar que, segundo a perspectiva de Lacan, as coisas só são o que são a partir de um discurso
Para reescrever o \u27passado\u27: O Nachträglich do inconsciente freudiano
This article aims to analyze the concept of the unconscious in Freud in relation to the issue of timelessness, stated above all in Beyond the pleasure principle (1920) and in The question of a Weltanschauung (1933). Freud states unconscious processes have a timeless character, contradicting the philosophical thesis about the role of time in the constitution of a scientific object, as presented by Kant. Thus, unconscious processes are not chronologically organized and do not undergo changes over time. Compared to the way the conscious system functions, Freud presents the unconscious as timeless, without, however, depriving it of its own temporal modality, the Nachträglich, a concept that promotes diverse interpretations in the English and French strands (Gondar, 1995) and that points towards the achievement of a subjective time that underlies unconscious representations, endowing them with a potential for construction and reconstruction of meanings in a non-linear way.Este artigo tem por objetivo analisar o conceito de inconsciente em Freud com relação à questão da atemporalidade afirmada, sobretudo, em Além do princípio do prazer (1920) e em Acerca de uma visão de mundo (1933). Freud afirma que os processos inconscientes possuem um caráter atemporal, contrariando a tese filosófica acerca do papel do tempo para a constituição de um objeto científico, conforme apresentado por Kant. Assim, os processos inconscientes não são cronologicamente organizados e nem sofrem alterações pelo tempo decorrido. Comparativamente ao modo de funcionamento do sistema consciente, Freud apresenta o inconsciente como atemporal, sem, contudo, despojá-lo de uma modalidade temporal própria, o Nachträglich, conceito que promove interpretações diversas nas vertentes inglesa e francesa (Gondar, 1995) e que vai na direção da consecução de um tempo subjetivo que subjaz às representações inconscientes, dotando estas de um potencial de construção e reconstrução de significados de forma não-linear
Natureza, coexistência e vida: Uma incursão nas perspectivas de Ludwig Feuerbach e Emanuele Coccia
The German philosopher Ludwig Feuerbach (1804 – 1872), when discussing the human connection to reality, relied on materialism combined with a concern for nature to ground human existence through physiology. He argued that hunger, thirst, and lack of adequate air are elements that impose barriers to the construction of a healthy human being and, thus, are responsible for the lack of nutrients necessary for the individual’s proper functioning. However, another perspective on the relationship between nature and the individual is that of Emanuele Coccia. For him, life occurs in a cosmic symbiosis where each existence is of equal importance to the construction of reality itself. Through a philosophy centered on the reality of plants, the author demonstrates the structuring of a reality that is only possible through universal mutualism. Here, we will seek to present the perspectives of Coccia and Feuerbach together, thus seeking to expand the possibilities of the relationship between humans and the cosmic totality of nature.O filósofo alemão Ludwig Feuerbach (1804 – 1872), ao tratar da vinculação humana com a realidade, apoia-se em um materialismo aliado a uma preocupação com a natureza para fundamentar através da fisiologia a existência humana. Sua defesa é a de que a fome, a sede e a falta de um ar adequado são elementos que impõem barreiras na construção de um homem saudável e, deste mesmo modo, são responsáveis pela falta de nutrientes para o perfeito funcionamento do indivíduo. Contudo, outra perspectiva acerca da relação entre natureza e indivíduo é a de Emanuele Coccia. Para este, a vida ocorre em uma simbiose cósmica onde cada existência é de igual importância para a construção da própria realidade. Através de uma filosofia que tem por ponto central a realidade vegetal, o autor demonstra a estruturação de uma realidade que somente se faz possível através de um mutualismo universal. Aqui buscaremos apresentar as perspectivas de Coccia e Feuerbach de forma conjunta, buscando assim ampliar as possibilidades de relação entre o humano e a totalidade cósmica da natureza
Apolíneo e dionisíaco: A fotografia enquanto restauradora da harmonia entre forças opostas da criação artística
The aim of this paper is to explore the intersection between Nietzsche’s philosophy and photography, with an emphasis on the work of Henri Cartier-Bresson, particularly in Children playing in the ruins (1933). To achieve this objective, we will analyze the Nietzschean concepts of Apollonian and Dionysian principles and their relation to photography practice, as well as integrate Vilém Flusser’s philosophy of photography and François Soulages’s aesthetic reflection. The chosen methodology includes a bibliographic review, with special attention directed to the works of Nietzsche, Flusser and Soulages, along with the analysis of Cartier-Bresson’s images. The results show that photography goes beyond the mere representation of reality, as it functions as a vehicle for reflection and aesthetic contemplation. The fusion of the Apollonian and Dionysian principles in Cartier-Bresson’s work reveals the ability photography has to capture both the order and beauty as well as the chaos and intensity of life, allowing the observer to reach a deeper understanding of human existence. Thus, this paper reiterates the importance of photography in contemporary culture, highlighting its role as a tool for communication, reflection and transformation.O objetivo deste trabalho é explorar a interseção entre a filosofia de Nietzsche e a fotografia, com ênfase na obra de Henri Cartier-Bresson, particularmente em Children playing in the ruins (1933). Para alcançar este objetivo, serão analisados os conceitos nietzschianos de princípios apolíneo e dionisíaco e sua relação com a prática fotográfica, além de integrar a filosofia da fotografia proposta por Vilém Flusser e a reflexão estética de François Soulages. A metodologia empregada inclui revisão bibliográfica, com atenção especial às obras de Nietzsche, Flusser e Soulages, bem como a análise das imagens de Cartier-Bresson. Os resultados demonstram que a fotografia vai além da mera representação da realidade, funcionando como um veículo de reflexão e contemplação estética. A fusão dos princípios apolíneo e dionisíaco nas obras de Cartier-Bresson revela a capacidade da fotografia de capturar tanto a ordem e a beleza quanto o caos e a intensidade da vida, permitindo ao espectador uma compreensão mais profunda da existência humana. Assim, este trabalho reafirma a importância da fotografia na cultura contemporânea, destacando seu papel como uma ferramenta de comunicação, reflexão e transformação
O herói e o prisioneiro: Ética do retorno em Platão, Campbell e Mauss
This article proposes a philosophical and literary reflection on the act of return as an ethical and symbolic structure, based on the conceptions of Plato (allegory of the cave), Joseph Campbell (hero’s journey), and Marcel Mauss (gift theory). It argues that return is not merely the closing of a cycle, but a gesture of reinserting the transformed subject into relation with the other –whether through the authority of knowledge, the sharing of experience, or symbolic offering. Drawing from these three traditions, the article presents return as an ethical gesture of permanence – even in silence, even in refusal, even without response.Este artigo propõe uma reflexão filosófico-literária sobre o gesto do retorno como estrutura simbólica e ética, a partir das concepções de Platão (alegoria da caverna), Joseph Campbell (jornada do herói) e Marcel Mauss (teoria da dádiva). Defende-se que o retorno não é apenas fechamento de ciclo, mas gesto de reinserção do sujeito no laço com o outro, seja pela autoridade do saber, pela partilha da travessia ou pela oferta simbólica. A partir dessas três tradições, busca-se articular o retorno como gesto ético de permanência – mesmo no silêncio, mesmo na recusa, mesmo sem resposta
Experiência individual e absurdo na condição humana em Albert Camus
The proposal of this article is to realize a study about some of the relevant aspects of Albert Camus’ philosophy and his approach about the absurd existence. The analysis takes in consideration the philosophical essay The myth of Sisyphus, works of commentators and points in common with Miguel de Unamuno’s philosophy as well. Camus, to study the absurd, goes with the principle of the suicide problem, and how it affects the individual as such. With the intrinsic lack of meaning of life, there is the questioning about knowing if life is worth living. The sensibility has a pivotal importance here, since it unveils everything man can learn on his life. The absurd shows itself in man’s failed attempt to comprehend the world, which has its own principles and laws, which are completely strange to the human knowledge. However, Camus doesn’t leave the individual in a scenario of complete fatalism, understanding man shall live his life, even without meaning, using his liberty of action with the purpose to absorb the maximum of possible experiences, being able that way to have his own share of happiness.O objetivo deste artigo é realizar um estudo a respeito de alguns aspectos relevantes da filosofia de Albert Camus e sua abordagem sobre a existência do absurdo. A análise feita leva em consideração o ensaio filosófico O mito de Sísifo, além de obras de intérpretes e dos pontos de contato com a filosofia de Miguel de Unamuno. Camus, para estudar o absurdo, parte do princípio do problema do suicídio, e como ele afeta o indivíduo em si. Com a falta de sentido inerente da vida, há o questionamento sobre saber se viver vale a pena ou não. A sensibilidade aqui desempenha um papel fundamental, pois desvela tudo aquilo que o homem é capaz de apreender para si em sua vida. O absurdo então se mostra na tentativa fracassada do homem de compreender o mundo, que possui seus próprios princípios e leis, sendo esses completamente estranhos ao conhecimento humano. Entretanto, Camus não deixa o individual em uma situação de completo fatalismo, entendendo que o homem deve viver a vida, mesmo sem sentido, utilizando-se de sua liberdade de ação com o fim de absorver o máximo de experiências possíveis, sendo capaz assim de ter seu próprio quinhão de felicidade
O inferencialismo semântico de Robert Brandom: Uma introdução a sua evolução histórica e seus limites
This article aims to introduce the thesis of semantic inferentialism as developed by the North American philosopher Robert Brandom. This introduction will be carried out in two fronts: first, through Brandom’s historical narrative, where the inferentialist thesis stands as its peak, and where the German idealist and American pragmatist traditions have their places as pivotal turning points; secondly, from the problems and challenges this thesis holds, especially from the problem of how to approach the relation between world and meaning. I thus conclude that the inferentialist thesis is composed by two facets: one turned towards the past, where it aims to extract its lessons from, and another turned towards the future, where it aims to overcome its difficulties.Este artigo pretende introduzir a tese do inferencialismo semântico conforme desenvolvida pelo filósofo estadunidense Robert Brandom. Esta introdução será levada a cabo segundo duas frentes: primeiro, por meio da narrativa histórica concatenada por Brandom, onde a tese inferencialista ocuparia seu ápice, e de onde as tradições do idealismo alemão e do pragmatismo norte-americano ocupariam espaço como pontos de virada centrais; segundo, a partir dos problemas e dos desafios que esta tese comporta, focando-se em especial no problema de como abordar a relação entre significado e mundo. Concluo então que a tese inferencialista é composta por duas facetas: uma voltada para o passado, onde ela pretende extrair suas lições, e outra voltada para o futuro, onde ela almeja superar suas dificuldades
O trauma psicológico do racismo: Uma análise a partir de Fanon, Freud e Aimé Césaire
O presente trabalho tem como objetivo explorar o trauma psicológico causado pelo racismo estrutural, utilizando conceitos de Frantz Fanon, Sigmund Freud e Aimé Césaire. Partimos da premissa de que o racismo, enraizado na colonialidade, possui efeitos profundos e duradouros na saúde mental dos indivíduos negros. Com base no capítulo 5 de Pele negra, máscaras brancas de Fanon, discutiremos como o racismo estrutural impacta a psique, utilizando as teorias freudianas sobre trauma e identidade, e as perspectivas de Césaire sobre a memória coletiva e a resistência cultural.O presente trabalho tem como objetivo explorar o trauma psicológico causado pelo racismo estrutural, utilizando conceitos de Frantz Fanon, Sigmund Freud e Aimé Césaire. Partimos da premissa de que o racismo, enraizado na colonialidade, possui efeitos profundos e duradouros na saúde mental dos indivíduos negros. Com base no capítulo 5 de Pele negra, máscaras brancas de Fanon, discutiremos como o racismo estrutural impacta a psique, utilizando as teorias freudianas sobre trauma e identidade, e as perspectivas de Césaire sobre a memória coletiva e a resistência cultural
O laboratório alquímico: Uma metáfora para a transformação psíquica
We investigate the concept of the alchemical laboratory as a metaphor for the analytic space that promotes symbolic interaction between the conscious and the unconscious. Based on the theories of Carl Gustav Jung, especially his understanding of alchemy as a symbolic practice, we explore how alchemical processes reflect the psychological journey in search of psychic wholeness. We also integrate the approach of Nise da Silveira, who, by using art therapy, updated Jung’s principles of active imagination, highlighting the value of the symbolic for contemporary therapeutic practice. In a context marked by excessive rationality, we argue that creative practices, such as active imagination and art therapy, rescue the dialogue with the unconscious, promoting inner transformation. The article adopts a qualitative methodology based on bibliographic analysis, articulating alchemy, psychology, and philosophy to demonstrate how these ancestral practices can enrich psychological approaches, connecting the symbolic to everyday life and the journey of individuation.Investigamos o conceito de laboratório alquímico como uma metáfora para o espaço analítico, que promove a interação simbólica entre o consciente e o inconsciente. A partir das teorias de Carl Gustav Jung, especialmente sua compreensão da alquimia como uma prática simbólica, exploramos como os processos alquímicos refletem a jornada psicológica em busca da totalidade psíquica. Integramos também a abordagem de Nise da Silveira, que, ao utilizar a arteterapia, atualizou os princípios da imaginação ativa de Jung, evidenciando o valor do simbólico para a prática terapêutica contemporânea. Em um contexto marcado pela racionalidade excessiva, defendemos que práticas criativas, como a imaginação ativa e a arteterapia, resgatam o diálogo com o inconsciente, promovendo a transformação interior. O artigo adota uma metodologia qualitativa baseada na análise bibliográfica, articulando alquimia, psicologia e filosofia para demonstrar como essas práticas ancestrais podem enriquecer abordagens psicológicas, conectando o simbólico ao cotidiano e à jornada de individuação