Inquietude (Journal)
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Nietzsche e Freud: Aproximações a partir da estética e filosofia do trágico
Despite being a modern aesthetic movement, the tragic has its roots in the 19th century Germany, propelled by writers of the German Romanticism. After a series of developments and elaborations, writers associated with the Sturm und Drang artistic and literary movement reworked Greek tragedy and provoked, according to Isaiah Berlin, an unprecedented revolution in Western thought. Nietzsche claims to be the first tragic philosopher and, with his philosophy, sets in motion a new way of thinking about man based on a critique of German idealism. A field marked by dialectics and contradiction, the tragic heralds modernity and precipitates a new conception of man, based on an irresolvable dissonance within. Freud makes this contradiction the basis of his theoretical field, stating “ego is not master of his own house” and founds psychoanalysis as a theorized clinical praxis. The objective of this work is to investigate the possible links and similarities between both authors and their contributions to the modern thought. Based on an analysis of two main texts – The birth of tragedy by Nietzsche and Das Unheimliche by Freud – it was possible to determine relevant similarities between the aesthetic category of the uncanny as proposed by the Freudian text, and the philosophy of the tragic, in which Nietzsche postulates to be the antithesis of aesthetic Socratism. The uncanny, as a mark of tragedy, encompasses the dimension of the unconscious and subverts the classical aesthetics of ancient Greece.O trágico enquanto movimento estético moderno teve suas raízes na Alemanha do século XIX, impulsionado pelos autores do romantismo alemão. Após uma série de desenvolvimentos e elaborações, os autores do Sturm und Drang, movimento artístico literário traduzido como “ímpeto e tempestade”, resgataram a tragédia grega enquanto movimento estético e provocaram, segundo Isaiah Berlin, uma revolução sem precedentes no pensamento ocidental. Nietzsche afirma ser o primeiro filósofo trágico e inaugura, com sua filosofia, uma nova maneira de pensar o homem a partir da crítica ao idealismo alemão. O trágico, enquanto campo marcado pela dialética e contradição, anuncia a modernidade e imprime uma nova concepção de homem, pautada pela insolúvel dissonância que lhe habita. Freud faz dessa contradição seu campo teórico, ao afirmar que “o Eu não é senhor em sua morada”, e funda a psicanálise como práxis clínica teorizada. O objetivo deste trabalho é investigar as possíveis aproximações e articulações entre os dois autores e suas contribuições para o pensamento moderno. A partir da análise de dois textos principais – O nascimento da tragédia, de Nietzsche e Das Unheimliche, de Freud – foi possível constatar aproximações relevantes entre a categoria estética do estranho proposta pelo texto freudiano e a filosofia do trágico, no que Nietzsche postula ser a antítese do socratismo estético. A estranheza, como marca do trágico, abarca a dimensão do inconsciente e subverte a estética clássica da Grécia antiga
O problema da metafísica como ciência e o significado da revolução copernicana na Crítica da razão pura de Kant
Kant, in the Critique of pure reason, proposes a transformation of metaphysics into a science, inspired by physics and mathematics. Observing the failure of traditional metaphysics, which attempted to adapt knowledge to the nature of objects, Kant suggests a methodological inversion: objects must conform to knowledge, in a manner similar to the Copernican revolution, which replaced the Earth with the Sun as the center of the universe. Kant argues that the way we intuit and conceptualize the world shapes the objects we know, and although we cannot know beyond experience, we can think about it systematically through pure reason. In this context, the aim of this article is to clarify the meaning of the Copernican revolution in Kantian epistemology and metaphysics, with a focus on the analysis of paragraph 11 from the preface to the second edition of the work. With this work, I hope to contribute to the understanding of this problem, which is a classic in philosophy, especially within the context of undergraduate studies.Kant, na Crítica da razão pura, propõe uma transformação da metafísica em ciência, inspirado pela física e pela matemática. Observando o fracasso da metafísica tradicional, que tentava adaptar o conhecimento à natureza dos objetos, Kant sugere uma inversão metodológica: os objetos devem se ajustar ao conhecimento, de maneira semelhante à revolução copernicana, que trocou a Terra pelo Sol como centro do universo. Kant defende que a forma como intuímos e conceituamos o mundo molda os objetos conhecidos e, apesar de não podermos conhecer além da experiência, podemos pensá-lo sistematicamente mediante a razão pura. Nesse cenário, o objetivo deste artigo é esclarecer o significado da revolução copernicana na epistemologia e na metafísica kantianas, com uma análise focada no parágrafo 11 do prefácio da segunda edição da obra. Com este trabalho, espero poder contribuir para a compreensão desse problema que é um clássico na filosofia, sobretudo no contexto da graduação
A viabilidade de uma defesa da permissibilidade das práticas homossexuais dentro da Teoria da Lei Natural
The aim of this paper is to explore the possibility of a viable way to defend the permissibility of certain homosexual practices within the theoretical framework of Natural Law Theory. In philosophical Ethics, Natural Law Theory is a perspective that morality is based on the dictates of human reason, which are universal and immutable, allowing humans to discern right from wrong. This theory has roots in classical naturalism, a concept that dates to Aristotle, according to which Ethics is related to the most excellent realization of human nature at the operational level. Based on a teleology of the functions of bodily organs, wherein sex has an essentially procreative function, and based on the idea of heterosexual marriage as a basic human good, same-sex practices have been condemned as closing off the possibility of life and as unnatural. However, it is possible to argue that, for people with a homosexual disposition, sexuality plays a natural role in promoting intimacy, exchanging affections, and contributing to the realization of a flourishing life for these individuals.O objetivo deste artigo consiste em pensar a possibilidade de uma forma viável de defender a permissibilidade de certas práticas homossexuais dentro do quadro teórico da Teoria da Lei Natural. Em Ética filosófica, a Teoria da Lei Natural é uma perspectiva de que a moralidade se baseia nos ditames da razão humana, que são universais e imutáveis e que permitem ao ser humano discernir o certo do errado. Tal teoria tem raízes no naturalismo clássico, concepção que remonta a Aristóteles, segundo a qual a Ética se relaciona com a realização mais excelente da natureza humana em nível operacional. Com base em uma teleologia das funções dos órgãos do corpo, segundo a qual o sexo tem uma função essencialmente procriativa e com base na ideia do casamento heterossexual como bem humano básico, práticas entre o mesmo sexo foram condenadas como fechando a possibilidade da vida e como antinaturais. No entanto, é possível defender que, para pessoas com uma disposição homossexual, a sexualidade desempenha um papel natural de promoção de intimidade, troca de afetos e contribui para a realização de uma vida de florescimento para essas pessoas
Filosofia e literatura como práticas formativas: Bergson, Hadot e a escrita de Lispector
This article explores the contributions of Henri Bergson and Pierre Hadot to the conception of philosophy as a formative practice, emphasizing its connection with literature, particularly the works of Clarice Lispector. To this end, we will investigate the issue of method, starting with the following question: how can Bergsonian intuition and Hadotian spiritual exercises contribute to a philosophical conception that transcends theory and influences lived experience? The philosophical projects of both authors will then be presented: Hadot views philosophy as a spiritual exercise, while Bergson proposes intuition as a complete mode of knowledge. Consequently, a dialogue can be established, highlighting the formative role of philosophical knowledge as advocated by both thinkers. In this sense, while Hadot emphasizes spiritual exercises in everyday life, Bergson reveals a method focused on the intuitive experience of reality. Within this framework, literature – represented by Lispector’s writing – will be discussed as a means of philosophical expression that demands from the reader an intuitive and reflective stance, aligning with the practices proposed by the authors. The distinction between philosophy and literature as formative practices will be examined, exploring the ways each contributes to this discussion. Finally, we will reflect on the integration of these practices into our lives, considering reading as an experience capable of shaping thought and fostering a full and integrated way of living.O presente artigo explora a contribuição de Henri Bergson e Pierre Hadot para a concepção da filosofia como prática formativa, destacando sua relação com a literatura, especialmente a obra de Clarice Lispector. Para isso, investigaremos o problema do método, que partirá da seguinte questão: como a intuição bergsoniana e os exercícios espirituais hadotianos podem contribuir para uma concepção filosófica que transcenda a teoria e influencie a experiência? Em seguida, serão apresentados os projetos filosóficos dos dois autores: Hadot concebe a filosofia como exercício espiritual, e Bergson propõe a intuição como modo pleno de conhecimento. Por conseguinte, um diálogo poderá ser estabelecido, com destaque para o papel formativo do saber filosófico, defendido por ambos. Nesse sentido, enquanto Hadot enfatiza os exercícios espirituais na vida ordinária, Bergson revela um método focado na experiência intuitiva do real. Nesse contexto, a literatura, representada pela escrita de Lispector, será abordada como um meio de expressão filosófica que requer do leitor uma postura intuitiva e reflexiva, aproximando-se das práticas propostas pelos autores. A distinção entre filosofia e literatura como práticas formativas será problematizada, explorando os caminhos pelos quais cada uma contribui para a discussão. Por fim, refletiremos sobre a incorporação dessas práticas à nossa vida, na compreensão da leitura como experiência capaz de moldar o pensamento e promover uma vivência plena e integral
Substância ou complexo perceptivo? A questão do sujeito enquanto consciência ou associações psíquicas
This article discusses the authenticity of the inclusion of Sigmund Freud’s thought in the philosophy of mind. As this philosophical branch has René Descartes as one of its cardinal precursors, a parallel analysis of both thinkers is conducted. The perception of the functioning and nature of the mind is discussed, placing the concept of the subject within the thought of each of the investigated authors as one of the main foci of reflection. Subsequently, the relation between mind and body is reflected upon. It is concluded, for example, that the Cartesian notion of the subject is substantial, while the Freudian is functional, organizational, leading to the understanding that the idea is not an original expression of being, but merely an associative complex. Such conceptions place Cartesianism and Freudianism in distinct traditions of Western thought. However, this does not mean that Freud, as someone who reflected on the main questions of philosophy of mind, is not, in his own way, indebted to Cartesianism, like so many other empiricists.O presente artigo discute a autenticidade da inserção do pensamento de Sigmund Freud na filosofia da mente. Como esta vertente filosófica tem René Descartes como um de seus precursores, faz-se uma análise paralela de ambos os pensadores. Discute-se a percepção que se tem do funcionamento e da natureza da mente, pondo-se como um dos principais focos de reflexão, consequentemente, o conceito de sujeito no interior do pensamento de cada um dos autores investigados. Na sequência, reflete-se sobre a relação entre mente e corpo. Chega-se, por exemplo, à conclusão de que a noção de sujeito cartesiana é substancial, enquanto a freudiana é funcional, organizadora, que resulta na compreensão de que a ideia não é uma expressão original do ser, mas mero complexo associativo. Tais concepções põem o cartesianismo e freudismo em tradições distintas do pensamento ocidental. Todavia isto não faz com que Freud, enquanto aquele que refletiu as principais questões da filosofia da mente, não seja, à sua maneira, devedor do cartesianismo, como tantos outros empiristas
Reflexões sobre o erotismo e sua relação com sofrimento psíquico na modernidade
This work proposes to present discussions about eroticism and psychological suffering, which began in the Teaching Project of the State University of Goiás – Center for Studies on Subjectivity and Psychological Suffering: Suffering. The relevance of eroticism is presented in Bataille as the definition of human experience. This experience bears the marks of interdictions for the establishment of social ties, but it presents holes due to transgressions. In the act of transgression, it is possible to glimpse the anguish, nausea, horror of desire and fear related to intense pleasure. Psychic suffering is established by prohibitions (death and sexual function), by persistent anguish and by attempts to curb desire through work and socialization processes. This theoretical essay is guided by the texts [The eroticism] (Bataille, 2023) and [Pathologies of the social: archaeologies of psychic suffering] (Dunker; Safatle; Silva Junior, 2021). The general objective is to understand the relation between eroticism and psychological suffering. The specific objectives are: conceptualizing eroticism as an aspect of human experience and relating eroticism to psychological suffering. The research method is theoretical or conceptual research and structures a theoretical essay. The results are presented in a reflection on eroticism for psychological praxis, whether in clinical or psychosocial processes.Este trabalho se propõe a apresentação das discussões sobre erotismo e sofrimento psíquico, cujo início se deu no Projeto de Ensino da Universidade Estadual de Goiás – Núcleo de Estudos sobre Subjetividade e Sofrimento Psíquico: Sofrência. A relevância do erotismo se apresenta em Bataille como a definição da experiência humana. Essa experiência tem marcas das interdições para o estabelecimento do laço social, porém ela apresenta furos a partir das transgressões. No ato da transgressão, é possível vislumbrar a angústia, a náusea, o horror frente ao desejo e o medo relacionados ao prazer intenso. O sofrimento psíquico se instaura nos interditos (morte e função sexual), na angústia persistente e nas tentativas de refrear o desejo por via do trabalho e dos processos de socialização. Esse ensaio teórico tem orientação nos textos O erotismo (Bataille, 2023) e Patologias do social: arqueologias do sofrimento psíquico (Dunker; Safatle; Silva Junior, 2021). O objetivo geral é compreender a relação do erotismo com o sofrimento psíquico. Já os objetivos específicos são: conceituar o erótico como um aspecto da experiência humana e relacionar o erotismo com o sofrimento psíquico. O método de pesquisa é pesquisa teórica ou conceitual e estrutura um ensaio teórico. Os resultados se apresentam em uma reflexão sobre o erotismo para a práxis psicológica, seja nos processos clínicos ou psicossociais
Para além do tradicional: Descolonização, cânone filosófico e currículo
The traditional epistemic model reinforces colonial views of knowledge, marginalizing not only non-Western knowledges but also fostering internal dissensions within the West itself through a geopolitical approach. This article problematizes the Eurocentric foundations of the traditional philosophical canon and its impact on philosophy curricula. Considering the feminist critique of epistemic neutrality and objectivity – drawing on the concept of situated knowledges – alongside decolonial theories, particularly the notion of the philosophy of liberation, the article discusses the urgent need to rethink what is taught, how it is taught, and who is considered a legitimate author in the philosophical field. The proposal for decolonization does not imply a denial of the traditional philosophical legacy but constitutes an invitation to revise academic structures and valorize historically marginalized knowledges. The conclusion advocates for a transformation of the philosophical canon, which entails not merely the token inclusion of peripheral voices, but a systemically plural approach capable, on the one hand, of addressing the challenges of a world marked by colonial heritage and, on the other, of legitimizing the diversity of perspectives that constitute human experience.O modelo epistêmico tradicional reforça visões coloniais de conhecimento, marginalizando não só os saberes não ocidentais como também promovendo dissidências internas ao próprio ocidente a partir de uma abordagem geopolítica. O artigo que segue busca problematizar as bases eurocêntricas do cânone filosófico tradicional e seu reflexo nos currículos de filosofia. Considerando a crítica feminista à neutralidade e objetividade epistêmica, a partir do conceito de saberes localizados, bem como as teorias descoloniais, com foco na noção de filosofia da libertação, o artigo discute a urgência de repensar o que se ensina, como se ensina e quem são os autores considerados legítimos no campo filosófico. A proposta de descolonização não implica a negação do legado filosófico tradicional, mas um convite à revisão das estruturas acadêmicas e à valorização de saberes historicamente marginalizados. A conclusão defende, enfim, uma transformação do cânone filosófico, o que implica não só mera inclusão de vozes periféricas, mas uma abordagem sistemicamente plural capaz, por um lado, de responder aos desafios de um mundo marcado pela herança colonial e, por outro, de legitimar a diversidade de perspectivas que compõem a experiência humana
Mal e sofrimento em Ricœur: O padecimento do justo no livro bíblico de Jó
This article deals with the problem of evil in Paul Ricœur. For the author, man is in the world and, as such, constantly susceptible to failure; he takes up the possibility of deception present in Descartes, in which man is in a constant tension between finite and infinite, and reads this same condition from Kant, Hegel and Husserl. From there, it is necessary to understand the meaning of this evil that man can commit and is faced with; to do so, he analyzes various symbolic levels present in the myths and narratives of human history, which manifest, in their respective periods, the thinking and understanding of world of certain people. For the author, only by understanding the symbolism of evil is it possible to have greater clarity about its consistency, especially from the point of view of confessed evil; in essence, he wants to understand through myths, which have extracts of meaning that precede the philosophical appropriation of evil, these more basic forms about the existence of evil and the human position towards it. Having understood what evil means and the human implication in the face of it, it is also necessary to understand that evil which exists in the world and which does not have a conscious or intentional origin. To this end, we will appropriate the biblical book of Job – which Ricoeur himself uses – to trace a path about the evil suffered.O presente artigo trata acerca da problemática do mal em Paul Ricœur. Para o autor, o homem está no mundo e, como tal, constantemente suscetível a falhar; ele retoma aquela possibilidade de se enganar presente em Descartes, na qual o homem está em uma constante tensão entre finito-infinito, e lê essa mesma condição a partir de Kant, Hegel e Husserl. A partir daí se faz necessário entender o que significa esse mal que o homem pode cometer e diante do qual está posto; para tanto, ele analisará vários níveis simbólicos presentes nos mitos e narrativas da história da humanidade, que manifestam, em seus respectivos períodos, o pensamento e a compreensão de mundo de determinadas pessoas. Para o autor, somente entendendo a simbologia do mal, é possível ter maior clareza da consistência do mesmo, principalmente a partir do mal confessado; ele, no fundo, pretende entender através dos mitos, que possuem extratos de sentido que antecedem a apropriação filosófica acerca do mal, essas formas mais basilares acerca da existência do mal e da posição humana diante dele. Compreendendo, pois, o que significa o mal e a implicação humana diante dele, é necessário compreender também aquele mal existente no mundo, o qual não tem uma origem consciente, nem intencional. Para tal caminho, nos apropriaremos do livro bíblico de Jó – do qual o próprio Ricœur se vale – para traçarmos um caminho acerca do mal sofrido
Etapas da estética estrutural
LALO, Charles. Les étapes de l’esthétique structurale, Revue philosophique de la France et de l’étranger, Paris, v. 133, n. 7/9, p. 10-33, jul./set. 1942-43. Available on: https://www.jstor.org/stable/41084712.LALO, Charles. Les étapes de l’esthétique structurale, Revue philosophique de la France et de l’étranger, Paris, v. 133, n. 7/9, p. 10-33, jul./set. 1942-43. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/41084712
Além no aquém: Pensando uma transcendência secular
The aim of this work is to speculate on the possibility of a secular transcendence and to keep the discussion open to this end. Starting from the principles that locate man in the universe, through Pascalian philosophical anthropology, and moving on to discuss these possibilities using thinkers such as Kant, Jaspers and Lonergan, the text develops around topics from the philosophy of the aforementioned thinkers that can be considered relevant to the theme we want to address. In this way, this work aims to provide the means to think about a secular transcendence, that is, a transcendence that is not tied to any religious faith, but which starts from man as a being capable of reflection and decision by his Reason.O objetivo deste trabalho é especular sobre a possibilidade de uma transcendência secular e manter aberta a discussão para tal intuito. Partindo de princípios localizadores do homem no universo, através da antropologia filosófica pascaliana, e seguindo para a discussão sobre tais possibilidades utilizando pensadores como Kant, Jaspers e Lonergan, o texto se desenvolve em torno de tópicos da filosofia dos pensadores acima mencionados que podem ser considerados relevantes para o tema do qual se quer tratar. Desse modo, este trabalho pretende proporcionar meios para pensar uma transcendência secular, isto é, uma transcendência que não está atrelada a nenhuma fé religiosa, mas que parte do homem como ser capaz de reflexão e decisão por sua Razão