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O IMPACTO DA ESCOLARIZAÇÃO NA REALIZAÇÃO DA CONCORDÂNCIA VERBAL NA FALA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Este trabalho foi desenvolvido no âmbito do projeto Ensino de gramática na escola: do conhecimento linguístico à consciência linguística, durante meu período como bolsista PROBIC/FAPERGS, de setembro de 2023 a agosto de 2024. O objetivo do projeto é investigar de que modo o conhecimento gramatical é adquirido pela criança e desenvolvido na escola, a partir da investigação dos fenômenos variáveis de concordância na fala e na escrita de crianças e adolescentes em idade escolar, a partir da hipótese de que a escolarização tem um impacto na realização das variantes padrão de concordância. Em consonância, os objetivos do meu trabalho foram investigar a realização da concordância verbal na fala de crianças e adolescentes em idade escolar. Para isso, foi feito um levantamento de dados referentes à realização da concordância verbal na parte oral do corpus Discurso & Gramática (Votre; Oliveira, 1991), disponível online, referente às escolaridades do 3º ano do Ensino Médio, 8º ano do Ensino Fundamental, 4º ano do Ensino Fundamental e classes de alfabetização das 5 cidades contempladas no Corpus: Juiz de Fora, Rio Grande, Niterói, Rio de Janeiro e Natal. Para isso, foram analisadas 463 páginas com as transcrições das entrevistas, o que gerou um total de 3099 dados brutos iniciais, compilados em uma planilha contendo, para cada ocorrência: a identificação do informante, cidade, escolaridade, tipo de interação, a localização do dado no corpus e se o dado apresenta concordância verbal padrão ou não padrão. Por fim, os dados brutos passaram por revisão por parte da orientadora e foram então analisados; do total bruto obtido no primeiro levantamento, em Silva e Simioni (2023), foram analisados e sistematizados os dados das cidades de Rio Grande, Niterói e Juiz de Fora, totalizando 1145 ocorrências. A análise quantitativa desses dados mostrou dois resultados principais: (i) um predomínio absoluto da variante padrão no cômputo total dos dados analisados (88,8% de concordância padrão contra 10,7% de concordância não padrão) e (ii) a evolução dos dos percentuais de realização da concordância padrão e não padrão considerando a série e cidade dos informantes apontavam para um incremento da frequência da concordância padrão em relação ao nível de escolaridade. Neste trabalho, vamos apresentar a análise quantitativa dos dados do corpus não analisados no ano anterior, das cidades de Rio de Janeiro e Natal, bem como um panorama geral dos resultados obtidos na comparação entre os dados das cinco cidades. Foram considerados na análise os dados envolvendo sujeitos plurais nulos ou preenchidos: SNs plurais com ou sem núcleo explícito, e também pronomes de 1ª, 2ª e 3ª pessoas do plural, pois é nesses casos que podem ocorrer variações na concordância. Do total de 1782 ocorrências analisadas nesta segunda etapa, 93,5% correspondem à variante padrão e 6,5% à variante não padrão da concordância verbal, demonstrando novamente um grande predomínio do uso da variante padrão ao longo de todo o período de escolarização. Assim, considerando-se os dados referentes às cinco cidades do corpus, chegamos a um percentual de 91,7% de uso da variante padrão e 8,1% da variante não padrão. Os dados totais por cidade variam entre 85,7% (Juiz de Fora) e 94,2% (Rio de Janeiro) de uso da variante padrão, ou seja, sempre taxas bastante elevadas. Já em relação à evolução dos percentuais de realização da concordância padrão e não padrão considerando a série e cidade dos informantes, os dados de Natal vão de 73,6% de concordância padrão na fase de alfabetização para 96,6% no 3º ano do Ensino Médio, enquanto no Rio de Janeiro observa-se maior estabilidade: 96,6% na alfabetização e 97% no Ensino Médio. A comparação evolutiva entre as séries, quando compilados os dados das cinco cidades, confirma a tendência de incremento percebida anteriormente em Silva e Simioni (2023): embora haja bastante variabilidade nas taxas de concordância padrão encontradas na fase de alfabetização (que oscila entre 64,1% em Juiz de Fora e 96,70% em Niterói), no Ensino Médio essas taxas oscilam sempre acima de 90%. Nesse ponto, observa-se que o principal fator de natureza extralinguística apontado pela literatura como influenciando a variação na realização da concordância verbal na fala adulta é justamente o nível de escolaridade (Vieira, 2008), e a mesma tendência se observa nos dados analisados aqui, que captam a influência da escolaridade durante o próprio processo de escolarização. Por fim, é importante notar que as taxas de realização da concordância padrão são altas desde o início, tanto nos dados dessas duas cidades, como também nos dados das cidades analisadas em Silva e Simioni (2023): sempre acima dos 60%. Isso demonstra que a criança, ao chegar na escola, já domina as regras gramaticais variáveis de sua língua e é sensível à norma de prestígio, conforme apontam também Simões e Soares (2015) em relação à concordância nominal
ANÁLISE QUALITATIVA DA REALIZAÇÃO DA CONCORDÂNCIA NOMINAL DE NÚMERO NA FALA DE ESTUDANTES DO EF
Este trabalho é uma continuação da investigação iniciada em 2022 sobre a realização da concordância nominal de número em dados orais produzidos por estudantes do Ensino Fundamental no âmbito do projeto Ensino de gramática na escola: do conhecimento linguístico inconsciente à consciência linguística, cujo objetivo é identificar de que modo o conhecimento gramatical, em especial os padrões de concordância nominal e verbal, são adquiridos pelas crianças e de que forma a escola desenvolve esses conhecimentos.Assim, num primeiro momento (Carlé; Simioni, 2023), foi feito um levantamento da realização da concordância nominal de número nos dados orais produzidos por estudantes do 8º ano, 4º ano e classes de alfabetização do Corpus Discurso & Gramática (Votre; Oliveira, 1991), que está disponível online e conta com dados produzidos por informantes de classe de alfabetização a ensino superior das cidades de Natal, Niterói, Juiz de Fora, Rio de Janeiro e Rio Grande. O recorte analisado diz respeito aos informantes de classes de alfabetização, 4º ano e 8º ano das cinco cidades. A análise quantitativa realizada em Carlé e Simioni (2023) revelou dois achados principais: (i) a realização da variante padrão de concordância nominal é muito mais frequente do que a realização da variante não padrão (86,2% contra 13,8% num universo de 2392 dados coletados); (ii) existe uma correlação entre avanço da escolarização e aumento na realização da concordância padrão em todas as cidades, sendo possível identificar uma tendência geral. A correlação entre maior escolarização e maior uso da variante padrão é notória na literatura sobre o assunto, porém esses estudos são realizados com informantes adultos, enquanto nossa pesquisa mostra esse efeito durante o próprio período de escolarização. Nesta segunda etapa, apresentamos os resultados da análise qualitativa dos 330 Sintagmas Nominais (SNs) que apresentaram concordância não padrão, buscando verificar se os desvios em relação à concordância padrão seguem a regra variável da concordância nominal, isto é, se as crianças, ao chegarem à escola e durante a escolarização, já seguem a gramática da fala adulta brasileira. Segundo a literatura, a regra variável de concordância nominal é condicionada pelo princípio do paralelismo (marcas levam a marcas e zeros levam a zeros), combinado à posição do elemento dentro do SN: elementos que antecedem o núcleo tendem a receber a marca de plural e elementos após o núcleo têm baixa probabilidade. Se o núcleo nominal estiver na primeira posição, tem alta probabilidade de receber marca de plural, mas na segunda ou demais posições a probabilidade é bastante baixa. Isso significa que elementos mais à esquerda do SN tendem a aparecer flexionados para número e elementos mais à direita tendem a aparecer no singular. Nos dados analisados, o mais recorrente são SNs com apenas dois elementos: dos 330 dados com concordância não padrão, 71 têm mais de dois elementos (21,5%) e 259 têm apenas dois elementos. Para comparação, das 2062 ocorrências de concordância padrão, só 304 têm mais de 2 elementos (14,7%). Desses 259 dados com apenas dois elementos, só 6 têm o núcleo na primeira posição (lugares bonito; praia bonitas); todos os demais seguem a estrutura pré-N N, sendo os elementos pré-nominais em sua maioria determinantes combinados ou não com preposições (as cama; aqueles negócio; das macaxeira); também figuram quantificadores (dois casal; umas cadeira; muitas pessoa) e alguns poucos casos de modificadores (últimas consequência). Nas 71 ocorrências com mais de dois elementos, 44 têm estrutura pré-N (tipicamente um determinante e/ou quantificador) N pós-N (tipicamente adjetivo); 26 contam apenas com elementos pré-nominais (tipicamente determinantes e quantificador) e 1 apenas com elementos pós-nominais. As 44 estruturas com elementos pré e pós-nominais, em sua grande maioria, seguem o que aponta a literatura, com marcas de plural nos elementos pré-nominais e ausência de marca nos elementos pós-nominais. O núcleo em segunda ou terceira posição está flexionado para o plural em apenas 15 das ocorrências, também seguindo a tendência apontada na literatura. Nos 26 dados que contém apenas elementos pré-nominais, também encontramos comportamentos que seguem a literatura: os elementos que antecedem o núcleo recebem marca de plural e o núcleo tipicamente aparece no singular. Do total de 330 dados com concordância não padrão, 302 se comportam de acordo com a regra variável de concordância nominal da gramática adulta, com marcas de plural nos elementos à esquerda do núcleo e ausência de marca nos elementos pós-nominais. Os 28 dados considerados inesperados podem ser explicados por analogia com outros fenômenos observados no português brasileiro ou por questões de performance. Portanto, podemos concluir que, do ponto de vista qualitativo, os dados produzidos por crianças e jovens em idade escolar seguem a mesma regra variável presente na gramática da fala adulta
Imperfect competition in the fresh tomato industry
In this paper, we analyse the market power of the retail industry in the French tomato market. Following the methods developed in the New Empirical Industrial Organization, we develop a structural model of this industry. The analysis is based on detailed data on final consumption and prices at both shipper and consumer levels for two types of tomatoes in France. The structural model is composed of a system of demand equations, supply equations and pricing equations which include terms which capture the oligopoly and oligopsony power of the retail sector. We show that i) elasticity of demand varies during the year ii) the retail sector exercise only a ‘moderate’ market power iii) the exercise of market power decreases over time iv) If markets were competitive, in the case of tomato ‘ronde’ retail price would decrease by about 1.2% to 4.5% depending on the year; v) In absence of market power, shipping price might be 6% to 24% higher than observed. We find higher distortions in the case of tomato ‘grappe’. We also find that the distortions tend to decrease over time. We conclude to a moderate exercise of market power of the retail sector in the French tomato market.Oligopoly, Oligopsony, Fresh products, Industrial Organization,
Agreement in passive constructions with pre and post-verbal argument and incorporation of bare singular in BP
O presente trabalho discute a concordância nas construções passivas do PB e sua relação com a ordem. No primeiro capítulo, evidenciamos que há três padrões possíveis de concordância nessas construções: concordância plena, em que particípio e auxiliar concordam plenamente com o DP; concordância parcial, em que particípio e DP concordam apenas em gênero e a concordância de número no auxiliar é opcional; e concordância default, em que particípio e auxiliar manifestam traços masculinos singulares independente da especificação do argumento. Além disso, mostramos que, à exceção do padrão de concordância default, os demais padrões são possíveis tanto com DPs pré-verbais quanto pós-verbais. Fechamos o capítulo propondo que as diferenças observadas quanto à concordância são devidas a uma reanálise do particípio devido ao enfraquecimento da concordância de número no PB, e passou a contar apenas com traço de gênero. No segundo capítulo, desenvolvemos uma detalhada discussão quanto aos modelos formais de estabelecimento da concordância sentencial e sua adequação aos dados em discussão, levando em conta a hipótese delineada no capítulo 1 quanto à especificação de traços do particípio. Concluímos que tanto as abordagens de Agree propostas por Bokovi (2007) e Nunes (2007) quanto a abordagem de movimento proposta por Hornstein (2009) dão conta dos dados, mediante alguma adaptação. Também nesse capítulo, levantamos a hipótese de que a ordem pré- ou pós-verbal dos DPs nos padrões de concordância plena e parcial são definidos em PF, mediante apagamento de cópias. O capítulo 3 é dedicado a demonstrar que a ordem V DP no PB, apesar de restrita, é possível justamente com predicados passivos e inacusativos e corresponde, nesses casos, a uma diferença na estrutura informacional em relação à ordem DP V. Além disso, discutimos alguns aspectos formais do tratamento da focalização e como seriam derivadas as ordens DP V e V DP nos dados sob análise. No quarto capítulo, discutimos o efeito de definitude no PB, as diferentes interpretações dos sintagmas nominais (fracos e fortes) e que posições podem ocupar na estrutura, relacionando-as à expressão dos juízos tético e categórico no PB (BRITTO, 1998). Também nesse capítulo, defendemos que a concordância default está relacionada à atribuição de um Caso fraco, seguindo De Hoop (1996). Mostramos ainda que um singular nu nunca dispara concordância de gênero nos particípios. Por fim, o quinto capítulo é dedicado a um exame detalhado da sintaxe e semântica dos singulares nus, a fim de explicar os efeitos encontrados ao final do capítulo 4. Nesse capítulo, defendemos que o singular nu do PB não é um DP; nossa hipótese é que esse elemento é incorporado ao verbo quando aparece em posição de objeto, e é um tópico quando em posição de sujeito, seguindo Müller (2004).The present work discusses agreement in passive constructions in BP and its relation to the ordering of constituents. In chapter 1, we show that there are three possible patterns of agreement in these constructions: full agreement, in which both participle and auxiliary fully agree with the DP; partial agreement, in which gender agreement between participle and DP is mandatory, but number agreement with the auxiliary is optional; and default agreement, in which both participle and auxiliary surface with default values for number and gender. We also show that except for the default pattern, the other ones are possible both with pre- and postverbal DPs. Our proposal is that participle heads have been reanalized due to the loss of number agreement in BP and now host only a gender feature. Chapter 2 is devoted to a detailed discussion of Agree-based and Move-based approaches to agreement. We discuss whether each agreement system can account for the data presented in chapter 1 in light of the proposal made. We conclude that both Nunes (2007) and Bokovi (2007) approaches to Agree can deal satisfactory with the data at hand. We also raise the hypothesis that the constituent order in passive constructions is derived postsyntactically, through copy deletion at PF. In chapter 3, we show that V DP order in BP, though very restricted, is possible with passive and unaccusative predicates. In these cases, we show that such order corresponds to a difference in information structure, hence motivating copy deletion at PF. Chapter 4 is devoted to a discussion of definiteness effects in BP and the different interpretations for nominals, as well as the positions that can be occupied by weak and strong nominals in BP, and relating such matters to the expression of thetic and categoric judgements (BRITTO, 1998). We also support the conclusion that default agreement is generated by a weak Case (DE HOOP, 1996), and show that bare singulars systematically fail to trigger gender agreement on participles. Finally, chapter 5 bears on the issue of bare nominals, their use and intepretation. We claim that bare singulars are not DPs in BP and cannot freely occupy argument positions. We claim instead that bare singulars in object position are incorporated, and that bare singular generic subjects are topics (MÜLLER, 2004)
A realização de sujeitos e objetos pronominais no português uruguaio
O objetivo do trabalho é descrever a realização de sujeitos e objetos pronominais no português uruguaio (PU) a partir de um corpus de dados orais. Enquanto o português brasileiro (PB) apresenta em torno de 80% de sujeitos pronominais preenchidos, no PU há 50% de sujeitos referenciais nulos, com preferência de preenchimento para a 1ª pessoa do singular e predominância de nulos especialmente na 1ª pessoa do plural. Os objetos podem ser realizados como clíticos (incluindo a 3ª pessoa) ou como pronomes retos. A colocação dos clíticos apresenta próclise categórica aos verbos flexionados e gerúndio e ênclise com infinitivos e imperativos, além de subidas de clítico e redobro de clíticos. Objetos anafóricos podem ser retomados por nulos, clíticos ou pronomes retos, estando a retomada condicionada a traços semânticos do antecedente. Tanto na posição de sujeito quanto na posição de objeto, pronomes retos de 3ª pessoa ocorrem somente com referentes humanos. Os dados confirmam a existência de diferenças sintáticas significativas entre PU e PB
A aquisição da concordância nominal de número no português brasileiro: um parâmetro para a concordância nominal
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão. Programa de Pós-graduação em Linguístic
A realização de sujeitos e objetos pronominais no português uruguaio
The aim of the paper is to describe the realization of pronominal subjects and objects in Uruguayan Portuguese (UP) in an oral corpus. While Brazilian Portuguese (BP) has around 80% of overt pronominal subjects, UP has only 50%. The 1st person singular is mostly overt, while the 1st person plural is mostly null. Objects can be clitics (including 3rd person), null or strong pronouns. Clitic placement involves clitics categorically preceding inflected and gerund verbs and following infinitives and imperatives, as well as clitic climbing and clitic doubling. Anaphoric objects can be null or resumed by clitics or strong pronouns, depending on the semantic features of the antecedent. Both in subject and object positions, strong 3rd person pronouns can occur only with human antecedents. Data confirm the existence of significant syntactic differences between UP and BP.O objetivo do trabalho é descrever a realização de sujeitos e objetos pronominais no português uruguaio (PU) a partir de um corpus de dados orais. Enquanto o português brasileiro (PB) apresenta em torno de 80% de sujeitos pronominais preenchidos, no PU há 50% de sujeitos referenciais nulos, com preferência de preenchimento para a 1ª pessoa do singular e predominância de nulos especialmente na 1ª pessoa do plural. Os objetos podem ser realizados como clíticos (incluindo a 3ª pessoa) ou como pronomes retos. A colocação dos clíticos apresenta próclise categórica aos verbos flexionados e gerúndio e ênclise com infinitivos e imperativos, além de subidas de clítico e redobro de clíticos. Objetos anafóricos podem ser retomados por nulos, clíticos ou pronomes retos, estando a retomada condicionada a traços semânticos do antecedente. Tanto na posição de sujeito quanto na posição de objeto, pronomes retos de 3ª pessoa ocorrem somente com referentes humanos. Os dados confirmam a existência de diferenças sintáticas significativas entre PU e PB.El objetivo de este trabajo es describir la realización de sujetos y objetos pronominales en el portugués uruguayo a partir de un corpus de datos orales. Mientras que el portugués brasilero presenta alrededor de un 80% de sujetos pronominales expresos, en PU hay un 50% de sujetos referenciales nulos, cuya expresión es favorecida por la primera persona del singular y desfavorecida por la primera persona del plural. Los objetos pueden realizarse como clíticos (incluyendo los de tercera persona) o como pronombres sujetos. La colocación de los clíticos es siempre proclítica con verbos flexionados y gerundio, y enclítica con infinitivos e imperativos. Además, hay subida de clíticos y redoblo de clíticos. Objetos anafóricos pueden ser retomados por nulos, clíticos o pronombres sujetos, dependiendo de los rasgos semánticos de los elementos que se lo anteponen. Tanto en la posición de sujeto como en la posición de objeto, los pronombres sujetos de tercera persona ocurren únicamente con referentes humanos. Los datos confirman la existencia de importantes diferencias sintácticas entre PU y PB
Aquisição da concordância nominal de número: um estudo de caso
This paper aims at investigating the acquisition of number agreementwithin DP by a child acquiring Brazilian Portuguese, under theassumptions of the Minimalist Program (Chomsky, 1998; 1999). Inthe analysis of the child’s speech production, I highlight the mostfrequent patterns of number agreement and plural marking, and discussthree hypotheses (Carstens, 2000; Lopes, 2004; Magalhães, 2004) tofind the one which explains the variation within the child’s own speechand also between child and adult registers; such hypothesis should alsobe able to predict how the infant’s number agreement patterns willevolve into the adult system. The proposal by Carstens (2000) is theonly one which supports the patterns found in the data under analysis,especially the variation between the adult patterns of agreement andplural marking vs. the occurrence, in child language, of plural markingmorpheme (-s) only on nouns, which is ungrammatical in adult registers
Banco de Dados Colores: Transcrição e Organização dos Dados
O projeto de pesquisa Banco de dados de fala da fronteira Jaguarão / Rio Branco tem como objetivo produzir um banco de dados - o banco COLORES (Contato Linguístico Oral da Região Extremo Sul) - documentando, registrando e preservando o português falado como língua materna dos brasileiros e como língua de herança pelos uruguaios em Jaguarão/Rio Grande do Sul, Brasil e Rio Branco/Cerro Largo, Uruguai. Com a criação desse banco de dados, esperamos que os resultados levantados possam ser utilizados em diversas áreas de Letras, facilitando o estudo das variedades linguísticas do português brasileiro sem deixar de respeitar a língua local, mantendo-a como um bem imaterial. Segundo Mazzaferro, Simioni e Ulrich (2024), a região do Extremo Sul do Rio Grande do Sul é pouco contemplada em estudos linguísticos, reforçando a ideia de que se faz necessário um banco de dados para a documentação da fala local. Para que o banco de dados seja constituído é necessário realizar uma seleção de participantes com diferentes faixas etárias, níveis de escolaridade e sexos distintos. Além disso, os participantes devem ter nascido na zona urbana ou rural de Jaguarão ou Rio Branco, residir na zona urbana da cidade durante sua participação e ter 25 anos de idade ou mais. Antes de dar início à coleta é necessário que o entrevistado leia e assine o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, aprovado pelo Comitê de Ética da UNIPAMPA. A entrevista deve ter duração de trinta minutos a uma hora e, para essa condução, o entrevistador se vale de um questionário com perguntas de temáticas variadas a fim de garantir material espontâneo o suficiente. Os dados obtidos são sigilosos e ficam armazenados com a coordenadora do projeto. Para a entrevista, é utilizado o gravador Zoom H4N Pro, um dispositivo portátil de alta performance que permite uma ótima captação da entrevista e dos sons ao seu redor, por isso requeremos ao entrevistado que a entrevista seja realizada em um local calmo e sem trânsito de pessoas ou outras interferências. Em um momento posterior, as gravações são depositadas em pendrives sem conexão com a internet, a fim de evitar o vazamento dos dados. Para as transcrições, operamos com o software ELAN (2023), um recurso gratuito que possibilita a criação de diversas camadas de anotações, facilitando a organização daquilo que é transcrito. Para o registro ortográfico de todas as falas das entrevistas, são criadas duas trilhas dentro do ELAN - uma para o entrevistador e outra para o entrevistado. Apresentamos a seguir os critérios de anonimização e transcrição do banco COLORES, resultado de discussões conjuntas entre o grupo de pesquisa. No decorrer das transcrições, alguns dados citados pelo participante são anonimizados, tais como endereços, nomes de familiares, seu próprio nome, pontos referenciais, etc., assim, nenhum dado é comprometido. A fim de manter a anonimização, quando um nome é citado o representamos apenas com as iniciais em letra maiúscula seguindo alguns critérios pré-estabelecidos (ex. Arroio Grande > BH). Além disso, outros aspectos são cuidados, como o fato de transcrevermos as palavras ortograficamente, sem abreviações e sem fazer o uso de pontuações para garantir a fala de forma precisa. Ademais, quando há a menção a números, esses são escritos por extenso (ex. vinte e cinco) cumprindo os critérios; porém, quando estamos diante de siglas, acrônimos e abreviações, não escrevemos elas por extenso (ex. IBGE). Ao longo da gravação existem acontecimentos inesperados, como, por exemplo, não entender uma frase ou uma palavra dita pelo participante, então, para substituir esse trecho, fazemos o uso de xxx (ex. eu acho xxx também). Interações extralinguísticas, como risadas, tosses e outros, são colocados em maiúsculas entre parênteses (ex. meu filho (TOSSE) estuda). Existe também uma padronização nas hesitações e quando o participante utilizar expressões de outros idiomas é preciso utilizar o símbolo de chaves para destacá-los (ex. {bueno} está ótimo). Faz-se o uso da barra oblíqua (/), que indica reformulação ou interrupção na frase formada pelo entrevistado (ex. eu acho / eu gosto dela). Também há diferenças em relação à norma; por exemplo, pronomes átonos são transcritos sem hífen, apenas utiliza-se o espaço para separá-los (ex. falou me de ti). Além disso, inicialmente marcávamos as pausas com #, ## ou ### a depender da duração, porém, posteriormente, decidimos abolir essas marcações, que serão feitas em linha de codificação específica em uma etapa posterior do projeto. Essas decisões visam facilitar o manejo posterior das transcrições para realização de pesquisas com o banco de dados. Concluímos que a padronização das transcrições resultante da pesquisa desenvolvida é fundamental para o compartilhamento dos dados com a comunidade científica, seguindo os preceitos da ciência aberta. Além disso, o banco de dados é uma forma de preservar e valorizar o português falado na região
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