Portal de Periódicos da Faculdade de Letras - UFMG
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Gilberto Freyre e o ensaio humanista hispânico
O artigo trata da influência da tradição intelectual humanista hispânica na forma ensaística particularíssima plasmada pelo sociólogo e pensador pernambucano Gilberto Freyre em livros e artigos. Observaremos, portanto, considerando em primeiro lugar a legitimidade intelectual e o valor cognitivo da referida tradição – como meio especulativo alternativo aos padrões metodológicos universitários e à filosofia de índole racionalista platônico-cartesiana –, o estilo que Freyre desenvolveu como escritor-ensaísta. Examinaremos o caráter personalista de sua prosa, que se refletia na valoração de uma perspectiva impressionista, atenta e sensível ao individual e ao concreto. Na mesma linha, investigaremos, ainda, seu método narrativo de se aproximar dos fenômenos sociais, apresentar fatos históricos e construir interpretações gerais dos fenômenos, ora tencionando e ora conciliando saberes científicos e humanísticos
As bases antigas da modernidade literária
A modernidade literária é frequentemente compreendida como consequência da reação que os Frühromantiker [primeiros românticos alemães] apresentaram contra a valorização neoclássica da Antiguidade greco-romana. O que nem sempre aparece suficientemente destacado é o fato de que essa reação vem preparada pela própria Filologia, especialmente na síntese dos esforços críticos que Friedrich August Wolf oferece ao publicar seus Prolegomena ad Homerum (1795). Promovendo um verdadeiro ataque ao arcabouço neoclássico de leitura retórica da Antiguidade, Wolf funda as bases da abordagem historicista ao escrutinar criticamente a tradição dos poemas atribuídos àquele que, na Querelle des Anciens et des Modernes, já se sagrara representante da Antiguidade: Homero. No panorama da repercussão que o trabalho de Wolf encontra entre nomes emblemáticos da cultura europeia de fins do século XVIII, como Schlegel, Herder, Heyne, Goethe e Schiller, defende-se aqui que o filólogo é uma das influências fundamentais na invenção da modernidade literária
Ensaísmo de ficção na obra de Nuno Ramos
Nuno Ramos, artista plástico de reconhecimento internacional e escritor de uma obra já bastante aclamada e inovadora, transita por diferentes campos da arte contemporânea. Esse trânsito, que, cada vez mais, procura imiscuir meios de produção, estilos, materiais, discursos, e tudo quanto seja possível entre temas e técnicas, cria uma arte inespecífica de destaque no contexto atual. O presente artigo traz reflexões acerca de seu livro Ó, de 2008, quanto ao tensionamento dos gêneros literários ensaio e conto, na construção de um texto peculiar, de difícil definição, mas, também por isso, de grande valor literário
A Mensageira: uma revista brasileira feminista do século XIX
Este estudo investiga o conteúdo de A Mensageira: revista dedicada à mulher brasileira (1897-1900), organizada por Presciliana Duarte de Almeida (1867-1944), a fim de contribuir para as pesquisas sobre a Imprensa Brasileira Feminista na História da Literatura. Inicialmente, resgata-se a origem dos periódicos no país, bem como o perfil de leitores oitocentistas. Na sequência, examina-se A Mensageira, mapeando suas características tipográficas, seções, gêneros literários e principais autores. Destaca-se sua relevância social, visto que o impresso privilegiou a contribuição letrada feminina. Para cumprir o objetivo proposto, dispõe-se de aporte teórico oriundo dos Estudos de Gênero e da História da Imprensa, além de fontes históricas e documentais
Gonçalves, José Artur Teixeira. Desvendando o método: um estudo sobre a investigação científica em Sherlock Holmes. Curitiba: CRV, 2021, 112 p.
Resenha do livro GONÇALVES, José Artur Teixeira. Desvendando o método: um estudo sobre a investigação científica em Sherlock Holmes. Curitiba: CRV, 2021, 112 p.
Reparar para ensaiar: o devir outro da imagem em Agnès Varda
Neste artigo, buscamos pensar o ensaio através da obra de Agnès Varda, enfocando principalmente dois filmes nos quais o gesto ensaístico se faz a partir de uma fotografia só: Ulysse (1983) é o experimento e a experiência que nos leva a Um minuto por imagem (1993). Em ambos trabalhos, Varda aprende e ensina sobre a singularidade do cinema estar entre a fotografia e o pensamento, e ser concebido de forma processual, porosa e à deriva. Nossa aposta é que o olhar reparador de Varda para a foto, ao conservar a dimensão de alteridade– e em devir – da imagem, faz dela mesma um ensaio em potência capaz de produzir sensibilidades estéticas e políticas