Portal de Periódicos da Faculdade de Letras - UFMG
Not a member yet
5526 research outputs found
Sort by
Ativismo pacifista sob a ótica feminina: a apropriação e a instrumentalização da escrita no romance Shadow on the Hearth
Em 1950, Judith Merril publicou o romance Shadow on the Hearth, o qual narra a história de uma família suburbana típica confrontada com os impactos de um ataque nuclear aos Estados Unidos. O texto apresenta a perspectiva de uma mulher das consequências de uma guerra atômica e funciona como advertência contra os avanços da Guerra Fria. Buscamos, portanto, compreender de que maneira Judith Merril se apropriou da escrita literária e da ficção científica para figurar os impactos de um conflito atômico sobre a vida de mulheres e como essas figurações veiculam discursos pacifistas. Para tanto, buscaremos interpretar Shadow on the Hearth como uma produção literária engajada, escrita e protagonizada por mulheres, de modo que trabalharemos com conceitos e discussões levantadas por pesquisadores como Benoît Denis, Joanna Russ e Elaine Showalter. Além disso, dialogaremos com autores como Brian Attebery e Lisa Yaszek, cujas pesquisas nos possibilitam interpretar esse romance dentro do contexto cultural e literário do campo da ficção científica pulp
História de família: um ensaio sobre O arroz de Palma, de Francisco Azevedo
Durante a pandemia de Covid-19, minha família criou um grupo de leitura. E o livro coletivamente escolhido foi O arroz de Palma, de Francisco Azevedo. Assim, o presente ensaio mostra um pouco do que foi conversado nesses encontros. São apontados elementos como: a construção do narrador; a narrativa lírico-dramática; o sermo humilis; o modo como a obra trabalha legados cristãos feito a Trindade e São Francisco de Assis; o tema do imigrante; a família como tópica do romance brasileiro; e, sobretudo, o ensaio
A quem se endereça este ensaio? Helder Macedo e a herança do erotismo
Este artigo apresenta uma análise do ensaio “Três faces de Eva”, originalmente publicado pelo autor português Helder Macedo, em língua inglesa, em 1998 e republicado em versão traduzida, entre outras vezes, na coletânea de ensaios Camões e outros contemporâneos, em 2017. Levando em consideração a hibridização de gêneros literários comum à obra do autor, acompanhamos em texto seu percurso de aprendizagem como leitor crítico da lírica medieval galego-portuguesa e propomos sua leitura pela via do erotismo. Procuramos, portanto, colher do enunciado do ensaio aquilo que se apresenta como uma enunciação diligente, como uma dedicação amorosa do ensaísta a seus sujeitos-objetos de estudo. Ou ainda, em referência a Eric Landowski, como um movimento de presentificação do outro – neste caso os poetas lidos por Helder Macedo – por meio de um diálogo em ausência. Em última instância, propomos que o ensaio pode ser lido como uma carta de amor a esses autores estudados, ou ainda como uma troca epistolar amorosa reencenada em texto pelo ensaísta
Literatura coutiana: ecos de preservação das tradições de um povo
Nosso propósito, com este trabalho, é estudar os feitos da exploração capitalista em Luar-do-Chão, uma ilha fictícia do romance Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, de Mia Couto (2003). Herança da colonização portuguesa, a exploração capitalista continua mesmo após a independência do país, cujo enredo é atravessado pelas histórias de Moçambique, país natal do escritor. Analisamos o discurso literário, sobretudo o hibridismo caracterizado pelo gênero discursivo carta no romance coutiano. As concepções bakhtinianas sobre a teoria do romance e a cronotopia, junto aos estudos sobre o gênero epistolar, nos auxiliam neste trabalho, alicerçado por duas cartas da obra. Pesquisamos a exploração capitalista representada, as condições e formas em que ocorrem. O estudo faz parte da nossa tese de doutoramento, que se encontra em andamento.
Uma casa não é um lar: O afeto e o espaço físico em Madame Bovary (1856)
Lar é onde o coração está, essa ideia apresenta-se em Madame Bovary através dos traços de afetividade existentes nas descrições dos espaços físicos do romance. Este trabalho explora esse tema por meio da análise de quatro lugares significativos juntamente com apontamentos sobre como o espaço psicológico de Emma Bovary interfere, com a intervenção da voz narrativa, na forma de apresentação dos ambientes. A partir dessas observações, chega-se ao cerne do estudo, uma argumentação sobre a divergência entre o uso de “casa” e “lar” no decorrer do texto e sua significância para a construção do quadro espacial. Isso possibilitou que se identificasse a afetividade da protagonista, exteriorizada pelo narrador, enquanto elemento que influencia e molda a percepção dos ambientes no romance
O ensaio: um modo de dizer nascido da crítica [Entrevista de Grínor Rojo concedida a Alicia Salomone]
“Jovens místicos” em luta contra o capitalismo patriarcal: sobre a reedição de Fada, de Dyonélio Machado
Fada foi um dos últimos romances publicados em vida por Dyonélio Machado (1895-1985) e quase quarenta anos depois recebeu uma segunda edição. Originalmente lançado em 1982 pela Editora Moderna, o romance é agora reeditado pela Editora Zouk, acompanhado de um conjunto de materiais críticos. Buscamos apresentar essa nova edição para leitores interessados na obra desse importante escritor, médico psiquiatra e liderança política de esquerda. Nessa resenha são oferecidas tanto as linhas gerais do enredo de Fada, quanto uma breve descrição dos materiais críticos, presentes nessa reedição. MACHADO, Dyonelio. Fada. 2ª Ed. Porto Alegre: Zouk, 2021. MARTINS, Altair. “Um Dyonelio plural para além de Os Ratos”. In: MACHADO, Dyonelio. Fada. 2ª Ed. Porto Alegre: Zouk, 2021. ROSE, Marco Túlio de. “Um mal-dito que dói”. In: MACHADO, Dyonelio. Fada. 2ª Ed. Porto Alegre: Zouk, 2021
Que escapa: a fuga do ensaio
O artigo visa comparar criticamente as obras de Jean Améry e Vilém Flusser questionando o modo como se relacionam com o ensaio. Se a fuga do ensaio é fuga do ensaio e do ensaio, quer dizer, se a expressão “a fuga do ensaio” comporta ao menos uma ambiguidade entre fugir do ensaio, ou seja, pelo ensaio, com o ensaio, graças ao ensaio, e fugir do ensaio, isto é, fugir para além do ensaio, fugir do gênero ensaio, então é entre “de” como complemento nominal e “de” como genitivo possessivo que é possível situar e organizar duas formas de se relacionar com o ensaio que poderiam ser chamadas de a forma de Jean Améry e a de Vilém Flusser. É na igualdade de significantes e na diferença de significados da expressão que definiriam suas atitudes em relação ao ensaio que se pode traçar as linhas de força de contatos possíveis entre eles quanto a suas estratégias retórico-discursivas, quanto às suas concepções de razão, de subjetividade, mas também de localidade, de vivência, de ser judeu e de exílio