Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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ECONOMÍA CIRCULAR EN LA PRÁCTICA: ANÁLISIS DE COSTOS DE PRODUCCIÓN DE BIODIÉSEL A PARTIR DE ACEITE DE COCINA USADO
El uso de aceite de cocina usado como materia prima para biodiesel sigue los principios de la economía circular, al reducir costos y aumentar la eficiencia de la producción, aprovechando residuos y disminuyendo la dependencia de aceites vírgenes. Este estudio analiza los costos de producción de biodiesel utilizando la metodología de Custeo Basado en Actividades (ABC), con tres procesos de transesterificación alcalina realizados en una biorrefinería a pequeña escala. La viabilidad económica y financiera de la biorrefinería, con una capacidad de 540 toneladas por año en Santa María, se evaluó utilizando indicadores como el Valor Presente Neto (VPN), la Tasa Interna de Retorno (TIR) y el payback descontado. El costo de producción fue de US 0,25 por litro, con la transesterificación representando el 60% de los costos. El aceite de cocina usado representó solo el 21% del costo total. El análisis indicó viabilidad económica para cooperativas y empresas del sector energético, ofreciendo una alternativa sostenible que contribuye a la reducción de desperdicios y al uso de recursos no alimentarios
DEZ ANOS DA REVISTA AGROPAMPA: UMA DÉCADA SEMEANDO CONHECIMENTO NO BIOMA PAMPA
Em 2025, a Revista Agropampa completa com orgulho e entusiasmo uma década de trajetória. Mais do que um marco cronológico, esses dez anos representam a consolidação de um espaço científico fértil, no qual são apresentadas e discutidas descobertas pertinentes a respeito do Agronegócio, oportunizando a difusão de saberes técnico-científicos impreteríveis para o desenvolvimento das atividades agrícolas e o fomento do desenvolvimento sustentável
Bestiário do Pampa: Entre Sombras e Saberes Gaúchos
O presente resumo é um relato de experiência elaborado para o EDITAL n.º 03/2025 Programa de Fomento à Criação Artística (PROARTE 2025). O projeto Bestiário do Pampa: Entre Sombras e Saberes Gaúchos busca documentar, reinterpretar e divulgar mitos e criaturas do folclore gaúcho, integrando pesquisa, ilustração e produção de material educativo. A proposta se fundamenta em estudos decoloniais, que sustentam a valorização de saberes locais e plurais. Neste sentido, o Pampa é aqui compreendido como território estratégico para uma abordagem decolonial, reunindo múltiplas camadas de colonialidade ainda presentes. Marginalizada nos circuitos culturais e acadêmicos, a região abriga uma identidade formada pela confluência de saberes indígenas, africanos e ibéricos. Suas narrativas orais, embora ricas, são historicamente desvalorizadas frente às tradições eurocentradas. Também se configura como zona de fronteira, geopolítica e epistemológica, tensionando noções fixas de identidade e pertencimento. A metodologia adotada combinou etapas de pesquisa bibliográfica, criação artística e desenvolvimento de narrativa ficcional. Foram consultadas obras sobre folclore e tradição oral, bem como fontes digitais contemporâneas, interpretadas como formas contemporâneas de oralidade. Com base nisso, foram elaboradas fichas descritivas no estilo de um caderno de caçador, inspiradas em RPGs como The Witcher e Monster Hunter. Esses materiais combinam informações históricas e culturais com elementos ficcionais, narrando a jornada de um gaúcho caçador pelo Pampa. As criaturas foram ilustradas com técnicas tradicionais e reunidas em um livreto de linguagem acessível, com publicação prevista para outubro de 2025. A seleção inicial inclui dez fichas, composta por lendas amplamente conhecidas, lendas de forte simbolismo local, lendas menos difundidas, além de lendas urbanas. A proposta também busca questionar a visão que relega o folclore brasileiro a um prestígio inferior frente a tradições como as greco-romanas, vikings ou japonesas. Nota-se, em espaços de circulação de discursos públicos, a predominância de visões baseadas no senso comum, que subestimam a força simbólica das lendas nacionais. Como resultados parciais, destaca-se a valorização do folclore como patrimônio imaterial e o reconhecimento da potência das tradições orais frente ao academicismo eurocêntrico. Esses resultados foram observados com a disponibilização de uma prévia textual, ainda sem ilustrações, com três das dez lendas: o Boitatá, amplamente conhecido, o Monstro da Panela do Candal, tradicional em Bagé e a Teiniaguá, menos conhecida. A escolha buscou equilibrar familiaridade, identidade local e novidade, promovendo a coleta de impressões, sugestões e expectativas. A participação envolveu estudantes, docentes, técnicos e comunidade externa, com idades entre 16 e mais de 60 anos. De modo geral, o material foi bem recebido: considerado claro, envolvente e eficaz na aproximação dos leitores com o patrimônio imaterial do Pampa. A experiência reforçou a importância das lendas como elementos de identidade cultural e memória coletiva, contrapondo-se ao olhar acadêmico tradicional. A boa recepção também evidenciou o potencial do bestiário para uso pedagógico, cultural e turístico, consolidando-o como ferramenta que vai além do entretenimento, contribuindo para a valorização crítica da região. As preferências apontadas ajudaram a mapear diferentes dimensões de interesse. O Boitatá reforça a continuidade da tradição pelo seu simbolismo já conhecido; a Teiniaguá desperta curiosidade e amplia os horizontes do imaginário, mesmo que nem todos a tenham considerado tão envolvente; já o Monstro da Panela do Candal se destacou como forte expressão da identidade bageense, revelando o poder das narrativas locais em despertar pertencimento e orgulho comunitário. Entre as sugestões, destacou-se o papel das ilustrações como elemento central na experiência, além do incentivo à ampliação do bestiário com novas figuras, incluindo mitos urbanos e personagens como o lobisomem, já previstos no escopo do projeto. Em síntese, a prévia confirmou a relevância cultural, pedagógica e patrimonial da iniciativa, demonstrando sua capacidade de dialogar com públicos diversos e de promover uma valorização crítica do imaginário pampeano. Com a publicação prevista para outubro e a apresentação no 17º SIEPE/UNIPAMPA em novembro, espera-se que o projeto gere impactos concretos tanto na comunidade acadêmica quanto na externa, ampliando o acesso e o reconhecimento da riqueza cultural do Pampa
Attack On Titan: Ilusão da Liberdade em Uma Análise Sociológica com Bourdieu, Foucault e Platão
A animação japonesa, Attack on Titan ficou conhecida não apenas pelas suas cenas de ação insana e sua filosofia brutal, mas também pela sua violência que não é apenas uma estética, é estrutural, mas o objetivo que queremos analisar é, como essa animação apresenta um espelho da nossa realidade. A obra traz os questionamentos dos nossos conceitos sobre o que é certo ou errado, o que é liberdade (estar livre) e opressão, o que é considerado herói ou vilão. A história inicialmente começa com Titãs (criaturas gigantescas e grotescas), que segundo a mitologia são filhos de deuses, devorando os humanos restantes de uma certa ilha, mas logo se desenrola, e mostra que os inimigos não são apenas essas criaturas, a trama aborda a estrutura de poder, a manipulação de massas, povos em guerras, xenofobia, ciclos de ódio e uma história que envolve traições e sacrifícios. A obra nós faz refletir o que significa liberdade, o que significa lutar pela liberdade, o que significa estar livre? O que é justiça, quando todos têm suas razões, suas crenças? Attack on titan é um complexo reflexo de vivências humanas: uma trama política camuflada de shounen (animação). O presente trabalho adota uma abordagem de natureza qualitativa, fundamentada em pesquisa bibliográfica e analítica. A escolha dessa metodologia justifica-se pelo objetivo central de compreender, por meio de referenciais teóricos e da análise de uma obra cultural contemporânea, os mecanismos de poder, controle social e construção simbólica da realidade. A pesquisa bibliográfica foi conduzida a partir de materiais acadêmicos que discutem os conceitos de poder, dominação, distinção social e percepção da realidade. Entre os principais referenciais utilizados, destacam-se a obra A Distinção: Crítica Social do Julgamento de Pierre Bourdieu, Vigiar e Punir de Michel Foucault, e o Mito da Caverna, de Platão. Esses autores fornecem o arcabouço teórico necessário para compreender os processos sociais de hierarquização, disciplinamento e construção da verdade. Paralelamente, a análise tem como objeto cultural a animação japonesa Attack on Titan, utilizada como ferramenta de reflexão crítica acerca da estruturação social e das representações de poder, liberdade e dominação. A escolha da obra se justifica por sua complexidade narrativa e pela riqueza de elementos que permitem aproximações com os referenciais teóricos adotados. Os materiais analisados evidenciam o potencial e a dinâmica das animações como instrumentos de crítica social e choque de realidade transformando-as em ferramentas de autoanálise, contribuindo para o debate interdisciplinar entre sociologia, filosofia e cultura pop. Podemos observar as ação cotidianas como base, desde a hora em que acordamos, até a hora em que iremos dormir, a nossa vida é planejada e se algo sai fora do que está previsto, já temos um caos instaurado. Na animação podemos observar que o personagem principal sofre constantemente com a dura realidade de falsa liberdade e noções de poder, lutando a favor do sistema, porém sempre se questionando se o que acontece com eles é correto ou não, com o desenvolvimento da trama a percepção de poder muda conforme a maturidade do personagem se molda, e percebemos que a dinâmica do sistema da série é relacionada a falsa esperança, ao orgulho, ao poder e a sobrevivência e o preço a se pagar por eles. Attack on Titan representa estruturas sociais excludentes, o papel do medo na manutenção do controle social e a construção de identidades através da alteridade (o "inimigo"). A série pode ser interpretada como uma metáfora de questões sociais reais, como xenofobia, segregação, nacionalismo e militarização. Nos primeiros episódio da animação japonesa podemos perceber " a humilhação de ser mantido em uma jaula", como meio de repreensão, a fé presente como manipulação - pensar em sair das muralhas que foram construídas como astigmatismos e doutrinas enquanto tabus, os humanos contra os próprios filhos dos deuses no caso os ditos Titãs e o rompimento de tabus. Do ponto de vista platônico, o anime se aproxima da alegoria do Mito da Caverna ao representar uma sociedade aprisionada por barreiras físicas e cognitivas, na qual a liberdade é concebida como uma saída para além daquilo que é visível e imposto. Já a partir da leitura foucaultiana, a obra ilustra mecanismos de vigilância, punição e disciplinar, especialmente nas formas de controle institucional e militar que estruturam a vida dos personagens. Em diálogo com Bourdieu, observou-se que as hierarquias sociais, distinções simbólicas e disputas de poder presentes na trama refletem processos de reprodução de desigualdades e de legitimação de posições de dominação. Por fim pode-se dizer, que este trabalho nos mostra como podemos observar a sociedade contemporânea com outros olhos, outra perspectiva, através de outras maneiras, lentes ou até mesmo pontos de vista
Campanha Publicitária Provoke Neabi
O trabalho apresentado é uma campanha publicitária desenvolvida pela agência experimental Jeanz Comunicação, como parte da disciplina de Agência II do curso de Publicidade e Propaganda da UNIPAMPA, campus São Borja. A campanha foi concebida para os Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABIs dos dez campi da Instituição), espaços que atuam na promoção da educação antirracista, inclusiva e transformadora. Diante da baixa visibilidade desses dentro da universidade e da persistência de manifestações de racismo no ambiente acadêmico, a campanha buscou posicioná-los como espaços de acolhimento, denúncia e formação, enfatizando que combater o racismo é uma responsabilidade coletiva. O conceito criativo adotado foi Provoque seu Racismo, inspirado na ideia de provocar desconforto e pelo impacto tanto visual como verbal, trazendo assim uma reflexão necessária para que estudantes, professores e servidores reconheçam práticas racistas feitas nas entrelinhas do cotidiano e passem a enfrentá-las ativamente. A identidade visual e textual foram inspiradas por movimentos de contracultura que são diretamente marcados pela força visual, resistência e contestação, transmitindo urgência e impacto. O produto final se constituiu em uma campanha antirracista integrada e multiplataforma, com peças digitais e físicas, unificadas pela estética provocativa e pelo apelo à consciência crítica. A campanha foi embasada em uma análise exploratória do papel dos NEABIs e da realidade da comunidade acadêmica da UNIPAMPA que é marcada por uma diversidade étnica e cultural. Os dados mostram que apesar da institucionalização do projeto muitas pessoas ainda desconhecem as funções ou não reconhecem o racismo presente no cotidiano universitário, formando assim o diagnóstico do problema de comunicação que guiaria a elaboração da campanha: Como uma campanha antirracista, em articulação com os NEABIs, pode enfrentar as manifestações cotidianas de racismo na universidade? Assim pensando em como a campanha atingiria tanto alunos quanto professores que representam entre os principais agentes e vítimas dessas práticas, exigindo uma forma de comunicar que fosse simultaneamente informativa, impactante, reflexiva e que realmente trouxesse algum resultado transformador nem que seja pelo desconforto. A partir disso, foram definidos como público primário professores e alunos da Unipampa, com foco especial nos que ainda não reconhecem o racismo institucional ou não sabem como agir diante dessas situações, já o público secundário abrange os demais membros da comunidade acadêmica, como técnicos-administrativos, funcionários terceirizados e gestores, que também compõem o ambiente universitário e têm papel importante na promoção de um espaço acolhedor, inclusivo e livre de discriminação. A produção da campanha seguiu a partir do conceito Provoke NEABI que também foi a assinatura da campanha, ele surgiu como uma forma de destacar, desafiar e confrontar as normas sociais e os preconceitos raciais no ambiente universitário. A proposta é provocar no sentido de gerar incômodo e reflexão para que a comunidade acadêmica reconheça como falas, atitudes e comportamentos cotidianos podem carregar e reproduzir práticas racistas. Junto da assinatura da campanha surgiu o slogan Provoque seu racismo que nasceu da urgência de deslocar o discurso antirracista do campo da teoria para o da prática cotidiana, interpelando diretamente o indivíduo e suas atitudes. Em vez de apontar o racismo apenas no outro ou nas estruturas macro, o slogan convoca o sujeito a um mergulho desconfortável e necessário em si mesmo. Para essa campanha, foram pensadas estratégias de comunicação integradas, que combinam ações online e offline a fim de provocar impacto tanto no ambiente digital quanto nos espaços físicos dos campi. No ambiente online, foram produzidos dois cards, sendo o primeiro para apresentar a campanha e o segundo para divulgar o Manual Atitude Antirracista, produzido especialmente para a campanha; um reels com depoimentos de estudantes relatando experiências de racismo na Unipampa; três stories com frases de impacto para estimular a reflexão e a leitura do manual; além do próprio manual digital em PDF, elaborado como guia educativo e de fácil acesso para toda a comunidade acadêmica. Já nas ações offline, a campanha conta com um stand interativo, no qual uma roleta de frases e provocações antirracistas instiga a reflexão e a troca de experiências entre os participantes; cartazes inspirados na estética de conteúdo sensível das redes sociais, que exigem interação para revelar mensagens ocultas sobre o racismo; e um fanzine em formato de mini-livro, com linguagem acessível e informações sobre os tipos de racismo, canais de denúncia e atitudes antirracista. O conjunto das peças foi planejado para provocar reflexão crítica e estimular a mudança de postura
Perfil das Crianças e Famílias Atendidas Pelo Projeto Unipampa Kids
Os projetos de ação social em uma instituição de ensino superior têm como objetivo promover impacto positivo na comunidade acadêmica, ao mesmo tempo em que fortalece a formação dos estudantes. De forma simples, busca soluções para necessidades sociais reais, desenvolvendo competências técnicas, éticas e socioemocionais. Na Universidade Federal do Pampa, campus Uruguaiana, o projeto de ação social Espaço UNIPAMPA Kids se destaca pela sua importância social e acadêmica, proporcionando apoio a discentes, docentes e servidores que precisam conciliar atividades profissionais e acadêmicas com os cuidados dos filhos. O projeto surgiu como uma resposta concreta a uma demanda recorrente da comunidade universitária: em garantir que os pais e mães possam se manter ativos em seus estudos e carreiras, sem abrir mão da segurança, do desenvolvimento e do bem-estar das crianças e com isso poder concretizar as suas demandas acadêmicas. Mais do que um local de acolhimento, o espaço configura-se como uma estratégia institucional de inclusão e permanência, permitindo que a universidade atenda às necessidades reais de sua comunidade. funcionamento do projeto está organizado nos três turnos cobrindo diferentes demandas e possibilitando que mães com rotinas variadas utilizem o serviço conforme suas necessidades. A disponibilidade do turno noturno merece destaque especial, uma vez que atende, sobretudo, estudantes de graduação e pós-graduação que frequentemente têm compromissos acadêmicos após o horário comercial. Essa organização dos horários assegura maior abrangência e contribui para que o projeto atenda um público diversificado, conciliando atividades acadêmicas e profissionais com o cuidado dos filhos. O atendimento é realizado por bolsistas da instituição, que atuam de forma organizada em escalas, garantindo supervisão responsável e qualificada. A adesão ao projeto ocorre, em sua maioria, mediante agendamento prévio, realizado de forma online por meio de um link disponibilizado pela universidade. Para efetivar a solicitação, é necessário utilizar o e-mail institucional do responsável e preencher dados básicos sobre a criança e seu cuidador. Esse sistema de agendamento assegura controle do fluxo de usuários, otimiza a ocupação das vagas e permite que a equipe de bolsistas organize a rotina de cuidados de forma planejada. Além disso, possibilita à universidade acompanhar de maneira sistemática o perfil das famílias que utilizam o espaço. O levantamento de dados do projeto revelou que atualmente 15 crianças são atendidas de forma contínua, enquanto outras mais de 40 estão cadastradas para agendamentos eventuais. Esse dado demonstra que o impacto do espaço vai além do grupo fixo, alcançando um número expressivo de famílias que recorrem ao serviço em momentos de maior necessidade. Quanto ao perfil das crianças, observou-se predominância da faixa etária correspondente à educação infantil e aos anos iniciais do ensino fundamental. Já em relação às famílias, verificou-se que a maior parte é composta discentes da graduação, seguido de docentes e servidores técnico-administrativos, o que reforça o caráter estratégico do projeto. Ao analisar os resultados, percebe-se que o Espaço UNIPAMPA Kids não se limita à função do cuidado, mas oferece um ambiente educativo e integrador. A continuidade desse projeto é indispensável para assegurar que a UNIPAMPA siga sendo uma instituição comprometida com o futuro de seus discentes, docentes e servidores, bem como com a formação de cidadãos que vivenciam, em seu cotidiano, uma universidade mais justa, inclusiva e socialmente responsável
Neabi João Brás da Silva: Memória, Cultura e Resistência na Unipampa
O Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) tem desempenhado um papel central na promoção de pesquisas, debates e ações voltadas para a valorização das identidades e relações étnico-raciais. Em 2018, o NEABI do Campus Alegrete passou a se identificar com o nome do carnavalesco e militante João Brás da Silva, figura simbólica da resistência negra e da cultura popular alegretense. Nesse contexto, surgiu o documentário João Brás da Silva, Mais Brasileiro Impossível, exibido no IV Congresso de Pesquisadores/as Negros/as da Região Sul (COPENE SUL), em Jaguarão, em 18 de julho de 2019, representando não apenas uma homenagem, mas também um registro histórico e cultural. O presente trabalho tem como objetivo revisar e discutir a trajetória de João Brás da Silva, destacando sua relevância cultural, educacional e política, bem como analisar o impacto da sua identidade associada ao NEABI. Busca-se compreender como a produção audiovisual da Unipampa contribui para preservar a memória de um líder comunitário e, ao mesmo tempo, reforça a missão do NEABI na luta contra o racismo e na valorização das populações afrodescendentes e indígenas. A metodologia consiste em uma revisão bibliográfica e documental, com base em materiais institucionais, entrevistas e no próprio documentário produzido pelos acadêmicos da Unipampa, sob orientação do Professor Doutor Roberlaine Ribeiro Jorge. Foram analisados relatos, falas de João Brás e registros históricos que evidenciam sua atuação no carnaval, na militância antirracista e no incentivo à educação. A escolha pela revisão permitiu articular a produção cultural acadêmica com os objetivos do NEABI, contextualizando o documentário no cenário do COPENE SUL. Os resultados apontam que João Brás da Silva representa um elo entre tradição, resistência e educação. Sua história de vida, marcada pela luta contra as adversidades, pelo autodidatismo e pela defesa da igualdade, inspira não apenas a comunidade de Alegrete, mas também o movimento negro da região Sul. O documentário destaca momentos significativos de sua trajetória, como sua iniciação na leitura motivada pelo canto dos pássaros, a criação de blocos carnavalescos e escolas de samba, além da fundação da Império do Brás em protesto ao racismo. A produção audiovisual também ressalta sua convicção de que a educação é luz, equilíbrio e liberdade, mensagem transmitida às novas gerações. A participação do NEABI no IV COPENE SUL com este material reforça a importância de ações de extensão universitária como instrumentos de preservação da memória e valorização cultural.Conclui-se que a associação do nome de João Brás da Silva ao NEABI do Campus Alegrete constitui um ato político, educativo e cultural de grande relevância. O documentário Mais Brasileiro Impossível materializa a missão do núcleo ao registrar e divulgar a trajetória de uma liderança negra local, ao mesmo tempo em que fortalece o compromisso da Unipampa com a luta antirracista. Como parte da atividade de apoio à Gestão do NEABI João Brás da Silva (Chamada Interna PROCADI nº 04/2025), atuamos, como bolsistas, na criação do perfil do Instagram do referido Núcleo que pretende manter viva a memória dos movimentos antirracistas do município de Alegrete. O trabalho evidencia que a memória de João Brás transcende o carnaval e alcança dimensões educativas e sociais, reafirmando o papel do NEABI como espaço de produção de conhecimento crítico e de valorização das identidades afro-brasileiras e indígenas
Mães Estudantes: Um Projeto de Apoio S Estudantes da Unipampa - Campus Bagé
A importância de uma rede de apoio para mães estudantes universitárias em universidades federais. Este artigo é um estudo preliminar, realizado a partir do projeto Mães estudantes: um projeto de acolhimento e apoio às estudantes da UNIPAMPA - Campus Bagé que se desenvolve desde 2024 no âmbito da Pró-Reitoria de Comunidades, Ações Afirmativas, Diversidade e Inclusão (PROCADI) e da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Assistência Estudantil (PRODAE) da Universidade Federal do Pampa. Esse projeto surge da necessidade de que as estudantes enfrentam em conciliar os estudos com a maternidade nunca foi uma tarefa fácil, e essa realidade se torna ainda mais desafiadora quando falamos das mães estudantes. No Brasil, milhões de mulheres enfrentam diariamente a difícil missão de equilibrar responsabilidades acadêmicas, o cuidado com os filhos, as tarefas domésticas e, muitas vezes, a necessidade de trabalhar para garantir o sustento da família. Esse acúmulo de funções afeta diretamente a permanência no ensino superior, contribuindo para os altos índices de evasão. De acordo com dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2023), existem cerca de 11 milhões de mulheres que criam seus filhos sozinhas no país. Dentre elas, aproximadamente 1,3 milhão são estudantes universitárias, um número que evidencia a existência de um grupo numeroso, mas frequentemente invisibilizado nas políticas educacionais. Nesse contexto, é fundamental ressaltar que este projeto e a formação de uma rede de apoio para mães estudantes se tornam ainda mais relevantes ao se tratar de uma universidade federal. Conforme aponta a "Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos Graduandos das Instituições Federais de Ensino Superior" (2018), divulgada pela Andifes, mais de 70% dos estudantes das universidades federais brasileiras têm uma renda familiar per capita de até 1,5 salário mínimo. Isso revela que essas instituições são, majoritariamente, frequentadas por estudantes de estratos socioeconômicos mais baixos, o que torna os desafios da permanência ainda mais agudos, especialmente para as mulheres que precisam dividir seu tempo entre o papel de mãe, estudante e trabalhadora. Uma parcela significativa dessas mães enfrentam uma realidade extremamente difícil: para conquistar uma formação profissional, é comum que precisem sair de suas cidades de origem, deixando seus filhos sob os cuidados de outras pessoas. Isso significa abrir mão de acompanhar o crescimento dos seus filhos durante um período crucial da infância, por não haver com quem deixá-los enquanto frequentam aulas, estágios obrigatórios ou outras atividades acadêmicas. Essa separação forçada impõe uma sobrecarga emocional e psicológica que não pode ser ignorada. Nesse sentido, é essencial destacar que a universidade não deve ser apenas um espaço de acesso, mas também de permanência com dignidade. A criação de uma rede de apoio institucional para mães estudantes, que envolve ações concretas como: bolsas de permanência, auxílio-creche, flexibilização de prazos e horários, espaços de acolhimento infantil, e atendimento psicológico, é uma medida urgente e necessária. Os dados do Censo Demográfico (IBGE, 2022) reforçam essa realidade: 86,4% dos lares compostos por adultos que vivem sozinhos com seus filhos são chefiados por mulheres. Apesar dos desafios, muitas delas persistem, resistem e veem na educação uma oportunidade de reconstruir suas histórias. Cada diploma conquistado por essas mães representa mais do que uma realização pessoal simboliza um ato de resistência, um passo rumo à independência e a esperança de um futuro melhor para suas famílias. Todo o exposto, justifica a importância e relevância deste projeto, pois ele é urgente e necessário. Ao investir em políticas de apoio às mães estudantes, estamos investindo diretamente na transformação da sociedade. Garantir que essas mulheres possam estudar, se formar e conquistar autonomia é contribuir para a quebra de ciclos de pobreza, desigualdade e exclusão. A universidade precisa caminhar junto com essas mulheres, reconhecendo suas lutas e criando condições reais para que elas permaneçam e tenham sucesso na vida acadêmica e profissional
Desenvolvimento de App para Facilitar o Tratamento da Leishmaniose
A leishmaniose é uma doença infecciosa grave que acomete tanto humanos quanto animais, sendo considerada um importante problema de saúde pública. Sua incidência tem aumentado nos últimos anos, principalmente em áreas endêmicas como a fronteira oeste do Rio Grande do Sul, o que reforça a necessidade de desenvolver estratégias mais eficazes para o diagnóstico, controle, prevenção e tratamento. Entre os animais, os cães representam um dos principais hospedeiros do parasita, desempenhando papel relevante na manutenção do ciclo de transmissão. O tratamento da leishmaniose canina envolve a administração de medicamentos específicos, como miltefosina, alopurinol e domperidona. Contudo, a definição correta da dose depende de fatores como peso corporal, porte do animal, estágio da doença e formulação disponível. Erros na prescrição podem comprometer a eficácia terapêutica, prolongar o tempo de recuperação, aumentar o risco de efeitos colaterais e até contribuir para a resistência do parasita. Por essa razão, a determinação exata da dosagem é um processo crítico que exige atenção, precisão e conhecimento técnico, principalmente em regiões com alta prevalência da doença. Diante desse cenário, surgiu a proposta de desenvolver uma ferramenta digital capaz de auxiliar profissionais veterinários no cálculo preciso e rápido das doses de medicamentos. O objetivo principal deste trabalho foi criar um aplicativo que oferecesse segurança, praticidade e agilidade na prescrição, reduzindo a margem de erro humano e otimizando o manejo clínico. Inicialmente, o projeto foi desenvolvido como um site interativo, com uma interface simples e intuitiva, onde o usuário inseria o peso do paciente e recebia automaticamente a dose ideal de cada fármaco. Essa abordagem buscava agilizar o processo de prescrição e apoiar veterinários na tomada de decisões mais seguras. No entanto, visando maior acessibilidade e portabilidade, o sistema evoluiu para um aplicativo mobile, permitindo que os cálculos sejam realizados diretamente no ambiente clínico e até em locais com conectividade limitada ou inexistente. O aplicativo foi estruturado para calcular não apenas a dose em miligramas, mas também para converter automaticamente o valor no número exato de comprimidos ou no volume em mililitros das formulações líquidas disponíveis. Essa funcionalidade reduz o tempo necessário para a prescrição e minimiza possíveis erros de conversão, garantindo maior segurança para o paciente e eficiência para o profissional. Além disso, o app conta com um sistema de armazenamento interno que registra todas as doses calculadas, permitindo que o veterinário consulte históricos de prescrição, acompanhe a evolução do tratamento e realize ajustes terapêuticos sempre que necessário. Outro diferencial é a possibilidade de personalização: o usuário pode editar informações, atualizar dados e adicionar novos medicamentos à base interna, tornando o sistema altamente adaptável às necessidades clínicas de cada individuo, podendo ser utilizado tanto no meio profissional, quanto ao privado. Graças à sua arquitetura flexível, o aplicativo pode, no futuro, expandir seu banco de dados para incluir outros fármacos e diferentes vias de administração, possibilitando o cálculo automatizado de doses para diversas patologias além da leishmaniose. Dessa forma, a ferramenta se estabelece como uma solução digital robusta, com potencial de se transformar em um recurso de apoio essencial na rotina veterinária, promovendo um manejo mais seguro, preciso e eficiente para os pacientes
Vivências e Narrativas da Pandemia: Diálogos em História da Educação em Tempos de Isolamento
Iniciativas que divulgam e registram experiências e trajetórias de pesquisadores são essenciais para evocar as memórias da educação e para o fortalecimento de discussões na área. Foi com esse objetivo que durante o período da pandemia do Covid-19, surgiu o projeto de extensão Diálogos sobre História da Educação e Formação de Pesquisadores em Tempos de Pandemia, promovido pelo Grupo de Pesquisa em História da Educação, Repositórios Digitais e Acervos Históricos (PHERA) e pelo Repositório Digital de História da Educação Tatu. Atualmente, estão disponibilizadas no canal do YouTube do Grupo de Pesquisa em História da Educação, Repositórios Digitais e Acervos Históricos (PHERA) as entrevistas remotas que reuniram importantes pesquisadores de grandes universidades do país, os quais compartilharam suas experiências profissionais e reflexões sobre o fazer docente na área. O presente trabalho tem como objetivo analisar o projeto de extensão que foi realizado nos anos de 2021 e 2022, que totalizou 20 entrevistas com pesquisadores da área de História da Educação, a partir de suas contribuições para a área da pesquisa e para o campo educacional. Além disso, elencam-se como objetivos específicos: comparar o perfil dos entrevistados; e identificar os principais temas abordados nas entrevistas. A metodologia utilizada para a avaliação das entrevistas caracteriza-se pela análise de conteúdo (BARDIN,1977) e contou como passo inicial o acesso às vinte entrevistas que compõem os vídeos disponíveis no canal do youtube: (https://www.youtube.com/@taturepositoriodigital83). Após esse primeiro contato com o material, foi registrada a relação entre ao lugar docente e do pesquisador e as instituições que pertenciam cada um dos entrevistados, sendo demarcado logo na sequência aspectos como: os assuntos abordados nas entrevistas, o tempo de cada entrevista, a data e o número de visualizações que cada vídeo obteve. Os resultados encontrados após a análise dos eventos mostram que os entrevistados eram docentes e pesquisadores de diferentes universidades federais e estaduais do país, dentre elas estão: Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Universidade de Caxias do Sul (UCS), Universidade de Pernambuco (UPE), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), entre outras.Os entrevistados abordaram temas relacionados às suas trajetórias de formação, suas experiências profissionais e suas experiências como pesquisadores na área da História da Educação. A média de duração das entrevistas variou entre 1h30 a 2h, considerando que o período datado de julho de 2020 a dezembro de 2021 atingiu um número variável entre 18 e 98 visualizações. Os resultados demonstram que embora fossem distintos em suas origens, cargos e instituições, os participantes partilharam do desejo comum relacionado ao compromisso com a valorização da memória como elemento fundamental na formação docente. Outro aspecto importante foi a aceitação do público em relação às entrevistas, pois apesar das visualizações não possuírem um alcance crescente, ainda sim lograram constância, o que demonstrou um bom interesse dos espectadores, mesmo levando em consideração o cenário pandêmico. Após a análise dos eventos, do comparativo entre o perfil dos entrevistados e da identificação dos principais temas abordados nas entrevistas, a fim de compreender quais foram as contribuições para a História da Educação e para as práticas pedagógicas de extensão, conclui-se que o ciclo de entrevistas foi de extrema importância para as áreas da História da Educação e História Digital da Educação, pois mesmo no contexto da pandemia do Covid-19, obteve-se um espaço de diálogo entre educadores e alunos, onde foram expostas metodologias e práticas do fazer docente vivenciadas pelos historiadores, relatos sobre suas trajetórias profissionais, seus desafios e suas motivações, servindo para valorizar a memória e oralidade através do digital, e inspirando, de mesmo modo, os futuros historiadores e docentes em formação que mantiveram um índice de visualizações constante durante ambos os eventos