Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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    Produção e Avaliação de Espumas Vítreas para Isolamento Térmico Sustentável na Construção Civil

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    A construção civil, uma das maiores indústrias do Brasil, está entre as mais poluentes, principalmente devido ao uso incessante de recursos naturais. Assim, a procura por soluções que combinem eficiência energética e sustentabilidade tornou-se essencial. Dessa forma, o isolamento térmico, fundamental para melhorar o desempenho energético de edifícios e instalações industriais, tem sido um tema em debate no país. No entanto, os materiais de isolamento tradicionais, como a lã de vidro e o poliestireno, são prejudiciais ao meio ambiente, tanto por conta de sua produção quanto pelo descarte. Paralelamente, materiais como o vidro utilizado em embalagens, e a cinza proveniente da casca do arroz, um resíduo gerado durante a produção agrícola, muitas vezes são descartados de forma inadequada. Sem processos eficazes de reciclagem ou alternativas de reaproveitamento, esses resíduos acabam se acumulando em aterros, agravando a poluição e sobrecarregando esses locais. Diante disso, as espumas de vidro surgem como uma alternativa inovadora, aproveitando esses resíduos para substituir materiais convencionais de isolamento. Neste sentido, além de oferecerem alta eficiência térmica, essas espumas transformam resíduos em produtos valiosos para uma construção civil mais sustentável e energeticamente eficiente. Primeiramente, para a produção das espumas vítreas, foram utilizados pó de vidro reciclado (PV), cinza da casca do arroz (CCA) com granulometria inferior a 150 μm e carbonato de cálcio (CaCO₃) como agente espumante. As amostras foram preparadas com massa total de 40 g, contendo uma mistura de PV e CCA na proporção de 80% e 20% da massa total, além de variações no teor de CaCO₃ (0, 2, 2,5 e 5%). Após a secagem em estufa, as amostras foram submetidas ao forno mufla, nas temperaturas de 950, 1000 e 1030 °C. Em seguida, foram realizadas análises de compressão axial, morfologia, densidade aparente e condutividade térmica, identificando como mais eficiente a amostra com 2% de CaCO₃ sinterizada a 1000 °C. Esta amostra foi utilizada para a confecção de uma placa de espuma de vidro com 20 mm de espessura e dimensões de 1,5 x 1,5 m. Essa placa foi instalada em conjunto com um forro de gesso de 12,5 mm de espessura, aplicado a um modelo de alvenaria em escala reduzida (1,5 x 1,5 m, com pé-direito de 1,1 m). Um segundo modelo, com as mesmas dimensões, foi construído como referência, contendo apenas o teto de gesso. Ambos os protótipos foram montados em campo aberto no município de Alegrete, Rio Grande do Sul, com cobertura em telhas de fibrocimento de 6 mm. O desempenho térmico da espuma de vidro foi avaliado por meio de comparação entre as temperaturas registradas nos dois modelos. Para isso, sensores de temperatura conectados a uma placa Arduino e montados em uma protoboard foram programados para coletar e armazenar os dados em um cartão SD a cada 30 minutos, no período de 5 de abril de 2025, às 14h, até 14 de abril de 2025, à meia-noite. Os sensores foram posicionados na superfície superior do teto e outro na superfície inferior. As temperaturas registradas, foram comparadas entre os dois modelos, e a análise dos perfis térmicos revelou que a superfície superior do modelo com revestimento em espuma vítrea apresentou temperaturas mais elevadas do que o modelo de referência, sobretudo nos horários de maior incidência solar. Em contrapartida, a superfície inferior do teto revestido manteve, na maior parte do tempo, temperaturas iguais ou inferiores às observadas no modelo de controle. Esse comportamento confirma a atuação da espuma de vidro como barreira térmica, restringindo a transferência de calor para o interior do ambiente. O maior ΔT observado ocorreu em 11 de abril, às 12h30, quando o modelo com espuma atingiu cerca de 6,0 °C, contra aproximadamente 2,8 °C no modelo de referência uma diferença relativa de 114%. Outro exemplo foi registrado em 10 de abril, às 13h, com ΔT de 5,6 °C no modelo revestido, contra 3,1 °C no modelo de referência, representando um aumento de 80,6%. Esses resultados demonstram que a aplicação da espuma vítrea no forro contribuiu para um desempenho térmico mais eficiente, reduzindo a passagem de calor do telhado para o interior e atuando como barreira condutiva, especialmente durante a maior radiação solar. Além do efeito térmico, foi estimado o impacto prático em termos de economia de energia. Considerando que a redução de apenas 1 °C e levando em conta a tarifa média de energia elétrica residencial no Brasil em 2025 (R0,885/kWh)eumfluxoteˊrmicoreduzidode100W/m2,aeconomiapotencialultrapassaR 0,885/kWh) e um fluxo térmico reduzido de 100 W/m², a economia potencial ultrapassa R 400. Portanto, além dos benefícios econômicos, a menor demanda por refrigeração reduz o consumo de eletricidade proveniente de fontes fósseis. De modo geral, os resultados obtidos confirmam a viabilidade técnica da espuma vítrea como material de isolamento térmico eficaz, destacando seu potencial para promover eficiência energética e sustentabilidade no setor da construção civil

    Desenvolvimento de Membrana Polimérica de Pcl Eletrofiada: Potencial Aplicação em Curativos Tópicos.

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    A alta demanda por curativos para aplicação em lesões tópicas, como queimaduras, contusões, cortes, perfurações, lacerações, úlceras crônicas e abrasões, tem instigado a pesquisa na área da engenharia de tecidos por materiais poliméricos que possam acelerar o processo de cicatrização, além de reduzir o risco de infecção. O curativo biopolimérico destinado ao tratamento de feridas deve apresentar elevada biocompatibilidade celular, propriedades antioxidantes e antimicrobianas, além de adequada permeabilidade ao oxigênio e capacidade de manter o microambiente úmido, promovendo a regeneração tecidual e acelerando os processos de cicatrização. A policaprolactona (PCL) é um polímero sintético biodegradável que, quando eletrofiado, forma fibras semelhantes às fibras presente no corpo humano, o que a torna favorável para aplicação em lesões que necessitem de uma regeneração tecidual, atuando como suporte estrutural nas mesmas. Além disso, pode formar uma barreira protetora para a ferida, protegendo-a de agentes externos e evitando sua exposição à bactérias, fungos e microrganismos, promovendo melhor cicatrização. Estudos recentes também destacam a lenta taxa de degradação do PCL, fator esse que garante maior estabilidade perante o tratamento, pois além de permitir que curativos com entrega de fármacos fiquem ativos por mais tempo, também evita trocas frequentes do curativo em feridas crônicas. A partir disso, este trabalho teve como objetivo desenvolver uma membrana polimérica eletrofiada com policaprolactona (PCL) para possível aplicação em curativos tópicos. A membrana polimérica foi obtida a partir do método de electrospinning, utilizando-se uma solução 70:30 (v/v) de etanol e clorofórmio e 15% (m/v) de PCL. A amostra foi coletada em uma placa contendo uma camada de papel alumínio, localizado a 20 cm de distância de uma agulha de 0,8 mm, alocada em uma seringa de 5 mL. O processo foi realizado sob condições controladas de temperatura (18 ± 2 °C), umidade relativa (48 ± 2%), voltagem (17 kV) e vazão da solução polimérica (1 mL/h). A membrana foi caracterizada quanto a espessura, a partir de um micrômetro (Insize, model IP65), medindo-se 10 pontos aleatórios. A solubilidade em água foi determinada a partir de amostras de 1cm2, secas em estufa a 20 °C por 40 min e pesadas para determinação da massa inicial, logo após foram imersas em 25 mL de água destilada por 1440 min. Em seguida, filtradas e secas novamente para obter-se a massa final. O índice de intumescimento foi determinado de forma análoga à solubilidade, com a pesagem final realizada sem a secagem por 1440 min. O resultado para espessura foi de 0,265 ± 0,027 mm, o que de acordo com a literatura proporciona conforto na utilização do curativo mesmo quando há movimentação da área de aplicação. A solubilidade em água foi de 41,48 ± 13,81 e o índice de intumescimento 120,93 ± 43,39 %, evidenciando a capacidade da membrana de absorver fluidos aquosos, além de controlar a umidade na área lesionada. As análises realizadas evidenciam que a membrana polimérica formada apresenta características adequadas para agir como curativo tópico para as feridas, visto que suas propriedades reforçam sua possível utilização como material para auxílio na cicatrização e proteção de feridas. Diante disso, este estudo evidencia potencial para futuras pesquisas em incorporação de agentes bioativos, com liberação controlada de fármacos que tenham fatores hidratantes, antifúngicos, antimicrobianos e anti-inflamatórios

    Impacto do Uso de Biossensores Como Metodologia Ativa no Ensino e Aprendizagem de Fisiologia Humana

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    A Fisiologia Humana é disciplina fundamental na formação de profissionais da saúde e requer inovação no seu ensino. Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos do uso de sensores para coleta de dados biológicos reais (biossensores) em aulas práticas de Fisiologia Humana no ensino e aprendizagem de estudantes da área da saúde. O estudo, aprovado no CEP (6.646.888) da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), foi realizado com 42 estudantes (32 mulheres e 10 homens) matriculados no componente curricular Fisiologia Humana I dos cursos de graduação em Enfermagem (n = 14; 33,33%) e Fisioterapia (n = 28; 66,67%) da Unipampa, campus Uruguaiana (RS), no segundo semestre letivo de 2024. O estudo seguiu as seguintes etapas: (i) aula expositiva dialogada acerca da Fisiologia do Sistema Nervoso (SN) - atividade cerebral/cognição (Funções encefálicas); (ii) aula prática em laboratório, momento no qual foi utilizado o sensor de biopotencial associado à plataforma de ensino online Lt da ADInstruments, que permitem aquisição e análise de dados biológicos - os estudantes foram organizados em grupos para coleta de dados e posterior resolução conjunta de questões e discussão a partir do roteiro disponível na plataforma; (iii) Imediatamente após a aula teórica e prática, os (as) estudantes responderam um questionário contendo uma questão de autopercepção de ansiedade, onde deveriam indicar seu nível de concordância com a afirmação: Estou me sentindo ansioso(a), considerando a escala Likert de 5 pontos (5- Concordo plenamente; 4- Concordo parcialmente; 3- Nem concordo, nem discordo; 2- Discordo parcialmente; 1- Discordo totalmente); dez questões objetivas sobre o conteúdo e de diferentes níveis de dificuldade (2 fáceis, 4 médias e 4 difíceis), contendo 1 resposta correta e 2 distratores cada uma; e duas questões de autopercepção de aprendizagem sendo uma a afirmação Eu sei e compreendo o conteúdo, onde os (as) estudantes deveriam indicar seu nível de concordância com a afirmação, de acordo com a escala Likert de 5 pontos e a outra onde deveriam indicar quantas questões eles(as) tinham certeza que haviam acertado; (iv) ao final do semestre os estudantes foram convidados a responder um questionário avaliando a metodologia empregada, com uso de biosensores em aulas práticas. Participaram das aulas teórica e prática 30 estudantes. Os resultados indicam que não houve diferença na concordância dos estudantes (p = 0,1074) quanto a autopercepção de ansiedade, com a afirmação apresentando mediana de 3,00 (IQR 2,00-3,00) após a aula teórica e de 3,00 (IQR 2,00-4,00) após a prática (Não concordo, nem discordo). Ao compararmos o número de acertos após as aulas teórica e prática, observamos que não houve diferença no desempenho dos estudantes tanto quando as questões foram analisadas de forma nivelada (p = 0,2668 para as fáceis, p = 0,3690 para as médias, e p = 0,3735 para as difíceis), como em conjunto (p = 0,0711). Ao indicarem quantas, das dez questões, os estudantes tinham certeza que haviam acertado, não verificamos diferença entre o momento pós-teórica e o pós-prática (p = 0,1331), sendo que, os(as) estudantes indicaram ter acertado com certeza uma média de 3,96 (± 2,20) questões após teórica e 4,33 (± 2,09) após prática. Quanto à afirmação eu sei e compreendo o conteúdo, também não houve diferença entre os dois momentos de aplicação do teste (p = 0,3810), com a afirmação apresentando uma mediana de 3 (IQR - 2,75-3,25) após teórica e 3 (IQR 3,00-4,00) no pós-prática (Não concordo, nem discordo). Nossos resultados demonstram que não houve uma diferença significativa no desempenho dos estudantes, independente do nível de dificuldade das questões. Ao avaliarmos à autopercepção de aprendizagem dos estudantes, observamos que eles têm, no geral, uma percepção de que tiveram um baixo número de acertos. Ainda, quanto a afirmação Eu sei e compreendo o conteúdo, os estudantes optaram por indicar que Não concordam, nem discordam, o que corrobora com os resultados da aprendizagem real, com os estudantes apresentando uma autopercepção baixa e/ou neutra, não havendo uma superestimação do conhecimento. Quanto à percepção do uso, os(as) estudantes concordam que a metodologia de ensino contribuiu para o entendimento e compreensão dos conteúdos, ainda, consideram essa abordagem "importante e essencial" para o aprendizado, e atribuíram uma nota de 9,5 para a experiência. Os resultados obtidos demonstram que o uso de biossensores em aulas práticas de Fisiologia Humana teve impacto limitado no ensino e aprendizagem dos estudantes, com os participantes percebendo seu desempenho como baixo e/ou neutro. No entanto, os resultados indicam alta aceitação dos estudantes quanto ao uso dessa metodologia de ensino, demonstrando o efeito positivo na sua percepção acerca do uso dos biossensores no ensino de Fisiologia Humana, o que pode influenciar na sua motivação para o estudo

    Célula Interativa: Aprendendo a Evolução Celular de Maneira Dinâmica

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    O estudo das células é um dos temas base da biologia, mas também um dos que mais gera dúvidas entre os alunos, principalmente quando apresentado apenas de forma teórica. Pensando nisso, surgiu a ideia de desenvolver uma atividade que fosse além da explicação no quadro, e que permitisse aos estudantes vivenciarem o conteúdo com as próprias mãos. A experiência foi desenvolvida a partir das minhas vivências na escola municipal de educação básica, no qual pertenço ao programa PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) onde tenho contato com os estudantes semanalmente no qual foi a escolha para o desenvolvimento deste trabalho. A elaboração da atividade prática lúdica veio a partir de minhas observações feitas com as turmas dos sextos anos na compreensão do conteúdo de Células. Acredito que a experiência de sala de aula quando estamos em um lugar para aprendermos e observar como é a vivência docente me surge reflexões como discente, estou em uma posição hoje no qual consigo ter uma evolução e um olhar educacional que favorece em meu crescimento enquanto profissão. Isso se refere que durante as aulas teóricas com os alunos dos sextos anos, pude ficar em uma posição de observadora para compreender quais as dificuldades dos alunos com o conteúdo em si. Desenvolvi uma avaliação feita do cotidiano da sala de aula para compreender como os alunos estão aprendendo o conteúdo e um questionário feito a professora para entender quais os tipos de atividades/trabalhos que costuma desenvolver para seus alunos. A partir da dificuldade que notei nas aulas expositivas, pensei em uma alternativa concreta, e o resultado me motivou a continuar buscando formas criativas e inclusivas de ensinar. Acredito que quando trabalhamos conteúdos que são mais complexos com os alunos, devemos pensar em construir materiais mais compreensíveis, e durante a avaliação percebi uma grande dificuldade nos estudantes tanto em conteúdos difíceis aos mais fácil de trabalhar, na escrita no qual a maioria dos os alunos não compreendem a letra cursiva e não sabem escrever, por fim as dificuldades estende-se também na interpretação textual. São desafios encontrados no dia a dia da sala de aula, onde buscamos sempre de à maneira possível ajudá-los para que consigam avançar e melhorar nas dificuldades no qual acredito que o professor tem como objetivo de acorrer naquilo que o aluno mais necessita no momento do que se basear somente em vencer seu conteúdo Após a avaliação ser feita, com o intuito de tornar o ensino de ciências mais compreensível, prático e interessante para os estudantes dos 6° ano, construí a atividade célula interativa com uma proposta visual, tátil e inclusiva para tratar do conteúdo de evolução celular. Explicando que a célula, sendo a menor parte de um ser vivo, é um conteúdo importante e fundamental que diversas vezes se torna algo incompreensível para os estudantes ainda mais nessa faixa etária. Com base nessa perspectiva e com os dados observados, a atividade foi aplicada nas turmas do 6° ano B e C do turno da tarde da escola Dom Bosco, com a orientação da professora presente de ciências. A proposta utilizou cartas-desafio e materiais simples, como EVA, amoeda e cartolina, para que os alunos pudessem montar modelos físicos de células enquanto avançavam por fases que simulavam a evolução biológica, desde uma célula procarionte, passando pelo eucarionte animal e finalizando no vegetal. A turma realizava os desafios e montava a célula de forma colaborativa, ao mesmo tempo em que discutia a função de cada organela. O resultado foi extremamente positivo: os alunos se mostraram interessados, participaram ativamente e demonstraram uma compreensão muito melhor do conteúdo. Também percebi uma resposta muito boa dos estudantes com necessidades específicas, pois o material tátil proporcionou mais inclusão e participação. Foi nessa perspectiva que me inspirei em sempre dar o melhor nas atividades dos temas trabalhados, pois são eles que iram ser marcantes no aprendizado dos alunos no que se dedicar só no conteúdo em si. Por fim, a criação desse material didático foi fundamental não somente para os estudantes, mas também para minha formação e desenvolvimento como discente. O material didático desenvolvido ficou pertencente à escola, com a intenção de ser reutilizado pelos professores com outras turmas quando trabalharem esse conteúdo, para que possam ampliar o conhecimento dessa proposta e ajudar os estudantes na compreensão do conteúdo. Junto com o material tem em anexo um roteiro de como utilizar esse material nas aulas

    Educação e saúde no ensino fundamental: Prevenção e conscientização sobre infecções sexualmente transmissíveis..

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    Buscando promover a educação em saúde, este relato descreve uma prática realizada com dez estudantes de uma turma de 8º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Argeny de Oliveira Jardim, em Dom Pedrito/RS, no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência PIBID, Subprojeto Ciências da Natureza, campus Dom Pedrito. A proposta teve como tema Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), objeto do conhecimento que ainda não havia sido desenvolvido pelo professor regente da turma, que havia concluído o trabalho sobre os sistemas reprodutores masculino e feminino. A relevância do tema se justifica, pois é comum que adolescentes tragam consigo muitas dúvidas e incertezas sobre sexualidade e, muitas vezes, não recebam orientação de forma correta e dialógica no seio familiar, recorrendo à internet, aos amigos e a outros meios de informação nem sempre confiáveis. Desse modo, ao abordar ISTs de maneira didática na escola, possibilita-se a quebra de tabus, o acesso à informação correta e a promoção de reflexões sobre a importância da prevenção, das formas de contágio e dos sintomas, bem como da responsabilidade na escolha dos métodos contraceptivos. Buscou-se como objetivos: conhecer as principais ISTs e suas formas de transmissão e prevenção, estimulando o autocuidado e responsabilidade; identificar possíveis sintomas e sinais das ISTs; e desmistificar informações falsas incentivando a participação ativa dos alunos. Metodologicamente, a prática foi desenvolvida em três horas/aula, dividida em quatro momentos, sendo o primeiro a exibição de um vídeo educativo que introduziu de forma acessível as principais ISTs, os sintomas, contágio e prevenção. Após o vídeo, foi conduzida uma discussão orientada, com a retomada dos principais tópicos abordados no vídeo e leitura ponto a ponto de um texto de apoio. O terceiro momento foi constituído pela discussão de mitos e verdades sobre ISTs, estratégia que buscou desmistificar crenças equivocadas, destacando a importância do uso de preservativo tanto masculino quanto feminino como único método contraceptivo capaz de prevenir ISTs. Por fim, a verificação do conhecimento se deu por meio da dinâmica passa ou repassa, no qual dois times de alunos competiram entre si para responder perguntas. Observou-se na discussão orientada que os meninos se mostraram desinibidos e confortáveis com o assunto desde o início da aula, enquanto que algumas meninas, apesar de prestarem atenção, permaneceram tímidas a maior parte do tempo, o que pode ser justificado por estarem em menor número, total de três. Referente ao domínio científico, eles não conheciam o significado da sigla ISTs e nem da nomenclatura anterior (DSTs), mas sabiam nomear alguns sintomas e algumas formas de contágio. Ainda assim, ao abordar os mitos e verdades, alguns ficaram bastante surpresos com a informação de que a maioria dos métodos contraceptivos previnem apenas gravidez. Também surgiram dúvidas sobre o uso da camisinha feminina, pois ainda não conheciam pessoalmente. Nesse momento, as pibidianas mostraram os preservativos feminino e masculino que tinham levado e abordaram o mito de que usar camisinha diminui o prazer e reafirmaram que o preservativo é a forma mais segura de prevenção. Já na atividade passa ou repassa, os alunos responderam quase todas as perguntas sem a ajuda do material de apoio, se mostraram competitivos e engajados, demonstrando trabalho em equipe e diálogo dentro dos grupos. Essa experiência demonstrou que a abordagem das ISTs no ambiente escolar é de extrema relevância para a formação integral dos estudantes. Por meio do uso de vídeos, debates e jogos didáticos, foi possível promover um espaço de aprendizagem participativo, no qual os alunos se sentiram motivados a refletir, questionar e compartilhar saberes, além de sanarem dúvidas existentes. Percebeu-se ainda que, ao abordar a temática com diálogo aberto e respeitoso, os adolescentes se mostraram mais receptivos à informação e mais conscientes da importância da prevenção e do autocuidado. Essa prática, além de consolidar conhecimentos científicos, contribuiu para o desenvolvimento de valores como responsabilidade, respeito ao próximo e valorização da saúde coletiva, mesmo que as meninas estivessem mais retraídas, foram receptivas às informações e demonstraram interesse durante a aula. Assim, conclui-se que a escola deve assumir um papel ativo na promoção da saúde, incentivando discussões que ultrapassem os limites do conteúdo curricular tradicional. Práticas como esta reforçam que a informação correta, transmitida de forma acessível e dinâmica, é uma ferramenta poderosa que pode auxiliar na transformação social e pessoal, formando cidadãos mais conscientes, críticos e preparados para lidar com desafios que envolvem a sexualidade e a vida em sociedade

    Leitura dos Clássicos da Educação Física Como Desenvolvimento da Práxis Pedagógica

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    Entender a leitura como ferramenta do processo pedagógico do docente é inevitável para entender realidades às quais ainda não se está familiarizado, esse entendimento pode trazer mais segurança para o docente. Em Freire (1989) a leitura do mundo antecede a leitura da palavra, e que ambas se relacionam de forma indissociável no processo educativo. Trazendo para Educação Física (EF), a qual foca cultura corporal de movimento, as leituras podem mostrar algo a mais do que desenvolvimento motor, anatômico ou fisiológico e fornecer uma visão crítica da EF para o discente de graduação. Compreensões como corpo, cultura e sociedade estão interligadas, mas pouco vistas antes dos momentos práticos, podendo serem preceitos conhecidos antes da graduação que fortalecem a importância da EF em ambiente escolar. Compreender a teoria e, consequentemente, desenvolvê-la na prática é fundamental para um discente de licenciatura, por isso, o objetivo deste trabalho é descrever a importância da leitura de livros clássicos da EF realizada no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência para a sua práxis docente. Este trabalho é de caráter descritivo, feito com base nas experiências obtidas de cada autor com os livros lidos, avaliando como cada obra afetou no seu desenvolvimento como futuro docente e na sua práxis pedagógica. Os livros apresentados para os bolsistas foram considerados clássicos da EF, sendo necessário para os discentes realizarem resumos sobre os capítulos, logo após em reuniões marcadas pelos professores, eram debatidos as concepções e ideias dos autores, trazendo a sua importância para a sala de aula e sua prática. As leituras foram: Ensinando Comunidade: uma pedagogia da esperança (Hooks, 2017), Educação Física Escolar: Fundamentos de uma Abordagem Desenvolvimentista (Tani et al. 1988), Metodologia do Ensino da Educação Física (Coletivo de Autores, 1992) e As Técnicas Corporais (Mauss, 1974), realizadas durante o primeiro semestre do ano de 2025. O primeiro livro a ser realizado uma leitura foi da escritora Bell Hooks, mesmo não sendo focado dentro da prática docente de EF, o livro tem o enfoque em prática docente anti racista. A autora analisa como a educação pública, desde sua origem, foi usada para reforçar valores doutrinários conservadores, porém educadores abriram espaço para uma prática libertadora, em que o aluno pensa de forma crítica. Ao refletir a prática educativa à luz dos ensinamentos de Bell Hooks, especialmente no que diz respeito ao desejo de aprender e ao tempo de licença, compreendemos o papel transformador da educação em contextos de vulnerabilidade social. Estar presente em uma escola onde os estudantes enfrentam diariamente situações de violência e negligência social faz perceber que o processo de ensino-aprendizagem precisa ir muito além da transmissão de conteúdo. Nas escolas, a disciplina de EF tem sido utilizada como ferramenta estratégica para a inclusão social e para a promoção do acolhimento, oferecendo aos estudantes oportunidades concretas de socialização, desenvolvimento motor e emocional, e construção de um sentimento de pertencimento. Sobre o livro EF Escolar: Fundamentos de uma Abordagem Desenvolvimentista, os autores queriam romper com a visão tecnicista da área, nos anos de 1980, com ideias de que deve-se respeitar as fases de desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo dos estudantes. A influência desta obra vem do começo de uma ideia crítica, entendendo que a EF não tem o enfoque da criação de atletas, mas capacidade de desenvolver aspectos motores, afetivos e cognitivos dos alunos. Entretanto, ainda há considerações sobre a organização da disciplina no ambiente escolar, também não considerando aspectos sociais de cada região e pessoa, singularidades que afetam as fases motoras. Logo após vem a Metodologia do Ensino da EF, seu objetivo foi realizar uma estruturação curricular para a EF, além de demonstrar uma abordagem denominada Crítico-Superadora, determinando uma importância social dos conteúdos e seus objetivos vão além da transmissão de técnicas motoras, oferecendo fundamentos teórico-metodológicos para a prática docente comprometida com a formação integral, crítica e socialmente consciente dos estudantes. O último estudo vem da obra As Técnicas Corporais, Mauss define que nossas ações corporais não são determinadas pelo nascimento, mas sim por questões sociais, aprendidas ao longo do desenvolvimento da vida, também determina que cada cultura tem suas técnicas corporais, porém podem mudar devido aos contextos sociais. Cada literatura tem sua importância histórica para a EF, seus conceitos auxiliam na concepção de docência escolar e principalmente com o enfoque de corpos em movimento afastando-se somente de conceitos biológicos para abranger características gerais da nossa prática pedagógica e auxiliar na formação

    A Educação Física no Contexto de Uma Escola Rural: Aprendizagens para a Vida

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    A Educação Física (EF) escolar tem como base de orientação os saberes da Cultura Corporal de Movimento, sendo o professor o mediador para transformar os espaços em ambientes acolhedores e de ampla potencialidade para que sejam desenvolvidas aprendizagens, promovendo discussões sobre sociedades, identidades e equidades. Bracht (1999) destaca que a EF deve contribuir para a formação de sujeitos autônomos, capazes de interpretar e intervir no mundo a partir de sua vivência corporal. O autor enfatiza a importância de compreender o esporte e demais práticas corporais não como fins em si mesmos, mas como conteúdos a serem problematizados pedagogicamente no contexto escolar (Bracht, 1999). O presente trabalho tem como objetivo relatar as experiências vividas no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), durante o primeiro contato com uma turma do oitavo ano nas aulas de EF (observadas e ministradas) na Escola Municipal de Educação Básica de Tempo Integral Educação Infantil e Ensino Fundamental Alceu Wamosy. A instituição está localizada no distrito de João Arregui, aproximadamente 60 km do município de Uruguaiana-RS e atende em sua maioria pessoas das localidades vizinhas. Metodologicamente as observações foram todas registradas em um diário de campo, buscando facilitar o entendimento sobre a realidade escolar vivenciada, a fim de promover reflexões críticas e transformadoras sobre o contexto de uma escola rural. As atividades envolveram aulas teóricas e práticas de Badminton adaptado, abordando história, regras e fundamentos. A avaliação ocorreu por meio da participação dos estudantes e da execução dos fundamentos ensinados. As aulas de EF ocorrem tanto em sala com conceitos teóricos sobre os esportes e práticas corporais, seguindo os objetos de conhecimento de acordo com Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2018), como também ocorrem em quadra, pondo em prática as concepções aprendidas na sala de aula. Tendo em vista que de um lado existe a demanda de conteúdos da escola e do outro o mundo real onde o estudante está inserido, os movimentos corporais assumem a forma de meios para conectar contextos, a partir das representações mentais/ cognitivas, de seus comportamentos e modos de expressar interação entre si e com contexto geral. A EF contribui para a formação de sujeitos capazes de utilizar os conhecimentos adquiridos nas aulas de forma consciente e transformadora em seus contextos socioculturais. Em contato com turmas do ensino fundamental, levantar questionamentos sobre a prática de atividades físicas deve ser parte basilar no processo de escolarização, proporcionando um ambiente de formativo para sujeitos críticos que sejam capazes de utilizar do conhecimento adquirido nas aulas como forma de basear suas ações estando em sociedade. A EF, enquanto componente curricular da Educação Básica, deve ser orientada por uma perspectiva crítica e inclusiva, que considere a pluralidade de experiências corporais como elemento fundamental para a formação integral dos sujeitos. Segundo o Coletivo de Autores (1992), a EF escolar deve ser compreendida como uma prática pedagógica que visa à apropriação crítica da cultura corporal de movimento, superando a lógica tradicional da mera reprodução técnica ou esportiva dos conteúdos. Nesse contexto, o processo de ensino-aprendizagem precisa transcender a simples execução de atividades físicas, oferecendo aos estudantes instrumentos teóricos e práticos que lhes permitam compreender, ressignificar e aplicar os saberes corporais em diferentes dimensões da vida. A Teoria Pedagógica Crítico-Libertadora da Educação Física Escolar, fundamentada na ideia de que não se trata apenas de ensinar práticas corporais, mas de provocar processos de conscientização a partir delas (Bossle, 2023). Durante o processo de inserção na Escola Alceu Wamosy, as atividades de Badminton tiveram resultados satisfatórios, uma vez que os alunos entendiam o contexto histórico do esporte, compreendiam suas regras e conseguiam realizar seus fundamentos, além de trazer ao final de cada aula reflexões sobre a prática de tal esporte. Na busca por uma EF que transcenda a prática esportiva como possibilidade única, as aulas abordaram reflexões diversificadas estimulando o estudante a desenvolver identidades e autonomias, formando assim um sujeito capaz de resolver conflitos que ultrapassam o ambiente escolar

    Observar para Compreender Reflexões Sobre a Educação Física Escolar em Uma Escola Pública Periférica

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    A escola pública brasileira, especialmente em contextos periféricos e de vulnerabilidade social, enfrenta desafios que vão desde a limitação de recursos até às desigualdades de acesso a direitos básicos, como saúde, lazer e educação. Nesse cenário, o papel da instituição escolar ultrapassa a mera transmissão de conteúdos, tornando-se espaço de acolhimento, inclusão e promoção da cidadania. A disciplina de Educação Física, por sua vez, assume relevância singular, pois possibilita aos estudantes vivências corporais, esportivas e recreativas que favorecem não apenas o desenvolvimento físico, mas também social e cultural, contribuindo para a formação integral. A partir dessa perspectiva, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) surge como uma oportunidade de integração entre teoria e prática, permitindo ao futuro docente compreender de forma crítica a realidade da escola pública e os múltiplos fatores que atravessam o processo de ensino-aprendizagem. Neste trabalho, são apresentadas reflexões e análises decorrentes do período de observação realizado em uma escola pública localizada em região periférica de Uruguaiana-RS, marcada por vulnerabilidade social e desigualdades no acesso a serviços básicos. A instituição atende estudantes de diferentes faixas etárias, nos turnos manhã, tarde e noite, e possui uma comunidade escolar composta majoritariamente por famílias de baixa renda, muitas delas beneficiárias de programas sociais. A partir dessa imersão no ambiente escolar, foi possível identificar tanto os desafios enfrentados pelos alunos e pela comunidade, quanto os avanços estruturais recentes da instituição. Durante o período de observação, destacou-se a melhoria na infraestrutura, visto que anteriormente havia relatos de dificuldades em relação à climatização das salas de aula, mas atualmente todas as salas contam com aparelhos de ar-condicionado, oferecendo um ambiente mais adequado ao processo de ensino-aprendizagem. A metodologia do trabalho consistiu em observações sistemáticas das práticas pedagógicas, com foco nas aulas de Educação Física, considerando tanto o espaço físico quanto às estratégias didáticas utilizadas. O espaço escolar revelou condições favoráveis ao desenvolvimento das atividades, já que a instituição dispõe de quadra coberta, campo amplo, pátio de dimensões adequadas e outra quadra destinada a momentos recreativos. Esses ambientes se mostraram fundamentais para a prática de atividades corporais diversificadas e para o fortalecimento do protagonismo estudantil nas aulas. Entre os principais resultados obtidos, observou-se que, apesar das dificuldades socioeconômicas enfrentadas pela comunidade, a escola desempenha papel central na oferta de um espaço seguro e de convívio, além de oportunizar vivências esportivas e recreativas que contribuem para o desenvolvimento integral dos estudantes. As aulas de Educação Física, neste cenário, ganham destaque, pois possibilitam não apenas o aprendizado de conteúdos específicos da área, mas também a socialização, o trabalho em equipe e a construção da cultura corporal. A experiência proporcionada pelo PIBID evidenciou a relevância de compreender a escola como espaço de resistência frente às desigualdades sociais, além de reforçar a importância do compromisso do professor em formação com práticas pedagógicas inclusivas e contextualizadas. Conclui-se que o período de observação contribuiu de maneira significativa para a formação docente, permitindo uma análise crítica da realidade escolar e das condições de ensino, bem como destacando a relevância da Educação Física no fortalecimento da comunidade escolar. Dessa forma, a vivência nesse contexto consolidou-se como experiência formativa essencial, ao mesmo tempo em que reafirma a função social da escola como promotora de inclusão, cidadania e desenvolvimento humano em regiões periféricas

    Explorando Soluções e Reações Químicas por Meio da Literatura e da Invenção de Mundos

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    O ensino de química apresenta desafios relacionados à abstração dos conteúdos e à dificuldade dos alunos em relacionar conceitos teóricos com seu cotidiano, evidenciando a necessidade de metodologias inovadoras que promovam engajamento, motivação e aprendizagem significativa. A pesquisa, de abordagem qualitativa, teve como objetivo introduzir o conhecimento químico de soluções e reações químicas por meio da literatura de Harry Potter, visando tornar os alunos mais ativos nas aulas de forma criativa, utilizando a invenção de mundos como dispositivo complexo de aprendizagem. Esta se caracteriza pela construção de contextos ricos em problematizações e possibilidades investigativas, além de mobilizar o interesse dos estudantes e aproximá-los de professores no contexto de atividades de ensino remoto emergenciais (AEREs). As atividades foram desenvolvidas por meio de uma sequência didática composta por quatro encontros, três síncronos e um assíncrono, aplicada em uma turma do curso de Química Licenciatura , na componente de História da Química, permitindo a produção de informações para análise e a realização da invenção de mundos. Ao longo das atividades, os alunos participaram de exercícios práticos ligados a poções e magias do filme unindo com a resolução de conhecimento químico, ocorreram debates, criação de personagens e elaboração de nuvens de palavras. Dessa forma, expressaram seus conhecimentos prévios, criatividade e percepção sobre os conteúdos, construindo seus próprios mundos e atuando como coautores e protagonistas da aprendizagem, enquanto o professor mediava o processo, orientando para evitar conceitos equivocados e estimulando a integração entre cotidiano e conteúdos químicos. Ao final da sequência, foi disponibilizado um formulário com questões de múltipla escolha e duas questões discursivas, possibilitando identificar os pontos mais difíceis e os mais motivadores, além de analisar qualitativamente o envolvimento, a compreensão e a percepção dos estudantes. As respostas evidenciaram que a maioria se mostrou motivada, engajada e satisfeita com a proposta, destacando a contribuição das atividades para a compreensão do conceito de soluções e reações químicas, desenvolvimento de habilidades de reflexão crítica, criatividade, capacidade investigativa e interação social. A análise qualitativa revelou que a integração da literatura e da invenção de mundos possibilitou aos alunos relacionar ciência e fantasia, consolidar conhecimentos prévios, participar de maneira ativa no processo de sua aprendizagem. Observou-se que a metodologia promoveu maior proximidade entre professor e aluno, estimulou discussão e partilha de ideias, integrou teoria e prática e transformou a percepção da química, tornando-a mais acessível, instigante e significativa, mesmo no contexto do ensino remoto. As nuvens de palavras e as respostas discursivas destacaram termos como motivação, curiosidade, inovação e criatividade, evidenciando o interesse dos alunos em explorar novas formas de aprender química e possibilitando reflexões sobre o próprio processo de aprendizagem. Conclui-se que a sequência didática aplicada, aliada à literatura de Harry Potter e à invenção de mundos, constitui uma ferramenta pedagógica instigante, motivadora e eficaz, capaz de ampliar horizontes no ensino e na aprendizagem de química. Esta permitiu engajar os estudantes, desenvolver competências cognitivas e sociais, promover aprendizagem significativa e transformar a componente curricular em um ambiente dinâmico, atrativo e acessível, evidenciando o potencial das metodologias inovadoras para superar limitações do ensino tradicional e remoto e oferecendo possibilidade de aplicação em diferentes contextos educacionais

    O Que Tem de Química na Festa Junina?

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    Este trabalho foi desenvolvido diante da observação do crescente desinteresse dos estudantes pelo componente de Química no Ensino Médio, com isso surgiu a necessidade de buscar novas estratégias que aproximem o conteúdo escolar da realidade dos alunos. Nesse sentido, os bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência elaboraram uma atividade temática inspirada na cultura das festas juninas. A proposta surgiu considerando a época do ano em que estávamos vivenciando (os meses entre junho e julho) quando normalmente se comemoram festejos juninos. O trabalho busca demonstrar que a Química está inserida em aspectos culturais, sociais e ambientais, evidenciando sua relevância para além da sala de aula e reforçando a importância da contextualização no processo de ensino-aprendizagem. A atividade foi realizada com seis turmas de terceiros anos do Ensino Médio de uma escola pública estadual situada no Município de Bagé -RS da seguinte maneira: Primeiramente, foram levantados e estudados materiais sobre os temas que abordassem o contexto da química da festa junina, e após, foi preparado um material que posteriormente foi utilizado para apresentar aos alunos. Após o estudo dos determinados temas a atividade foi realizada. Iniciando com uma palestra intitulada A Química da Festa Junina, abordando a origem histórica das festas juninas e como ela chegou ao Brasil, a química presente nas comidas como: Milho, coco, bolos e bebidas típicas como o quentão. Dentro da temática das comidas típicas focou-se em falar sobre como o milho é um dos principais constituintes da mesa da festa junina, pois a partir deste temos a pipoca, a pamonha, o curau e a farinha de milho, alimentos todos muito utilizados. A química da pipoca por exemplo envolve vários processos, visto que para termos a pipoca a partir do milho precisamos de grãos específicos que devem possuir um teor ideal de umidade (cerca de 14-15%) e uma casca rígida (pericarpo). Assim, ao ser aquecido, a água dentro do grão se transforma em vapor. A pressão do vapor aumenta rapidamente dentro do grão e ocorre a gelatinização e explosão: Quando a temperatura atinge aproximadamente 180°C, a pressão interna é tão grande que a casca não aguenta mais e se rompe. O amido gelatinizado dentro do grão se expande rapidamente devido à descompressão do vapor, formando a estrutura porosa e crocante que conhecemos. O resfriamento rápido do amido expandido o solidifica nessa forma, e aí, temos a conhecida pipoca. Para finalizar a apresentação falamos sobre a química dos fogos de artifício, visto que antes de ser proibido, por questões de segurança, estes eram bastante utilizados, e com o intuito de abordar o contexto ambiental e fazer uma ligação com a atividade experimental que foi proposta na segunda parte da atividade estes foram inseridos. A segunda parte da atividade consiste em uma prática de laboratório, onde após assistirem a palestra os alunos foram divididos em grupos de até 12 pessoas e participaram da atividade prática no laboratório de Química, a atividade consistiu na realização de testes de chama, com o intuito que estes conseguissem relacionar o que observaram com o que foi discutido sobre os fogos de artifício na palestra. Após a prática experimental, houve um momento de diálogo coletivo, em que os estudantes compartilharam suas impressões e dúvidas. Para consolidar a aprendizagem, foi realizada uma atividade lúdica: o jogo da forca químico, utilizando palavras-chave mencionadas durante a abordagem da temática. A maior parte dos estudantes manifestou satisfação e envolvimento, apontando a atividade como atrativa e diferenciada em relação às aulas tradicionais. Neste contexto, a experiência demonstrou que o ensino de Química torna-se mais atrativo e significativo quando contextualizado com elementos culturais presentes no cotidiano dos alunos, como no caso da festa junina, em que os estudantes puderam perceber que a Química está inserida em diferentes dimensões da vida social, cultural e também ambiental

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