Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
Not a member yet
25936 research outputs found
Sort by
Matemática Financeira: Uma Proposta de Ensino Envolvendo Problemas Reais Enfrentados por Famílias Fictícias
No cotidiano das famílias brasileiras, é comum surgirem decisões que envolvam escolhas financeiras, como por exemplo: avaliar se compensa adquirir um produto parcelado em diversas vezes, optar pelo pagamento à vista com desconto, ou ainda refletir sobre a melhor forma de poupar recursos pensando no futuro. Situações como essas demonstram que lidar com questões relacionadas ao consumo, ao crédito, ao endividamento e aos investimentos exige preparo e orientação adequada. A Educação Financeira surge como resposta a essa necessidade, visto que possibilita ao cidadão desenvolver autonomia, consciência crítica e responsabilidade no uso do dinheiro. Por meio dela, busca-se proporcionar às pessoas a capacidade de planejar gastos, compreender riscos e oportunidades, além de adotar estratégias mais seguras para alcançar estabilidade financeira. Com esse intuito, o presente trabalho relata a realização de uma atividade envolvendo Matemática Financeira intitulada Famílias Fictícias, implementada em uma turma de sexto semestre do Ensino Médio Integrado do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia Sul-Riograndense (IFSul), Campus Bagé. A atividade foi desenvolvida pelos bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), subgrupo de Matemática, sob a orientação da professora supervisora. A proposta consistiu na composição de seis famílias fictícias, cada uma com renda e gastos distintos, representando diferentes realidades socioeconômicas. Para a realização da atividade, os 24 alunos da turma foram divididos em seis grupos com quatro integrantes cada um. Cada grupo escolheu um envelope onde havia informações sobre a família específica. Cada família foi identificada por um nome, como: Schulz, Gomes, entre outros. A dinâmica foi dividida em quatro etapas: na primeira, houve o sorteio das famílias; na segunda, entregou-se a cada grupo a descrição detalhada da família fictícia contendo características, renda e despesas mensais; na terceira etapa, cada grupo recebeu uma situação-problema ou desafio inesperado, com ganhos ou perdas financeiras, para que pudessem analisar e deliberar soluções de acordo com a realidade de sua família. Por fim, na quarta etapa, cada grupo apresentou os resultados de suas reflexões à turma, sendo elas: as características da sua família, os desafios enfrentados e as soluções encontradas. A atividade permitiu a realização de discussões e reflexões que auxiliaram no desenvolvimento da criticidade, criatividade e trabalho em equipe, além demonstrar e comprovar a importância da Educação Financeira na vida das pessoas. Durante as apresentações finais dos grupos, foi possível observar o envolvimento e o interesse dos estudantes que mostraram diferentes formas de solucionar problemas considerando, inclusive, aspectos reais da vida financeira como simulações de financiamentos, empréstimos, venda de imóveis, entre outros. No momento final, cada grupo foi convidado a fazer suas considerações sobre a realização da atividade apresentando um feedback sobre a experiência, avaliando a proposta de maneira geral, apontando contribuições e expressando como se sentiram diante da dinâmica. O retorno foi bastante positivo, evidenciando o impacto da atividade e a relevância do tema para a formação dos estudantes. Por outro lado, é importante destacar a importância da realização da atividade para os bolsistas do PIBID, que tiveram participação ativa ao longo do desenvolvimento, da elaboração, e de reflexão sobre novas estratégias para o ensino de Matemática e da Educação Financeira. Diante dos resultados observados, pode-se afirmar que a atividade Famílias Fictícias alcançou plenamente seus objetivos pedagógicos, promovendo não apenas a compreensão prática dos conceitos de Matemática Financeira, mas também a reflexão crítica dos alunos sobre situações que se aproximam de sua realidade cotidiana. A proposta favoreceu o desenvolvimento da autonomia, da cooperação e da capacidade de tomada de decisão, elementos essenciais para a formação de cidadãos conscientes e preparados para lidar com os desafios financeiros da vida real. Assim, conclui-se que iniciativas como essa enriquecem o processo de ensino-aprendizagem, ao articular teoria e prática, evidenciando o potencial da Educação Financeira como um recurso transformador no ambiente escolar. Além disso, esse tipo de atividade contribui para fortalecer a relação entre escola e sociedade, aproximando o estudante das situações reais que pode enfrentar no futuro. Dessa forma, amplia-se o alcance do aprendizado, tornando-o mais significativo e duradouro
Educação Patrimonial e Ensino de História: as Representações do Líder Sepé Tiaraju
Este trabalho é um extrato da pesquisa apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Caxias do Sul. Tem como objetivo apresentar possibilidades da Educação para a valorização do patrimônio local e o ensino de história, por meio de atividades práticas, tendo como objeto de estudo as prepresentações de Sepé Tiaraju na visão de professores e a reflexão sobre os locais de memória existentes do município de São Gabriel (RS), dentre estes a Sanga da Bica. Para tanto foram abordados os conceitos de Patrimônio, Educação Patrimonial e Ensino de História. O estudo trata das potencialidades que se vê através das aulas de história sobre patrimônio cultural. O texto está organizado em três seções, a saber: a primeira procura-se mostrar os fundamentos da Educação Patrimonial. Na segunda, discute-se as possibilidades metodológicas desse tema nas aulas de História dos anos finais do Ensino Fundamental. Por fim, são apresentados alguns tópicos da entrevista realizada com professores de História acerca de atividades práticas em locais de memória em diálogo sobre a história local e os bens culturais da cidade de São Gabriel. O trabalho tem como objetivo abordar o tema da Educação Patrimonial e suas possibilidades no ensino de História. Assim, busca-se realizar reflexão crítica na área do patrimônio sob o referencial da História Cultural. Nessa perspectiva, esse texto tem como propósito apresentar a discussão sobre a Educação Patrimonial, o ensino de História e a história local. Na sequência aborda-se acerca de entrevista realizada com professores sobre práticas de ensino de história em locais de memória, enquanto atividades práticas realizadas nas escolas públicas de São Gabriel, no RS. A pesquisa foi com base bibliográfica e documental, com utilização de questionário e entrevistas procurou-se utilizar o método da história oral, para aplicar em três profissionias da educação, fins obter conhecimento acerca do ensino de história obtido em entrevista com aqueles que realizam atividades didáticas e em locais de memória. Nesse sentido, entede-se que é a partir do que temos a respeito do tema, e considerando-se as fontes históricas e os espaços de memória como a Sanga da Bica, que liga-se o que temos acerca da história local com a prática da Educação Patrimonial, em perspectiva histórica. Por isso a pesquisa que desenvolvemos, embasa-se na Educação Patrimonial e na História Cultural, com propósito de contribuir com novas práticas de ensino de história. É importante dizer também que a proposta apresentada, procura colaborar com o trabalho realizado nas salas de aula. No que tange aos locais de memória, espaços esses considerados não formais de ensino, pois são museus, sítios históricos e arqueológicos, observa-se que com a nova historiografia produzida pela corrente cultural no século XX, ocorreu uma ampliação com relação aos objetos de pesquisa, abordagens e o próprio conhecimento histórico introduzido na academia e nos espaços de pesquisa com divulgação dos escritos produzidos no campo historiográfico. A partir da referência da História Cultural encontramos na história local as várias possibilidades de estudo de espaços comuns, áreas de cidades e sítios arqueológicos. Nesse sentido é que novos temas de estudo em História, tem sido descoberto e divulgado por meio de eventos e publicações nos diversos meios de comunicação como revistas eletrônicas e as plataformas de ambiente virtual das universidades. As pesquisas com relação a história local abordam análise de estudos realizados a partir de grupos, personagens, patrimônios que às vezes encontram-se desprotegidos, sem um olhar atento ou de valorização da população e do poder público. Assim, podemos dizer que o contexto histórico contribui para identificarmos um tema que apresenta vestígios do passado e desperta a consciência histórica para uma Educação Patrimonial e com isso as representações acerca de um líder como foi Sepé Tiaraju, que tombou em local que hoje, pertence ao atual município de São Gabriel torn-ae um tema importante para elaboração de estudo e reflexão acerca do ensino de história e Educação Patrimonial
A Importância da Leitura e da Escrita: Um Relato de Experiência do Pibid.
Este trabalho apresenta um relato de experiência desenvolvido no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), vinculado ao curso de Licenciatura em História da Universidade Federal do Pampa, Campus Jaguarão, junto à turma de 8º ano da Escola Municipal Manoel Pereira Vargas, em Jaguarão/RS, a partir de maio de 2025. O objetivo central dessa experiência foi promover práticas pedagógicas inovadoras que dialogassem diretamente com o cotidiano escolar, estimulando a leitura e a escrita como instrumentos essenciais para a aprendizagem e o desenvolvimento crítico dos alunos. Além disso, buscou-se trabalhar temáticas de relevância social, incluindo o estudo dos povos indígenas do Rio Grande do Sul e a valorização do patrimônio cultural local, visando ampliar o conhecimento histórico e fortalecer a identidade cultural dos estudantes. As atividades foram organizadas em dois blocos principais. No primeiro bloco, foram ministradas quatro aulas sobre os povos indígenas da região, utilizando recursos variados como músicas, vídeos, debates, exercícios de escrita e elementos da história local. A abordagem adotada baseou-se na perspectiva sociointeracionista de Vygotsky (2001), que entende a linguagem como mediadora do pensamento e da aprendizagem, reconhecendo que a interação social é fundamental para a construção do conhecimento. Esse bloco buscou não apenas transmitir informações, mas também promover a reflexão crítica sobre a história, as culturas e os direitos dos povos indígenas, incentivando os alunos a expressarem suas ideias e compreenderem a importância da diversidade cultural na formação da sociedade.No segundo bloco, o foco esteve na compreensão e valorização do patrimônio cultural de Jaguarão. Inicialmente, foi promovida uma discussão teórica sobre o conceito de patrimônio, seguida da participação de uma especialista da área, que conduziu uma aula dialogada, permitindo aos alunos questionarem e aprofundarem seu entendimento. Em seguida, realizou-se um trabalho de campo, no qual os estudantes coletaram imagens, registros e relatos de moradores da cidade, produzindo um vídeo expositivo e textos individuais sobre a experiência vivenciada. Essa etapa possibilitou que os alunos compreendessem o patrimônio como um processo dinâmico, conectado à memória coletiva, à identidade local e à preservação cultural (FONSECA, 2009; TEIXEIRA, 2020).Os referenciais teóricos que embasaram a prática incluem Freire (1996), ao enfatizar a pedagogia dialógica e emancipatória; Horta (1999) e Fenelon (1999), ao evidenciar o papel da educação patrimonial na valorização da memória coletiva; Colomer (2007) e Soares (2003), ao abordar a leitura e a escrita como práticas de letramento capazes de ampliar a criticidade dos sujeitos; e Pimenta e Lima (2012), ao discutir a importância da articulação entre teoria e prática na formação docente. Esses autores ofereceram fundamentos essenciais para que as atividades fossem planejadas de maneira crítica, reflexiva e contextualizada, promovendo a aprendizagem significativa e o engajamento dos alunos.Os resultados obtidos evidenciaram um grande interesse dos estudantes nas temáticas trabalhadas, com ênfase na valorização da identidade cultural local e maior participação nas atividades coletivas. Inicialmente, observou-se que muitos alunos escreviam apenas poucas linhas, apresentando dificuldades de coerência, organização textual e desenvolvimento de ideias. No entanto, ao longo do processo, as práticas integradas de leitura e escrita permitiram avanços significativos. Os estudantes passaram a produzir textos mais elaborados, culminando na escrita de redações completas, bem estruturadas e com argumentação consistente. Além disso, constatou-se evolução gradual na leitura crítica, na capacidade de expressão escrita e na compreensão da importância da preservação do patrimônio cultural, reforçando o papel da escola como espaço de construção da consciência histórica e do sentimento de pertencimento social. Conclui-se que experiências pedagógicas integradas, pautadas em referenciais críticos e articuladas à prática docente, contribuem de maneira significativa para a formação de professores e para o desenvolvimento de uma educação mais participativa, crítica e transformadora. Essa experiência confirma a perspectiva freireana de que ensinar não se limita à transmissão de conteúdos, mas envolve acreditar na possibilidade de mudança e atuar na formação de sujeitos conscientes, críticos e capazes de transformar a realidade em que estão inseridos
Cárcere Climático: Quando a Dignidade Humana Se Torna Refém da Omissão Estatal
A crise climática intensifica desigualdades históricas e recai de maneira desproporcional sob as populações vulneráveis. Isto impõe ao Estado o dever de repensar sua atuação, visando a proteção dos direitos fundamentais de todos. Neste cenário, surge o questionamento central que orienta nosso estudo: o Estado brasileiro cumpre suas obrigações de proteger a dignidade humana da população privada de liberdade diante das emergências climáticas? Para responder essa pergunta, a pesquisa adota metodologia qualitativa, com abordagem descritivo-analítico, baseada em revisão bibliográfica, normativa, documental e informações recentes sobre eventos que evidenciam a relação entre clima, vulnerabilidade e cárcere. O trabalho parte da concepção de dignidade da pessoa humana, formulada por Ingo Wolfgang Sarlet, segundo o qual tal princípio representa valor intrínseco, inalienável e fundamento da Constituição Federal/88 (CF/88). Nesse sentido, cabe ao Estado assegurar condições existenciais mínimas e resguardar a integridade física e moral das pessoas. Sob a perspectiva de justiça climática, os impactos das mudanças ambientais não atingem a todos de maneira uniforme, recaindo com muito mais força sobre os grupos mais vulneráveis. Esses grupos são aqueles que, por fatores sociais, culturais ou econômicos, enfrentam dificuldades especiais para exercer plenamente seus direitos perante o sistema de justiça. Assim, a população carcerária se insere claramente neste grupo, porque, além da exclusão social-estrutural, não tem nenhuma possibilidade de se proteger diante dos impactos ambientais, dependendo exclusivamente da atuação estatal. Casos recentes ilustram esta realidade. Em Charqueadas/RS, a elevação do nível do Rio Jacuí, em maio de 2024, obrigou a Superintendência de Serviços Penitenciários (SUSEPE) a transferir 1.057 presos da Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ) para a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC), enquanto outros foram realocados em galerias superiores da própria unidade. Na mesma cidade, a Penitenciária Estadual de Charqueadas (PEC) foi parcialmente interditada em janeiro de 2024, em razão do calor excessivo nas celas, constatado em inspeção técnica que registrou temperaturas de até 31ºC e umidade de 80%. Em São Paulo, no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, em novembro de 2023, foi relatado pela Pastoral Carcerária o calor excessivo, falta de água potável e falha na distribuição de energia elétrica, o que impedia o uso de ventiladores. Esses episódios concretos evidenciam como as mudanças climáticas e a precariedade estrutural do sistema se combinam, ampliando riscos e violações. A CF/88, no artigo 5º, XLIX, determina que o Estado deve respeitar a integridade física e moral dos presos, assegurando-lhes todos os direitos fundamentais compatíveis com a condição de encarceramento, como a vida, a saúde e a dignidade. Mas, na prática, o sistema prisional continua fora das políticas de mitigação e adaptação climática, perpetuando o estado de coisas inconstitucional, reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 347. Em 2024, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou o Plano Nacional Pena Justa, com diretrizes para melhorar a infraestrutura prisional, contemplando condições sanitárias, de acessibilidade e de prevenção a intempéries. Contudo, embora represente um avanço formal, o plano ainda carece de medidas concretas, que incorpore de forma efetiva o sistema penitenciário à agenda climática e ambiental, mantendo-se em grande parte como um instrumento programático. Os resultados expõem que a omissão estatal não só mantém a precariedade do sistema prisional, como também aprofunda desigualdades socioambientais, configurando uma verdadeira injustiça climática. O Brasil não cumpre de forma satisfatória suas obrigações de proteger a dignidade das pessoas privadas de liberdade. Isso torna urgente a implementação de políticas públicas que integrem o sistema carcerário e a agenda climática, promovam a adequação estrutural e estabeleçam mecanismos eficazes de fiscalização. Por fim, reafirma-se que, privar alguém de liberdade não significa abrir mão de sua dignidade e que nenhuma vida pode ser tratada como descartável diante da emergência climática
Monitoria em Disciplinas Estruturais: Ensino de Análise Estrutural Apoiado por Ferramentas Bim
A monitoria acadêmica constitui um espaço essencial para apoiar o processo de ensino-aprendizagem, proporcionando aos discentes maior proximidade com os conteúdos das disciplinas e a possibilidade de sanar dúvidas fora do horário regular de aula. No curso de Engenharia Civil da Unipampa, a monitoria focada em análise estrutural, desenvolvida no semestre 2025/1, nas disciplinas de Estruturas de Pontes e Estruturas de Concreto Armado III, ministradas pelo professor Alisson Simonetti Milani, teve como foco principal o auxílio direto aos estudantes, tanto em encontros presenciais quanto por meio de atendimentos online. Essa atuação contribuiu para que os discentes pudessem revisar conceitos fundamentais, reforçar o raciocínio estrutural e compreender melhor a aplicação dos conteúdos teóricos em problemas práticos, favorecendo a continuidade dos estudos e a preparação para disciplinas subsequentes.
As atividades estiveram centradas no esclarecimento de dúvidas individuais e coletivas, funcionando como um suporte complementar às aulas regulares e permitindo a criação de um ambiente mais colaborativo. Esse espaço de interação entre monitor e estudantes mostrou-se essencial para o desenvolvimento de maior autonomia na resolução de exercícios, na interpretação de modelos estruturais e no entendimento das normas técnicas aplicáveis. Ao proporcionar acompanhamento contínuo e mais próximo, a monitoria fortaleceu o aprendizado dos conteúdos e serviu como conexão entre as explicações do professor e as dificuldades específicas apresentadas pelos discentes. Como diferencial, foram elaboradas modelagens digitais em Building Information Modeling (BIM) de elementos estruturais através dos Softwares Revit, Autocad e TQS, em especial, modelagens de vigas, pilares e lajes, com o objetivo de ilustrar de forma tridimensional e interativa a aplicação prática dos conceitos estudados. Essa iniciativa buscou aproximar teoria e prática, permitindo que os alunos visualizassem, em ambiente digital, como os cálculos e dimensionamentos resultam em soluções construtivas concretas. A modelagem possibilitou ainda compreender a importância do posicionamento adequado das armaduras, do detalhamento geométrico e da compatibilização entre os diferentes elementos, aspectos fundamentais para o desempenho e a segurança das estruturas. A utilização de ferramentas BIM mostrou-se um recurso pedagógico inovador, capaz de potencializar o ensino de análise estrutural. A visualização tridimensional favoreceu o entendimento espacial das estruturas, contribuiu para a fixação dos conteúdos e despertou maior interesse dos alunos, que puderam associar diretamente o aprendizado teórico com sua materialização em projeto. Além disso, a experiência estimulou discussões sobre a aplicabilidade profissional do BIM, destacando sua relevância crescente no setor da construção civil e a importância de sua inserção já na formação acadêmica. A experiência evidenciou que a monitoria, quando associada a recursos tecnológicos, pode desempenhar um papel significativo no fortalecimento do aprendizado. Ao mesmo tempo em que reforça conteúdos disciplinares, promove habilidades essenciais como raciocínio lógico, pensamento crítico e autonomia de estudo. A integração entre atendimento personalizado e a utilização de ferramentas digitais possibilitou um aprendizado mais dinâmico e interativo, aproximando a vivência acadêmica das práticas profissionais. Assim, a monitoria focada na análise estrutural no semestre 2025/1 consolidou-se como uma prática pedagógica inovadora, reafirmando sua importância para o desenvolvimento acadêmico e para a formação de engenheiros civis capazes de aliar fundamentos teóricos, competências técnicas e recursos digitais aplicados à realidade da profissão
PRÁTICAS DA APRENDIZAGEM BASEADA EM EQUIPES COM LICENCIANDOS E DOCENTES: AVALIAÇÕES DE UMA OFICINA ONLINE
A formação de pequenos grupos oportuniza o aproveitamento de habilidades individuais para a resolução de problemas mais complexos. Além disso, as atividades de caráter colaborativo colocam os sujeitos para envolverem-se nas tarefas, respeitando as competências individuais e compartilhando a responsabilidade com os demais integrantes do grupo. A metodologia Aprendizagem Baseada em Equipes (ABE) propõe o uso de equipes para resolver atividades sobre os conceitos em um curso. Composta por etapas, a ABE inclui atividades de estudo prévio, com materiais enviados pelo professor, para os alunos serem capazes de realizar a Garantia de Preparo em sala de aula. Nesta fase, os estudantes realizam testes individuais com questões objetivas e, posteriormente, em equipes com as mesmas questões para os estudantes dialogarem em busca da alternativa mais adequada. Organizada em grupos de 5 a 7 integrantes, os estudantes podem questionar o professor ao final dos testes e, em caso de dúvidas nas questões, as equipes podem realizar apelações, sendo, a partir disso, o professor responsável por ponderar e explicar brevemente os conteúdos. Ao final de uma sequência de atividades da ABE, os discentes devem resolver problemas contextualizados, aplicando os conceitos. Esta pesquisa tem como objetivo verificar algumas das perspectivas dos participantes a partir das práticas desenvolvidas em uma oficina sobre a metodologia Aprendizagem Baseada em Equipes realizada na modalidade online, no primeiro semestre de 2025. O propósito era apresentar uma proposta de ensino alternativa das conhecidas dos professores e considerá-la para sua utilização, na prática docente. Com o envio antecipado de uma vídeo-aula, de uma apresentação de slides utilizados no vídeo, do material de leitura em PDF e de um artigo sobre a ABE, os participantes deveriam se preparar para as atividades que seriam realizadas na oficina. As fases da ABE foram aplicadas de maneira online com o intuito de garantir maior participação, incluindo potenciais inscritos de outras cidades. Como forma de coleta e análise das perspectivas dos participantes, foi utilizado um formulário elaborado no Google Forms. Os aspectos avaliados pelos participantes na oficina realizada por meio do Google Meet, tratava-se de suas percepções sobre: avaliação da oficina; conhecimento sobre a Aprendizagem Baseada em Equipes; colaboração, dinâmica de grupo, estudo pré-oficina e autoavaliação; aprendizagem na oficina e formação e profissão docente. Entre os 14 participantes da atividade, estavam estudantes de diferentes cursos de licenciatura e professores que já atuavam na Educação Básica. Sobre o tópico avaliação da oficina, a maioria dos participantes considerou que as práticas e os materiais contribuíram para o seu conhecimento sobre a metodologia de ensino. O tempo de duração das atividades foi um dos aspectos mais reforçados pelos participantes, sendo indicado aumentar o tempo para a elaboração das atividades. Com relação ao conhecimento apropriado sobre a Aprendizagem Baseada em Equipes a partir da oficina, a maioria dos inscritos afirmou compreender melhor sobre os procedimentos da ABE, destacando a colaboração como um ponto-chave da metodologia. Quanto aos aspectos sobre colaboração, dinâmica de grupo, estudo pré-oficina e autoavaliação, os participantes indicaram uma comunicação ativa entre os colegas das equipes. Por outro lado, identificaram que alguns integrantes colaboraram mais do que outros. Referente a aprendizagem na oficina, a maioria dos participantes indicaram ter se sentido motivados para conhecer a metodologia ABE. Quanto ao último tópico, formação e profissão docente, foi solicitado que comentassem como a oficina contribuiu para a sua qualificação profissional. Os participantes que já atuavam como professores consideraram a sua utilização, na prática com os seus alunos, enquanto os licenciandos mencionaram pretender utilizar em sua atuação futura. Constata-se, a partir dessas avaliações, que a oficina contribuiu para o seu conhecimento sobre a Aprendizagem Baseada em Equipes e permitiu experimentá-la na oficina. Por meio da verificação desses procedimentos, eles possuem maior familiarização e podem adquirir uma confiança maior para a aplicação dessa metodologia futuramente. Considerando alguns pontos dos participantes, conclui-se a necessidade de realizar novas oficinas ou cursos em um tempo maior, para garantir a consolidação desse aprendizado e divulgar a ABE para mais professores e licenciandos
Relato de Experiência Pibid e Educação em Contextos de Vulnerabilidade
Uma das experiências mais marcantes da minha vida acadêmica tem sido a participação no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), vinculado ao curso de Licenciatura em Ciências da Natureza da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Talvez por ainda estar no segundo semestre do curso, mas tenho certeza que essa experiência ficará marcada em mim para sempre. Atuo como bolsista em uma escola estadual de tempo integral, em Uruguaiana RS, localizada em uma região da cidade onde a maioria das famílias vive em situação de vulnerabilidade. Na visita pelo bairro para conhecer melhor a comunidade, logo nos primeiros dias como bolsista, me deparei com um grande "valetão" por onde passava a água que deveria seguir até o rio, mas que, ao invés de estar limpo, o lugar estava tomado por lixo, entulhos e até animais mortos, o que evidenciava a falta de saneamento básico e de cuidado com o meio ambiente. Foi naquele momento que eu percebi que estar naquele lugar iria muito além de cumprir as horas do Programa, significava entrar em contato com uma realidade social cheia de desafios, mas também de aprendizados. Foi impactante perceber que esse cenário era parte do cotidiano de muitas crianças da escola, as quais eu tenho frequente contato. As famílias pertencem à comunidade ribeirinha, constantemente afetada pelas enchentes. As casas, geralmente pequenas e com materiais pouco resistentes, são alagadas nas cheias; as famílias precisam abandonar o lar, ficam em abrigos temporários e sofrem com perdas materiais e emocionais, além da instabilidade de não ter um espaço seguro para viver. O que para alguns é apenas uma notícia distante, para os alunos da escola é parte da rotina o que afeta não só a vida familiar, mas também a trajetória escolar. Ao conversar com a supervisora do PIBID que também atua como professora nesta escola e observar os alunos, fui compreendendo como esse cenário se reflete diretamente na vida escolar. Muitos chegam à escola carregando o cansaço e a preocupação com o que deixaram em casa e, às vezes, até o peso de problemas que não deveriam ser seus. Em períodos de enchentes é comum que faltem às aulas por longos períodos, e, quando retornam, carregam com eles não apenas lacunas de conteúdo, mas também o peso emocional de tudo o que enfrentaram. A vulnerabilidade não fica restrita às casas em que vivem. Ela se reflete na escola, na falta de transporte regular, na alimentação, material escolares e até no vestuário dos estudantes. Mesmo assim, diante de tantas barreiras, eles chegam na escola com suas histórias, com risadas no corredor e brincadeiras que talvez façam seus dias pesarem menos. Essa vivência no PIBID tem contribuído de forma significativa para a minha formação acadêmica, porque cada experiência está fortalecendo meu aprendizado e me preparando para ser uma profissional mais capacitada. Hoje percebo que o papel dos professores vai além de ensinar, é também acreditar no potencial de cada estudante e compreender a importância de práticas pedagógicas contextualizadas, que façam sentido para o cotidiano desses alunos. Para isso, considero essencial o uso de metodologias ativas, que coloquem os estudantes como protagonistas do processo de aprendizagem e encontrem no conteúdo escolar uma ligação direta com a vida que levam. Sempre que conseguimos relacionar os conteúdos às situações que eles enfrentam diariamente o aprendizado se torna mais próximo, envolvente e significativo. Ao mesmo tempo, o contato com a realidade dos alunos tem me transformado como pessoa, ampliando minha sensibilidade e meu olhar mais humano, o que considero essencial para minha trajetória docente. Essa experiência também reafirma o compromisso social tanto da escola pública quanto da universidade em contextos de vulnerabilidade, mostrando que educação é presença, acolhimento e transformação. Cada vivência no PIBID tem me dado mais certeza de que quero seguir na docência e acreditar que a educação tem força para transformar vidas, inclusive a minha
Catalogação de Acessos de Orquídeas da Coleção Didática da Unipampa Campus Itaqui
Uma coleção didática de plantas, representa um conjunto de amostras preservadas e identificadas, visando sua utilização na facilitação do aprendizado. Busca, contemplar a diversidade de espécies e a variabilidade genética dentro destas, permitindo a observação e análise destes materiais genéticos pelos aprendizes, apresentando-se desta forma, como uma ferramenta de grande valia no processo de ensino e aprendizagem. Sendo a variabilidade genética, matéria prima fundamental aos programas de melhoramento genético, ressaltamos a importância da obtenção e conservação da mesma, para fins de conservação e utilização no melhoramento vegetal. A família Orchidaceae, é uma das maiores famílias de plantas do mundo, contando com mais de 30 mil espécies já catalogadas, sua grande diversidade ajuda a manter a riqueza da flora local além de contribuírem para o equilíbrio da manutenção da biodiversidade. E a catalogação das plantas que compõem uma coleção, não trata-se apenas de um registro formal, mas apresenta-se como um instrumento essencial para promover a conservação e a pesquisa científica. Neste contexto, o projeto de ensino da UNIPAMPA Campus Itaqui foi criado, buscando integrar a preservação do patrimônio genético das orquídeas à produção de conhecimento científico e à educação ambiental, consolidando-se, como uma iniciativa de relevância acadêmica, pois, os recursos genéticos vegetais são matéria prima fundamental para o emprego em trabalhos de melhoramento genético. No entanto, para que esta matéria prima possa ser acessada, a mesma necessita passar por um trabalho de catalogação, trabalho que engloba a identificação dos materiais genéticos disponíveis na coleção de maneira detalhada, seguindo uma metodologia funcional e eficiente. Neste contexto, o referido trabalho teve como objetivo a catalogação de acessos de orquídeas das espécies pertencentes a coleção didática da Unipampa Campus Itaqui. O trabalho foi desenvolvido na estufa da coleção didática de orquídeas do componente de melhoramento vegetal. Complementando uma atividade prática de ensino do componente de Melhoramento Vegetal do curso de Agronomia, os discentes têm a tarefa de alimentar o banco de acessos da coleção com novos exemplares a cada semestre letivo, pois, ao final do semestre os alunos doam os acessos que coletaram e estudaram ao longo do semestre para a coleção da Universidade. Inicialmente as plantas foram identificadas pelos alunos e acondicionadas em um local isolado, no qual permaneceram por um período de quarenta, neste local são monitoradas quanto ao seu desenvolvimento vegetativo, controle de pragas e de patógenos e recebem os tratos culturais próprios para a espécie. Todo este trabalho foi desenvolvido como atividade prática do componente de melhoramento vegetal. Após este período de quarentena e findado o período de atividades práticas do componente, as plantas foram transferidas para a estufa da coleção onde passaram por uma avaliação morfológica e receberam os tratos culturais apropriados. Na sequência iniciaram-se as atividades referentes a multiplicação vegetativas das mesmas, sendo, esta etapa do trabalho desenvolvida pelos discentes voluntários de iniciação científica do grupo GPMV (Grupo de Pesquisa em Melhoramento Vegetal). Os materiais biológicos recebidos foram identificados, recebendo uma numeração, como forma de identificação, as plantas foram acondicionadas na estufa sob condições parcialmente controladas, como: (temperatura, umidade, nutrição vegetal). Após este período, os acessos passaram para a etapa do trabalho de catalogação, recebendo uma ficha única composta por informações detalhadas sobre a espécie, origem, local de coleta e suas características morfológicas (cor das flores, tamanho), entre outras, informações obtidas a partir das observações e de um vasto trabalho de pesquisa bibliográfica, após a seleção e organização destas informações foi criado um catálogo composto por todos os acessos obtidos até o presente momento em nossa estufa e deixado disponível em formato PDF para que mais discentes e voluntários do grupo possam ter acesso. Até o momento já foram catalogadas 52 espécies pertencentes a 11 gêneros, destacando-se em número de acessos os gêneros: Dendrobium Nobile, Oncidium sharry baby e Epidendrum. Conclui-se com este trabalho que a catalogação em bancos de acessos de orquídeas é fundamental para a preservação da diversidade genética e proteção das espécies, garantindo que materiais biológicos de diferentes populações estejam disponíveis para estudos científicos tanto para alunos quanto para pesquisadores, além da disposição dos mesmos para fins de reprodução e fortalecimento da conservação deste patrimônio genético natural
Curricularização da Pesquisa e da Extensão: Um Exemplo Prático de Uma Plataforma de Ensino Integrada
A integração efetiva e estrutural entre ensino, pesquisa e extensão representa um dos desafios estratégicos mais complexos para as universidades do século XXI, que almejam não apenas traduzir a produção acadêmica em impacto social tangível, mas também formar egressos com perfil integral, aptos a solucionar problemas multifacetados da realidade, como os socioambientais e agropecuários típicos da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Para superar a histórica dissociação entre teoria acadêmica e prática profissional, agravada pelo desestímulo das novas gerações com os sistemas tradicionais de ensino, tornam-se imperativos modelos pedagógicos inovadores e disruptivos que coloquem efetivamente os estudantes como protagonistas de sua aprendizagem, inserindo-os em contextos reais de inovação e desenvolvimento tecnológico. Este trabalho relata e analisa a experiência em andamento de integração curricular da pesquisa e da extensão por meio do desenvolvimento e operacionalização contínua da plataforma SIMAGAIA (Sistema Integrado de Monitoramento Agroambiental), uma iniciativa do Laboratório Interdisciplinar Integrado (LABii/Unipampa), com foco especial no papel central dos workshops temáticos de extensão como ferramenta dinamizadora do processo de ensino-aprendizagem. O objetivo principal é demonstrar como a articulação entre atividades curriculares formais e a oferta estratégica de workshops para a comunidade externa cria um ciclo virtuoso de aprendizado significativo, capacitação técnica e geração de demandas reais que retornam às salas de aula e laboratórios, alimentando todo o ecossistema de inovação. A metodologia operacional baseou-se em dois eixos complementares: primeiro, a decomposição dos objetivos específicos de projetos vigentes de pesquisa (SAP 4691), inovação (SAP 4673) e extensão (SAP 4745) em desafios práticos e modularizados, que foram integrados vertical e horizontalmente aos planos de ensino de disciplinas dos cursos de Agronomia, Engenharia Cartográfica e de Agrimensura e Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia; segundo, a concepção e execução de uma série de workshops de formação continuada, com temas como "Água e Agricultura: monitoramento e práticas para uma produção mais eficiente e sustentável", "Decifrando o Verde: introdução ao sensoriamento remoto para monitoramento agrícola e ambiental" e "O Futuro das Nossas Águas: introdução à modelagem hidrológica com o SWAT (Soil and Water Assessment Tool)", planejados para funcionar como interface dinâmica com a sociedade e como ambiente de prática discente. As atividades desenvolvidas pelos estudantes, historicamente distribuídas em formatos pedagógicos diversificados, como aulas práticas laboratoriais e de campo, Trabalhos de Conclusão de Curso, projetos de iniciação científica, incluindo o desenvolvimento de instrumentação eletrônica de baixo custo, a otimização de métodos analíticos, a aplicação prática de geotecnologias (QGIS, Sensoriamento Remoto) e a calibração do modelo hidrológico SWAT para bacias hidrográficas da região. Para gerir esta complexidade, foram utilizadas intensivamente Tecnologias da Informação e Comunicação, como ambientes virtuais de aprendizagem (Moodle, Google Classroom), ferramentas colaborativas online, recursos de inteligência artificial e plataformas de processamento de dados, permitindo um trabalho participativo, síncrono e assíncrono, que aplica e aproveita as ferramentas digitais modernas. Os resultados, ainda em evolução, demonstram progressivamente que esta abordagem dupla promove um aprendizado significativo e profundamente contextualizado, com o desenvolvimento simultâneo de competências técnicas (programação, análise instrumental, modelagem computacional) e sociais (trabalho em equipe interdisciplinar, comunicação, gestão de projetos). Os workshops, em particular, transcendem sua função inicial de capacitação externa: eles funcionam como vitrine dinâmica dos serviços da plataforma e geram um feedback valioso - avaliado por métodos como a Técnica do Incidente Crítico - que retroalimenta e ajusta os projetos de pesquisa e inovação às demandas reais da comunidade. Este feedback é incorporado diretamente às atividades curriculares, criando um fluxo contínuo de problemas reais que enriquecem o ensino. Conclui-se que a sinergia entre a curricularização por projeto - ancorada na SIMAGAIA - e a oferta de workshops de extensão temáticos constitui um modelo pedagógico robusto e replicável para concretizar o tripé universitário. Este ciclo, onde o ensino capacita para a ação extensionista e a extensão, por sua vez, devolve problemas autênticos e urgentes para o ensino e para a pesquisa, fortalece de maneira indelével a relação universidade-sociedade e cumpre a função social transformadora da instituição pública. Apesar de desafios inerentes, como o engajamento discente em patamares ainda não ideais, a estrutura se mostra promissora para criar um ecossistema de aprendizagem autossustentável e de alto impacto regional
Estratégias lúdicas para abordagem do conteúdo Teia Alimentar: Relato de prática desenvolvida no PIBID
Este relato apresenta uma prática desenvolvida no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência - PIBID Subprojeto Ciências da Natureza, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Argeny de Oliveira Jardim, localizada em um bairro periférico do município de Dom Pedrito/RS, com 15 estudantes do sétimo ano, tendo como tema central o conteúdo de teia alimentar. A escolha justifica-se porque a professora regente da turma estava desenvolvendo o conteúdo de ecologia, especificamente as relações ecológicas e alimentares, o que tornou relevante a inserção da temática para auxiliar na compreensão conceitual dos estudantes. Além disso, os conceitos de cadeia e teia alimentar são importantes para a formação dos estudantes em Ciências da Natureza, pois permitem compreender como ocorre o fluxo de energia e matéria nos ecossistemas, além de fomentar a consciência ambiental e estimular o pensamento crítico. Os objetivos pedagógicos da prática foram entender os conceitos e diferenciar cadeia e teia alimentar, destacando a complexidade das relações tróficas. A metodologia adotada caracterizou-se como qualitativa, sendo uma prática desenvolvida em três horas/aula, com foco na observação do engajamento e da construção do aprendizado dos alunos. Inicialmente, buscou-se explorar os conhecimentos prévios dos estudantes por meio de questionamentos orais e contextualizações, seguido de uma exposição dialogada com apoio de slides. Nesse momento, foram retomados os conceitos de cadeia e teia alimentar, produtores, consumidores e decompositores, pirâmide de energia e níveis tróficos. Na sequência, foi aplicado o jogo didático denominado Mural da Teia Alimentar, confeccionado com materiais recicláveis e de baixo custo, como papelão, EVA, fichas ilustradas confeccionadas pelo Canva com seres produtores, consumidores e decompositores, fita de cetim para indicar as conexões e velcro adesivo para possibilitar a fixação e reorganização das peças. A escolha por materiais reutilizáveis justifica-se porque estimula práticas sustentáveis, gera menor custo financeiro e possibilita a reprodução do material de forma acessível. O jogo consistiu no sorteio, pelos alunos, de fichas contendo produtores, consumidores e decompositores, que estavam dentro de uma urna de papelão. As fichas eram fixadas com o velcro no mural, construindo progressivamente uma teia alimentar, em que os alunos tinham que achar conexões com as fichas que eram retiradas. Para complementar, foi utilizado um jogo interativo na plataforma Wordwall, projetado na tela da sala de aula. Como resultados, destaca-se a participação ativa dos estudantes e um bom nível de conhecimento prévio, pois responderam aos questionamentos iniciais. Por exemplo, alguns estudantes sabiam explicar a relação entre a fotossíntese e os seres produtores, outros mencionaram que os consumidores podem obter energia de plantas e de outros animais. Durante o jogo, notou-se empolgação, pois rapidamente formaram uma fila e, à medida que foram retirando as fichas, todos estabeleceram conexões corretas na montagem da teia. A finalização com o Wordwall despertou uma competitividade saudável e auxiliou na consolidação dos conceitos de forma gamificada, já que os alunos tentavam resolver o jogo o mais rapidamente possível para obter maior pontuação. Conclui-se que a prática contribuiu de maneira efetiva para a fixação dos conceitos propostos, intercalando teoria e prática por meio da valorização da ludicidade e da consciência ambiental. Portanto, reafirma-se o papel fundamental do PIBID como um espaço formativo e essencial de construção da identidade docente e no desenvolvimento de práticas inovadoras que qualificam o processo de ensino-aprendizagem de Ciências da Natureza, possibilitando novas formas de ensinar e aprender