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Os equívocos de Peirce
This text intends to show the misunderstandings, deficiencies and inaccuracies of the semiotic theory of C. S. Peirce so used in research on images, texts and expressions in general in Brazil. The author problematizes certain key concepts of this theory and preaches the need for a rigorous investigation of his writings. To this end, he sets out to begin this task by discussing the concept of "interpretant."Este texto pretende mostrar os equívocos, deficiências e inexatidões da teoria semiótica de C. S. Peirce tão utilizada em pesquisas sobre imagens, textos e expressões em geral no Brasil. O autor problematiza certos conceitos-chave dessa teoria e prega a necessidade de se realizar uma investigação rigorosa de seus escritos. Para isso, ele se propõe a dar início a essa tarefa discutindo o conceito de "interpretante"
As imagens que nos aprisionam e a escapada a partir do corpo: sobre Dietmar Kamper
In communication’s area, Dietmar Kamper is an outsider. For him, the universe of images is our new Cavern, a kind of prison from where no one can ever escape. We look for images because we have got an “initial wound”: we want to go back to mother’s uterus but we are not allowed to do this. At the same time we do not want to enter the world. The images protect us from the world pains, they turn bearable the unbearable and nourish us as well. Lacan did utilize the mirror as symbol of body’s fragmentation but according to Kamper television goes much farer: it changes the time flux in flux of points. The exit of images’ cavern is not possible neither through machines (the symbolical) nor through God (the imaginary) but 224 | Recensões just through the body (the real). It is the only thing that is inaccessible to the mass media. But not any body, but just the body as a “theatre without director”, a prelinguistic body, a body that feels the world. Turn the media declarations against themselves, make the option for the silence that cries, change the luminosity for the twilight and, above all, write to denounce what is going on are his weapons.Na área de comunicação, Dietmar Kamper é um outsider. Para ele, nossa nova Caverna é o universo das imagens, prisão da qual aparentemente não há saída. Buscamos as imagens porque temos uma «ferida inicial»: queremos retornar ao útero materno e não podemos. Ao mesmo tempo, tampouco queremos avançar no mundo. As imagens nos livram das dores do mundo, tornam suportável o insuportável e também nos alimentam. Lacan usou-se do espelho como símbolo da fragmentação, mas, para Kamper, a televisão vai muito além dele: ela substitui o fluxo de tempo pelo fluxo de pontos. A saída da caverna das imagens não ocorre pelas máquinas (o simbólico), por Deus (o imaginário), mas sim pelo corpo (o real). É a única coisa que é inacessível aos media. Mas não qualquer corpo, apenas o corpo como «teatro sem diretor», o corpo pré-lingüístico, o corpo que sente o mundo. Virar as declarações mediáticas contra elas mesmas, optar pelo silêncio que grita, trocar a luminosidade pelo lusco-fusco e, acima de tudo, escrever para denunciar o que está aí
Paixão, erotismo e comunicação. Contribuições de um filósofo maldito, Georges Bataille
Êxtase, delírio, arrebatamento, encantamento são situações que remetem o homem ao extremo e são formas do sagrado. Fazem parte daquilo que Bataille chama de experiência interior, em que o sujeito assume uma condição de não-saber e o objeto, a de algo desconhecido. Esta vivência além das palavras é o que ele nomeia comunicação. O erotismo reúne várias formas dessa experiência: o contato dos corpos durante o ato sexual, a violência da paixão, as experiências sacrificiais. Na sexualidade, nós, seres descontínuos, buscamos, no ato, o contato com uma continuidade perdida
A comunicação do cinema como ato de quebra, que nos força a pensar, a agir, a mudar
Diferente do cinema que apela para o sensório-motor, Gilles Deleuze aponta que o cinema óptico-sonoro nos proporciona o acesso a coisas poderosas demais, injustas demais, belas demais que nos forçam a pensar, que nos desviam dos clichês. Comunicação, para ele, assim como para a Nova Teoria, é quebra, é violência. Contestando as formas de politização de Eisenstein, Faure, Vertov e Gance, o filósofo francês nos coloca como autômatos espirituais, cuja função não é exatamente pensar, enquanto refletir, avaliar, mas se deixar embalar pelo efeito de embriaguês, em que se pensa o impensável, o pensamento exerce seu “impoder” e o choque nos leva ao limite
Alice in the Videodrome Land: how receptors were swallowed by the interactivity of electronic communication
O tema principal dos debates sobre recepção das mensagens da comunicação centra-se numa questão clássica da cultura: será que o receptor recontextualiza o que recebe ou o sistema anula o indivíduo e qualquer aspiração sua à autonomia? The main theme of discussions on reception focuses on a classical question of culture: can the subjects recontextualise what they\u27re receiving or the system cancels any individual and his aspiration to autonomy
Imagens que nos formam, nos deformam e nos transformam: dos silêncios, dos clichês, da percepção e da fruição das imagens
Temos algumas ilusões em relação às imagens: achamos que elas ocupam um certo espaço em nossa mente e achamos que o mundo é como uma película de cinema, um conjunto de cenas paradas. Mas o real é puro movimento. Movimento que está num texto literário, quando paramos a leitura e apreciamos o silêncio; movimento que está na fotografia, quando saímos dela, levantamos os olhos e sentimos seu impacto. Uma foto só pode ser sentida, jamais interpretada, analisada, trabalhada racionalmente. Os filmes, diferentemente da fotografia, tendem a nos conduzir e nos embalar em clichês. A foto também pode fazer isso se eu a tomo como forma permanente de duplicar, triplicar o real. Aí ela perde sua força. No passado, as imagens eram reprimidas, pois ela já guardavam um fator de subversão. Tanto o cinema como a fotografia e a literatura guardam esse poder de comunicar se permitirem a irrupção do inesperado, do bruto, do belo, do incomum Palavras-chave: Imagem. Fotografia. Cinema. Literatura. Clichê. Cultura de mass
O rosto e a máquina: o fenômeno da comunicação visto pelos ângulos humano, medial e tecnológico
Em O rosto e a máquina: o fenômeno da comunicação visto pelos ângulos humano, medial e tecnológico (2013), Marcondes Filho apresenta sua contribuição para as reflexões sobre teoria da comunicação. Partindo da escola fenomenológica de Husserl a Merleau-Ponty, de uma aliança entre a metodologia da etnografia e da metafísica da presença e das contribuições do círculo cibernético para as teorias da comunicação, Marcondes desenvolve um pensamento que tem em seu cerne o fenômeno comunicativo em sua dimensão ímpar como um hic et nunc. No modelo apresentado pelo autor, vale destacar, a comunicação é uma atividade eminentemente humana, cognoscível na medida em que se caracteriza como um acontecimento e instaura uma relação entre os agentes envolvidos. O acontecimento comunicativo, na visão do autor, tem como ponto de partida o contato entre dois agentes e como efeito uma transformação em ambos. Para costurar a rede semântica que pretende imprimir à teoria da comunicação, Marcondes Filho faz uso de um vocabulário novo no cenário dos estudos em comunicação. O princípio da razão durante, a relação entre afecção e comunicação, os círculos (pequeno e grande) do processo comunicativo e o conceito de metáporo são exemplos do quadro conceitual que compõe a chamada Nova Teoria da Comunicação de Marcondes Filho. São Paulo: Paulus, 2013. ISBN: 9788534936101
Theodor Adorno: a crise da crítica da comunicação
The aesthetic, philosophical and epistemological proposals of Theodor Adorno, one of the most important thinkers from 20th century, had very frequently obscure components, sometimes ingenuous, sometimes unattainable. His major contribution seems to be the concept of not-identical, but his musical conceptions were not clear at all and his epistemological positions fell very oft in insoluble contradictions.As propostas estéticas, filosóficas e epistemológicas de Theodor Adorno, um dos maiores pensadores do século 20, tinham quase sempre componentes obscuros, às vezes ingênuos, outras vezes inatingíveis. Sua maior contribuição parece ter sido o conceito filosófico do não-idêntico, mas suas concepções musicais não eram nada claras e suas posições epistemológicas caíam em contradições insolúveis
Peripécias de Humberto Maturana no país da comunicação
The biologist Humberto Maturana, internationally known for the creation of the term autopoiese, also speaks of language and communication. Its theoretical model is that of the living being as a closed system. Hence his controversial propositions, such as that in communication, no information is transmitted, there is no difference between perception, illusion and hallucination, and that language operates without any reference to external reality. It's a new look at communication with both intriguing and challenging propositions.O biólogo Humberto Maturana, internacionalmente conhecido pela criação do termo autopoiese, fala também de linguagem e de comunicação. Seu modelo teórico é o do ser vivo como sistema fechado. Daí suas proposições polêmicas, como a de que, na comunicação, nenhuma informação é transmitida, não há diferença entre percepção, ilusão e alucinação e que a linguagem opera sem qualquer referência à realidade exterior. É um novo olhar sobre a comunicação com proposições ao mesmo tempo intrigantes e desafiadoras
Comunicação e Revelação
O ensaio revisita os três momentos da existência humana descritos por Emmanuel Levinas, centrando sua atenção no terceiro, a superação da hipóstase em direção ao devir, ao ser para o outro. Seu conceito de comunicação, contudo, vinculado à sua proposta talmúdica, propõe uma submissão ao outro, diferenciando-se aí da proposta da Nova Teoria. Nesse caso, três caminhos seguem divergentes do nosso: Levinas propõe um olhar ético para a comunicação enquanto nós buscamos o fenomenológico; ele atrela a comunicabilidade à presença física do outro, seu rosto, seu olhar, enquanto nós expandimos a comunicabilidade para obras humanas e sua força expressiva; finalmente, o acontecimento, em Levinas, é obra do acaso, do encontro fortuito entre mim e a alteridade, enquanto, para nós, o acontecimento comunicacional supõe um projeto, uma ação dirigida a um fim, em suma, uma ação ativa, não apenas reativa.Palavras-chaves: Comunicação. Devir. Alteridade. Revelação. Fenomenologia. Acontecimento. Projeto.
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