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Errâncias apollinairianas: mitos e fatalidades do moderno
This text goes through some places in the literary work of Apollinaire that are motivated by the urban wanderings of the author. A modernization of the gaze is evident there: invested with an allegorical and mythical bias, in favor of an unusual feeling of estrangement from the banal and the quotidian, it concours to a lyrical, sometimes elegiac, game that the writer establishes between objects and figures, and between the past, the present and the future. The wandering Apollinaire, thus, expresses polysemic depth for lived space and time, over an increasing depersonalization imposed by the modern metropolis. The adhesion of Apollinaire to the forms of urban life reveals, at last, orphic power of lyrical and mythical transfiguration of the present.
Este texto percorre alguns lugares na obra literária de Apollinaire que são motivados pelas errâncias urbanas do autor. Uma modernização do olhar ali se evidencia: investido de um viés alegórico e mítico, a favor de um inusitado sentimento de estranhamento do banal cotidiano, esse olhar concorre a um jogo lírico, por vezes elegíaco, que o escritor estabelece entre tempos, objetos e figuras. O errante apollinairiano concede, assim, polissêmica profundidade para o espaço e o tempo vividos, sobre fundo de uma despersonalização crescente imposta pela metrópole moderna. A adesão do poeta às formas da vida citadina revela-se, por fim, potência órfica de transfiguração lírica e mítica do presente.
Aesthetic and counter-history of art in Jacques Ranciére
A singularização da arte impôs-se pari passu com a noção de modernismo, identificado por sua vez com a conquista de autonomia por cada linguagem artística, e com as dualidades clássico/moderno e vanguarda/kitsch. Jacques Rancière, em Aisthesis: Scènes du régime esthétique de l’art (2011), retoma a questão de como se chegou a essa singularização, revisando as relações entre arte e vida impostas pelas vanguardas. A pesquisa consignada no presente texto objetivou percorrer algumas das “cenas” do teatro rancieriano da Estética de modo a avaliar o alcance crítico da noção de regime estético da arte, e de uma consequentecontra-história da modernidade artística, resultante do percurso de Rancière pelos interstícios de narrativas oficiosas (ou seja, não canônicas) entre o final do século XVIII e meados do século XX. Na recusa a legitimar, uma vez mais, formas consagradas da modernidade artística, nosso autor propõe percurso sui generis, capaz de desvelar terreno notadamente fértil para uma revisão das práticas da historiografia de arte, e da relação entre Arte e Política
Notas sobre uma literatura impossível : Le Bleu du Ciel de Georges Bataille
Georges Bataille’s novel Blue of Noon (1935) appraises itself as disposing of a premonitory vision on 30th and 40th political and social convulsions. As a heterocritical narrative, it evokes an alternation of dreams and reality, quotidian events and historical facts,ammounting to comments about revolutionary values of its age. This paper aims to expose some notes on the narrative schemes of Blue of Noon. As a contest between writing and its own impossibility, Bataille’s text shows fiction as the other side of theoretical optimism and reveals literature as the realm of transgressions.
Keywords: Narrative. Politics. Desire. Impossibility. Death. Georges Bataille.O romance Le Bleu du Ciel (1935) apresenta-se como uma escrita premonitória das convulsões político-sociais dos anos 30 e 40. Narrativa heteróclita, onde se indiferenciam sonho e realidade, acontecimentos do cotidiano e fatos da História, ela se produz como um sarcástico desmentido das veleidades revolucionárias de sua época. Algumas anotações são propostas aqui acerca das estratégias de escrita do texto de Georges Bataille (1897-1962). Jogo com sua própria impossibilidade, ela permite mostrar a ficção como o reverso do otimismo teórico e a literatura como instância de transgressão.
Palavras-chave: Narrativa. Política. Desejo. Impossibilidade. Morte. Georges Bataille
A matéria em obra ou a filosofia em manchas de tinta
Este estudo entende ser um breve descritivo do fazer artístico em alguns de seus engajamentos mais caracteristicamente modernos. Para tanto, ele considera a análise que o artista (Jean Dubuffet) faz de seus próprios procedimentos de ateliê, na expressão de uma estética declaradamente bruta e selvagem. Aparentada ao tratamento assistemático da matéria demonstrado por tal expressão artística de modernidade, a filosofia mais recente repensa suas tópicas e taxonomias
GEORGES BATAILLE: NOTAS IMPERTINENTES SOBRE DEMÊNCIAS E MONSTRUOSIDADES NA FORMA CLÁSSICA
Bataille é autor de uma filosofia “agressivamente anti-idealista”, envolvida com o trabalho de deslocamento das noções. Na convicção de que a transgressão está ao alcance de uma selvageria da forma, sob fundo de cosmogonia paródica, o pensamento batailliano atua em favor do que de fato deveria desvelar a existência humana: o gasto sem compensação, a prodigalidade sem medida. Este estudo percorrerá alguns textos iniciais de Bataille, nos quais uma análise iconográfica inusual localiza aquela selvageria e este gasto pródigo em formas agressivamente anti-clássicas da Antiguidade tardia
Comentário a "Sobre as consequências filosóficas do primado da percepção em Merleau-Ponty": Uma resposta estética (extravagante?) para um “problema insolúvel”
Commentede text reference: Camargo, Jeovane. Sobre as consequências filosóficas do primado da percepção em Merleau-Ponty. Trans/Form/Ação: revista de filosofia da Unesp, vol. 43, Número Especial, p. 231-256, 2020.Referência do texto comentado: Camargo, Jeovane. Sobre as consequências filosóficas do primado da percepção em Merleau-Ponty. Trans/Form/Ação: revista de filosofia da Unesp, vol. 43, Número Especial, p. 231-256, 2020
A matéria em obra ou a filosofia em manchas de tinta
This paper aims to be a short description of artistic perform on its more
characteristically modern engagements. There-fore, it acknowledges an artist analysis
(by Jean Dubuffet) of studio proceedings, expression of one manifestly brute and savage
aesthetic. Based upon the no systematical treatment of matter revealed by these artistic
demonstration of modernity, the more recent philosophy resizes its topics and
taxonomies.Este estudo entende ser um breve descritivo do fazer artístico em alguns de seus engajamentos mais caracteristicamente modernos. Para tanto, ele considera a análise que o artista (Jean Dubuffet) faz de seus próprios procedimentos de ateliê, na expressão de uma estética declaradamente bruta e selvagem. Aparentada ao tratamento assistemático da matéria demonstrado por tal expressão artística de modernidade, a filosofia mais recente repensa suas tópicas e taxonomias
Going Beyond Counting First Authors in Author Co-citation Analysis
The present study examines one of the fundamental aspects of author co-citation analysis (ACA) - the way co-citation
counts are defined. Co-citation counting provides the data on which all subsequent statistical analyses and mappings
are based, and we compare ACA results based on two different types of co-citation counting - the traditional type that
only counts the first one among a cited work's authors on the one hand and a non-traditional type that takes into
account the first 5 authors of a cited work on the other hand. Results indicate that the picture produced through this non-traditional author co-citation counting contains more coherent author groups and is therefore considerably clearer. However, this picture represents fewer specialties in the research field being studied than that produced through the traditional first-author co-citation counting when the same number of top-ranked authors is selected and analyzed. Reasons for these effects are discussed
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