17 research outputs found

    Escrita e risco: três relatos do claustro

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    The article seeks to show how the institutional codification of nuns’ autobiographies establishes an ambiguity between the duty of writing, as an obligation established by confessors, and the risk that it would reveal some diabolical dimension of the inner world of their authors. To explore the idea that risk crosses gender, we comparatively analyzed the reports of three Spanish-American nuns: Úrsula Suárez, Catalina de Jesús Herrera, and Josefa de Castillo. The risk emerges from two thematic cores dear to the genre: the representation of the desire to know, a source of questions about women’s place in the world; and the representation of the mystical encounter which, charged with eroticism, reveals a transgressive dimension of the inner experience. We argue that the truncated way, permeated by oscillations and silences, in which the writers represent these thematic nuclei responds to the awareness of the risk they imply without, however, ceasing to explore them.El artículo busca mostrar cómo la codificación institucional de las autobiografías de las monjas establece una ambigüedad entre el deber de escribir, como una obligación establecida por los confesores, y el riesgo de que revele alguna dimensión diabólica del mundo interior de sus autoras. Para explorar la idea de que el riesgo atraviesa el género, analizamos comparativamente los informes de tres monjas hispanoamericanas: Úrsula Suárez, Catalina de Jesús Herrera y Josefa de Castillo. El riesgo surge de dos núcleos temáticos caros al género: la representación del deseo de saber, una fuente de preguntas sobre el lugar de las mujeres en el mundo; y la representación del encuentro místico que, cargado de erotismo, revela una dimensión transgresora de la experiencia interior. Sostenemos que la forma truncada, permeada por oscilaciones y silencios, en que las escritoras representan estos núcleos temáticos responde a la conciencia del riesgo que implican sin, sin embargo, dejar de explorarlos.O artigo procura mostrar como a codificação institucional das autobiografias de freiras instaura uma ambiguidade entre o dever da escrita, como obrigação instituída pelos confessores, e o risco de que ela relevasse alguma dimensão diabólica do mundo interior de suas autoras. Para explorar a ideia de que o risco atravessa o gênero, analisamos comparativamente os relatos de três freiras hispano-americanas: Úrsula Suárez, Catalina de Jesús Herrera e Josefa de Castillo. O risco emerge a partir de dois núcleos temáticos caros ao gênero: a representação do desejo de saber, fonte de questionamentos sobre o lugar da mulher no mundo; e a representação do encontro místico que, carregada de erotismo, revela uma dimensão transgressiva da experiência interior. Argumentamos que a forma truncada, permeada de vacilações e silêncios, com que as escritoras representam estes núcleos temáticos responde à consciência do risco que eles implicam sem, no entanto, deixar de desbravá-los

    A lição reformista

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    O trabalho apresenta o dramaturgo italiano Carlo Goldoni (1707-1793) e o dramaturgo espanhol Leandro Fernández de Moratín (1760-1828) no contexto das reformas teatrais ilustradas de seus respectivos países e por eles lideradas. Iniciadas a partir de um diagnóstico negativo da tradição seiscentista, as reformas encontraram no pensamento da ilustração o fundamento para uma revisão dos cânones dramatúrgicos. Para tanto, situamos e analisamos alguns textos de Goldoni e Moratín que revelam as bases de seu pensamento reformista. Por fim, aproximamos duas peças dos autores: O teatro cômico, de Goldoni, e La comedia nueva, de Moratín. Ambas foram apresentadas como peças-prólogos, indicando seu substrato metalinguístico, pois nelas aparecem o diagnóstico da situação do teatro em seus respectivos países, além da defesa de um novo tipo de teatro guiado pelas ideias do reformismo ilustrado, apregoando a centralidade da dramaturgia. A análise dos textos permite apontar aproximações e diferenças entre as ideias teatrais dos autores à luz do ideário reformista ilustrado que compartilharam

    O véu e a lágrima: imaginário e erótico e velhice em dois romances chilenos.

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    Pedro Lemebel and Jorge Edwards are Chilean writers occupying different positions  in twentieth-century Chilean canon. Considering their contrasting approaches and concerns, this paper aims at a comparative analysis of two of their novels, namely El orígen del mundo by Edwards (1996) and Tengo miedo torero by Lemebel (2001). The leading argument follows two main motives that appear in both narratives: firstly, the historical background of the Chilean Military Dictatorship (1973-1990); and second, as the novels’ driving force, the endeavor of representing eroticism from an old-age perspective. By considering the differences and the uniqueness of their prose, this work points towards the subtle similarities that appear throughout the procedures employed by each of the two narrators. This approach intends to be a contribution to the bibliography of both authors, aiming to offer a perspective that compares them not only from the point of view of historical representation, but from specific literary procedures.Pedro Lemebel e Jorge Edwards são narradores chilenos que ocupam rincões diversos do cânone chileno da segunda metade do século XX. Assumindo as distâncias entre suas respectivas propostas e interesses de trabalho, o presente trabalho propõe uma análise comparativa de dois romances dos autores El orígen del mundo de Edwards (1996) e Tengo miedo torero de Lemebel (2001). A proposta comparativa se orienta por dois fios condutores de ambas as narrativas: em primeiro lugar está o transfundo histórico da Ditadura Militar Chilena (1973-1990) e, como mola motriz dos respectivos enredos, o singular trabalho de representação do erotismo a partir da ótica da velhice. Situando as diferenças que as singularidades da prosa dos autores contem, o presente texto acena para similaridades sutis que aparecem nos procedimentos empregados pelos narradores dos dois romances. Essa aproximação pretende ser uma contribuição para a bibliografia de ambos os autores, visando oferecer uma perspectiva que os compare não apenas do ponto de vista da representação histórica, mas a partir de procedimentos literários específicos

    Não consta

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    Esta tese analisa a centralidade das ideias da Ilustração nos debates sobre o teatro e os modos pelos quais elas alteraram substancialmente seu desenvolvimento no mundo hispânico entre os séculos XVIII e XIX. O trabalho parte do contexto reformista espanhol setecentista para apresentar o debate que revisou os pressupostos cênicos e dramatúrgicos herdados do século XVII, reposicionando-os para atender ao impulso pedagógico e moralizante das Luzes na segunda metade do século XVIII. A força destas ideias e a renovação na cena da metrópole deu lugar a diversos coliseus que se espalharam pelo continente americano no ocaso do período colonial, entre as décadas de 1780 e 1810. Em seguida, mostramos como, a partir da crise iniciada em 1808, o teatro passa a ter um papel central nas discussões que os projetos independentistas empreenderam, mobilizando a dramaturgia agora para atuar na forja das adesões aos projetos de emancipação em curso por meio de um discurso cívico e moral que recolheu do ideário ilustrado suas matrizes poéticas e conceituais. Para marcar esta inflexão durante as Guerras de Independência, analisamos comparativamente três peças: Camila, o la patriota de Sudamérica de Camilo Henríquez (1817), Tupac Amaru de Luís Ambrosio Morante (1821) e La Pola de José Domínguez Roche (1820/1826). Além da leitura da dramaturgia do período, a tese analisa a documentação burocrática sobre o teatro, debates retórico-poéticos e textos da imprensa a fim de reconstituir os intensos debates sobre os fundamentos do teatro num período de profundas rupturas políticas. Este trabalho demonstra como as esferas da cultura e da política se relacionam de maneira singular no período, sempre atravessadas por uma tensão extraída das contradições da matéria social. Repensado em seu lugar social pelas reformas ilustradas do século XVIII e revisto constante durante as Guerras de Independência, teatro como objeto de estudo permite desentranhar questões de vasta projeção no século XIXThis thesis analyzes the centrality of Enlightenment ideas in the debates about theatre and the ways in which they substantially altered its development in the Hispanic world between the 18th and 19th centuries. The work begins with the reformist context of 18th century Spain to present the debate that revised the scenic and dramaturgical assumptions inherited from the 17th century, repositioning them to serve the pedagogical and moralizing impulse of the Enlightenment in the second half of the 18th century. The strength of these ideas and the renewal of the metropolitan stage gave rise to various theatres that spread throughout the American continent during the twilight of the colonial period, between the 1780s and 1810s. Subsequently, we show how, starting with the crisis of 1808, theatre came to play a central role in the discussions undertaken by independence movements, using dramaturgy to forge support for the ongoing emancipation projects through a civic and moral discourse that drew its poetic and conceptual foundations from Enlightenment ideals. To highlight this shift during the Wars of Independence, we comparatively analyze three plays: Camila, o la patriota de Sudamérica by Camilo Henríquez (1817), Tupac Amaru by Luis Ambrosio Morante (1821), and La Pola by José Domínguez Roche (1820/1826). In addition to examining the period\'s dramaturgy, the thesis analyzes bureaucratic documents on theatre, rhetorical-poetic debates, and press texts to reconstruct the intense discussions on the foundations of theatre during a period of profound political upheaval. This work demonstrates how the spheres of culture and politics are uniquely interrelated during the period, always marked by tensions derived from the contradictions of the social fabric. Reconsidered in its social role by 18th-century Enlightenment reforms and constantly revisited during the Wars of Independence, the theatre as an object of study allows us to unravel issues with far-reaching implications in the 19th centur

    Absurdos, alienados e vanguardistas: itinerários de uma polêmica

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    Tópico recorrente das historiografias teatrais chilenas e argentinas, a categoria de vanguarda instaura ruídos na produção dos dramaturgos que despontam no final da década de 1950. O presente trabalho recompõe as polêmicas do período, a fim de questionar o lugar "fora da história" que grande parte da crítica legou à produção de alguns autores do período. O itinerário parte das revisões crítica das obras da argentina Griselda Gambaro e do chileno Jorge Díaz, dramaturgos que a crítica local vinculou ao "teatro do absurdo" hispano-americano

    Saquear o arquivo, ouvir-se no eco: a leitura voraz do arquivo europeu na poesia de Rubén Darío

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    Sylvia Molloy, ao ler a literatura latino-americana a partir do gênero autobiográfico, propõe que sua apropriação da cultura europeia se dê por meio de um saqueio voraz de seu arquivo. Perseguindo a ideia da crítica argentina, este artigo se propõe a ler esse procedimento de leitura voraz na obra do poeta nicaraguense Rubén Darío, enfocando um de seus poemas: “Caracol” em diálogo com outros poemas do autor, bem como busca compará-lo com trabalhos do cubano Julián del Casal, poeta coevo, com quem Darío partilha o interesse pela cultura francesa moderna. A partir da leitura dos poemas, mostra-se como o uso da tradição europeia funciona como estímulo para o encontro de uma literatura própria, em que a irreverência no uso do arquivo se impõe sobre a cópia

    Civilizing burden and visions of barbarism: Mariluán, by Alberto Blest Gana, in its time

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    Publicado em 1862, Mariluán, de Alberto Blest Gana, vem despertando o interesse da crítica literária desde o estudo de John Ballard, no qual a considerou como uma “novela olvidada” na trajetória do prolífico narrador chileno. Nosso artigo busca inserir-se no debate sobre o livro ao indagar os sentidos do romance em um duplo movimento comparativo: por um lado, consideramos as relações entre o romance e as polêmicas sobre as campanhas militares na região da Araucanía, no Sul do Chile; além disso, visamos aproximar o texto de romances contemporâneos à sua publicação que tratam da questão indígena e tiveram melhor acolhida em seus respectivos países. O movimento busca reavaliar o singular tratamento conferido por Blest Gana às complexas discussões sobre a assimilação dos indígenas à sociedade criolla, sem aderir aos termos com que o debate se colocava quando escreveu Mariluán, tendo lhe conferido o subtítulo de “crónica contemporánea”.Published in 1862, Mariluán, by Alberto Blest Gana, has been arousing the interest of literary criticism since the study of John Ballard, in which he considered it as a “forgotten novel” in the trajectory of the prolific Chilean narrator. Our article seeks to insert itself into the debate about the book by investigating the meanings of the novel in two comparative movements: on the one hand, we consider the relationship between the novel and the polemics about the military campaigns in the Araucania region, in southern Chile; on the other hand, we aim to bring the text of novels published at the same period that deal with the indigenous issue and were better received in their respective countries. The movement seeks to re-evaluate the singular treatment Blest Gana gives to the complex discussions about indigenous assimilation to Creole society, without adhering to the terms in which the debate was installed at the moment he wrote the novel, which had as a subtitle “crónica contemporánea”

    Y al morir al hombre enseña: teatro e política no contexto das independências

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    A partir da análise de Camila o la patriota de Sudamérica, escrita por Camilo Henríquez em 1817, La Pola, escrita por José Domínguez Roche em 1820, e Túpac Amaru, escrita por Luis Ambrósio Morante em 1821, o presente trabalho busca indagar as relações entre teatro e política no período das guerras de independência. O objetivo do texto é mostrar como os dramaturgos articulam a forma do drama ao discurso cívico-patriótico de modo a construir o conceito de pátria do ponto de vista criollo e sempre refratário à ameaça espanhola.From the analysis of Camila o la patriota de Sudamérica, written by Camilo Henríquez in 1817, La Pola, by José Domínguez Roche in 1820, and Túpac Amaru, by Luis Ambrósio Morante in 1821, the present study seeks to investigate the relation between theater and politics during the Spanish American wars of independence. The goal of the text is to show how the playwrights articulated the form of drama to the civic-patriotic discourse to construct the concept of homeland from a creole’s point of view and always resistant to the Spanish threat

    Ideas ilustradas y procedimientos ficcionales en Lazarillo de ciegos caminantes

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    Published in the context of the Bourbonic reforms in America, the travel story Lazarillo de ciegos caminantes, by the Spanish writer Alonso Carrió de la Vandera, marks eighteenth-century literature through the conception of an indigenous narrator, Concolorcorvo. This work examines the use of this narrator as a discursive tool of de la Vandera and its formal implications for the work in what concerns the observation of colonial society, intersected by the author’s enlightened perspective. We analyze structural aspects of the book that bring it closer to fiction while, paradoxically, allowing us to glimpse its reformist ideas: the presence of cases that, from the observation of its particularities, gain moral and social significance, and the dialogues between the indigenous narrator and the Spanish visitor, whose proposed game through masks allows him to advance his relentless examination of the ways of life witnessed in the vast territories visited.  Publicado en el contexto de las reformas borbónicas en América, el relato de viaje Lazarillo de ciegos caminantes, del español Alonso Carrió de la Vandera, marca la literatura dieciochesca por la concepción de un narrador indígena, Concolorcorvo. Este trabajo examina el uso de este narrador como herramienta discursiva de la Vandera y sus implicaciones formales para la obra en lo que se refiere a la observación de la sociedad colonial atravesada por la perspectiva ilustrada del autor. Analizamos dos aspectos estructurales del libro que lo acercan a lo ficcional mientras, paradójicamente, permiten entrever sus ideas reformistas: la presencia de los casos que, desde la observación de lo particular, ganan trascendencia moral y social y, por otro lado, los diálogos entre el narrador indígena y el visitador español, cuyo juego propuesto por las máscaras permite avanzar en su examen implacable de los modos de vida testimoniados en los vastos territorios visitados.Publicado no contexto das reformas bourbônicas na América, o relato de viagem Lazarillo de ciegos caminantes, do espanhol Alonso Carrió de la Vandera, marca a literatura do século XVIII pela concepção de um narrador indígena, Concolorcorvo. Este trabalho examina a utilização desse narrador como ferramenta discursiva empregada por La Vandera, bem como suas implicações formais para a obra no que diz respeito à observação da sociedade colonial atravessada pela perspectiva ilustrada do autor. Analisamos dois aspectos estruturais do livro que o aproximam da ficção ao passo que, paradoxalmente, nos permitem vislumbrar suas ideias reformistas: a presença de casos que, partindo da observação do particular, ganham transcendência moral e social e, por outro lado, os diálogos entre o narrador indígena e o visitante espanhol, cujo jogo proposto pelas máscaras lhe permite avançar no seu juízo implacável dos modos de vida testemunhados nos vastos territórios visitados
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