Portal de Periódicos da UNIVASF (Universidade Federal do Vale do São Francisco)
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Gestão de tempo entre graduandos de medicina: é possível conciliar tempo de estudo com qualidade de vida?
A formação médica impõe intensa carga horária e pressões socioeconômicas, o que compromete a gestão do tempo e a saúde mental dos discentes. Apesar dos benefícios acerca do autocuidado serem reconhecidos, há escassez de estudos sobre o impacto do lazer e do descanso no desempenho acadêmico e na qualidade de vida estudantil. Diante desta inquietação, este estudo objetiva avaliar a relação entre qualidade de vida, gestão do tempo e desempenho acadêmico de discentes de Medicina, a partir de um estudo quantitativo, transversal e observacional com 114 discentes de Medicina da UNIVASF, Campus Paulo Afonso. Para tanto, foi utilizado o WHOQOL-BREF e questionário semiestruturado sobre tempo de lazer e estudo, cuja coleta ocorreu de modo on-line, garantindo anonimato e segurança dos dados, resultando numa amostra definida por cálculo amostral, com 95% de confiança e 5% de erro. Os índices médios de qualidade de vida, avaliados pelo WHOQOL-BREF, entre as turmas discentes avaliadas ficaram entre 62,3% e 68,8%, indicando boa qualidade de vida dos discentes, com correlação positiva entre tempos dedicados ao descanso (p=0,001), lazer (p<0,03) e prática física (p=0,002) e índices de qualidade de vida. Identificou-se que o coeficiente de rendimento está diretamente relacionado com o tempo de estudo (p<0,02) e apresenta relação com a autopercepção de desempenho acadêmico discente (p<0,0001). O estudo foi pioneiro ao abordar correlações entre qualidade de vida, lazer, sono e desempenho acadêmico, apresentando dados que podem auxiliar pesquisas futuras acerca do tema
Avaliação do conhecimento sobre zoonoses parasitárias por estudantes de medicina e Medicina Veterinária
As doenças parasitárias e infecciosas possuem grande importância para a saúde pública, sendo que 61% dos patógenos humanos podem ter origem animal. Para identificar e prevenir essas doenças adequadamente torna-se necessária a formação de profissionais de saúde bem capacitados. Dessa forma, o presente estudo objetivou avaliar o conhecimento das principais zoonoses parasitárias em alunos dos cursos de medicina (CM) e de medicina veterinária (CMV), por meio de questionários aplicados antes e após cursarem a disciplina de Doenças Parasitárias (DDP) ou disciplinas equivalentes (DE) de universidades federais no Estado de Pernambuco, Brasil. As perguntas abordaram conhecimentos sobre escabiose, cisticercose, tungíase, larva migrans cutânea, doença de Chagas, leishmaniose e toxoplasmose. Houve diferença significativa ao citar um tipo de zoonose parasitária quando comparados os alunos antes e depois de cursar DDP/DE (P = 0,0045), sendo que ter cursado a disciplina aumenta em quatro vezes a chance de acertar as respostas e ser aluno de CMV aumenta três vezes a chance de citar corretamente (P = 0,0162). Em relação a forma de transmissão com o fato de ter cursado ou não DDP/DE, houve diferença significativa para sarna (P = 0,0137) e toxoplasmose (P = 0,0023), sendo que ter cursado aumenta em quase três vezes a chance de acertar a transmissão das enfermidades citadas. De acordo com os resultados obtidos, foi possível observar que, com relação ao conhecimento das zoonoses parasitárias, os alunos do CMV das universidades estudadas mostraram-se mais capacitados sobre a compreensão sobre as formas de transmissão das zoonoses. Torna-se fundamental um maior detalhamento sobre a temática nas disciplinas dos CM, para que seja possível maior conhecimento sobre cadeia epidemiológica das zoonoses, possibilitando a adoção de medidas preventivas por esses profissionais
Educação permanente no fortalecimento da vigilância em saúde do trabalhador: um relato de experiência
O presente artigo tem como objetivo descrever o processo de construção e execução de um curso de Vigilância em Saúde do Trabalhador, com base nos princípios metodológicos e pedagógicos da Educação Permanente, realizado por profissionais de um Centro de Referência em Saúde do Trabalhador regional e de residentes de um programa de Saúde da Família. O curso foi fundamentado a partir de uma revisão bibliográfica acerca do tema ‘Saúde do Trabalhador e Trabalhadora’ e das fragilidades observadas na formação dos profissionais atuantes na Vigilância em Saúde, assim como os materiais didáticos entregues que foram formulados a partir das demandas notadas. A formação foi estruturada no formato híbrido para abranger duas turmas com cerca de 30 participantes cada uma, com catorze aulas teóricas síncronas e remotas, além de uma aula prática com uma inspeção in loco em cada cidade participante. Por fim, foi realizado um seminário de culminância dos aprendizados construídos ao longo do curso. Essa experiência fortaleceu a relação entre o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador e as equipes de Vigilância em Saúde dos municípios de sua abrangência e promoveu mais autonomia para essas equipes realizarem atividades de prevenção de saúde e fiscalização em postos de trabalho
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO COLABORATIVA DO COMPONENTE CURRICULAR ESTAÇÃO DOS SABERES VI: EXPERIÊNCIA DE APRENDIZAGEM ATIVA E PROTAGONISMO DISCENTE
Com a recente reforma do Ensino Médio, novos componentes curriculares foram implementados com o objetivo de atender à Base Nacional Comum Curricular. Neste contexto, os componentes Estações dos Saberes foram propostos como espaços de desenvolvimento do protagonismo estudantil, caracterizado pela dinamicidade metodológica e pelo aprender a fazer. O objetivo deste trabalho é apresentar e discutir, por meio de um relato de experiência, a organização do componente Estação dos Saberes VI em uma escola estadual da cidade de Salvador, Bahia, destacando os movimentos de colaboração e participação dos estudantes na construção de uma proposta de ensino-aprendizagem. O planejamento e organização do componente de modo colaborativo se traduziram em atividades propostas pelos educandos, como rodas de conversa, campanhas de sensibilização e jogos, que evidenciaram a proficuidade do protagonismo discente e os desafios de conduzir um plano de trabalho participativo. A partir da discussão com autores de base construtivista e crítica, reiteramos a relevância da mediação docente no processo de ensino-aprendizagem e a importância da participação ativa do discente no planejamento e execução de atividades como premissa central de uma aprendizagem mais dinâmica e significativa
CONHECIMENTO DOS INTERNOS DE MEDICINA SOBRE O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurológica complexa que afeta o desenvolvimento social, comportamental e comunicativo dos indivíduos. O conhecimento dos internos de medicina sobre o TEA é fundamental para proporcionar um atendimento adequado a esses indivíduos. Diante disso, este estudo tem como objetivo avaliar o conhecimento de internos de medicina sobre o Transtorno do Espectro Autista. Trata-se de estudo quantitativo, descritivo, realizado com 39 internos do curso de Medicina. Os dados foram analisados e interpretados através da estatística descritiva simples. Os estudantes apresentam conhecimento sobre o transtorno, reconhecendo as principais características apresentadas por um sujeito com o TEA. Destaca-se, ainda, que a realização de leituras cientificas acerca do tema e atividades curriculares durante a graduação foram as principais fontes de informação utilizadas pelos estudantes na aquisição de conhecimento sobre TEA. Foi constatado que o preparo ofertado pela universidade para estes estudantes assistirem os usuários com TEA é insuficiente, e estes internos informaram ainda, consideram que é de suma importância que haja uma preparação por parte da universidade. Além disso, a maioria dos estudantes apresentam inseguranças para assistirem uma pessoa com TEA. A maioria dos internos não tem opinião formada ou não tem interesse em trabalhar de forma especializada e direcionada às pessoas com TEA. Nesse sentido, faz-se oportuno abordar sobre TEA ainda na graduação em medicina, levando em consideração sua prevalência e complexidade, para que, assim, esses estudantes e futuros profissionais, tenham mais conhecimento e segurança para a prestação de um cuidado ético e baseado em evidências voltado às pessoas com TEA nos diversos âmbitos de atenção à saúde
GUARACIARA BARROS LEAL E A IMPLANTAÇÃO DO TELENSINO NO CEARÁ (1974-1979)
Este estudo objetivou biografar Guaraciara Barros Leal com ênfase no seu percurso formativo e profissional os quais a encaminharam a fazer parte da equipe que implantou o Telensino no Estado do Ceará. Trata-se de uma pesquisa biográfica, amparada metodologicamente na História Oral e, teoricamente, nos pressupostos da História Cultural a partir do recorte temporal 1974 e 1979. Os resultados apontaram que Guaraciara Leal teve a sua formação familiar e escolarizada imbricadas pelo fato de seu pai ser dono de escolas durante toda a vida, aspecto que a influenciou nas suas escolhas profissionais posteriores. Ressaltamos ainda que a biografada se formou no curso normal e, posteriormente, em Pedagogia, contudo não exerceu a função de professora. Tal processo reverberou na sua participação efetiva na implantação do Telensino no Ceará, um importante instrumento de educação e de emancipação de jovens e adultos que ansiavam por formação que fosse compatível aos horários da pessoa trabalhadora
NARRATIVAS DOCENTES EM REDE: UMA DÉCADA DA CONSTITUIÇÃO DA IDENTIDADE FORMATIVA
O presente texto busca compreender as motivações pela docência nas narrativas de memórias docentes. O enfoque da pesquisa-formação (Passeggi, 2017) tomou como referência as narrativas digitais em rede do Museu da Pessoa, mapeando as histórias disponibilizadas nesse ambiente virtual, no período de 2013 a 2022, selecionadas de acordo com os critérios da investigação. A pesquisa acessou 520 narrativas, sendo cinco memórias docentes contempladas para análise. As reflexões, advindas das narrativas digitais dos docentes, possibilitou o desvelar da subjetividade, com ênfase na descolonialidade, revelada nas relações sociais advinda da convivência familiar e participação nos movimentos sociais e políticos, destaques que deram assento a constituição da identidade formativ
Editorial
Edição que celebrar 15 anos de existência da Revista de Educação da Universidade Federal do Vale do São Francisco (REVASF
PRÁTICAS AGROPECUÁRIAS SUSTENTÁVEIS
Visando uma compreensão sobre os reflexos das práticas agropecuárias no ambiente natural, buscou-se, neste artigo, apresentar os saberes e fazeres de práticas agropecuárias desenvolvidas em comunidades tradicionais, pontuando de que forma esses saberes poderão apoiar o currículo escolar do Centro Territorial de Educação Profissional José Amâncio Filho, em Curaçá-BA, através dos cursos de Agropecuária, Agroecologia, Agricultura e Zootecnia. O estudo foi desenvolvido em uma comunidade de fundo e fecho de pasto, localizada em área de sequeiro e uma comunidade quilombola, situada em área ribeirinha. A coleta de dados se deu a partir da aplicação de questionários semiestruturados a agricultores e pecuaristas com foco nas questões das práticas agropastoris bem como sobre a situação socioeconômica do produtor rural com sua família. Além disso, houve a prática de observação dessas práticas. A análise de dados foi desenvolvida através da sistematização por meio de tabelas e gráficos, elencando os tipos de práticas, como elas se organizam, quais as suas finalidades dentro das comunidades, diagnosticando, também, possíveis contribuições para formação profissional dos alunos por meio do currículo dos cursos do eixo Recursos Naturais. Os resultados foram revelados a partir de figuras e tabelas apoiados por uma escrita descritiva com foco em detalhar as percepções obtidas nas entrevistas e observações dessas práticas agropecuárias. Desse modo, conclui-se que o acesso aos resultados dessa pesquisa no âmbito científico pode gerar uma mobilização e um estímulo dentro da sociedade, provocando, assim, a revisão e adequação do currículo do eixo de Recursos Naturais com olhos voltados para a realidade local, a partir da interação entre escola e comunidades tradicionais, correlacionado, os conhecimentos empíricos e os conhecimentos científicos no desenvolvimento dos arranjos produtivos, em observância às condições ambientais nas diferentes realidades
AS MULHERES NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO COLONIAL: UM ESTUDO DAS PRODUÇÕES SOBRE O TEMA
Este texto apresenta um levantamento dos trabalhos sobre a história da educação das mulheres no período colonial, publicados entre 2012 e 2022. Foram eleitos aqueles presentes em anais dos seguintes encontros científicos: Congresso Brasileiro de História da Educação; Congresso Luso-brasileiro de História da Educação; Congresso Iberoamericano de História da Educação Latino-americana; Encontro Nacional de História; o Encontro Internacional de História Colonial; e o Colóquio Cultura e Educação na América Portuguesa. Além deles, as produções disponibilizadas: no banco de dados da “Scientific Electronic Library Online” (SciELO); no “Portal de Periódicos CAPES”; no banco de teses e dissertações da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e no Catálogo de Teses e dissertações da CAPES, da área de Educação e História. A proposta foi mapear quantitativamente esses trabalhos e evidenciar alguns avanços e desafios para as pesquisas sobre esse tema. Posteriormente, foi realizada uma breve análise das produções identificadas, em particular, sobre: as fontes e metodologias utilizadas, resultados e conclusões, conceitos e referencial teórico. Como será evidenciado, a quantidade de pesquisas sobre o tema no período escolhido é pequena. Tal realidade está relacionada com o acesso e perspectivas sobre fontes; a necessidade de pensar outros processos educativos, além da escola; e o lugar e a atuação das mulheres nessa educação