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    São Tomé and Príncipe portuguese phonology

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    O objetivo desta tese é descrever e analisar a fonologia de duas macrovariedades que emergiram e são faladas em São Tomé e Príncipe (stp): o português de São Tomé (pst) e o português do Príncipe (pp). O surgimento dessas variedades, no arquipélago, remonta ao estabelecimento colonial do português em um ambiente plurilíngue, bem como ao seu desenvolvimento inicial como segunda língua, e, posteriormente, como língua materna adquirida pelos nativos. Nos últimos anos, a língua portuguesa se consolidou como majoritária em stp em detrimento às línguas autóctones e demais línguas locais. Após 1975, o português foi transmitido pelas gerações mais velhas, tornando-se a língua materna da maior parte da população de stp - fato que possibilitou a emergência de variedades singulares do português. Considerando esse cenário, buscamos como propósitos específicos: (i) propor uma fonologia unificada para o pst e para o pp; (ii) elencar alguns aspectos fonéticos que possam diferenciar tais variedades; (iii) analisar fenômenos vocálicos como alçamento, harmonia e nasalização vocálica; (iv) examinar fenômenos consonantais que atingem as líquidas da coda, tais como o apagamento do rótico e da lateral e a vocalização e velarização de /l/ e, por fim, (v) estudar processos de sândi vocálico externo como a degeminação, elisão e ditongação. Para tanto, compilamos os fenômenos fonológicos nas variedades em foco, a partir de dados de fala espontânea coletados in loco a partir de entrevistas conduzidas com sujeitos falantes nativos de língua portuguesa de diferentes sexos e idades. Posteriormente, aplicamos testes, como elicitação de dados com auxílio de imagens, assim como repetição da frase-veículo \"Eu falo X baixinho\" de modo a ampliarmos o corpus. A primeira etapa nos auxiliou na identificação dos fenômenos analisados e das possíveis variáveis linguísticas envolvidas nos processos. Já a segunda fase foi essencial para examinarmos e testarmos as hipóteses preliminares mediante a implementação de modelos de regressão linear e logísticas realizados no Rbrul. Todos os dados foram, além disso, analisados no Praat para delimitarmos, acusticamente, a ocorrência ou não dos fenômenos analisados considerando diferentes parâmetros fonéticos. Isso feito, propomos uma análise fonológica aos dados norteados por uma perspectiva analítica, sobretudo, não-linear. Os modelos teóricos adotados foram: a fonologia autossegmental; a geometria de traços; a fonologia prosódica e a teoria da sílaba. A análise dos dados com o auxílio de métodos fonéticos e dos modelos supracitados nos permitiu descrever diferentes aspectos estruturais sonoros do português de São Tomé e Príncipe (pstp), como as consoantes e vogais que compõem seu quadro fonológico, a estrutura silábica, o acento, entre outros fatores diretamente relacionados aos fenômenos fonológicos em foco. A descrição fonotática geral do pst e do pp, incluindo os processos fonológicos vocálicos e consonantais, permite, assim, uma compreensão mais ampla das macrovariedades de stp, demarcando as características inerentes do pstp, bem como aspectos compartilhados com outras variedades da língua portuguesa.The aim of this study is to describe and analyze the phonology of two macrovarieties spoken in São Tomé and Príncipe (stp): São Tomé Portuguese (pst) and Príncipe Portuguese (pp). The emergence of these varieties dates to the colonial establishment of Portuguese in a plurilingual environment, as well as its initial development as a second language, and later, as a mother language acquired by the natives. In recent years, Portuguese has been disseminated in stp to the detriment of autochthonous and other local languages. After 1975, Portuguese was adopted and transmitted by older generations, becoming the mother language of most of stp population -- a fact that allowed the emergence of unique Portuguese varieties. Considering this scenario, we seek as specific purposes: (i) to propose a unified phonology for pst and pp; (ii) list some phonetic aspects that can differentiate such varieties; (iii) analyze phenomena such as vowel raising, vowel harmony and vowel nasalization; (iv) to examine phenomena that affect liquids in coda, such as rhotic and lateral deletions and /l/ vocalization and velarization and, finally, (v) to study processes of external vowel sandhi such as degemination, elision and diphthongization. Therefore, we compiled the phonological phenomena in pst and pp, from spontaneous speech data collected in loco through interviews conducted with native speakers of Portuguese of different genders and ages. Subsequently, we applied tests, such as data elicitation with the aid of images, as well as repetition of the carrier sentences \"Eu falo X baixinho\" in order to expand the corpus. The first step helped us to identify the analyzed phenomena and the linguistic variables possibly involved in the processes. The second phase was essential for us to examine and test the preliminary hypotheses through the implementation of linear and logistic regression models carried out in Rbrul. All data were also analyzed in Praat to acoustically delimit the occurrence of the analyzed phenomena considering different phonetic parameters. That done, we propose a phonological analysis of the data guided by a non-linear analytical perspective. The theoretical models adopted were: autosegmental phonology; feature geometry; prosodic phonology and syllable theory. Data analysis with the aid of phonetic methods and the models mentioned allowed us to describe different sound structural aspects of São Tomé and Príncipe Portuguese (pstp), such as the consonants and vowels that make up its phonological framework, the syllable structure, the stress, among other factors directly related to the phonological phenomena in focus. The general phonotactic description of pst and pp, including the vowel and consonant phonological processes, thus allows a broader understanding of the macrovarieties of stp, demarcating the inherent characteristics of pstp, as well as aspects shared with other varieties of the Portuguese language

    Nasality triggered by /ɲ/ in two portuguese varieties of Sao Tome and Principe

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    This study describes and analyzes the nasality triggered by /ɲ/ in the Portuguese spoken in São Tomé (PST) and in the Portuguese spoken in Príncipe (PP). PST and PP are Portuguese varieties from São Tomé and Príncipe (STP) that present particular linguistic characteristics. Considering the context of linguistic contact into which PST and PP are inserted, we aim to (i) propose a phonological analysis of nasality triggered by /ɲ/ in PST and PP, and (ii) investigate the presence of ambisyllabic structures. Based on Autosegmental Phonology (Goldsmith 1976; 1990) as the phonological theory and laboratory phonology (Ohala, 1995) as the methodology and considering the phonotactic analysis of vowels, we observed that nasality can be triggered by /ɲ/, a nasal consonant that occupies an ambisyllabic structure. Thus, the palatal nasal nasalizes left contiguous vowels in stressed and unstressed syllables. This nasalization process is possible because /ɲ/ is in coda, resulting in a CVN syllable structure and triggering tautosyllabic nasality. Even though it is optional, the nasality triggered by /ɲ/ occurs independently of the vowel quality and the word stress, as described for BP (Wetzels, 1997)

    Nasality in Portuguese from São Tomé and Príncipe

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    O objetivo deste estudo é descrever e analisar a nasalidade vocálica do português de São Tomé (PST) e do português do Príncipe (PP). O PST e o PP são variedades da língua portuguesa faladas em São Tomé e Príncipe (STP) que demonstram características linguísticas próprias e estão em uma situação cotidiana de contato linguístico com as línguas autóctones também faladas no arquipélago (GONÇALVES, 2010; CHRISTOFOLETTI, 2013; BRAGA, 2018). Considerando tais conjunturas e sabendo que as variedades de STP necessitam ainda de uma maior investigação linguística, buscamos: (i) descrever e sugerir uma análise fonológica para a nasalidade tautossilábica contrastiva no PST e no PP; (ii) investigar a presença da nasalidade heterossilábica em PST e em PP, propondo uma análise fonológica para os processos, e (iii) confrontar os mesmos fenômenos com estudos análogos sobre o português europeu (PE) e o português brasileiro (PB), e sobre o santome (ST) e o lungIe (LI), línguas nacionais. Adotando como abordagem metodológica a fonologia de laboratório (ALBANO, 2017), o corpus para análise foi constituído a partir de gravações em São Tomé e em Príncipe. No total, o conjunto de dados é formado por 1684 itens lexicais (822 para o PST e 822 para o PP). Os dados podiam conter (i) nasalidade tautossilábica contrastiva; (ii) possibilidade de nasalidade heterossilábica e (iii) nasalidade em fronteira de palavra. As palavras foram gravadas em frases-veículos como Eu falo X baixinho e Eu falo X, onde X era substituído pelo item-alvo. Por meio da contraposição dos pares, extraiu-se, através do software Praat (BOERSMA & WEENICK, 2015), a duração dos segmentos-alvo, isto é, mensuramos e contrapomos as vogais orais (V) com as vogais nasalizadas tautossilábicas (VN). A análise dos dados, baseada em critérios fonológicos segmentais e suprassegmentais, indicou que VN é, em média, 48% mais longa em relação à V no PST e 56% no PP. Assumindo o alongamento da vogal nasal como um indício da estrutura bifonêmica da nasalidade contrastiva para o PB (MORAES & WETZELS 1992), o alongamento médio identificado nas duas variedades nos remete à interpretação bifonêmica /VN/ desse processo. Assim, VN seria alongada por ser o resultado do apagamento da consoante /N/ em coda silábica segmental seguido pelo espraiamento do traço [+nasal] para a vogal antecedente na camada CV, o qual mantém a unidade temporal silábica (GOLDSMITH, 1976; CLEMENTS & KEYSER, 1983). Por fim, ao passo que o processo de nasalidade heterossilábica em átonas não foi identificado nos dados analisados, a nasalidade heterossilábica em tônicas demonstrou caráter opcional. Tal comportamento aproxima as variedades estudas ao santome e lungIe e assinala um comportamento estrutural inerente ao PST e ao PP, dermacando-as como variedades singulares, distintas do PE e do PB. Palavras-chave: Nasalidade.The aim of this study is to describe and analyse the vocalic nasality of the Portuguese spoken in São Tomé (PST) and of the Portuguese spoken in Príncipe (PP). PST and PP are Portuguese language varieties from São Tomé and Príncipe (STP) presenting particular linguistic caracteristics (GONÇALVES, 2010; CHRISTOFOLETTI, 2013; BRAGA, 2018). Considering the linguistic contact context into which PST and PP are inserted and knowing the requirement of a wider linguistic investigation dedicated to these varieties, we intend to (i) describe and propose a phonological analysis of tautosyllabic contrastive nasality in PST and PP; (ii) investigate the presence of heterosyllabic nasality and then suggest a phonological analysis for these processes, and (iii) compare the results with the same phenomena in Santome and LungIe, autochthonous languages, and with analogous studies on European Portuguese (EP) and Brazilian Portuguese (BP). We adopted laboratory phonology as methodological approach (OHALA, 1995), and the corpus for analysis was constituted by recordings in STP. In total, the data was composed by 1,684 lexical itens (822 for PST and 822 for PP) which could present (i) tautosyllabic contrastive nasality; (ii) possibility of heterosyllabic nasality and (iii) nasality in boundary words and phrases. The words were recorded inside carrier sentences such as Eu falo X baixinho (I say X lowly) and Eu falo X (I say X), where X was replaced for the target item. By using the software Praat (BOERSMA & WEENICK, 2015), we extracted the duration of oral vowels (V) and tautosyllabic nasal vowels (VN) from minimal pairs which showed this opposition in miliseconds. The data analysis, based on phonological segmental and suprassegmental parameters, indicates that VN is, on average, 48% longer than V in PST and 56% longer in PP. Assuming nasal vowel lengthening as an indication for biphonemic structure for contrastive nasality in PB (MORAES & WETZELS 1992), the lengthening identified in PST and PP allows us to evaluate contrastive nasality also as biphonemic /VN/ in the varieties examined. Thus, V is longer, since it is the result of a deletion of the consonantal coda /N/. This process is followed by the dissemination of the [+nasal] feature into the previous vowel in CV tier, which maintains the syllabic temporal unit because of this phenomenon (GOLDSMITH, 1976; CLEMENTS & KEYSER, 1983). Lastly, heterosyllabic nasality in unstressed lexical itens was not identified in the data examined, and the heterosyllabic nasality in stressed words evidenced an optional character. This performance approximates the studied varieties to Santome and LungIe and indicates a singular structure for PST and PP, confirming them as proper varieties different from PE and PB

    Apresentação do dossiê Teorias linguísticas formais e interfaces no Ensino Básico

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    A linguagem, objeto basilar do ensino de língua na Educação Básica, é, como nos lembra Hjelmslev (1975, p. 1), “uma inesgotável riqueza de múltiplos valores” e, por isso mesmo, um objeto de análise e ensino complexo. O discente, ao longo de seu percurso escolar, deve ter acesso a toda sua complexidade de modo a forjar uma competência comunicativa ampla que o permita exercer, de modo pleno, sua cidadania (BRASIL, 1996; 2018). Nesse sentido, é necessário um arcabouço teórico múltiplo no Ensino Básico de modo a se operar, efetivamente, com língua e linguagem como objetos organicamente multifacetados. Dentro dessa perspectiva, a análise linguística, especialmente a compreensão formal-sistêmica de línguas, cumpre um papel fundamental na formação de alunos e professores e constitui tema deste número dos Cadernos de Estudos Linguísticos. O dossiê Teorias linguísticas formais e interfaces no Ensino Básico teve como propósito reunir trabalhos dedicados às teorias linguísticas formais em seus variados níveis de análise em interface com teorias/áreas/saberes. A partir dessa perspectiva, este volume é constituído por artigos que tematizam e contemplam a relevância e a relação entre teorias linguísticas formais e o ensino de línguas no Ensino Básico. Os trabalhos reunidos no dossiê são representativos desse eixo temático, contemplando pesquisas que evidenciam a relevância de uma compreensão reflexiva acerca da estrutura da língua, em diálogo pluridisciplinar com teorias/áreas/saberes plurais, no Ensino Básico – fato que culmina no desenvolvimento e aprimoramento de diferentes frentes relacionadas ao ensino, como a leitura, a escrita, a gramática e mesmo o letramento científico.A linguagem, objeto basilar do ensino de língua na Educação Básica, é, como nos lembra Hjelmslev (1975, p. 1), “uma inesgotável riqueza de múltiplos valores” e, por isso mesmo, um objeto de análise e ensino complexo. O discente, ao longo de seu percurso escolar, deve ter acesso a toda sua complexidade de modo a forjar uma competência comunicativa ampla que o permita exercer, de modo pleno, sua cidadania (BRASIL, 1996; 2018). Nesse sentido, é necessário um arcabouço teórico múltiplo no Ensino Básico de modo a se operar, efetivamente, com língua e linguagem como objetos organicamente multifacetados. Dentro dessa perspectiva, a análise linguística, especialmente a compreensão formal-sistêmica de línguas, cumpre um papel fundamental na formação de alunos e professores e constitui tema deste número dos Cadernos de Estudos Linguísticos. O dossiê Teorias linguísticas formais e interfaces no Ensino Básico teve como propósito reunir trabalhos dedicados às teorias linguísticas formais em seus variados níveis de análise em interface com teorias/áreas/saberes. A partir dessa perspectiva, este volume é constituído por artigos que tematizam e contemplam a relevância e a relação entre teorias linguísticas formais e o ensino de línguas no Ensino Básico. Os trabalhos reunidos no dossiê são representativos desse eixo temático, contemplando pesquisas que evidenciam a relevância de uma compreensão reflexiva acerca da estrutura da língua, em diálogo pluridisciplinar com teorias/áreas/saberes plurais, no Ensino Básico – fato que culmina no desenvolvimento e aprimoramento de diferentes frentes relacionadas ao ensino, como a leitura, a escrita, a gramática e mesmo o letramento científico.A linguagem, objeto basilar do ensino de língua na Educação Básica, é, como nos lembra Hjelmslev (1975, p. 1), “uma inesgotável riqueza de múltiplos valores” e, por isso mesmo, um objeto de análise e ensino complexo. O discente, ao longo de seu percurso escolar, deve ter acesso a toda sua complexidade de modo a forjar uma competência comunicativa ampla que o permita exercer, de modo pleno, sua cidadania (BRASIL, 1996; 2018). Nesse sentido, é necessário um arcabouço teórico múltiplo no Ensino Básico de modo a se operar, efetivamente, com língua e linguagem como objetos organicamente multifacetados. Dentro dessa perspectiva, a análise linguística, especialmente a compreensão formal-sistêmica de línguas, cumpre um papel fundamental na formação de alunos e professores e constitui tema deste número dos Cadernos de Estudos Linguísticos. O dossiê Teorias linguísticas formais e interfaces no Ensino Básico teve como propósito reunir trabalhos dedicados às teorias linguísticas formais em seus variados níveis de análise em interface com teorias/áreas/saberes. A partir dessa perspectiva, este volume é constituído por artigos que tematizam e contemplam a relevância e a relação entre teorias linguísticas formais e o ensino de línguas no Ensino Básico. Os trabalhos reunidos no dossiê são representativos desse eixo temático, contemplando pesquisas que evidenciam a relevância de uma compreensão reflexiva acerca da estrutura da língua, em diálogo pluridisciplinar com teorias/áreas/saberes plurais, no Ensino Básico – fato que culmina no desenvolvimento e aprimoramento de diferentes frentes relacionadas ao ensino, como a leitura, a escrita, a gramática e mesmo o letramento científico

    O estatuto fonológico da fricativa velar no fa d’ambô

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    In this study we discuss the phonological status of /x/ in the Fa d’ambô (FA), a Portuguese-based Creole language spoken on Ano Bom island. Based on the analysis of 270 lexical items (SEGORBE, 2007) and of 108 sets of cognates which contrast the Fa d’ambô with the Proto-Creole of Gulf of Guinea (PGG) (BANDEIRA, 2017), we observed that /x/ could be inserted in the Fa d’ambô as a result of a spirantization process, characterized by the lenition of *kPGG into xFA. There are evidences that indicate /x/ and /k/ as distinctives phonemes in this language. Considering the phonotatic distribution of /k/ and /x/, we noticed the occurence of a neutralization process in Fa d’ambô, in which /k/ is produced as [x] when the oclusive consonant is preceded by the low vowel [a] in prestressed syllables as in [pisxaˈdo] ~ [piskaˈdo] ‘fisherman’. Otherwise, [k] remains as an oclusive in stressed syllables, as in [pisˈka] ‘to fish’. The neutralization of /k/ into [x] corresponds to a synchronous processo of Fa d’ambô, being characterized by the feature [dorsal] maintenance and by the association of the [continuant] feature to the oclusive (CLEMENTS, 1996). This is the feature responsible for the diachronic speciation of *k into /x/ and for the annulment of the synchronous distintion between /k/ and /x/.Neste artigo, discutimos o estatuto fonológico de /x/ no fa d’ambô (fa), língua crioula de base portuguesa falada em Ano Bom. Mediante a análise de 270 itens lexicais (SEGORBE, 2007) e de 108 conjuntos de cognatos que contrastam o fa d’ambô com o Protocrioulo do Golfo da Guiné (BANDEIRA, 2017), observamos que /x/ pode ter entrado no fa d’ambô em decorrência de um processo de espirantização, demarcado pela lenição de *kPGG em xFA, e que, atualmente, há indícios de que /x/ e /k/ constituem fonemas distintos nessa língua. Com base na distribuição fonotática de /k/ e /x/, observamos a ocorrência de um processo de neutralização em fa d’ambô, em que /k/ é realizado como [x] ao preceder a vogal baixa [a] em sílabas pretônicas, como em [pisxaˈdo] ~ [piskaˈdo] ‘pescador’, porém permanece como oclusiva em sílabas tônicas, como em [pisˈka] ‘pescar’. A neutralização de /k/ em [x] é, assim, um processo sincrônico do fa d’ambô, sendo caracterizada pela manutenção do traço [dorsal] e pela respectiva associação do traço [contínuo] à oclusiva (CLEMENTS, 1996), traço responsável pela especiação diacrônica de *k em /x/ e por anular a distinção sincrônica entre /k/ e /x/

    Vogais tônicas orais do kabuverdianu do Príncipe: uma análise fonética

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    Com a migração caboverdiana para São Tomé e Príncipe, iniciada em 1903, o kabuverdianu foi levado para o Golfo da Guiné e passou a fazer parte da ecologia linguística da região. Considerando esse cenário, este estudo se debruça sobre o kabuverdianu da ilha do Príncipe (KVP), apresentando uma descrição fonética acústica do primeiro (F1) e segundo formantes (F2) e da duração que caracterizam as vogais orais tônicas nessa língua. Como corpora, utilizamos dados coletados no Príncipe em 2018 com quatro falantes de kabuverdianu como língua materna (Bandeira; Freitas, 2018). Os dados foram analisados com auxílio do programa Praat (Boersma; Weenick, 2022). Em posição tônica, foram encontrados nove fones vocálicos orais ([i, e, ɛ, ə, ɐ, a, ɔ, o, u]), ampliando as descrições do kabuverdianu de Santiago que mencionavam somente 2 vogais centrais. O comportamento das vogais médias e centrais sugere que a dispersão acústica é relevante na definição das vogais da língua. As vogais médias parecem estar mais próximas entre si (com a diferença entre F1 sendo de 75 Hz para as coronais e 98 Hz para as dorsais). Esse fato aproxima acusticamente as vogais médias-altas e médias-baixas, uma vez que os dois pares ([e] e [ɛ], [o] e [ɔ]) passam a ficar menos dispersos no espaço acústico.With the Cape Verdean migration to São Tomé and Príncipe, which began in 1903, Kabuverdianu was taken to the Gulf of Guinea and became part of the region\u27s linguistic ecology. Considering this scenario, this study focuses on Kabuverdianu from the island of Príncipe (KVP), presenting an acoustic phonetic description of the first (F1) and second formants (F2) and the duration that characterize the oral stressed vowels in this language. As corpora, we use data collected in Príncipe in 2018 with four speakers of Kabuverdianu as their mother tongue (Bandeira; Freitas, 2018). The data were analyzed using the Praat program (Boersma; Weenick, 2022). In tonic position, nine oral vowel phones were found ([i, e, ɛ, ə, ɐ, a, ɔ, o, u]), expanding the descriptions of Santiago’s kabuverdianu that mentioned only 2 central vowels. The behavior of mid vowels and central vowels suggests that acoustic dispersion is relevant in defining the language’s vowels. The middle vowels seem to be closer to each other (with the difference between F1 being 75 Hz for the front and 98 Hz for the back). This fact acoustically brings together the mid-high and mid-low vowels, since the two pairs ([e] and [ɛ], [o] and [ɔ]) become less dispersed in the acoustic space.

    Going Beyond Counting First Authors in Author Co-citation Analysis

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    The present study examines one of the fundamental aspects of author co-citation analysis (ACA) - the way co-citation counts are defined. Co-citation counting provides the data on which all subsequent statistical analyses and mappings are based, and we compare ACA results based on two different types of co-citation counting - the traditional type that only counts the first one among a cited work's authors on the one hand and a non-traditional type that takes into account the first 5 authors of a cited work on the other hand. Results indicate that the picture produced through this non-traditional author co-citation counting contains more coherent author groups and is therefore considerably clearer. However, this picture represents fewer specialties in the research field being studied than that produced through the traditional first-author co-citation counting when the same number of top-ranked authors is selected and analyzed. Reasons for these effects are discussed

    Variations on the Author

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    “Variations on the Author” discusses two of Eduardo Coutinho’s recent films (Um Dia na Vida, from 2010, and Últimas Conversas, posthumously released in 2015) and their contribution to the general question of documentary authorship. The director’s filmography is characterized by a consistent yet self-effacing form of authorial self-inscription: Coutinho often features as an interviewer that rather than express opinions propels discourses; an interviewer that is good at listening. This mode of self-inscription characterizes him as an author who is not expressive but who is nonetheless markedly present on the screen. In Um Dia na Vida, however, Coutinho is completely absent form the image, while Últimas Conversas, on the contrary, includes a confessional prologue that moves the director from the margins to the center of his films. This article examines the ways in which these works stand out in the filmography of a director who offers new insights into the notion of cinematic authorship

    Appropriate Similarity Measures for Author Cocitation Analysis

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    We provide a number of new insights into the methodological discussion about author cocitation analysis. We first argue that the use of the Pearson correlation for measuring the similarity between authors’ cocitation profiles is not very satisfactory. We then discuss what kind of similarity measures may be used as an alternative to the Pearson correlation. We consider three similarity measures in particular. One is the well-known cosine. The other two similarity measures have not been used before in the bibliometric literature. Finally, we show by means of an example that our findings have a high practical relevance.information science;Pearson correlation;cosine;similarity measure;author cocitation analysis
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