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As condições políticas do pensamento crítico: diálogo entre Adelia Miglievich-Ribeiro e o Grupo de Estudos em Antropologia Crítica
Adelia Miglievich-Ribeiro conversa com Juliana Mesomo, Alex Moraes e Tomás Guzmán, integrantes do Grupo de Estudos em Antropologia Crítica (GEAC). No decorrer do bate-papo, os quatro interlocutores colocam em movimento seus respectivos instrumentais teóricos engendrando, assim, um espaço comum de pensamento do qual emergem intuições e conceitos potencialmente relevantes para imaginar articulações entre prática intelectual, pesquisa social e política emancipatória. O diálogo inclui análises sobre as dinâmicas que regem a produção do conhecimento nas “antropologias institucionais disciplinares” e incursiona pelos Estudos Culturais em busca de conceitos para pensar e enunciar “fissuras” nos regimes hegemônicos de poder e representação. Por último, mas não menos importante, Adelia e o GEAC abordam as potencialidades e limites dos enfoques decoloniais e recuperam a Teoria Marxista da Dependência em meio a uma reflexão sobre as condições políticas de possibilidade do pensamento crítico nos dias de hoje
Por uma razão decolonial Desafios ético-político-epistemológicos à cosmovisão moderna
A revisão das epistemologias modernas impõe-se como desafio teórico para a inteligibilidade do mundo em sua hibridez; também como desafio ético e político, na medida em que explicita a exclusão e o silenciamento de sujeitos levados à desumanização, tendo seus saberes e cosmovisões negados como explicativos e orientadores legítimos de condutas. Combino neste texto a reflexão de Boaventura de Sousa Santos acerca do paradigma prudente para uma vida decente com as teses da modernidade-colonialidade-decolonialidade latino-americana. Associando a hermenêutica diatópica de Santos e a hermenêutica pluritópica de Mignolo, acentuo a urgência do diálogo a partir do Sul entre as distintas esferas culturais bem como da ação descolonizadora das subalternidades mediante a ênfase nas experiências singulares, na tradução e na articulação das diferenças em torno de projetos plurais de reconhecimento de sujeitos e suas vozes para a ampliação do universal como diversalidade
Darcy Ribeiro e UnB: intelectuais, projeto e missão
Resumo A história da Universidade de Brasília (UnB), desde sua concepção original, lutas por sua implantação e o golpe sofrido em 1964, tendo seu campus invadido por tropas militares, é recordada para somar ao debate sobre os intelectuais públicos brasileiros que, nos anos 1950 e 1960, abraçavam um certo projeto de nação que via na educação e na ciência suas forças constitutivas. Faço uso da categoria Intelligentsia de Mannheim, que fortalecia o argumento do intelectual engajado no planejamento social com vistas às necessárias mudanças. Darcy Ribeiro é um deles. Mediante ainda as noções de “projeto” e “missão”, tento explicar aquela que também poderia ser chamada “geração da utopia”, sendo a UnB um dos projetos em curso que nascia dentro de um “campo de possibilidades” abruptamente modificado. Revisitar a missão contida na UnB, atualizando-o em razão de inéditos “campos de possibilidade”, talvez seja uma tarefa necessária ao debate educacional hoje.</jats:p
Dossiê Literatura, Resistência e Utopia
Na seção Dossiê, trouxemos o tema “Literatura, Resistência e Utopia”, acalentado bem antes do cenário brasileiro de início de 2019, mas já consoante, infelizmente, ao avanço da intolerância nos anos recentes no planeta na proporção em que as vozes silenciadas historicamente das e dos diversas/os sujeitas/os começavam a ganhar altura e reverberação. Não haveria de ser fácil, contudo, a expansão do “universal” a promover a inclusão das diferenças, o que supõe uma democratização mais profunda das relações sociais, estruturas e instituições. A utopia do início do século 21 renascia, assim, como “resistência”, calejada, fracionada, nos protestos e movimentos, cujos significados tornavam-se objeto de disputa feroz por legitimidade entre os “narradores” da vida cotidiana
Orientações para uma descolonização do conhecimento: um diálogo entre Darcy Ribeiro e Enrique Dussel
Resumo Esta comunicação apresenta orientações epistêmicas do antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro (1922-1997) e, também, do filósofo argentino Enrique Dussel (1934-) - cada um deles como uma voz de grande significado para um projeto viável de descolonização do conhecimento científico e filosófico ‘em’ e ‘a partir da’ América Latina. Tais estudiosos são aqui lembrados em algumas de suas teses e quadro analíticos originais, na interlocução com suas fontes, a fim de que se pudesse propor o pensamento de ambos, em provável diálogo, tanto no que diz respeito ao nível teórico quanto ao utópico relacionado a um projeto emancipador e autônomo latino-americano. Dessa forma, intenta-se demonstrar a complementaridade tanto quanto as intenções quanto aos problemas epistêmicos entre as perspectivas darcyniana e dusseliana, superando o modelo eurocentrado, por uma abordagem pluriversal na produção do conhecimento, defendida como necessária no debate teórico contemporâneo
Crítica Pós-Colonial: Panorama de leituras contemporâneas
São muitos os conceitos, ideias, teorias que vêm à mente quando se fala de estudos pós-coloniais, essa área do saber que surge por volta dos anos 70/80 e ganha força nos anos 90/00. Da contestação das narrativas hegemônicas/legitimadoras da modernidade à desterritorialização do sujeito, da releitura dos discursos históricos e culturais, estabelecendo novos protocolos de leitura desses discursos à desconstrução do sujeito colonial, criado a partir de um processo de construção – pelo mundo europeu – de uma imaginário colonial, tudo isso é discutido nos ensaios que compõem essa Crítica Pós-Colonial. Panorama de Leituras Contemporâneas (Rio de Janeiro, 7 Letras, 2013), organizada por Júlia Almeida, Adelia Miglievich-Ribeiro e Heloisa Toller Gomes..
A universidade necessária em Darcy Ribeiro: notas sobre um pensamento utópico
By means of an analysis of central concepts in the book, O processo civilizatório, by Darcy
Ribeiro, such as the evolutionary acceleration as an antithesis of reflexive modernization thus
the autonomous appropriation of the necessary means in the process of development of a
nation the article examines the meaning of the necessary university postulated by Darcy
Ribeiro. By doing this, it also suggests affinities between his thought and the one of the
Hungarian sociologist, Karl Mannheim, stressing the need to plan society on the basis of the
democratization of education itself and of culture in general with a view to overcoming, in the
Brazilian case, the backwardness. Being aware of the fact that the reception of Mannheim in
our intellectual circles in the decade of 1950 legitimized the formation of a new intelligentsia
that intervened in the course of political events, the article situates Darcy Ribeiro in this
scenario, as well as his bet on the role of the public intellectual and the ideological commitment
of science to the formation of a national conscience in tune with the construction of a
democratic society
Darcy Ribeiro e o enigma Brasil: um exercício de descolonização epistemológica
Darcy Ribeiro desafia a ausência de um modo singular de imaginação sociológica a caracterizar o pensamento brasileiro, não se deixando guiar por parâmetros exógenos ditados por uma pretensa modernidade que ignora a positividade das experiências aqui existentes. Tomando, de um lado, "O processo Civilizatório" (2001), e de outro, "O Povo Brasileiro" (1995), busco, neste ensaio, uma hermenêutica do legado de Darcy Ribeiro. Minha hipótese é a de que há questões presentes na obra darcyniana capazes de gestar, ainda hoje, uma "crítica descolonizadora nas ciências sociais latino-americanas", impactando a geopolítica do conhecimento que, historicamente, apartou as culturas que investigam, daquelas que são investigadas. Talvez, o pensamento social mameluco nos inspire a crer que a criatividade humana seja capaz de superar os reais danos impostos historicamente pela lógica da modernidade-colonialidade, somando às ciências sociais novas formas de cognição.Darcy Ribeiro challenges the absence of a particular way of sociological imagination to characterize the Brazilian thought, not allow themselves to be guided by a presumed modernity that ignores the positivity of the experiences available here. Taking on the one hand, "The Civilizin Process" (2001), and the other, "The Brazilian People" (1995), in this essay, I seek a hermeneutics of the Darcy Ribeiro's legacy. My hypothesis is that there are issues present in the Darcy's studies still capable of carrying a "critical decolonizing the social sciences in Latin America", impacting the geopolitics of knowledge that historically separated the cultures that investigate from those are investigated. Perhaps, the Mameluco social thought inspire us to believe that human creativity can overcome the historically real damage imposed by the logic of modernity-coloniality, adding to the social sciences new forms of cognition
Going Beyond Counting First Authors in Author Co-citation Analysis
The present study examines one of the fundamental aspects of author co-citation analysis (ACA) - the way co-citation
counts are defined. Co-citation counting provides the data on which all subsequent statistical analyses and mappings
are based, and we compare ACA results based on two different types of co-citation counting - the traditional type that
only counts the first one among a cited work's authors on the one hand and a non-traditional type that takes into
account the first 5 authors of a cited work on the other hand. Results indicate that the picture produced through this non-traditional author co-citation counting contains more coherent author groups and is therefore considerably clearer. However, this picture represents fewer specialties in the research field being studied than that produced through the traditional first-author co-citation counting when the same number of top-ranked authors is selected and analyzed. Reasons for these effects are discussed
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