Portal de Periódicos do Instituto de Artes - Unesp (Universidade Estadual Paulista)
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A Respeito da Representatividade de Pessoas com Deficiência no Circuito das Artes Visuais: Um Manifesto
Here is a manifesto for the representativeness of people with disabilities in the visual arts circuit. This was necessary in view of the recent openness to the diversity of women, black people, indigenous people, LGBTQIAP+ artists etc. in exhibitions, museums and everything that is part of the visual arts circuit, which has not been happening with people with disabilities, hence its importance and relevance.Aqui está um manifesto pela representatividade de pessoas com deficiência no circuito das artes visuais. Tal se fez necessário frente à recente abertura para a diversidade de mulheres, negros, indígenas, artistas LGBTQIAP+ etc em exposições, museus e tudo o que se insere no circuito das artes visuais, o que não vem acontecendo com pessoas com deficiência, daí sua importância e relevância
Exposição Indumentárias de Orixás: Arte, Mito e Moda no Rito Afro-Brasileiro/Representatividade Contemporânea Não Hegemônica na Universidade: Representatividade Contemporânea Não Hegemônica na Universidade
The present work aims to analyze and reflect on the non-hegemonic contemporary representativeness, based on the occupation carried out at the Arlindo Costa Pinto Gallery installed at the UNESP Arts Institute – “Júlio de Mesquita Filho State University” Campus São Paulo, located in the neighborhood from Barra Funda. The occupation brought to light the exhibition Indumentárias de Orixás: Arte, Mito e Moda no Rito Afro-Brasileiro, proposed by the artist and researcher Roberto Santos, being the result of research carried out during the academic master's degree between 2018 and 2021 in dialogue with his black art and experiences lived in candomblé and acting in museum spaces in the city of São Paulo. We assume that an exhibition with this theme permeates the paradigm before the hegemonic system of contemporary arts, once based on a marketing and distanced logic, proposing to university students and the general public, the approximation, the expansion of reflection and belonging to the which refers to the cultural, philosophical and festive aspects settled in the Brazilian diaspora by the Africans brought to Brazil during the period of transatlantic trafficking and trade through the mediation carried out by the artist researcher during the duration of the exhibition.
Keywords: Contemporary Black Art. Orishas clothing. Black Costumes. Candomblé. Non-Hegemonic Contemporary Black Visual Arts.O presente trabalho tem por objetivo analisar e refletir a respeito da representatividade contemporânea não hegemônica, a partir da ocupação realizada na Galeria Arlindo Costa Pinto instalada no Instituto de Artes da UNESP – “Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho” Campus São Paulo, localizado no bairro da Barra Funda. A ocupação trouxe à luz a exposição Indumentárias de Orixás: Arte, Mito e Moda no Rito Afro-Brasileiro, proposta pelo artista e pesquisador Roberto Santos, sendo o resultado da pesquisa realizada durante o mestrado acadêmico entre 2018 e 2021 em diálogo com sua arte preta contemporânea, experiências vividas no candomblé e na atuação em espaços museais na cidade de São Paulo. Partimos de pressupostos que uma mostra com esse tema, perpassa o paradigma perante o sistema hegemônico das artes contemporâneas, uma vez pautado numa lógica mercadológica e distanciada, propondo aos alunos universitários e público em geral, a aproximação, a ampliação da reflexão e do pertencimento ao que se refere aos aspectos culturais, filosóficos e festivos assentados na diáspora brasileira pelos africanos trazidos para o Brasil durante o período de tráfico e comércio transatlântico, através da mediação realizada pelo artista pesquisador durante a vigência da exposição.
Palavras-Chave: Arte Negra Contemporânea. Indumentárias de Orixás. Trajes Negros. Candomblé. Artes Visuais Negras Contemporâneas Não Hegemônicas
Centros Populares de Cultura: arte e engajamento político à esquerda
RESUMO
O artigo passa em revista a curta experiência dos Centros Populares de Cultura (CPCs), de dezembro de 1961 a março de 1964, interrompida pelo Golpe Civil-militar (1964-1985). Antes, contextualiza e apresenta rapidamente o seu antecessor, o Teatro de Arena, de onde saem seus criadores. A pergunta norteadora é o que as experiências desenvolvidas pelos artistas do CPC ainda têm a nos dizer no século XXI, sobretudo para aqueles com preocupações classistas. Conclui-se que, no mínimo, precisamos aprender com nosso passado, mantendo a memória acesa, já que esta é sempre um elemento de disputa, e que o trabalho desenvolvido naquele período é importante para entendermos e realizarmos a disputa simbólica hoje, não como uma repetição sem críticas, mas como uma continuidade da luta de classes
Ensaio dos oprimidos para ruptura das opressões: o teatro no movimento sindical construindo utopia
This article has as object of study, a free theater course created by a Union that, taking the experiences of the Brazilian group theater, builds a popular and political curriculum aimed at this time and, with the due class cut. Its starting point is the Cultural Space created and maintained by the Union of Bus Workers of Sorocaba, in carrying out its expansion project, recognizing in the training processes and popular forms of culture, an opportunity to contribute to the fight for a less unequal society, focusing on gender, race and sexual diversity. To this end, it creates and maintains the actor training course Jovem em (atu)Ação. The clipping is the work of the Sorocaba Road Workers Union, which expanded with/as a social movement based on a project of reception and basic political training, with group theater with the perspective of class struggle, as the central point of this training process. The hybrid methodologies allowed us to bring to light a concrete part of this social/theatrical/interior and revolutionary experience, with regard to theatrical formative processes and union activities. Among the various aspects that the practice of this work reverberates, the pedagogical, political and affective conditions and procedures in the 2020 and 2021 theater course stand out.Este artigo tem como objeto de estudo um curso livre de teatro criado por um Sindicato, que tomando as experiências do teatro de grupo brasileiro, constrói um currículo popular e político voltado este tempo e, com o devido recorte de classe. Seu ponto de partida é o Espaço Cultural criado e mantido pelo Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba, na realização de seu projeto de expansão, que reconhece nos processos formativos e nas formas populares de cultura oportunidades de contribuir com a luta por uma sociedade menos desigual, focando o atendimento nas diversidades de gênero, raça e sexualidades. Para tanto, o Sindicato cria e se coloca como mantenedor do curso de formação atoral "Jovens em (atu)Ação". A atuação do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba, assim, se expandiu com/como movimento social a partir de projeto de acolhimento e formação política de base, tendo o teatro de grupo com a perspectiva da luta de classes como ponto central desse processo. As metodologias híbridas nos proporcionam trazer à tona uma parte concreta dessa experiência social/teatral/interiorana e revolucionária, no que se refere aos processos formativos teatrais e à atuação sindical. Dentre as diversas reverberações desta prática, destacam-se as condições estruturais e procedimentos pedagógicos, políticos e afetivos no curso de teatro, em 2020 e 2021
Cair na Escrita : a presença da queda na dança e no texto
The fall (and its metaphorical connotation of madness), and also gravity and proximity to the ground will gain preponderance in dance from the second half of the 20th century until nowadays. The final moment of the parabola of any jump, as well as its apex, poses difficulties for its representation, description and interpretation. In this article that assumes an essayistic writing, it is intended to analyze how the falling movement will be treated not only by choreographers and dancers, but also among authors and writers of the last centuries, who in some way, performed or staged the fall both in dance and in writing. Taking the fall as key of reading and writing, the article also traces some relationships between dance and literature.A queda (e sua conotação metafórica para a loucura), a gravidade e a proximidade com o chão, ganharão preponderância na encenação da dança a partir da segunda metade do século XX até os dias de hoje. O momento final da parábola de qualquer salto, assim como o seu ápice, impõe dificuldades para sua representação, descrição e interpretação. Neste artigo que assume uma escrita ensaística, pretende-se analisar como o movimento de queda será tratado não apenas por coreógrafos e dançarinos, mas também por autores e escritores dos últimos séculos, que de algum modo performaram ou encenaram a queda tanto na dança quanto na escrita. Tomando a queda como chave de leitura, o artigo também busca traçar algumas relações entre a dança e a literatura
Diálogo sobre Representação e Representatividade no Teatro Paulistano Contemporâneo: o caso dos solos autorais
Neste artigo, estruturado em forma de diálogo, dois artistas conversam sobre questões relativas à representação e à representatividade no teatro paulistano contemporâneo. Para tanto, partem de exemplos de espetáculos recentes que resguardam como principais características a autorrepresentação e o acúmulo de funções criativas (atuação mais dramaturgia e/ou direção), aos quais chamam de solos autorais. Ao longo do texto, o ator/autor e a atriz/autora debatem sobre questões éticas, políticas, poéticas e estéticas variadas que podem ajudá-los a compreender criticamente como esse arranjo cênico tem se apresentado, não apenas isoladamente em cada produção, mas sobretudo em conjunto e sob uma perspectiva histórica
Campo Abierto: conversas sobre prácticas y discursos descolonizadores con Silvia Rivera Cusicanqui
The thought and lively aesthetic work of Silvia Rivera Cusicanqui point out the creative strength of collective action as a mode of experiencing temporality and territoriality. This text is the transcription of a dialogue that took place in motion, on the occasion of NIDO - Encontro Internacional de Artes Vivas, held in December 2022 in the city of Rivera (Uruguay). From a place of affectivity, we discussed celebrations, humor, monoculture, transvestilities, land rights, the university, the Aymara worldview, the struggles of the Mapuche people, the crafting of kites, etc. The subtlety of the practices shared in our exchanges around the demands of Abya Yala presents us with ways of conceiving territorialization and the tempography of our existences. The dialogue with Silvia Rivera Cusicanqui reveals to us that perhaps our sudaca poetics are not only dictated by economies of representation in culture, but also take shape through sociologies of images that destabilize the project of colonial subjectivity.O pensamento e a obra estética viva de Silvia Rivera Cusicanqui apontam a força criativa do fazer em coletividade como modo de experiência de temporalidade e de territorialidade. Este texto é a transcrição de um diálogo que se deu em movimento, na ocasião do NIDO - Encuentro Internacional de Artes Vivas, realizado em dezembro de 2022 na cidade de Rivera (Uruguay). A partir de um lugar de afetividade, conversamos sobre as festas, o humor, o monocultivo, as travestilidades, o direito à terra, as universidades, a cosmovisão aymara, lutas dos povos mapuche, a elaboração de pipas, etc. A sutileza das práticas compartilhadas em nossas trocas em torno de demandas de Abya Yala nos apresenta modos de conceber a territorialização e a tempografia de nossas existências. O diálogo com Silvia Rivera Cusicanqui nos revela que talvez nossas poéticas sudacas não sejam apenas ditadas por economias da representação na cultura, mas se delineiam também por meio de sociologias de imagens que desestabilizam o projeto da subjetividade colonial
Apresentação : Rebento 19 -“Novo cortejo das teatralidades coletivas do teatro de grupo: variações temporais e territoriais”
A edição de número 19, intitulada “Novo cortejo das teatralidades coletivas do teatro de grupo: variações temporais e territoriais”, reposiciona a questão da importância do teatro de grupo na cena brasileira, um dilema sempre em deslocamento. Este novo número da Revista Rebento, portanto, complementa o número 16, ao mesmo tempo que oferece o traçado de uma linha histórica, que ocupa espacialidades distintas. Conforme coletivos emergentes se organizam, com interesses originais, estruturam-se diversamente de seus antecessores, modificando disposições e, ato contínuo, as maneiras de descrever esses arranjos de coisas. Coletivos de maior longevidade também adquirem configurações hodiernas, ao passo que ingressam novas pessoas em seus quadros, ou que as condições históricas se transformam. Essa adaptabilidade é parte constitutiva desse tipo de produção, cujo caráter singular nas artes presenciais é também sua continuidade, de tal modo que sua “forma” reconstitui-se sempre, em transitividade com o espaço-tempo em que os coletivos se inserem.
A poética dramatúrgica dos musicais anglófonos
In the last twenty years there was a great increase in the number of productions of English-Speaking musicals in São Paulo. This genre created a new and big artistic field, including the opening of specialized schools for performers. This paper aims to analyze the dramaturg poetics of this genre of musical theatre, i. e., how the text of these plays is structured as convention, a theme not yet investigated in Brazilian studies, which turn themselves mostly to issues such as production, history or performing techniques, and not to how the texts of those plays are structured. For illustrative purposes, excerpts from four works are commented: Oklahoma!, from 1943; My fair lady, from 1956; Les Misérables, from 1985 and The Phantom of the Opera, from 1986. This research was developed using documents investigated in an international research fellowship in Brunel University London, during which bibliography, playwriting, and data unpublished in Brazil about the poetics and history of English-Speaking musicals were collected.Nos últimos vinte anos, houve um grande aumento na produção de musicais anglófonos em São Paulo. Este gênero gerou um novo e amplo campo de trabalho artístico, inclusive, com a abertura de escolas especializadas para performers. Este artigo tem como objetivo analisar a poética dramatúrgica deste gênero de teatro musical, isto é, como o texto de tais peças é estruturado como convenção, tema ainda não investigado nos estudos acadêmicos do Brasil, que se voltam mais para questões de produção, de história, ou de técnicas de atuação, do que à análise da estrutura dos textos das peças. Para fins de exemplificação, são comentados trechos de quatro obras: Oklahoma!, de 1943; My fair lady, de 1956; Les Misérables, de 1985, e The Phantom of the Opera, de 1986. A pesquisa foi realizada por meio de documentos investigados em um estágio de pesquisa no exterior, junto à Brunel University London, durante o qual bibliografias, dramaturgias e dados inéditos no Brasil sobre a poética e a história dos musicais anglófonos foram coletados
Memórias de Um Mundo Além do Abismo
Memories of a world beyond the abyss is the result of the creation project developed in the Master of Current Arts and Scenes, Arts et scènes d'aujourd'Hui, of the university AMU, Aix-Marseille Université, of Marseille and Aix-en-Provence, France, between the years 2020 and 2022. The play was presented on three occasions in France and its text, in French, awarded the second place of the Prix Prémices of the university of Toulouse, being edited and released by the publisher Domens, in the series Tangentes. The chapters that compose the narrative illustrate the feeling of a suburban woman far apart from her homeland. She wonders about her place in the world. A night of insomnia during the covid XIX pandemic brings memories and reflections on experiences lived in Brazil and France; two distant football matches in time stun this Brazilian far away from her country, her soccer team and its football crowd fans; the body disciplined by the Catholic school; a prince and the inheritances of a kingdom; the people and the fractures of a country born of colonial violence; joy as a way of resisting. The sensation of the existence of an abyss between the two worlds experienced by the artist gives life to this work. The coloniality present in the construction of bodies and imaginaries governs, yet, the world and relations. Recovering the memory of everyday life and subtle acts of resistance is an attempt to glimpse the identity itself. Sharing this work with the public is a political act.
Keywords: Contemporary dramaturgy. Autofiction. Decolonial theater.Memórias de um mundo além do abismo é resultado do projeto de criação desenvolvido no Mestrado de Artes e Cenas Atuais, Arts et scènes d'aujourd'hui, da universidade AMU, Aix-Marseille Université, de Marselha e Aix-en-Provence, França, entre os anos de 2020 e 2022. O espetáculo foi apresentado em três ocasiões na França e seu texto, em francês, premiado com o segundo lugar do Prix Prémices da universidade de Toulouse, sendo editado e lançado pela editora Domens, na série Tangentes.
Os quadros que compõem a narrativa ilustram o sentimento de uma mulher periférica distante de sua terra natal. Ela se interroga sobre o seu lugar no mundo. Uma noite de insônia durante a pandemia de covid XIX traz memórias e reflexões sobre experiências vividas no Brasil e na França; duas partidas de futebol distantes no tempo atordoam esta brasileira apartada de sua pátria, do seu time e da sua torcida do coração; o corpo disciplinado pela escola católica; um príncipe e as heranças de um reinado; o povo e as fraturas de um país nascido das violências coloniais; a alegria como forma de resistir. A sensação da existência de um abismo entre os dois mundos experienciados pela artista dá vida a esta obra. A colonialidade presente na construção dos corpos e imaginários rege, ainda, o mundo e as relações. Recuperar a memória de cotidianos e sutis atos de resistência é uma tentativa de vislumbrar a própria identidade. Compartilhar esse trabalho com o público é um ato político.
Palavras-chave: Dramaturgia contemporânea. Auto-ficção. Teatro decolonial