Portal de Periódicos do Instituto de Artes - Unesp (Universidade Estadual Paulista)
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    453 research outputs found

    A cerâmica como uma atividade contemplativa diante dos excessos da era digital

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    Nowadays, with the increase in the use of mobile devices, the sense of contemplation and the ability to pause in front of images has been impaired. In a world where the overabundance of information threatens to overshadow the sense of touch, the capacity of attention and the processual in art, the aim of this text is to expose how ceramics emerges as an act of resistance. Its practice, being physical and material, invites us to pause, creating a moment and a place of rest; an alternative to the omnipresent visual spectacle. Throughout this article, we will discuss how ceramics, a traditional art that can be time-consuming to create pieces, also help us stop and meditate on this frenetic society in which we live. To this end, we rely on the reflections of thinkers such as, Byung-Chul Han or Zygmunt Bauman, among others, exhibiting a series of original artworks that exemplify, in a creative way, the subject at hand. Thus, we intend to reflect on the possibilities offered by ceramics as a meditative and artistic proposal to the world we inhabit, conditioned by a look linked to digital devices.   Keywords: Cell phones; Ceramics; Artistic creation; Memory; Time.Em nossos dias, com o aumento do uso de dispositivos móveis, o senso de contemplação e a pausa diante das imagens foram prejudicados. Em um mundo onde a superabundância de informações ameaça ofuscar o sentido do tato, a capacidade de atenção e o processo na arte, o objetivo deste texto é expor como a cerâmica surge como um ato de resistência. Sua prática, sendo física e material, convida a uma pausa, criando um momento e um lugar de descanso; uma alternativa ao onipresente espetáculo visual. Ao longo do artigo, discutiremos como essa arte tradicional, que pode consumir muito tempo para ser feita, também nos ajuda a parar e meditar sobre a sociedade frenética em que vivemos. Para isso, nos baseamos nas reflexões de pensadores como Byung-Chul Han e Zygmunt Bauman, entre outros, exibindo uma série de obras autorais que exemplificam de forma criativa o assunto tratado. Assim, pretendemos refletir sobre as possibilidades oferecidas pela cerâmica como uma proposta meditativa e artística para o mundo que habitamos, hoje condicionado por um olhar ligado aos dispositivos digitais.   Palavras-chave: Celulares; Cerâmica; Criação artística; Memória; Tempo

    A violência como traço estrutural da sociabilidade brasileira e suas reepresentações em "Cárcere ou Porque as Mulheres Viram Búfalo" e "Sortilégio II"

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    This text carries out a comparative analysis between the works Cárcere ou Porque as Mulheres Viram Búfalo, by Dione Carlos, and Sortilégio II, by Abdias do Nascimento, taking as its starting point violence as a structural feature of Brazilian sociability. The hypothesis is that Brazilian artistic production, especially that of new agents that gained visibility from the middle of the 20th century, reflects a constitutive trait of national sociability, built from the process of colonization, enslavement and peripheralization in the capitalist world. The text also sustains that the process of making cultural manifestations of previously invisible subjects visible points out to an epistemic reorientation that is also reflected in the works analyzed. Through comparative analysis of the texts, the text concludes that it is possible to affirm that violence is incorporated into peripheral Brazilian cultural production as a reflection of the violence that constitutes Brazilian sociability. This incorporation, however, is not only thematic, but a constituent element of the aesthetics proposed by the analyzed works. Keywords: Dione Carlos; Abdias do Nascimento, Theatre; Violence; Marginal culture.O presente texto realiza análise comparativa entre as obras Cárcere ou Porque as Mulheres Viram Búfalo, de Dione Carlos, e Sortilégio II, de Abdias do Nascimento, tendo como ponto de partida a violência como traço estrutural da sociabilidade brasileira. A hipótese é que a produção artística brasileira, especialmente aquela dos novos agentes que ganham visibilidade a partir de meados do século XX, reflete um traço constitutivo da sociabilidade nacional, construída a partir do processo de colonização, de escravização e de periferização no mundo capitalista. O texto sustenta, ainda, que o processo de visibilização das manifestações culturais de sujeitos antes invisibilizados aponta para uma reorientação epistêmica que também se reflete nas obras analisadas. Por intermédio da análise comparativa dos textos, o artigo conclui ser possível afirmar que a violência é incorporada na produção cultural brasileira periférica como reflexo das violências constituintes da sociabilidade brasileira. Essa incorporação, no entanto, não é somente temática, mas um elemento da estética proposta pelas obras analisadas. Palavras-chave: Dione Carlos; Abdias do Nascimento, Teatro; Violência; Cultura marginal

    75 anos do Instituto de Artes da Unesp

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    Entrevistas realizadas em parceria com a Seção Técnica de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Staepe), com os professores doutores:- Abel Rocha;- John Boudler e,- Yara Casnók

    O incompreensível como método: Encontro da história da arte com as artes indígenas

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    Based on the short story “La Busca de Averróis” by Jorge Luís Borges, the article intends to point out that the understanding, in some of the most used books in the teaching of art history, about indigenous arts is quite dated. A major problem pointed out is that the way they analyzed the artistic work of the indigenous people was more revealing of the culture of the one who was doing such analyzes than of the indigenous cultures. The classic system of art history, categorizing a group of objects to call them works of art and thinking that these objects are representations, is incompatible with the dynamics of making, operating and conserving indigenous art objects: such peoples do not endow some objects with the status of arts while others will be mere objects. In addition, they do not always conceive that such objects work in the way of being representations of an absent object. Therefore, non-indigenous peoples, like the character Averróis from Borges, can make an effort to understand the meanings of these arts but, because they are fated to live in another culture, it is difficult for them to capture their full meaning.  O artigo propõe uma reflexão crítica sobre a abordagem dos livros canônicos e mais vendidas da historiografia da arte ocidental em relação à sua compreensão das artes indígenas. A partir do conto de Jorge Luis Borges La Busca de Averróis (1974) – onde é narrado a tentativa do personagem em entender as palavras tragédia e comédia sem possuir o conceito de teatro – é defendido que historiadores da arte ocidentais tendem, igualmente, a não compreender as produções estéticas de povos indígenas, por partirem de categorias eurocêntricas de arte, beleza e fruição estética. Palavras-chave: Artes Indígenas; Historiografias da Arte; Novas epistemologias

    "Cuidando da casa" e "M.U.L.H.E.R.": Uma reflexão sobre movimento, democracia e trabalho doméstico

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    This text analyzes the performance Cuidando da Casa (2018), by Coletiva Elas, to consider the aesthetic and political relations present in the intersection between the arts of the body and domestic work. To this end, authors of feminist literature from a pluriversal perspective are evoked, such as Sayak Valência (2010), Beatriz Nascimento (2018), Preta Rara (2019), Aza Njeri (2020) and Juliana Teixeira (2021), among others. The continuity of these perspectives is worked on by the Coletivo in the show M.U.L.H.E.R. (2018), whose examination also contributes to reflections on dance/performance/theater practice and domestic service as manual labor hierarchized in a patriarchal and colonialist perspective. Keywords: Domestic work; Dance; Body arts; Body-document.O texto analisa a performance Cuidando da Casa (2018), da Coletiva Elas, para pensar as relações estéticas e políticas presentes na intersecção entre as artes do corpo e o trabalho doméstico. Para isso, são evocadas autoras da literatura feminista em perspectiva pluriversal, como Sayak Valência (2010), Beatriz Nascimento (2018), Preta Rara (2019), Aza Njeri (2020) e Juliana Teixeira (2021), entre outras. A continuidade dessas perspectivas é trabalhada pelo Coletivo no espetáculo M.U.L.H.E.R. (2018), cujo exame também contribui para as reflexões apresentadas sobre o fazer em dança/performance/teatro e o serviço doméstico como trabalho braçal hierarquizado na perspectiva patriarcal e colonialista. Palavras-chave: Trabalho doméstico; Dança; Artes do corpo; Corpo-documento

    Entre brechas e armadilhas: Entrecruzamentos da arte contemporânea com o animismo e a virada da planta

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    Although postcolonial debates have largely contributed to a greater awareness of the various layers of violence imposed by different systems and models, objectifying patterns still persist. At a time when changes in the earth's macro-environment, resulting from human action, demand alternative ways of thinking, their presence obstructs necessary paradigm shifts. At the heart of this impasse are the so-called colonial Others, human and extra-human. The article draws parallels and intersections of the plant turn movement with animism, at the historical and cultural level. With a focus on the relations between humans and plants, it historically contextualizes animism and its - still problematic - approach today, reflecting on the reception and positioning of knowledge that is on the other side of the wall of exclusionary dichotomies. In this context, it poses the following question: would it be possible to avoid that movements - referring to the plant turn, animism and their intertwining -, which today largely cross contemporary art, dissipate as another new fashion or become a kind of neocolonialism? For this reflection, the study addresses the relationship of hegemonic Western art with the knowledge of the Other(s), and focuses on some examples of different forms of practice by contemporary animist artists, whose work - between gaps and traps, representation and representativity - expands the social space between humans and extra-humans in the different spheres of contemporary arts. Palavras-chave: Plant; Animism; Anthropocene.Apesar dos debates pós-coloniais terem contribuído largamente para uma maior consciência sobre as diversas camadas da violência imposta por diferentes sistemas e formas, padrões objetificantes ainda persistem. Em um momento em que mudanças no macroambiente terrestre, decorrentes da ação humana, demandam alternativas de pensamento, suas presenças obstruem necessárias mudanças de paradigmas. No cerne desse impasse, encontram-se embaralhados os chamados “Outros” coloniais, humanos e extra-humanos. O artigo traça paralelos e entrecruzamentos do movimento da virada da planta com o animismo, no plano histórico e cultural. Com foco nas relações entre humanos e vegetais, contextualiza historicamente o animismo e sua – ainda problemática – abordagem na atualidade, refletindo sobre a recepção e posicionamento dos conhecimentos que se encontram do outro lado da muralha das dicotomias excludentes. Neste contexto, lança a seguinte questão: seria possível evitar que movimentos – referentes à virada da planta, ao animismo e seus entrecruzamentos –, que hoje atravessam largamente a arte contemporânea, se dissipem como mais uma nova moda ou se tornem uma espécie de neocolonialismo? Para tal reflexão, o estudo aborda a relação da arte ocidental hegemônica com os saberes alteros, e se debruça sobre alguns exemplos de diferentes formas de atuação de artistas animistas contemporâneos, cujo trabalho – entre brechas e armadilhas, representação e representatividade – amplia o espaço social entre humanos e extra-humanos nas diferentes esferas das artes contemporâneas. Palavras-chave: Vegetal; Animismo; Antropoceno

    Olhos nos Olhos (ou respostas ao cartaz das Guerrilla Girls)

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    The following text presents a montage composed from image readings, reports, recreations and opposing looks with the work Do women need to be naked to get into the São Paulo Museum of Art? (2017), by the Guerrilla Girls, in dialogue with other images present at the long-term exhibition at the Museu de Arte de São Paulo (MASP), between 2018 and 2019. The proposal is a cut/recomposition of the data co-produced during the fieldwork, carried out at the museum in the same period, referenced in methodologies of Educational Research Based on Arts and with the fields of Cultural Mediation, History(s) of Art and Oral History. Keywords: Image reading; Opposing looks; History of Art; Cultural Mediation.O texto a seguir apresenta uma montagem composta a partir de leituras de imagem, relatos, recriações e olhares opositores sobre a obra As mulheres precisam estar nuas para entrar no Museu de Arte de São Paulo? (2017), das Guerrilla Girls, em diálogo com outras imagens presentes na exposição de longa duração do Museu de Arte de São Paulo (MASP), entre 2018 e 2019. A proposta é um recorte/recomposição dos dados coproduzidos durante o trabalho de campo, realizado no museu no mesmo período, referenciada em metodologias da Pesquisa Educacional Baseada em Artes e nos campos da Mediação Cultural, História(s) da Arte e História Oral. Palavras-chave: Leitura de imagem; Olhar opositor; Mediação Cultural; História da Arte

    Quando os olhos já não escutam: Uma aproximação à pós-formance

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    This article discusses the fragility of the gaze, specifically from the perspective of performance documentation. The same legitimacy that archives can be used to simulate an action that never happened. To materialize this hypothesis, the concept of pós-formance is presented, a new branch of visual arts that diverges from traditional performance. In recognizing pós-formance, the need to categorize certain types of actions that present a simulated execution is argued, and yet, over the decades, they have managed to solidify themselves until they obtain an equivalence to the archival principle of performance provenance. Although these are actions that were never actually performed, they have obtained legitimacy, validation, commercialization and insertion by the art system itself, reaching privileged places in Western performance. Pós-formance identifies the deconstruction of the condition of presence, since it is assumed that, in order to create an action of artistic content, the physicality of the bodies, the effective execution of the action and even less the temporal construction are no longer necessary, conditions that were previously inalienable in performance. In this case, the perceptive visual aspect of the performance is relegated to the discursive development (graphemes and phonemes). To confirm this hypothesis, the following works are taken as case studies: Action 2. Aktion Sommer (1965), by Rudolf Schwarzkogler, and Fantasia de Compensação (2004), by Rodrigo Braga. Keywords: Body; Documentation; Gaze; Performance; Pós-formance.Neste artigo se discute a fragilidade do olhar, especificamente a partir da documentação da performance. Pois a mesma legitimidade que arquiva, tem sido usada para simular uma ação que nunca aconteceu. Para objetivar essa hipótese, se apresenta o conceito “pós-formance”, como nova vertente das artes visuais que divergem da performance de execução tradicional. Pleiteia-se, no reconhecimento da pós-formance, a necessidade de categorizar certos tipos de ações que apresentam uma execução simulada e, mesmo assim, com o passar das décadas, têm conseguido se solidificar até obter uma equivalência ao princípio de procedência arquivístico da performance. Embora, os casos de estudo aqui apresentados como pós-formance, sejam ações que de fato nunca foram executadas, as ações, têm obtido legitimidade, validação, comercialização e inserção pelo próprio sistema da arte, alcançando lugares privilegiados na performance ocidental. Identifica-se na “pós-formance” a desconstrução da condição de presença, pois assume-se que, para a criação de uma ação de teor artístico, já não é necessária a fisicalidade dos corpos, a execução efetiva da ação e menos a construção temporal, condições estas que antes eram inalienáveis na performance. Nesse caso, o visual perceptivo da performance fica relegado pelo desenvolvimento discursivo (grafemas e fonemas). Para a confirmação dessa hipótese, tomam-se como casos de estudo as obras: Action 2. Aktion Sommer (1965), de Rudolf Schwarzkogler, e Fantasia de Compensação (2004), de Rodrigo Braga. Palavras-chaves: Corpo; Documentação; Olhar; Performance; Pós-formance

    Artista independente: processos e desafios

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    O presente trabalho tem como objetivo propor reflexões acerca de vivências artístico-musicais, entendendo como e por que os caminhos ora se assemelham, ora se distinguem, sempre em direção às possíveis respostas para a pergunta: em que consiste a suposta "independência" dos chamados artistas independentes? A ideia surgiu a partir da minha vivência como artista, sendo uma mulher cis, negra e LGBTQIA +, portanto percorrerei tanto meu próprio trajeto musical quanto de três artistas específicos, com vivências pertinentes ao conteúdo abordado, e sempre criticando o sistema em que estamos inseridos, pois é impossível analisar quaisquer situações sem reconhecer os impactos sociais e culturais que vivemos. A arte está sempre entrelaçada com a realidade de artistas

    O inovador século XVII pela pena de Barbara Strozzi

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    O presente artigo tem como objetivo fazer uma breve exposição a respeito da diversidade inexplorada do repertório da primeira metade do século XVII. Como exemplo desta diversidade, o artigo apresenta múltiplos aspectos presentes na primeira publicação da compositora veneziana Barbara Strozzi, uma obra que ilustra o quão interessante e multifacetada a produção musical deste período pode ser, ao combinar um gênero musical antigo com os novos artifícios da escrita musical de seu tempo. Após uma breve introdução com dados biográficos e contextuais a respeito da compositora, o artigo discutirá o porque apenas certos recortes da música ocidental são mais analisados e estudados pelos musicólogos. Em seguida, com o gênero madrigalesco devidamente contextualizado, serão apresentados caminhos possíveis para compreensão da maneira com a qual o texto se projeta em música em trechos selecionados dos madrigais da compositora

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