Portal de Publicações Eletrônicas da Ufac (Univ. Federal do Acre)
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MAY, VAKA, NI: A ALIMENTAÇÃO NUKINI DIANTE DO PARADIGMA DA COLONIALIDADE
O presente trabalho é fruto da atividade avaliativa de uma disciplina acadêmica ofertada pelo programa de Pós-Graduação em Letras Linguagens e Identidades. Neste texto abordaremos a alimentação do povo Nukini, sobre a qual se percebem os embates que tiveram de realizar para manterem essa parte importante da cultura ancestral de seu povo. Nesse sentido, o trabalho tem como objetivo abordar o enfrentamento realizado pelo Povo Nukini, localizado no Acre, diante da colonialidade com a qual estiveram sujeitos durante e após o período dos seringais. Utilizando como metodologia uma pesquisa qualitativa e de análise da Cartilha de Alimentação Tradicional do Povo Nukini. Para o embasamento teórico foram utilizados textos que abordam sobre a questão histórica e cultural da alimentação e que possibilitaram diálogos com o grupo étnico aqui trabalhado, sendo eles Corona (2019); Santos (2019); Silva (2020); Quijano (2005), dentre outros. Os resultados alcançados mediante a conclusão do trabalho nos levam a refletir sobre as funções da alimentação, indo para além de questões de sobrevivência física dos seres humanos, onde se envolve a sobrevivência cultural
ATYÔ, ABÊ E AZÊ VEM NOS VISITAR, O DIA DA FESTA CHEGOU: O OFERECIMENTO DA ROÇA TRADICIONAL DOS INDÍGENAS HALITI, ALDEIA PARAÍSO, MATO GROSSO, BRASIL
No Centro-Oeste do Brasil encontram-se os índios Paresi, que se autodenominam Halíti. Este povo está inserido em uma área ecotonal de cerrado e Amazônia que, ao longo do tempo, tem sofrido diversos tipos de exploração, ocasionando dificuldades para sua sobrevivência física e cultural. Os dados aqui arrolados fazem parte de uma tese de doutoramento a respeito das roças tradicionais dos índios Halíti. O objetivo deste artigo é descrever a festa do oferecimento da roça tradicional da etnia acima referida. A pesquisa ocorreu no período de 2007 a 2009, na aldeia Paraíso, situada na Terra Indígena (T.I) Pareci, município de Tangará da Serra, Mato Grosso. O trabalho de campo foi realizado por meio de abordagem qualitativa (entrevistas gravadas em fita e vídeo, conversas informais, observação participante, e caderno diário-de-campo). Verificou-se que, as festas tradicionais dos Halíti são de batizados, colheita, da menina-moça e em agradecimento ao Deus Enoré. A festa do oferecimento da roça ocorre geralmente no mês de setembro, é componente do calendário agrícola tradicional e importante meio de socialização entre as aldeias. Não apenas nos dias de festas, mas no cotidiano, a mandioca (Manihot esculenta Crantz) que é o principal item cultivado, é utilizada na produção de bebidas denominadas chicha, e do beiju tipo de bolo assado na fogueira ou no fogão a gás. As práticas tradicionais do cultivo da mandioca vêm sendo mantidas com algumas alterações nos rituais na região onde o estudo foi realizado. No entanto observou-se que é mantida a festa para o oferecimento da produção antes da colheita em aldeias desta T.I. Esta festa pode ter a duração de uma semana a quinze dias, e durante os festejos são entoados cantos e danças e são, oferecido alimentos e bebida tradicional ou não aos festeiros convidados. A permanência dos rituais ligados às práticas da agricultura indígena Haliti podem auxiliar na conservação ambiental do cerrado, e na permanecia da cultura deste povo, que atualmente, encontram-se ilhados pelo agronegócio sofrendo as conseqüências silenciosas dos impactos sócio-ambientais do novo “desbravamento do centro-oeste”
DESEMPENHO DE MUDAS E BROMATOLOGIA DE ORA-PRO-NÓBIS MEDIANTE NÍVEIS DE SOMBREAMENTO: PERFORMANCE OF SEEDLINGS AND BROMATOLOGY OF ORA-PRO-NÓBIS UNDER DIFFERENT SHADING LEVELS
As Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) emergem como uma estratégia complementar às diversas políticas públicas voltadas para a redução da fome e a promoção da segurança alimentar em todo o mundo. No Brasil, essa abordagem tem ganhado destaque devido às pesquisas científicas realizadas com esse grupo de plantas. Um exemplo notável é o Pereskia aculeata, uma cactácea classificada como PANC devido ao seu elevado teor proteico, popularmente conhecida como ora-pro-nóbis. Na produção de hortaliças, empregam-se diversos sistemas de cultivo, sendo as malhas de sombreamento particularmente relevantes devido à sua contribuição para a obtenção de alta produtividade e qualidade. O objetivo do trabalho foi verificar a qualidade das mudas por meio de variáveis morfológicas e bromatológicas, mediante o uso níveis de sombreamento. O delineamento empregado foi o Inteiramente casualizado (DIC) onde os tratamentos do experimento em níveis de sombreamento foram os seguintes de cor preta: pleno sol (tratamento controle), 35%, 50% e 65% de sombreamento realizados na Universidade Federal do Acre (UFAC) - Rio Branco, Acre no ano de 2023. Os dados foram submetidos ao teste de Tukey e regressão ao nível de 5% de probabilidade. Foram avaliados parâmetros de crescimento e bromatológicos. A análise revelou que a área foliar, número de folhas e o teor proteico e de cinzas das mudas obtiveram melhores resultados sob os níveis de 30% a 50% de sombreamento, realçando o potencial da malha preta para melhorar a composição nutricional da ora-pro-nóbis
O RACISMO ESTRUTURAL NA DERMATOLOGIA BRASILEIRA
O presente artigo busca escancarar o racismo estrutural na dermatologia brasileira. Realizou-se uma análise histórica para que se compreenda o racismo, no âmbito da dermatologia, como um processo histórico, em que as características físicas de pessoas de pele branca são valorizadas, de forma que se eleva o estudo das particularidades da pele branca na dermatologia brasileira. Observa-se que tal estratégia faz parte de uma ferramenta de eugenia e de supremacia branca, que faz com que se despreze o estudo das particularidades da pele negra na área da dermatologia brasileira. O direito, como ferramenta antidiscriminatória, pode ser utilizado para introduzir, na Lei nº 8.080/90, a Lei Orgânica da Saúde, um protocolo de tratamento médico que inclua o estudo das particularidades da pele negra. É igualmente importante que o Ministério da Educação (MEC), em controle de qualidade do curso de medicina, inclua a abordagem de protocolos de tratamento da pele negra na disciplina de dermatologia
A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA, UMA QUESTÃO DE GÊNERO E RAÇA
No presente artigo, será abordada uma exposição reflexiva sobre a violência obstétrica no Brasil, em especial nas mulheres negras. Demonstrar-se-á que essa forma de agressão pode se manifestar de múltiplas maneiras: física e moralmente, por intermédio de ofensas, de negligências, bem como por meio de procedimentos invasivos, demasiados e que olvidam a autonomia da paciente. Ademais, o seu contexto de impacto ocupa o momento anterior, concomitante e razoavelmente sucessor ao parto, afligido principalmente mulheres em condição de vulnerabilidade socioeconômica. Ressaltar-se-á a hercúlea conexão da violência obstétrica ao preconceito de gênero e ao racismo estrutural, os quais norteariam no cotidiano a realização de prática médicas abusivas e omissas, caracterizando o consequente e profundo sofrimento imposto à paciente. Destarte, marcar-se-á a urgência de se discutir a respeito das formas de manifestação da violência obstétrica em perspectiva da interseccionalidade racial e de gênero para se pensar em caminhos viáveis, humanos, eficazes e jurídicos vocacionados ao seu combate
CORPO, RACISMO E PENSAMENTO ABISSAL: INVESTIGAÇÕES ACERCA DO CURRÍCULO DE EDUCAÇÃO FÍSICAS NOS ANOS INICIAIS
Mais de um século após o fim do sistema escravocrata brasileiro, parte da sociedade observou a necessidade de se incluir a história e a cultura da população afro-brasileira nos currículos escolares, o que precisou ser feito por meio de uma obrigatoriedade com peso de lei (Lei 10.639/03). Mas, apenas colocar o corpo-território negro no currículo não se constitui ferramenta suficiente para promover a descolonização histórica, é válido questionar se e sob qual óptica o negro vem sendo abordado no currículo e o que pode ser feito para diminuir a colonialidade social sobre este corpo-território. Diante disto, este trabalho visa investigar o corpo-território negro no currículo escolar das aulas de Educação Física do município de Volta Redonda, para isso se aproxima em perspectiva teórica do pensamento Pós-abissal, de Boaventura de Souza Santos e outros autores, na busca por uma visão crítica e descolonial do currículo. Foi encontrado que o currículo da referida rede apresenta traços de colonialidade por meio de silenciamentos e normatizações que pouco orientam para a construção de uma educação efetivamente decolonial do negro nas aulas. Consideramos que se faz necessário um maior diálogo com os professores na elaboração curricular e que se faz indispensável maiores reflexões sobre a presença do negro no currículo para que os conteúdos referentes à cultura afrodiaspórica não estejam no currículo por mera força de lei. Desse modo, se tornando presenças que sem reflexão para além do pensamento abissal podem continuar ausentes
FRONTEIRAS SIMBÓLICAS ENTRE UMA EDUCAÇÃO TRADICIONAL HUNI KUĨ E EDUCAÇÃO ESCOLAR HUNI KUĨ
Analisaremos neste estudo alguns dos processos de (re) existência do povo Huni Kuĩ, localizados hoje no estado do Acre, objetivando compreender as múltiplas formas que versam sobre as relações de transferência de saberes e fazeres ancestrais do povo, ainda como os fenômenos sociais e econômicos que giraram em torno do apagamento destas memórias outras, bem como a sistematização curricular em um Plano Político Pedagógico, através do projeto Uma Experiência de Autoria, de 1983, em prol da retomada de seus milenares saberes, onde tiveram suas histórias marcadas por inúmeros conflitos entre seringalistas e fazendeiros ocasionando um epistemicídio (Carneiro, 2015) vivenciado por essas múltiplas identidades indígenas. Este artigo decorre do trabalho científico de uma pesquisa que envolve práticas metodológicas consistentes em análises documentais, e ainda a realização de entrevistas alicerçadas pela História Oral. O povo Huni Kuĩ, etnia originária sendo a mais populosa do estado do Acre, com 12 terras indígenas e 104 aldeias, habita um espaço territorial que vai do leste peruano à fronteira com o Acre, compreendida nas cabeceiras dos vales dos rios de cinco municípios do estado do Acre, são eles: Marechal Thaumaturgo, Santa Rosa do Purus, Jordão, Feijó e Tarauacá
Do Tambor de índio ao Ponta de Flecha : In(corporações) do baiar do Tambor de Mina em cena
Este artigo propõe articular uma análise sobre o processo criativo do artista Vinicius Viana em seu processo do espetáculo Ponta de Flecha, inspirado nos corpos que baiam no Tambor de índio, ritual específico do Tambor de Mina do Maranhão, dentro de um processo em que se estabelece a união do corpo criativo e o baiar para o sagrado dos terreiros. As vivências compartilhadas aqui permeiam o lugar da cena em uma ponte com a visualidade que transita entre a sociedade e o sagrado; a matéria; e o invisível; entre o contemporâneo e a tradição que relacionam de forma atemporal a conexão afroameríndia que penetram as raízes ancestrais do dançar de um artista e a sua escrita