Projeto SABER
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Rompendo Silêncios: Vista Chinesa e o Crime de Estupro Contra ds Mulheres
O objetivo deste texto é analisar o livro Vista Chinesa (2021), de Tatiana Salem Levy, a partir de uma perspectiva feminista centrada nas discussões em torno da relação entre literatura e o crime de estupro contra o corpo feminino. A força motriz da narrativa de Vista Chinesa é constituída por intermédio das memórias e dos relatos de uma amiga da escritora agredida e abusada sexualmente no ano de 2014, na cidade do Rio de Janeiro. A partir dos depoimentos coletados, a escritora inicia um trabalho (est)ético e político de denúncia e resistência contra a normatização da violência de gênero e aborda de modo inteligível o processo pós-trauma do crime de estupro, transitando entre ficção e realidade. Partindo dessas reflexões, propomos discutir, portanto, como a literatura abriga e tensiona esteticamente temas voltados à violência contra a mulher, em especial, ao estupro, de modo a propor amplo debate em torno do corpo social e suas dinâmicas constituídas por discursos e práticas hegemônicas e patriarcais
A rede urbana atlântica colonial do Baixo Sul baiano e as marcas da agência indígena
This is an investigation about the formation of the colonial urban network of Bahia's Baixo Sul (Bahia, Brazil), one of the pioneering territories of the Jesuits' catechesis and village experiences, back in the 16th century. The first settlements would appear in the archipelago of Cairu, Tinharé and Boipeba, at the beginning of the 17th century, followed by the formation of other centers on the continent that would later evolve into parishes, towns and villages. Throughout the 1700s, logging activity gave new impetus to the regional economy, with the prevalent workforce of indigenous villagers. In this dynamic, the urbanization process included, in addition to the Portuguese, the protagonism of several agents, whose marks, despite being invisible in regional memory and historiography, were recorded in the toponymy, in the formation of the network and the forms of urban centers.Trata-se de uma investigação sobre a formação da rede urbana colonial do Baixo Sul baiano (Bahia, Brasil) entre os séculos XVI e XIX. Naqueles territórios, as experiências de catequese e aldeamento dos jesuítas se iniciaram ainda no século XVI, sendo que as primeiras povoações portuguesas surgiram no arquipélago de Cairu, Tinharé e Boipeba no início do século XVII, seguida da formação de outros núcleos no continente que posteriormente evoluiriam para a condição de freguesias, povoações e vilas. O processo de urbanização contou, para além dos portugueses, com o protagonismo de outros agentes, cujas marcas, apesar de invisibilizadas na memória regional e na historiografia, ficaram gravadas na toponímia, na urdidura da rede e na tessitura dos núcleos urbanos. O intento desse artigo é justamente repensar aquele processo de urbanização, buscando fazer emergir as ações daqueles protagonistas invisibilizados, sobretudo dos povos originários. Através de fontes textuais produzidas por autoridades coloniais e religiosos e um conjunto cartográfico daquele período, busca-se identificar traços da paisagem que manifestam os interesses e os sentidos das intervenções dos diferentes grupos humanos no ambiente físico
Ilhas, Campos e Sertões: a demarcação dos termos das Vilas de Índios no contexto do Diretório pombalino na capitania do Maranhão (1759-1760)
O artigo analisa a experiência da demarcação de distritos na capitania do Maranhão, ordenada por Gonçalo Pereira Lobato e Sousa, entre os anos de 1759 e 1760, e as suas implicações para a reestruturação espacial do território. Tendo como vetor as povoações de Índios, tais delimitações consideraram, em grande medida, marcos geográficos como rios, baías e matas, de modo a torná-los uma via de conexão entre as Vilas e os Lugares. Assim, apresentando-se três regiões em que tais delineações ocorreram (Ilhas, Campos e Sertões), argumenta-se que tanto a inclusão de confrontantes naturais como as terras concedidas coletivamente aos moradores dos núcleos implementados pelo Diretório no Maranhão intentou reforçar as políticas de integração espacial entre as povoações, tanto a nível interno como a nível externo, por vezes até coincidindo com os limites físicos da capitania
As vilas que não se concretizaram: dinâmicas de ocupação do espaço na Amazônia portuguesa (Maranhão, 1755)
O artigo tem como objetivo analisar a formação e o desenvolvimento dos territórios coloniais portugueses no Estado do Grão-Pará e Maranhão no momento da conformação das políticas pombalinas para a região. O ponto de partida será a análise de documentação do acervo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Lisboa): um mapa e uma planta de vila intitulados “Mapa de Mar e Terra entre o Rio da Parnahiba e Rio Tocantins. Maranhão, 26 de abril de 1755” e “Planta da Villa do Itapicurû”. Buscar-se-á perceber as especificidades e dinâmicas estabelecidas na referida região no processo de ocupação do espaço. Dar-se-á destaque aos povos que ocupavam esses territórios e como eles são protagonistas na complexificação da experiência de construção ou não, como é o caso deste exemplo, daquelas vilas e localidades. Utilizando-se de metodologias em história conectada e variação de escalas de observação, pretende-se com esta investigação contribuir com o relativo silêncio da historiografia maranhense sobre este tema.
A literatura e a vida: uma incursão em crítica e clínica de Gilles Deleuze
Não obstante presente em todo o seu percurso filosófico, a literatura em geral nunca foi objeto de um trabalho exclusivo e sistemático por parte de Gilles Deleuze. É somente com a publicação de Crítica e Clínica, seu derradeiro livro, em 1993, mais precisamente, no prólogo e no texto intitulado A Literatura e a Vida que o autor faz uma pequena síntese a respeito dos problemas concernentes à literatura e dos pontos deconexão destes com a sua filosofia. Julgando a experiência literária um elemento essencial para a compreensão do pensamento deleuziano, nos propomos, neste trabalho, à análise pormenorizada destes dois textos, com a expectativa de contribuir, mesmo que de maneira errática e introdutória, para a construção de uma visão de conjunto para o papel desempenhado pela literatura na sua filosofia