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Do desconhecimento do Outro à Interculturalidade: a vida (re)escrita no processo de formação profissional
p. 9-21Neste trabalho apresentamos uma breve reflexão acerca
das questões relativas ao processo de formação profissional,
em particular dos professores do 1º Ciclo do
Ensino Básico, visto que muitos especialistas apontam
para a necessidade de uma revisão dos elementos basilares
que conduzem os processos destinados à preparação
dos docentes, quer seja durante a licenciatura, quer seja
na formação profissional contínua. De facto, o panorama
histórico actual, exige um particular esforço por
parte de todos aqueles que estão envolvidos na tarefa de
educar, mas sobretudo demanda por parte do professor
do Ensino Básico – 1º Ciclo, um compromisso de
mudança radical com relação às práticas académicas, na
organização do espaço pedagógico e, fundamentalmente,
uma reflexão profunda relacionada aos seus
valores como pessoa, como ser em reconstrução capaz
de uma reelaboração na (re)escrita do seu percurso de
vida, do modo de ver/olhar e interpretar o Outro
naquilo que lhe confere diversidade e por isso enriquecimento.
Com efeito, compreende-se que as pedagogias
interculturais solicitam do professor um trabalho sobre
si mesmo de carácter permanente, pois somente assim o
profissional será capaz de atribuir a si mesmo a necessária
flexibilidade para conhecer os outros nas suas variadas
dimensões, afastando preconceitos, estereótipos e
trabalhando pela construção de um ser cidadão responsável,
capaz de operar transformações na realidade e
lutar de forma consciente e crítica pelo exercício da
cidadania, pela igualdade de direitos e oportunidades
para todos
O Valor e a Utilidade da Filosofia para Crianças
p. 103-111Até agora, a Filosofia tem sido mantida distante da
criança e, dependendo da abordagem pedagógica e
antropológica que fizermos, ela deveria mesmo estar
afastada. O problema não é nada simples: para alguns, a
racionalidade necessária à elaboração do pensamento
filosófico ainda não estaria presente (pelo menos nas
primeiras fases da infância), enquanto que, para outros,
a capacidade de indagação, questionamento e perplexidade,
(que constitui a ferramenta principal da Filosofia)
se mostra com toda a espontaneidade precisamente na
criança.
Nas últimas décadas, o programa de Filosofia para
Crianças, proposto pelo norte-americano Matthew Lipman
e hoje atraindo o interesse da UNESCO e da
UNICEF, tem mostrado a possibilidade e a necessidade
de tal prática.
Partindo do pressuposto, que nenhum acto pedagógico
pode ser concebido sem uma finalidade ética (muito
menos na Filosofia), um programa de Filosofia para
Crianças não pode ser desprovido de eticidade. Para Lipman,
o próprio desenvolvimento de uma Comunidade
de Investigação, criada no âmbito do seu método de filosofar
com as crianças, é uma proposta ética, promotora
da capacidade de cooperação e interlocução tolerante
entre os membros desta comunidade. E mesmo fora do
contexto das ideias lipmanianas, a interdisciplinaridade,
que hoje se reconhece como indispensável, permite
estabelecer pontes entre Ética e Filosofia, já naturalmente
existentes.
Neste contexto, a nossa proposta consiste em evidenciar
a possibilidade de contemplar, no 1º Ciclo, uma metodologia
“filosófica”
Entrevista: pela Educação, com António Nóvoa
António Sampaio da Nóvoa, Professor Catedrático da Faculdade de Psicologia e de
Ciências da Educação, é o recém-eleito Reitor da Universidade de Lisboa. Doutor em
Ciências da Educação (Universidade de Genève) e em História (Universidade de Paris
IV-Sorbonne), há mais de 20 anos que desenvolve uma reconhecida investigação naquelas
áreas. Com uma larga experiência internacional, em universidades europeias e americanas,
foi Presidente da Associação Internacional de História da Educação e desempenhou
funções em conselhos científicos de instituições de referência. A sua bibliografia
científica é constituída por cerca de 150 títulos, mais de metade publicados em língua
estrangeira e/ou no estrangeiro. É co-responsável pela colecção “Comparative Histories
of Education”, publicada pela Symposium Books (Oxford) e é membro do Conselho
Editorial de mais de uma dezena de revistas científicas nacionais e internacionais. Entre
1996 e 1999, foi consultor para a Educação do Presidente da República e, em 2005, recebeu
a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública.
Esta é a sua primeira grande entrevista depois de ter sido eleito Reitor da Universidade
de Lisboa
A criança disléxica e a escola
Desde há muito tempo, que nós professores, enfrentamos o dilema de certos
alunos com níveis de inteligência normais ou até, em muitos casos, acima da média, que
não tendo carências de tipo sociocultural, distúrbios emocionais e tendo um
desenvolvimento normal nas outras áreas, evidenciam problemas específicos de leitura e
de escrita, acompanhando-os pelos vários graus de ensino.
A escola e os seus professores muitas vezes não se apercebem da natureza deste
problema e, por não os tomarem em linha de conta na fase inicial, ou por não terem sido
sensibilizados na sua formação, tendem a não intervir da forma mais correcta.
A criança disléxica não é deficiente, apenas aprende num ritmo diferente como
tal, precisa que a escola adeqúe as suas práticas educativas tendo em conta as suas
características e especificidades.
O papel do professor e da escola pode ser um factor decisivo para a diminuição
do insucesso dos alunos, a nível da leitura e da escrita, se estiver informado e formado
nesta temática.
Face ao exposto, pretende-se com esta pesquisa aprofundar conhecimentos sobre
a temática dislexia e ainda, saber se os professores estão sensibilizados para
identificar/diagnosticar e intervir em crianças com esta problemática, utilizando no
contexto da sala de aula, práticas educativas inclusivas.For many years we, as teachers, have faced the dilemma of pupils with average intelligence level – some are even far brighter than average - who have writing and reading disabilities that persist throughout the years. These pupils show specific reading and writing difficulties which aren´t due either to any sociocultural factors or any emotional disturbance and in other areas they may have an average development.
Schools and teachers don´t understand the nature of this problem. Difficulties aren´t addressed in the early grades, either because there isn´t suitable intervention or teachers lack training.
Children with dyslexia are often labelled as mentally retarded. The truth is they just need a little more time and do things at their own pace. Therefore, schools should adapt their educational practices bearing in mind that each dyslexic is different, with different characteristics and needs.
Schools and teachers play key role in helping dyslexics achieve in school and life, but they must be aware of and trained in this field.
Thus, the aim of this research is to deepen the knowledge of dyslexia and to understand whether teachers have sensitivity and awareness of to identify, assess and intervene into dyslexic pupils by using inclusive practices in classroom environment
O trabalho sócio-educativo em contextos não formais – análise de uma realidade
p. 61-74Esta pretende ser uma análise fundamentada de um
projecto de educação não formal –Juventudes – desenvolvido
na cidade do Porto, num período de 20 meses,
altura em que a equipa deste mesmo projecto deixou de
trabalhar no mesmo, fruto de incompatibilidades com a
equipa técnica supervisora, devido a divergências ao
nível da filosofia do projecto.
Num primeiro momento, procurar-se-á fazer uma contextualização
teórica dos problemas identificados, das
filosofias seguidas e das metodologias utilizadas. Num
segundo momento, far-se-á uma descrição do projecto,
do público-alvo a que se dirigia, das necessidades detectadas,
das potencialidades exploradas, dos objectivos
tratados e das metodologias de intervenção escolhidas.
Num terceiro momento, far-se-á uma avaliação dos
resultados conseguidos
Como vai o tempo no 1º ciclo?
p. 73-82A Associação de Professores de Matemática subordinou
o Ano Temático 2005/2006 ao tema Matemática e
Tempo. Com esta iniciativa, pretendeu-se, entre outros
aspectos, compreender melhor a estreita ligação que
existe entre a Matemática e Tempo e, em particular, a
influência que o Tempo temao nível da aprendizagem da
Matemática e das práticas profissionais dos professores.
É neste contexto que nos propomos apresentar dados
obtidos num estudo exploratório sobre práticas lectivas
com recurso a explorações sobre o Tempo no âmbito da
Matemática no 1º Ciclo do Ensino Básico. Com a realização
desse estudo, pretendeu-se identificar e caracterizar
situações, actividades e materiais presentes em
propostas de trabalho relacionadas com a exploração do
Tempo no 1º Ciclo. Como principais conclusões deste
estudo, refiram-se uma frequente exploração praticamente
em simultâneo do conceito de Tempo e dos respectivo(
s) processos(s) de medição, a prática corrente
de apresentação aos alunos de situações contextualizadas
e significativas, alguma interdisciplinaridade nas
actividades propostas e uma utilização de materiais bastante
diversificada nas práticas de sala de aula
A aquisição de uma Língua Segunda: muitas questões e algumas respostas
Com o presente artigo, pretende-se apresentar e divulgar, junto dos responsáveis
educativos, dados sobre esta que se tem vindo a revelar uma realidade
cada vez mais frequente nas nossas escolas e jardins-de-infância: a presença de
crianças para quem o Português é uma Língua Segunda. Começaremos por definir
alguns conceitos e apresentar dados de estudos levados a cabo sobre esta realidade
em Portugal em contexto escolar. Seguir-se-á a apresentação e discussão, sob a
forma de um conjunto de questões e respostas, de algumas das principais temáticas
em torno da aquisição de L2.With this article we would like to present data about what has been
revealed a more frequent reality among our primary and nursery schools: the presence
of children to whom Portuguese is the second language. We will start by
defining some concepts and present studies carried out in Portugal in a school context.
Then the presentation and discussion follows with a group of questions and
answers related to this topic
Implementação de um sistema unificado de gestão escolar e e-learning
XI, 25 f.A nossa sociedade encontra-se numa evolução progressiva, para uma sociedade em rede. Independentemente da área de conhecimento, é de senso comum, que, para poder prevalecer neste novo mundo, será preciso uma preparação sólida, das futuras gerações de estudantes, na utilização das novas tecnologias. Partindo do princípio que o papel do professor continua a ser determinante para a preparação de jovens para a vida, é imprescindível ultrapassar a inércia dos hábitos tradicionais, por parte dos professores. Após vários anos de prática de e-learning, na Escola Superior de Educação Paula Frassinetti, e devido à baixa participação, por parte dos professores, surgiu a ideia da implementação de um sistema simples, que integrasse todos os serviços digitais da escola, e que ao mesmo tempo permitisse, aos professores, o acesso a alguns recursos de e-learning. Alguns factores cruciais técnicos foram o planeamento dos requerimentos, e a integração de uma série de sistemas proprietários e Open Source, funcionando em vários sistemas operativos. Ao nível organizacional, foi necessário simplificar e acelerar uma série de processos. Para favorecer uma alteração de hábitos, adoptou-se uma estratégia da combinação de tarefas de rotina, obrigatórias, com a criação de funcionalidades facultativas, simples e úteis, no mesmo espaço. Adoptando uma metodologia de estudo de caso, a parte empírica do presente trabalho apresenta algumas indicações, sobre o impacto dos esforços empreendidos. Partindo de uma diversidade de fontes de recolha de informação, nomeadamente de registos electrónicos e de dois inquéritos respondidos por cerca de 50 professores da escola, conseguiu-se a exposição de uma série de evidências, que poderão servir para futuros estudos nesta área. Os resultados são encorajadores
Brincar ao faz-de-conta: espelho das culturas da infância
A análise do texto de W.A. Corsaro (2001) " A reprodução interpretativa no brincar ao 'Faz-de-conta' das crianças", suscitou esta reflexão e possibilitou a abordagem de alguns conceitos considerados pertinentes para a temática em causa
Desenvolvimento humano e desenvolvimento sustentável: o papel da escola no século XXI
p.9-28No contexto do Desenvolvimento Humano e do Desenvolvimento
Sustentado, procede-se a uma reflexão, orientada pelo paradigma da complexidade,
sobre o papel da Escola no século XXI, aquele em que o número de alfabetizados
do planeta é bastante superior ao dos analfabetos, o que confere à Escola,
numa dimensão planetária, a enorme responsabilidade de conduzir a humanidade
para uma estádio de consciencialização que a proteja das irracionalidades locais e
globais.In the context of Human and Supported Development, we will reflect
upon the role of school in the 21st century, bearing in mind the complexity paradigm.
This role is related to the fact that the number of alphabetized people is at
the moment much bigger than the number of the non-alphabetized ones. In fact,
this gives school – in a planetary way – the status of one of the most important
institutions to lead the humankind to a state of consciousness which protects it
against local and global irrationalities