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Trabalhar e estudar sob a lente dos processos e estratégias de auto–regulação da aprendizagem
A ética de trabalho está no topo da agenda educativa. A literatura, mas também a prática dos docentes, sugerem que a promoção da autonomia e a responsabilização dos alunos é um eixo estruturante no processo de aprendizagem dos alunos independentemente do ciclo de ensino. Neste trabalho, discutimos o conceito de auto-regulação da aprendizagem, a sua relevância na aprendizagem, e também algumas implicações e desafios que este construto levanta à prática educativa. Elaboramos ainda sobre a possibilidade de os professores ensinarem e treinarem com os alunos estratégias de auto-regulação da aprendizagem com vista a incrementarem o seu sucesso educativo.Professional ethics is top of educational agenda nowadays. Not only literature in the area but also teaching practice suggest that improving students' autonomy and responsibility is crucial work because these are the learning process' basis whatever the school level may be. This article discusses self-regulatory learning concept, its main role in learning, and some of its implications and challenges to the teaching practice. We also illustrate the possibility of students being taught and trained in self-regulated learning strategies as a way of improving their school achievement
Cartaz didáctico
p. 93-101Com a presente reflexão pretende-se reflectir sobre o
cartaz, nomeadamente o cartaz didáctico em contexto
de sala de aula, tendo em vista um melhor desempenho
pedagógico, nas práticas correntes de estágio da formação
inicial de professores do 1º Ciclo do Ensino Básico.
O recurso ao cartaz didáctico na sala de aula, tal como
muitos outros materiais de apoio, por nos parecer frequente
e, por vezes, pouco consistente, merece um olhar
mais atento e fundamentado. A escassa bibliografia de
especialidade existente sobre o assunto traduz a pouca
atenção que têm merecido materiais de apoio deste tipo.
Integrado num conjunto de vários materiais didácticos,
o cartaz é aqui abordado como ferramenta/produto e
como percurso/processo. Enquanto ferramenta/produto
interessa-nos perspectivar este material de apoio
como algo que serve um determinado fim pedagógico,
mas que se apresenta como algo acabado e pronto a usar
por terceiros. Considerando o cartaz como uma forma
de registo que ajuda a perceber melhor o percurso e o
processo traçado até se alcançar determinada aprendizagem,
interessa-nos um conjunto de considerações
pedagógicas que julgamos importantes numa boa prática
pedagógica e que configuram um conjunto de
experiências significativas no domínio do ensino/aprendizagem.
Assim, desenvolveremos esta reflexão em torno de uma
dupla questão: O que é um “cartaz didáctico”? Que considerações
pedagógicas e comunicacionais formular a propósito
da utilização e construção de um cartaz didáctico
Crianças expostas ao álcool e a substâncias ilícitas durante a gestação - algumas reflexões
p.53-59O consumo de substâncias de abuso, nomeadamente de
álcool e substâncias ilícitas, é um tema de saúde pública de
grande preocupação nas sociedades actuais. As repercussões
da sua utilização vão muito para além do efeito nos
indivíduos que as consomem e implicam toda a sociedade,
integrando questões como o tráfico, a violência associada,
a exclusão social, a sinistralidade laboral e nas estradas, etc.
O texto que seguidamente apresentamos procura abordar
a questão dos consumos destas substâncias numa perspectiva
que não é, seguramente, a mais habitual: embora referindo-
nos aos adultos que as consomem, o nosso tema
central é a exposição pré-natal e, portanto, as crianças
expostas a substâncias de abuso (álcool e substâncias ilícitas)
durante a gestação. Procuraremos assim sintetizar criticamente
os conhecimentos que, neste início do séc. xxi,
estão disponíveis sobre o desenvolvimento das crianças
que durante o período de gestação foram expostas a estas
substâncias consumidas pelas suas mães. Centrando-nos
nestas crianças, utilizaremos alguns dos princípios actuais
que balizam os estudos sobre o desenvolvimento para
reflectir sobre a situação específica da exposição pré-natal
a substâncias de abuso. Serão também abordadas algumas
das limitações apresentadas pelos trabalhos de investigação
e discutida a importância/relevância dos conhecimentos
sobre esta temática para a educação formal e não formal
As Especificidades do ensino precoce de língua estrangeira: um estudo de caso
p. 57-71A aprendizagem de línguas estrangeiras no 1º Ciclo do
Ensino Básico promove uma exposição à língua e cultura
diferentes, nomeadamente de diversos países europeus
falantes dessas mesmas línguas. Este mesmo contexto de
ensino-aprendizagem tem especificidades próprias que
vamos procurar enunciar neste artigo. Começaremos por
nos referirmos à complexidade do processo de ensino-
-aprendizagem de línguas estrangeiras e à importância de
aquisição duma Competência Comunicativa Intercultural
ao longo da vida. De seguida, teceremos algumas considerações
respeitantes às características do ensino precoce de
línguas estrangeiras, no que se refere a objectivos a cumprir
e tipologia de actividades mais indicadas, analisando-
-o ainda tendo em conta Orientações Programáticas do
Ministério da Educação. De forma a ilustrar melhor o
nosso estudo, faremos um estudo de caso no qual analisaremos
uma aula de inglês no 1º Ciclo do Ensino Básico
com o intuito de percebermos quais são as estratégias
mais adequadas no ensino de línguas estrangeiras e de que forma se poderá implementar a interdisciplinaridade entre as diferentes áreas curriculares e o Inglês
Rotinas na Aprendizagem
p. 23-29Partindo do pressuposto que o acolhimento, integrado
num espaço de rotina, possa permitir responder à
transformação da escola e, principalmente, das actividades
e projectos desenvolvidos na escola e/ou em sala
de aula, pretendemos mostrar a partir de um estudo
exploratório de pesquisa que, apesar e não obstante as
diferentes imagens associadas ao conceito de acolhimento
por parte dos professores do Ensino Básico
(1º ciclo), este pode e deve ser compreendido como
um objecto de estudo e de reflexão tanto na formação
inicial como na formação contínua de professores.
Acreditamos que estes momentos permitem a criação
de espaços simultaneamente de encontro e de construção
de conhecimento, potenciando assim aprendizagens
significativas
Internet e Movimentos Sociais: outros espaços de interacção
p.87-98O espaço ocupado pelos movimentos sociais na internet,
as influências e apropriações observadas, a este nível, suscitam
uma série de questões conceptuais e metodológicas
para as quais não parece, ainda, existir respostas teoricamente
consistentes. Na maioria dos casos, as explicações
sobre estes fenómenos estão condicionadas por opções
metodológicas, difíceis de operacionalizar e por uma teorização,
ainda recente, sobre as questões do ciberespaço e
da internet, numa perspectiva sociológica. Sem pretender
responder ao conjunto de questões que esta problemática
levanta, espera-se, com esta reflexão, tentar despertar para
a necessidade de se desenvolver algumas proposições teóricas
sobre as articulações entre movimentos sociais e a
sua presença no designado ciberespaço
O educador social, desafiado pela diversidade cultural das sociedades contemporâneas
p. 111-118O reconhecimento da pluriculturalidade das sociedades
contemporâneas e das tensões que este fenómeno
suscita no espaço público destas não é um facto novo
em si. O elemento de novidade, no plano da educação,
é a integração de tal diversidade cultural na pedagogia
e na intervenção social. Reflectir as implicações desta
integração em alguns dos seus pressupostos teórico -
-práticos constitui o objectivo deste artigo. Com a
intenção de compreender a dinâmica inter – e multicultural
que perpassa as sociedades ocidentais – numa
perspectiva filosófico-antropológica e com incidência
nas relações sociais –, propomos um itinerário reflexivo,
partindo inicialmente de uma pequena constelação
conceptual que vai desde o pluralismo à relação
tensional identidade/diversidade, passando pela assunção do
diálogo com o Outro na sua radical alteridade. Posteriormente,
fazemos uma análise de pendor psico-sociológico
e epistemológico à diversidade cultural através da
noção de culturalidade, cujas consequências ético-antropológicas
desembocam em atitudes e princípios hermenêuticos
orientadores da dinâmica intercultural a
fomentar pelo educador social.
Concluir-se-á que à exigência de uma autêntica manóia
interior deve corresponder uma praxis de transformação
sócio-política e uma educação para a cidadania
plena. A reconstrução da identidade pessoal e social,
sacudida e fortemente questionada em ambientes culturais
fluidos e heterogéneos, é aquela que procura o sentido
de si mesma na relação com o Outro, relação esta que
precisa de ser educada pelas faculdades da descentração e da
empatia, a ponto de integrar a alteridade no centro da
perspectiva sobre si mesmo, chegando a assumir o sentido
do Outro na diversidade das mundivisões e no destino
solidariamente partilhado. Só o diálogo como hospedagem
e uma reverência cognitiva perante a alteridade
darão corpo a uma educação intercultural que não é
nenhuma utopia nem uma ideologia humanista, mas
uma resposta realista aos desafios da evolução da diversidade
cultural das sociedades
Mapear o estudar no ensino superior: abordagens dos alunos ao estudo numa E.S.E.
p.23-38Integrado na linha de investigação SAL (Students Approaches to Learning),
este trabalho centra-se no estudo da perspectiva dos alunos sobre a sua experiência de
aprendizagem. Assim, o objectivo da presente investigação centrou-se na avaliação das
abordagens à aprendizagem dos alunos do ensino superior, mais precisamente numa
Escola Superior de Educação do ensino particular, situada no Porto. Os resultados obtidos
sugerem que os alunos optam preferencialmente por uma abordagem profunda à
aprendizagem. Esperamos que este estudo possa contribuir para uma melhor compreensão
da aprendizagem dos alunos no ensino superior, sobretudo no momento actual do sistema
de ensino universitário em reformulação de currículos e metodologias para dar cumprimento
às sugestões de “Bolonha”, promovendo alunos cada vez mais autónomos na sua
aprendizagem e, consequentemente, responsáveis pela construção do seu próprio saber.Integrating the research on Students Approaches to Learning (SAL) this article
focuses on students’ perceptions of their own learning experience.
Evaluating students’ approaches to learning was the main goal of the empirical study presented
here. The sample integrated students from a private School of Education in
Oporto. Data suggest that students opt for the use of a deep approach to learning. We
hope this study highlights a better understanding of students’ approaches to learning.
According to present demands of Bologna rules, deep changes in university curricula and
teaching methodologies are urgent so that students’ autonomy and responsibility for their
own building of knowledge can be promoted
A importância da resiliência na (re)construção das famílias com filhos portadores de deficiência: o papel dos profissionais da educação/reabilitação
Neste artigo pretendemos ressaltar a importância da resiliência na (re)construção
das famílias que enfrentam a adversidade do filho “chegado” não ter sido o “sonhado”.
Acreditamos que os profissionais da Educação e de reabilitação têm um papel fundamental
a desempenhar na promoção da resiliência. Esta nova postura passa pela consciencialização
do luto vivido nestas famílias, por ajudá-las a descobrir e a potenciar as suas capacidades, promovendo
a aceitação da deficiência numa confirmação positiva e incondicional.
Desta forma, conhecendo bem os mecanismos que conduzem aos processos adaptativos e
fazendo uso da pedagogia diferenciada e construtivista, estes profissionais podem ser promotores
de famílias mais confiantes e resilientes.In this article we intend to stand out the importance of resilience in the
(re)construction of families, who face the adversity of the ‘arrived’ child not having been
‘dreamed’ of. We believe that education and rehabilitation professionals have a prominent
role in the promotion of resilience. This new posture has to do with the consciousness of
the mourning living within these families, helping them find and develop their own capacities
and promoting the acceptance of deficiency in a positive and unconditional way.
In this sense, knowing the mechanisms which conduct one to adaptive processes and
making use of a differentiated and constructivist pedagogy, these professionals can act as
promoters of more confident and resilient families
Exclusão: proscrição ou excepção?
p. 25-32Partindo da etimologia do conceito de exclusão, este
artigo visa reflectir e repensar a nova questão social no(s)
seu(s) sentido(s): a exclusão como proscrição e a exclusão
como excepção. Viajando pela historicidade do conceito,
foi nosso objectivo compreendê-la, percorrer os
seus rostos, no seu fundamento ou origem, para redescobrir
as suas possíveis deslocações semânticas que acompanham
as deslocações percorridas pela humanidade, propondo
a Educação como uma possibilidade de
intervenção. Ser-nos-á possível concluir que à exigência
de uma Educação autêntica deve corresponder uma prática
de transformação e uma cidadania integral. Trata-se
de um apelo a uma reconstrução da identidade pessoal e
social que procura o sentido de si mesma na relação com
o outro, relação que necessita de ser educada, a ponto de
incluir cada “Eu”. Este “Eu” é entendido como o ser-para -
-o-outro que supera o rumor anónimo e insignificativo do
ser – ser para o outro, significando a responsabilidade
ética por ele. Só esta Educação, que respeita a alteridade,
que respeita a excepção permite enfrentar realmente os
desafios actuais da Sociedade do Conhecimento