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A importância da educação na construção da cidadania
Ouvimos frequentemente falar em «cidadania europeia», «cidadania multicultural»,«cidadania planetária». Insiste-se numa «educação para a cidadania» nas escolas:fala-se de «práticas de cidadania» numa sociedade democrática e, no caso português,insiste-se num «déficit de cidadania» para explicar a nossa ausência de participação e de organização. Que entendemos por cidadania? Será que existe apenas um tipo de cidadania? Como podemos contribuir para a «construção de cidadanias»? Qual o papel da educação neste processo? Sem pretendermos responder exaustivamente a este conjunto de questões, iremos às raízes da palavra cidadania para melhor entender o que se pretende com ela. Falaremos do papel da escola e da família na construção da cidadania. Equacionaremos especificamente o jardim-de-infância como meio sistemático de proporcionar às crianças as suas primeiras experiências de vida democrática. Finalmente, deter-nos-emos numa concepção alternativa de uma cidadania da infância como forma de entender a multiplicidade de cidadanias, apresentando um conjunto de propostas educativas para a construção de cidadania(s) na infância
A Formação Prática e a Supervisão da Formação
p.79-95O contexto actual da pós-modernidade, com a sua forte vivência de
pluralismos de todas as naturezas representa um campo fértil para a exploração
de uma perspectiva de formação de professores que se identifica com os
princípios de uma escola reflexiva e com o paradigma do profissional reflexivo.
A adopção do(s) modelos de supervisão que sustentema formação prática dos
formandos deve assim merecer especial atenção por parte das instituições de
formação.Neste processo formativo destacamos a necessidade de um trabalho
colaborativo que envolva o supervisor institucional e supervisor cooperante,
sendo ambos co-responsáveis pela formação pessoal e profissional dos futuros
educadores.The present context of post-modern times, with its strong effervescence of pluralism of all types, represents a fertile field for the exploration of a perspective in the formation of teachers which can be identified with the main principles of a reflexive school together with the paradigm of a reflexive professional. The adoption of supervision models which are able to sustain the practical formation of teachers-to-be shall take into consideration by information institutions. In this sense, we stress the need of a collaborative work which shall involve both the institutional supervisor and cooperant supervisor, being both responsible for the personal and professional formation of future educators
Avaliação da Linguagem: Propostas e Estudo de Caso em Torno da Dimensão Fonético-Fonológica
p.73-90Tendo em conta o percurso histórico do estudo da linguagem
infantil, propõe-se um modelo de avaliação passível
de contemplar a actividade linguística enquanto
fenómeno indissociável de uma esfera de desenvolvimento
global e, simultaneamente, enquanto domínio
multidimensional (lexical, morfossintáctico, fonético -
-fonológico, pragmático) implicando uma dualidade de
processos (compreensão/expressão). Propõe-se ainda
uma aplicação prática dos princípios enunciados (estudo
de caso) com enfoque na dimensão fonético-fonológica
A utilização de e-portfólios no estágio profissionalizante do curso de formação inicial de Educadores de Infância: uma experiência em sistema de blended-learning
p.87-103Este artigo apresenta a avaliação desenvolvida em torno
da utilização de um Sistema de Gestão de Aprendizagem
na Internet no apoio ao estágio profissionalizante,
em sistema de blended-learning, do curso de formação
inicial de Educadores de Infância da Escola Superior de
Educação de Paula Frassinetti. Ao longo do ano lectivo
2006/2007 os formandos foram apoiados de forma
presencial com uma vertente à distância através de
e-portfólios. Apresentam-se, por isso, neste estudo os
dados obtidos da avaliação, por alunos e supervisores
institucionais, a este apoio efectuado à distância. Os
dados recolhidos revelam que esta metodologia contribuiu
para o enriquecimento do processo formativo dos
alunos
Actividades de consciência linguística no Jardim-de-Infância: o quê, como e para quê?
p. 43-52Objecto de recomendação pelo impacto que têm quer
em termos do desenvolvimento da linguagem oral, quer
da apropriação da linguagem escrita de que são potencializadoras,
as actividades de consciência fonológica, na
forma como são concebidas e aplicadas, carecem, por
vezes, de alguma sistematização e ficam aquém da exploração,
de forma devida, de todas as suas potencialidades,
assumindo frequentemente um carácter ocasional ou
extemporâneo.
De forma a obviar a esta situação, importa valorizar,
junto dos Educadores, a necessidade de atender à especificidade
destas actividades planificando de forma cuidada
a sua oportunidade, articulação e objectivos que se
propõem atingir. Neste sentido, serão aqui analisadas as
representações que um conjunto de Educadores de
Infância em formação manifesta face às actividades de
consciência linguística. Tal análise teve como ponto de
partida a concepção e implementação de actividades de
consciência linguística pelos próprios discentes, no ano
lectivo de 2006-2007, no âmbito da disciplina «Leitura
e Literacia», integrada no 3º ano do plano curricular da
Licenciatura em Educação de Infância da ESE de Paula
Frassinetti.
A partir quer da avaliação das actividades desenvolvidas
pelos discentes, quer dos inquéritos lançados junto dos
mesmos, os quais constituíram o instrumento de aferição
das representações dos discentes (futuros Educadores
de Infância) face às actividades de consciência
linguística no Jardim-de-Infância, é-nos possível fazer
um balanço claramente positivo deste processo, atingido
que foi o objectivo que nos havíamos proposto alcançar
Quando for grande quero ser... criança. Considerações sobre as interacções entre pares na Infância
O presente artigo pretende sistematizar as ideias fundamentais da investigação recentemente desenvolvida
no âmbito da Sociologia da Infância, especificamente focada na análise etnográfica das culturas da
infância e nas interacções entre crianças. Assumindo a infância como categoria estrutural e as crianças
como actores sociais de pleno direito, capazes de (re)interpretar e (re)transformar os mundos em que
inserem, propõe uma análise sociológica dos afectos e sentimentos entre crianças, particularmente, das
relações de amizade, enamoramento e amor, num grupo de crianças dos 6 aos 10 anos de idade
Uma abordagem sistémica na Supervisão Educativa
O estudo que aqui se apresenta centra-se no âmbito da formação inicial de professores e assenta no pressuposto de que o desenvolvimento profissional e pessoal das estagiárias se pode promover através do desenvolvimento das capacidades de reflexão crítica, sustentados na modelização sistémica, enquanto processo de (re)construção gradual de conhecimento, de transformação das práticas e dos contextos e de emancipação profissional. Por outras palavras, pretende-se investigar e aprofundar o conhecimento acerca da modelização sistémica como meio de apoio ao desenvolvimento pessoal e profissional de um grupo de quatro professoras estagiárias que se encontram em formação inicial. Esta investigação insere-se num paradigma sistémico de matriz qualitativa e numa abordagem interpretativa, com características de investigaçãoacção, tendo sido adoptada a metodologia estudo de caso. Integram o estudo as investigadoras responsáveis pela experiência de supervisão, quatro estagiárias e, indirectamente, os professores cooperantes e os respectivos alunos num contexto de formação inicial de professores num centro educativo do 1º Ciclo, no ano lectivo de 2007/2008. A proposta de investigação parte do contexto prático das estagiárias envolvidas e progride com o cruzar dos dados recolhidos ao longo do processo com uma supervisão educativa que não só relaciona como integra o conhecimento de todos os intervenientes. Temos como objectivo realizar uma análise transversal dos diferentes percursos que nos possam permitir: a) descrever e compreender os processos reflexivos e os conhecimentos mobilizados pelas participantes ao longo do processo formativo; b) compreender a importância da modelização sistémica e dos contributos do modelo de supervisão para o desenvolvimento profissional e pessoal dos participantes; c) reconhecer e compreender a importância dos processos supervisivos de diferenciação quer na intervenção pedagógica, quer no modo de planificar; d) identificar as principais dificuldades e quais os suportes mais valorizados nos processos de construção pessoal e profissional; e) descobrir e aprofundar o conhecimento acerca das potencialidades desta proposta metodológica para as estagiárias, para alunos, para os professores cooperantes, e para as supervisoras. Neste contexto, equacionamos os objectivos deste estudo da seguinte forma: • Explorar a articulação entre o processo de modelização e um modelo ecológico de supervisão • Descrever os processos de construção da modelização elaborados pelas estagiárias durante a prática supervisiva; • Identificar as principais interacções facilitadoras/constrangedoras no contexto situacional; • Reflectir acerca da importância desta estratégia na configuração de uma nova filosofia de formação; • Procurar indicadores de novas linhas de investigação no âmbito da profissionalidade reflexiva e crítica. Em síntese, pode referir-se que a abordagem sistémica na supervisão educativa se pode apresentar como um modo de articulação coerente com: uma filosofia de formação reflexiva, humanista e ecológica; um modelo de supervisão integrador de todos os intervenientes e adequado à promoção do desenvolvimento consciente, global e progressivo dos professores quer como pessoas, quer como profissionais, respeitando e relevando a sua especificidade, singularidade e identidade próprias; um modo de planificar e descrever os processos de construção da modelização durante a prática supervisiva. O estudo empírico irá contribuir para uma progressiva (re)conceptualização da teoria e, concomitantemente das práticas, de forma a implementar um espaço integrador e de reflexão, apoiado nas competências de um supervisor, verificando as potencialidades dessa mesma prática na transversalidade e sustentabilidade do conhecimento
Famílias Heroínas – enfrentar a adversidade de ter um filho diferente
p.15-25Por mais difícil que seja «dizer», por mais duro que seja
«ouvir», as crianças portadoras de algum tipo de deficiência,
desde que tenham as suas necessidades básicas
supridas, de segurança, saúde, relações afectivas, higiene,
alimentação e educação, são indivíduos felizes. A nosso
ver, esta afirmação é tão mais válida quanto, infelizmente,
maiores forem os défices cognitivos associados.
Aqui, a percepção da realidade e a forma como esta
se interioriza, é minimizada. Quem «sofre» e tem de
enfrentar a adversidade da problemática da deficiência são
as famílias, a nosso ver, as grandes heroínas neste processo.
Este artigo, pretende simplesmente reflectir, mas acima
de tudo alertar, para os cuidados e orientações que
devem ser dispensados às mesmas. Dirigimo-nos à
sociedade em geral, mas principalmente e de forma particular,
aos profissionais das diversas áreas que, directa
ou indirectamente, estabelecem uma relação, mais ou
menos estreita, com as famílias de crianças portadoras
de algum tipo de problema e/ou deficiência
Amor e afectos entre crianças : a construção social de sentimentos na interacção de pares
p. 41-70O presente texto apresenta uma análise preliminar de um estudo
constituindo uma análise sociológica da construção da afectividade e amor entre
crianças, inserida nos quadros de análise da Sociologia da Infância. A acção da criança
será entendida como estrutural, na medida em que se analisarão os seus
constrangimentos e possibilidades, considerando os diferentes níveis de consciência.
Mas, também se considera que o ser humano, enquanto agente – ou a criança enquanto
agente – é dotado de capacidade reflexiva e consciente, em diferentes graus, da acção
que desenvolve, reconhecendo, ainda, que essa acção tem consequências intencionais ou
não intencionais, no espaçotempo
em que se desenrola. (Giddens, 1984). Na acção da
criança, os sentimentos e afectos são considerados estruturadores dessa mesma acção,
definindo a posição da criança no seu grupo de pares. As crianças são, assim,
consideradas competentes, nos seus afectos, sendo capazes de os definir e de reflectir
sobre eles e sobre a forma estes como se constituem na relação de pares. É a criança
capaz de identificar diferentes afectos? Como define a criança a amizade e o amor? Que
critérios estão na base da sua constituição? Poderseá
falar de um amor infantil?
Recorrendo a metodologias de tipo qualitativo e interpretativo e técnicas diversificadas
(observação e notas de campo, entrevistas, análise de desenhos, análise de
textos/materiais produzidos pelas crianças), este estudo desenvolveuse
com grupos de
crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 10 anos de idade, em duas salas de
um ATL., dos arredores do Porto. Serão, assim, apresentados os resultados do trabalho
realizado com as crianças