Universidade Estadual da Paraíba (UEPB): Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas
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Brasil e Argentina: Do conflito à cooperaçào nuclear
This work will focus on the following passage from the state of conflict between Brazil and Argentina for the establishment of cooperation in developing nuclear technology for peaceful purposes. For this, we will discuss the conflict in the Basin Cisplatin, the particularities of individual actions in this area of technological development, the Treaty of Tlatelolco, the characteristics of foreign policy of both countries on this issue, the placement of local elites, as well as the ways in which the consolidation of cooperation in question and finally, the creation of the Brazilian-Argentine Agency for Accounting and Control of Nuclear Materials (ABACC), of paramount importance for the progress of such cooperation.Neste trabalho que segue abordaremos a passagem do estado de conflito entre Brasil e Argentina para o estabelecimento da cooperação no âmbito do desenvolvimento de tecnologia nuclear para fins pacíficos. Para isto, trataremos do conflito na Bacia Cisplatina, as particularidades das ações individuais nesta área de desenvolvimento tecnológico; o Tratado de Tlatelolco; as características de política externa de ambos os países nesta temática; o posicionamento das elites locais, bem como os caminhos que levaram à consolidação da cooperação em questão e por fim, a criação da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC), de suma importância para o andamento desta cooperação
DESENVOLVIMENTO ENQUANTO COLONIALIDADE DO PODER, DO SABER E DO SER: UMA NÃO TÃO DISCRETA HIERARQUIZAÇÃO RACIAL DA HUMANIDAD
Thinking development as coloniality means that this concept has a function of replicate a modern model of social life while exterminate other possibilities. Then, I discuss the naturalization of development in three topics: as coloniality of power while maintaining global power relations, as coloniality of knowledge while setting which ontoepistemologies are valid and as coloniality of being while defining who the Other is through a racial hierarchization of the humankind.Pensar o desenvolvimento enquanto colonialidade significa que o conceito tem uma função de replicar um modelo moderno de vida social enquanto extermina outras possibilidades. Assim, eu discuto a naturalização do desenvolvimento em três tópicos: enquanto colonialidade do poder ao manter relações globais de poder, enquanto colonialidade do saber ao estabelecer quais ontoepistemologias são validas e enquanto colonialidade do ser ao definir o Outro através de uma hierarquização racial da humanidade
Dribles, Dança e Diplomacia: O pop sul-coreano e o basquete estadunidense como ferramentas diplomáticas para a Coreia do Norte
The article aims to present cultural diplomacy initiatives directed towards North Korea through two case studies: South Korea\u27s KPOP diplomacy and the United States\u27 basketball diplomacy. Despite these countries\u27 relations with North Korea being marked by conflicts, there is an attempt to approach them through cultural resources. The work argues that although political disagreements persist, cultural diplomacy proves capable of establishing links between countries and increasing dialogue among them.O artigo tem como objetivo central apresentar iniciativas de diplomacia cultural direcionadas para a Coreia do Norte através de dois estudos de caso: a diplomacia do KPOP, utilizada pela Coreia do Sul e a diplomacia do basquete dos Estados Unidos. Embora as relações entre esses países sejam marcadas por conflitos, existe uma tentativa de aproximação por meio dos recursos culturais. O trabalho defende que apesar das desavenças políticas permanecerem, a diplomacia cultural se mostra capaz de estabelecer vínculos entre os países e aumentar o diálogo entre eles.
 
Participação Política e Voto no Exterior: Insights da Eleição para Presidente do Brasil de 2022
The phenomenon of transnational voting is gaining traction globally, offering migrant citizens a pathway for cross-border political engagement. This article delves into the theoretical aspects of transnationalism facilitated by extraterritorial voting, juxtaposed against the territorial principle of political participation, and examines its manifestation in Brazilian electoral history. Through empirical inquiry, strive to ascertain whether the political conduct of Brazilian migrant voters in the 2022 Presidential election was shaped by their experiences in their host communities. The findings suggest a nexus between the political milieu of the host nation and electoral behaviour: countries characterized by higher levels of "egalitarianism" (indicative of substantive democracy) tended to exhibit a tendency towards supporting candidate Lula da Silva. These results support the theoretical premise of transnationalism, challenging the notion that migration inevitably severs ties with national political experiences. The experience of transnational political participation of the migrant citizen intertwines, through extraterritorial voting, practices and values of Brazil and the community of residence. O voto extraterritorial, um fenômeno em ascensão em escala global, oferece ao cidadão-eleitor migrante uma oportunidade de participação política transnacional. O artigo discute aspectos teóricos que o transnacionalismo admitido pelo voto extraterritorial implica em face do princípio territorial da participação política, bem como o desenvolvimento do instituto nas eleições do Brasil. Em uma investigação empírica, é analisado se o comportamento político do cidadão-eleitor migrante brasileiro na eleição Presidencial de 2022 foi influenciado pela experiência de vida na comunidade de residência. Os resultados sugerem uma conexão entre o regime político do país de residência e o comportamento eleitoral: países com níveis mais altos de "igualitarismo" (democracia substantiva) tenderam a favorecer o candidato Lula da Silva. O resultado reforça a expectativa teórica do transnacionalismo, segundo a qual a migração não realiza, necessariamente, uma ruptura entre as experiências políticas nacionais. A experiência de participação política transnacional do cidadão-eleitor migrante entrecruza, por meio do voto extraterritorial, práticas e valores do Brasil e da comunidade de residência. 
Editorial escrito por Cristina C. Pacheco e Augusto Wagner Menezes Teixeira Júnior
Editorial written by Cristina C. Pacheco and Augusto Wagner Menezes Teixeira Júnior on the first issue of the Journal of International Studies.Editorial escrito por Cristina C. Pacheco e Augusto Wagner Menezes Teixeira Júnior sobre o primeiro número da Revista de Estudos Internacionais
PAUL RICOEUR E A ONTOLOGIA: : UMA INTRODUÇÃO
O presente artigo trata da ontologia no pensamento de Paul Ricoeur. Mostra um modo de começar a estudo esse assunto a partir da filosofia reflexiva, da fenomenologia, da linguagem e da hermenêutica. Embora Ricoeur não tenha escrito uma obra exclusivamente sobre o problema do ser, podemos nos deparar com esse problema disperso na totalidade de sua obra. Talvez uma dispersão inevitável, haja vista seu estilo indireto de abordagem ao longo de uma extensa e sinuosa via. No entanto, mesmo assim é possível caracterizar seu pensamento ontológico, desde a conceituação de ontologia, à releitura e apropriação que ele faz de autores clássicos, ao estilo propriamente assumido para tratar essa questão. Com efeito, a extensão dessa temática (a ontologia), pode coincidir com a extensão da obra de Ricoeur. Por isso, modestamente, queremos somente apontar algumas incidências ontológicas em seu pensamento, seus traços característicos e ainda sugerir que esse pensamento é ontológico, sem prejuízo de outras características que lhes são inerentes.
DOI: https://doi.org/10.29327/2194248.6.2-1
HAUFNIENSIS E A VERDADEIRA COMPAIXÃO: REFLEXÕES PARA A CLÍNICA PSICOLÓGICA
Compassion is usually understood as a feeling of grief and sadness caused by the tragedy of others, awakening the desire to help and comfort those who suffer. In this way, compassion refers to a human value and a communal experience that combines the ability to feel what others feel, understand their suffering, and express oneself through helpful action in the situation. In the tradition of psychology, particularly in its clinical modality, the ability to feel and understand the other\u27s experience is described from the perspective of empathy, seen as a fundamental skill for establishing a helping relationship. This text aims to engage in a dialogue with the pseudonym Haufniensis in his considerations about different forms of compassion: from the interpretation of an event from the perspective of pity, which diminishes the other, to a possible perspective he calls true compassion. True compassion is characterized by a knowledge without illusions and a slow, challenging advancement in elucidating reality. Following the discussions opened by Haufniensis, it is concluded that it is possible to establish a helping relationship in clinical psychology that embodies true compassion – a disposition that patiently awaits the moment, that space and time in which it becomes possible to dissolve the opacity of meanings and clarify the totality of what is at stake, guiding senses and actions toward what is essential.A compaixão é usualmente compreendida como um sentimento de pesar e de tristeza causado pela tragédia alheia, e que desperta a vontade de ajudar e confortar quem dela padece. Desta forma, compaixão se refere a um valor humano e uma experiência comunitária que combina o poder sentir o que o outro sente, compreender seu sofrimento e expressar-se por meio de uma ação de ajuda na situação. Na tradição da Psicologia, em sua modalidade clínica, poder sentir e compreender a experiência do outro é descrito pela perspectiva da empatia, entendida como habilidade fundamental para que se estabeleça uma relação de ajuda. Esse texto pretende dialogar com o pseudônimo Haufniensis em suas considerações sobre diferentes formas de compaixão: desde a interpretação do acontecimento pela perspectiva de uma pena, que diminui o outro, até uma possível perspectiva que ele denomina verdadeira compaixão, que se caracteriza por um saber sem ilusões e que busca avançar lentamente e com bastante dificuldade na elucidação da realidade. Acompanhando as discussões abertas por Haufniensis, conclui-se que é possível estabelecer uma relação de ajuda na clínica psicológica que se constitua em uma verdadeira compaixão, uma forma de disposição que espera, junto ao outro e a si mesmo, o instante, aquele espaço e tempo em que se faz possível diluir a opacidade de sentidos e esclarecer a totalidade do que está em questão, orientando os sentidos e as ações em direção ao que é essencial.
DOI: https://doi.org/10.29327/2194248.6.1-
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E RISCOS DEMOCRÁTICOS:: O PAPEL DOS COMITÊS DE BIOÉTICA EM TEMPOS DE INFOCRACIA
The digital transformations of contemporary society make us reflect on the social control that “big techs”, Silicon Valley companies, are acquiring when it comes to obtaining information and data from users when using digital media. The information society is characterized by social relationships connected and shared in virtual environments; however, the “big tech” algorithm controls and monitors the structure of digital interactions. According to Byung-Chul Han, this period can be called “infocracy” and represents the dominance of digital media over knowledge formation and communicative interaction. Infocracy puts democratic institutions and the possibility of communication with a telos of understanding at risk because the “viral” way of disseminating information is not necessarily guided by the criterion of truth and knowledge of the Other. Faced with this context of risk for the exercise of democratic politics and communicative misunderstanding, we want to reflect on bioethical references on a new possibility of reinventing democratic participation and communicative interaction in virtual environments. The Universal Declaration on Bioethics and Human Rights raises the need to promote multidisciplinary and pluralistic dialogue to resolve ethical conflicts. Therefore, the Declaration encourages Bioethics Committees to develop activities that promote public debate and a more informed decision on sociopolitical issues.As transformações digitais da sociedade contemporânea nos fazem refletir sobre o controle social que as “big techs”, empresas do Vale do Silício, estão adquirindo ao obter informações e dados dos usuários na utilização dos meios digitais. A sociedade da informação é caracterizada pelas relações sociais conectadas e partilhadas em ambientes virtuais, no entanto, a estrutura das interações digitais está sendo controlada e monitorizada pelo algoritmo da “big tech”. Segundo Byung-Chul Han, esse período pode ser chamado de “infocracia” e representa o domínio da mídia digital sobre o processo de formação do conhecimento e interação comunicativa. A infocracia põe em risco as instituições democráticas e a possibilidade de comunicação com telos na compreensão porque a forma “viral” de divulgação da informação não é necessariamente guiada pelo critério da verdade e da compreensão do Outro. Diante deste contexto de risco para o exercício da política democrática e de incompreensão comunicativa, queremos refletir a partir de referências bioéticas sobre uma nova possibilidade de reinventar a participação democrática e a interação comunicativa em ambientes virtuais. A Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos levanta a necessidade de promover o diálogo multidisciplinar e pluralista como meio de resolver conflitos éticos. Por isso, a Declaração incentiva os Comitês de Bioética a desenvolverem atividades que promovam o debate público e uma decisão mais fundamentada sobre as questões sociopolíticas.
DOI: https://doi.org/10.29327/2194248.6.2-1