Publicações do Centro de Humanidades - UFCG (Universidade Federal de Campina Grande)
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O TRABALHO DO PROFESSOR NA ESCOLHA DO LIVRO DIDÁTICO: REVELAÇÕES DE UM DOCUMENTO OFICIAL
O presente estudo procurou investigar as representações sobre o agir docente em um texto oficial, que apresenta algumas orientações legais, norteando o processo de escolha do livro didático pelo professor. Para tal, nos ancoramos nos pressupostos do Interacionismo Sociodiscursivo sobre a relação linguagem e trabalho (cf. BRONCKART, 2008; MACHADO, 2004, 2009; SAUJAT, 2004; AMIGUES, 2004). A análise dos dados foi feita com base na semântica do agir proposta por Bronckart e Machado (2004). Os resultados evidenciaram que, no geral, há um apagamento do agir docente no documento oficial analisado uma vez que, nesse documento, o professor quase sempre é apresentado como coadjuvante no processo de escolha do livro didático
CURRÍCULO EM ESCOLAS PÚBLICAS DE PERNAMBUCO: REFLEXÕES SOBRE AS MUDANÇAS NOS SÉCULOS XIX E XX
As concepções de linguagem, língua e de ensino e aprendizagem na prática escolar estão intrinsecamente vinculadas ao seu contexto histórico e ideológico. Nesse sentido, observar as propostas curriculares, em seu processo de produção, pode nos oferecer indícios de como o ensino de Língua Portuguesa estava sendo concebido nos séculos XIX e XX nos currículos. Este estudo procurou investigar o lugar da língua portuguesa nas propostas curriculares de Pernambuco nos séculos XIX e XX. A metodologia empregada neste trabalho consistiu na análise de conteúdo e documental (BARDIN, 2007), uma vez que a preocupação central foi o de interpretar os significados expressos nos documentos oficiais, ultrapassando uma simples compreensão do real para uma sistematização mais complexa dos dados apresentados. Os resultados evidenciaram que, apesar das propostas curriculares de Pernambuco passarem por mudanças em seus princípios teóricos e metodológicos ao longo do tempo, a maioria delas concebia a linguagem como expressão de pensamento e, consequentemente, o trabalho com a língua materna estava voltado para a decifração de palavras, frases ou textos e a priorização da arte do bem escrever. Foi no final do Século XX que mudanças mais substanciais ocorreram, com a adoção de uma perspectiva funcionalista
A INFLUÊNCIA DA LÍNGUA MATERNA EM AULAS DE LÍNGUA INGLESA DE UMA ESCOLA DE IDIOMAS: UM ESTUDO DE CASO
Considerando as afirmações de Bakhtin (2006), a língua materna (LM) representa para o sujeito familiaridade, de forma que a palavra na língua nativa é vista como um irmão. A relação sujeito-LM está presente no contexto de ensino de língua estrangeira (LE), no entanto, é relevante que esse uso seja discutido. Sendo assim, este trabalho objetiva investigar a frequência do uso de LM por parte da professora de uma turma de língua inglesa de uma escola de idiomas, em Campina Grande-PB e analisar a (in)adequação desse uso. Para tanto, foram observadas e gravadas 9 aulas e utilizadas notas de campo; além de entrevista com a professora da turma. Observou-se que a LM foi utilizada nas aulas de LE, por parte da professora, no início das aulas, durante brincadeiras e durante atividades de leitura e escrita, revelando a influência da LM em sala de LE mesmo que esse uso seja negado pela professora, reforçando a afirmação de Bakhtin sobre a relação do sujeito com sua LM
O PROFESSOR DE PORTUGUÊS E OS FENÔMENOS LINGUISTICAMENTE COMPLEXOS: PRECONCEITO, INTOLERÂNCIA OU IGNORÂNCIA?
O propósito deste trabalho é investigar, por meio de práticas discursivas, as crenças e atitudes de alguns professores de português em relação a determinados fenôme- nos linguísticos frequentemente discriminados dentro e fora da sala de aula. Para tanto, foi realizada uma entrevista estruturada com três professores com o intuito de refutar e contestar algumas crenças e atitudes linguísticas imbuídas e visíveis na maior parte dos professores de língua materna. Os estudos a respeito dos fenômenos linguisticamente complexos realizados por autores como Faraco (2001), Bortoni-Ricardo (2004), Perini (2004) e Crystal (2005) subsidiam a hipótese de que tais fenômenos não são “contami- nações e pragas que contribuem para o caos linguísticos”, mas manifestações inerentes à língua. A pesquisa em questão é de cunho qualitativo/interpretativista e orientou-se no aparato teórico da Linguística Aplicada e da Sociolinguística
A INTERAÇÃO LEITOR/TEXTO NA FORMAÇÃO DA INTERTEXTUALIDADE
Este trabalho traz uma proposta de se estudar a intertextualidade em livros didáticos direcionados ao Ensino Médio. Acreditamos que boa parte dos manuais adotados em escolas de Ensino Médio trata da questão da intertextualidade, porém, não considera um fator de suma importância: a interação entre leitor e texto, deixando de lado os repertórios mentais dos alunos do Ensino Médio. Partimos da ideia de que a intertextualidade não é algo inerente ao texto, ou seja, o texto não é o suficiente para que haja a intertextualidade. Trazemos propostas para se estudar a intertextualidade de um ponto de vista interacionista
A REESCRITA DO BILHETE ORIENTADOR PELO LICENCIANDO EM LETRAS: UMA PRÁTICA REFLEXIVO-CRÍTICA NO PROCESSO DE AVALIAR TEXTOS
O bilhete orientador é considerado um gênero que possibilita o desenvolvimento de ações e atitudes produtivas ao processo de formação do professor e do aluno (SIGNO- RINI, 2006). Este trabalho objetiva refletir criticamente sobre a reescrita de bilhetes orien- tadores produzidos por licenciandos em Letras em um contexto específico de revisão de textos escritos por alunos do ensino fundamental II. Foram analisados 10 bilhetes produ- zidos e reescritos pelos licenciandos, mediados pelos bilhetes produzidos pelo formador. Os resultados revelam que a primeira versão do bilhete orientador do licenciando enfocou os aspectos microestruturais do texto, apontando-os de forma resolutiva e/ou indicativa. Já a segunda versão focalizou os aspectos macro e microestrurais, apresentando uma revisão mais interativa das dificuldades apresentadas pelos alunos