Portal de Periódicos da Universidade do Estado de Mato Grosso
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AVALIAR PARA ALÉM DOS NÚMEROS: o ensino da matemática e as disputas em torno das avaliações em larga escala
Este artigo analisa as disputas em torno do ensino de matemática no contexto das avaliações em larga escala, a partir de uma perspectiva pós-estrutural ancorada no ciclo de políticas de Stephen Ball. O estudo problematiza os impactos da racionalidade performática no cotidiano escolar, refletindo sobre as pressões, os usos e as dinâmicas que moldam as práticas pedagógicas. Em contraponto, examina-se o Sistema de Avaliação da Educação de Niterói (SAEN), concebido como experiência alternativa com foco formativo e contextualizado. A análise das entrevistas com gestores e dos documentos oficiais revela que os sentidos da avaliação são continuamente reconfigurados nos contextos escolares, ora aproximando o SAEN de sua proposta diagnóstica original, ora produzindo capturas por lógicas performativas semelhantes às avaliações nacionais. Conclui-se que avaliar para além dos números implica reconhecer que a avaliação é campo de disputa simbólica e política, cujas apropriações influenciam diretamente o trabalho docente, o ensino de matemática e as experiências escolares de estudantes e professores
UNIVERSIDADE E ESCOLA EM DIÁLOGO: a Matemática como caminho de extensão
A aproximação entre comunidade e universidade na Licenciatura em Matemática é fortalecida por projetos de extensão, como o Laboratório de Educação Matemática (LEMA), que desenvolve formações, oficinas e materiais manipulativos para escolas parceiras. Este texto tem por objetivo analisar como a extensão universitária impacta estudantes da Educação Básica, no que concerne às atitudes em relação à produção de conhecimento matemático e à presença na Universidade. É parte de um estudo maior, sendo aqui apresentada uma das ações que integra o estudo de caso sobre o impacto da extensão nos participantes de oficinas didáticas. Os resultados entrelaçam a percepção dos estudantes sobre a extensão com as perspectivas do Laboratório de Educação Matemática, evidenciando que a abordagem investigativa favoreceu a aprendizagem lúdica de conceitos matemáticos e contribuiu para a desmistificação da universidade, aproximando os estudantes desse espaço como uma possibilidade concreta de futuro
FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA INCLUSÃO DE ALUNOS SURDOS: desafios e perspectivas
O artigo analisa a formação docente no contexto da inclusão de alunos surdos no ensino fundamental. O estudo, de abordagem qualitativa e método de estudo de caso, investigou professoras da rede municipal de Sinop-MT por meio de entrevistas semiestruturadas. A análise de conteúdo revelou lacunas na formação inicial e continuada, além da necessidade de políticas públicas mais efetivas. Conclui que práticas pedagógicas inclusivas dependem da reflexão crítica e do compromisso do professor com a transformação social
FORMAÇÃO DO PEDAGOGO PARA A ATUAÇÃO EM ESPAÇOS HOSPITALARES: interdisciplinaridade, integralidade e práxis como fundamentos da pedagogia hospitalar
Este artigo analisa a formação do pedagogo para atuar em espaços hospitalares, evidenciando a relevância da interdisciplinaridade, da integralidade e da práxis pedagógica na construção de práticas humanizadas. A pesquisa qualitativa utilizou entrevistas semiestruturadas com discentes, docentes do curso de Pedagogia da UNEMAT e uma pedagoga hospitalar. A fundamentação teórica ancora-se nos estudos de Paulo Freire e José Carlos Libâneo. Os resultados revelam lacunas na formação inicial, restrita ao ambiente escolar, e confirmam a necessidade de inserir a pedagogia hospitalar nos currículos. Conclui-se que o pedagogo, ao atuar em hospitais, torna-se mediador de saberes, articulador de práticas interdisciplinares e agente de humanização
POLÍTICAS DE DIVERSIDADE LINGUÍSTICA NA UNIVERSIDADE PÚBLICA - O CASO ESPECÍFICO DA UEMA :: PARA ALÉM DO MODISMO, UMA PAUTA URGENTE.
Falar sobre políticas institucionais voltadas à diversidade linguística é reconhecer que o Brasil é linguisticamente plural desde sua origem, muito antes da invasão e colonização europeia. Essa pluralidade, que engloba centenas de línguas indígenas e uma vasta gama de variedades do português e de línguas de imigração e de comunidades tradicionais, porém, foi sistematicamente silenciada ao longo da história por políticas de homogeneização linguística que impuseram o português como língua única e legítima. Tais políticas atuaram apagando expressões, saberes e modos de dizer de inúmeros povos e comunidades, tratando a diversidade como obstáculo e não como patrimônio. Essa imposição é vista na literatura como parte intrínseca de um projeto de Estado-Nação centralizador, no qual a norma padrão da língua atua como um mecanismo de controle e exclusão social. Moita Lopes (2002), ao discutir as dinâmicas de poder na linguagem, argumenta que a língua, longe de ser um mero instrumento de comunicação, é um locus de disputa ideológica, consolidando hierarquias e marginalizando aqueles que não se enquadram na norma hegemônica. Da mesma forma, Rajagopalan (2003) ressalta a urgência de uma perspectiva indisciplinar para a Linguística Aplicada, capaz de desnaturalizar esses projetos linguísticos excludentes
HISTRIONISMO AUTORITÁRIO E POLÍTICA UBUESCA: UMA LEITURA DO ROMANCE O CORONEL SANGRADO, DE INGLÊS DE SOUSA
Trata-se de uma leitura do romance O coronel Sangrado, de Inglês de Sousa, publicado em 1877; o artigo discute o perfil de um político prepotente e vaidoso, cujas ações são voltadas para benefícios privados, com consequências danosas para o coletivo. O objetivo do texto é destacar a crítica do escritor Inglês de Sousa ao cenário político brasileiro e mostrar como as práticas danosas se consolidaram na sociedade brasileira. Em seu percurso, o texto destaca o contexto ficcional da obra para, em seguida, colocá-la em diálogo com outras obras, da literatura universal e da literatura brasileira. A visão política descortinada a partir da ação do protagonista, coronel Sangrado, personagem grotesco e incivil, permite reflexões sobre personagens da política atual, do Brasil e do mundo, movidos por uma prepotência ubuesca. O aporte teórico inclui Platão (O político), Mikhail Bakhtin (A cultura popular na Idade Média e no Renascimento), Francisco Iglésias (Trajetória política do Brasil) e Michel Foucault (Os anormais), dentre outros. Em suas considerações finais, o artigo ressalta que personagens políticos como Coronel Sangrado estão presentes na ordem social
A RESILIÊNCIA DOS SABERES TRADICIONAIS FRENTE ÀS PRESSÕES MODERNAS: TERRITORIALIDADE E IDENTIDADE EM COMUNIDADES COSTEIRAS DA AMAZÔNIA
Este artigo analisa a resiliência dos saberes tradicionais e os processos de reafirmação da territorialidade em comunidades costeiras da Amazônia, confrontados por pressões de projetos de desenvolvimento modernos. O estudo, de natureza qualitativa, baseia-se em revisão bibliográfica, análise documental de políticas públicas e revisão de conteúdo de estudos de caso. O aporte teórico fundamenta-se nos conceitos de Ecologia Política, Territorialidade e Pós-Colonialismo. Os resultados indicam que, apesar das significativas pressões externas, as comunidades desenvolvem estratégias complexas de adaptação e resistência, onde o saber local sobre os ecossistemas é essencial na manutenção da identidade cultural e na defesa do território. Conclui-se que a valorização e integração desses saberes são fundamentais para a concepção de modelos de desenvolvimento verdadeiramente sustentáveis na região amazônica, que respeitem a autonomia e os direitos dessas populações
MATEMÁTICA ELEMENTAR COMO UM SABER PROFISSIONAL: um estudo comparativo das Escolas Normais do Brasil no início do século XX
O objetivo desta investigação é caracterizar a Matemática Elementar como um saber profissional nas escolas normais, no Brasil, no início do século XX. No contexto de uma pesquisa em História da Educação Matemática, a Matemática Elementar se constitui como tema e objeto de estudo, tecido e contemplado no contexto dos cotidianos escolares. A pesquisa foi realizada por meio de uma revisão sistemática de teses e dissertações produzidas sobre as escolas normais no Brasil, permitindo identificar e analisar as prescrições curriculares e os programas de ensino de Matemática vigentes. Os principais resultados revelam que a aritmética se consolidou como um saber fundamental, presente em todas as prescrições, enquanto a álgebra e a geometria apresentaram uma distribuição mais variável e, em alguns casos, ausente. Concluímos que a Matemática Elementar presente nas escolas normais se revelou diversificada, indicando uma formação profissional com foco predominante na aritmética, o que sugere um alinhamento da matemática formadora de professores com as demandas mais imediatas do ensino primário
A PRODUÇÃO DE VÍDEO ESTUDANTIL: uma ação pedagógica na Educação Matemática com alunos do 5º ano
A pesquisa investiga como o uso da produção de vídeo estudantil pode contribuir para fomentar o ensino de Matemática, na E. M. E. F. Doutor Joaquim Assumpção. A pesquisa-ensino, de abordagem qualitativa, busca compreender como essa prática pode dinamizar o ensino, após as mudanças causadas pela pandemia. Foram utilizados questionários e observações, e a produção de vídeos pelos alunos como instrumentos de coleta. Os resultados indicam que, a prática contribui para o aprendizado, fortalece vínculos sociais e estimula valores como empatia, respeito e inclusão. Concluindo que utilizando os vídeos como instrumentos pedagógicos, com intencionalidade, dinamiza a Educação Matemática
EDUCAÇÃO MATEMÁTICA INCLUSIVA: o estado do conhecimento das pesquisas sobre o ensino de álgebra para surdos
A pesquisa, qualitativa e exploratória, objetiva apresentar o estado do conhecimento das pesquisas sobre o ensino de álgebra para surdos. Realizou-se a Análise de Conteúdo de 5 pesquisas do Banco de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de nível Superior. Evidenciou-se que o estudo sobre o ensino de álgebra para alunos surdos é incipiente no Brasil, e que os docentes necessitam de formação continuada que contemple procedimentos didáticos-metodológico direcionados ao ensino de álgebra. Concluiu-se que o ensino de álgebra para surdos impõe desafios aos professores e revela-se como um campo fértil para investigações educacionais