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    CASSIANO RICARDO E AS MEMÓRIAS DE PEQUENOS NADAS

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    Reflexão sobre a obra Viagem no tempo e no espaço (1970), de Cassiano Ricardo (1895-1974), com o intuito de verificar, em sua urdidura, tanto as marcas próprias do gênero memórias, quanto o seu lugar dentre a tradição memorialista brasileira. Utiliza-se, para tanto, o aparato teórico de Maciel (2019), Manguel (2017) e Sibilia (2008). Ao fixar o passado como uma jornada própria impregnada de minúcias históricas, Cassiano Ricardo promove um pouso seguro no verificável, ainda que singularizado pela metáfora da viagem epor subverter as linhas temporais dos acontecimentos apresentados.&nbsp

    PÁGINAS INICIAIS

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    Páginas iniciais

    EXCLUSÃO SOCIAL, MEMÓRIA E RESISTÊNCIA: MANIFESTAÇÕES DA MORTE EM DE ONDE ELES VÊM, DE JEFERSON TENÓRIO

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    Este artigo analisa a manifestação da morte no romance De onde eles vêm (2024), de Jeferson Tenório, explorando como ela adquire sentidos simbólicos e sociais dentro da narrativa. Busca-se demonstrar que a morte transcende o âmbito do fim biológico, configurando-se como memória, experiência cotidiana da exclusão social e, metaforicamente, apagamento e resistência. A trajetória do protagonista, Joaquim, um jovem negro e periférico, é marcada por perdas familiares, dificuldades econômicas, preconceito no ambiente acadêmico e violência urbana. Essas situações são interpretadas como formas de morte simbólica, caracterizadas pela negação de dignidade e pela limitação de oportunidades. A literatura e a memória ancestral são identificadas como forças de resistência diante dessas adversidades. O estudo conclui que, na literatura afro-brasileira contemporânea, a morte pode ser compreendida para além da ideia de término, configurando-se como elemento de denúncia, memória e impulso para a sobrevivência e a afirmação identitária. Para a análise, foram utilizadas contribuições teóricas de autores como Philippe Ariès (2017), Zygmunt Bauman (2008), Walter Benjamin (1994), Paul Ricoeur (2007) e José Carlos Rodrigues (2006), entre outros

    A VARIAÇÃO SOCIAL SOB O OLHAR DOS FALANTES PEDREIRENSES

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    A Sociolinguística é uma área de estudos que surge em confronto aos estudos estruturalistas saussurianos, principalmente ao conceber que a língua não é um sistema autônomo e intocável. A presente pesquisa surgiu do interesse de contribuir para o acervo acadêmico da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Campus de Pedreiras, visto que essa temática ainda possui poucas pesquisas que problematizam a diversidade linguística local, mesmo a região fazendo parte tanto da Amazônia legal maranhense. Diante disso, levantou-se a seguinte problemática: como os falantes pedreirenses reconhecem as variações sociais? Desse modo, selecionou-se um quadro de expressões e gírias como palavras utilizadas em contextos socio discursivos coletados na internet. O objetivo geral deste estudo é analisar os fatores que influenciam as percepções dos falantes sobre as variações sociais da língua. Para alcançar esse propósito, buscou-se explorar os estereótipos linguísticos associados à variedade social em questão por meio do discurso direto coletado, assim como comparar as percepções de diferentes grupos sociais sobre as expressões postas em análise; e por fim gerar gráficos que proporcionem uma visão quantitativa e qualitativa sobre o fenômeno estudado. Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica e de campo, situada na perspectiva da Sociolinguística Variacionista, adotando abordagens qualitativa e quantitativa. Para tanto, fundamentamos a investigação em estudos de Labov (2008), Bagno (1999) e Saussure (2006). Por fim, nossas análises permitiram compreender que os falantes pedreirenses atribuem as variações sociais principalmente aos jovens, associadas predominantemente ao sexo masculino, percepção essa motivada pelo preconceito linguístico em relação a linguagem dos jovens

    LITERATURA E EJAI: EXPERIÊNCIA DE DIÁLOGOS COM MÚLTIPLOS FALARES E FAZERES

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    O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de um local é sustentado por um cálculo pautado em três importantes pilares – saúde, educação e renda – e, segundo o censo de 2010 (http://www.ibge.gov.br/home/) realizado pelo IBGE, os dados obtidos no estado do Maranhão foram calculados, juntamente com os outros estados brasileiros, e notou-se que ocupa uma das posições mais baixas do país. Unindo, assim, a prerrogativa legal apresentada à necessidade de diminuir os baixos indicativos da cidade maranhense de Aldeias Altas para números mais aceitáveis, se configurou emergencial a implementação de ações que contribuíssem para supri-la, o que evidenciou a relevância da nossa proposta intervencionista, uma vez que seus procedimentos estiveram pautados na utilização da literatura como estratégia capaz de favorecer a interação entre os envolvidos no processo de aprendizagem e atender seus objetivos explícitos e implícitos (Schwartz, 2012). Elegeu-se como principal objetivo promover a construção de espaços formativos que contribuíssem para o processo de reflexão sobre a importância dos atos de leitura, escrita e expressividade oral como prática social

    O ENSINO DE ESTATÍSTICA POR MEIO DE UM DOCUMENTO HISTÓRICO: possibilidades para a promoção de uma educação matemática crítica

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    Este trabalho tem o objetivo de propor sequência didática para o ensino de Estatística no Ensino Fundamental, fundamentada na Educação Matemática Crítica e na Teoria das Situações Didáticas. A metodologia da Engenharia Didática fundamenta o desenvolvimento, de caráter descritivo-documental. A sequência é organizada em quatro fases: contextualização histórica da estatística no Brasil Imperial; familiarização de documento histórico; análise comparativa de dados do documento; e tratamento estatístico, com cálculo de média, mediana e amplitude, seguido de roda de conversa para refletir sobre os significados sociais. A proposta permite desconstruir a ideia de que os dados são neutros ou objetivos, promovendo o entendimento de que a estatística também pode ser usada para legitimar posições e decisões políticas

    DISLEXIA: dificuldades no processo de aprendizagem

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    A pesquisa teve como objetivo investigar as principais barreiras enfrentadas por alunos com diagnóstico de dislexia nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Pautou-se na metodologia qualitativa aplicada em uma escola pública da Rede Municipal de Sinop‑MT, por meio da entrevista semiestruturada com três docentes que atendem diretamente esses alunos. Para a fundamentação teórica, dialogamos com Giselli Massi; Henrique Marques Dourado Mendes; Jean Carlos Soares; Luciana Brites; Magda Cristina dos Santos; Natalia Neves Macedo Deimling e Nilza Roque Sobrinho. Os resultados revelam dificuldades na leitura e na escrita, no processamento de informações, falhas de memória de trabalho e baixa compreensão textual. Conclui‑se que conhecer os sinais da dislexia ainda nos primeiros anos de escolarização possibilita a articulação de intervenções multidisciplinares baseadas em evidências, como ensino fônico sistemático e abordagens multissensoriais, reduzindo o risco de fracasso escolar e exclusão social

    ENSINO DE MATEMÁTICA E COTIDIANOS ESCOLARES: mediações didáticas, saberes socioculturais e justiça curricular

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    A edição se inicia com o Ensaio, intitulado "Ensino de matemática e cotidianos escolares: mediações didáticas, saberes socioculturais e justiça curricular ", de autoria de Thiago Beirigo Lopes, no qual o autor delimita, neste texto, uma abordagem voltada às relações entre saberes escolares e saberes do cotidiano, às formas de contextualização e às mediações docentes que buscam articular práticas socioculturais e formalização matemática, sem reduzir o cotidiano a mera aplicação ou a exemplos de motivação. O foco recai sobre situações típicas da educação básica e, quando pertinente, sobre especificidades da Educação de Jovens e Adultos, em que experiências de trabalho e vida comunitária frequentemente compõem repertórios matemáticos próprios. O objetivo geral consistiu em discutir de que maneira os cotidianos escolares podem contribuir para a aprendizagem matemática, ao mesmo tempo em que se preserva a densidade conceitual e o rigor da produção escolar do conhecimento

    RITOS DE PASSAGEM EM VIDAS SECAS, DE GRACILIANO RAMOS

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    O romance Vidas secas (1938), de Graciliano Ramos, retrata a trajetória de uma família de retirantes nordestinos marcada pela seca, pobreza e luta pela sobrevivência. A narrativa, aparentemente linear, revela profundos deslocamentos simbólicos que podem ser lidos à luz dos ritos de passagem de Arnold Van Gennep (2011): a separação ocorre no abandono da terra árida, a margem se manifesta na travessia pela caatinga e na vida precária, e a agregação se projeta no desejo de estabilidade, como no sonho de Sinhá Vitória com uma cama de couro. Contudo, o ciclo ritual permanece inacabado, interrompido pela aridez social e natural

    SUBJETIVIDADE E ESCRITA ACADÊMICA: O PAPEL DA LITERATURA NA FORMAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS

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    Neste estudo, problematiza-se a escrita acadêmica no ensino superior, marcada pela valorização de gêneros consagrados cientificamente e pela dificuldade de expressão singular dos discentes. Busca-se investigar a inserção da leitura de obras literárias no currículo de língua portuguesa, voltado a estudantes de psicologia de uma instituição privada, questionando se tal prática pode influenciar a produção escrita, promovendo autonomia e favorecendo a manifestação de subjetividades. Para tanto, propôs-se a leitura de textos de Clarice Lispector, associada à produção de escritos que refletissem sobre a apropriação do gênero literário pelos participantes. Foram analisados qualitativamente dezessete relatos, à luz de teóricos como Candido (2011), Bosi (2000) e Todorov (2009). Os resultados apontam que a leitura favoreceu a autonomia dos estudantes, constatada pela diversidade de produções — músicas, poemas, contos, cartas — que permitiram reflexões menos engessadas sobre a escrita e suas convenções acadêmicas, além de práticas de intertextualidade e citação. Identificaram-se, ainda, indícios de singularidade, tais como liberdade estética e formal, articulação das leituras às experiências pessoais, reflexões sobre o ato de ler e manifestações da escrita de si. Esses achados reforçam as concepções de Candido (2011) sobre o papel humanizador da literatura e dialogam com Geraldi (1993), que discorre que a ausência de uma concepção significativa de linguagem limita a produção textual discente. Conclui-se que a inclusão da literatura nos currículos de graduação pode ampliar os espaços para a manifestação da subjetividade, criatividade e autoria, contribuindo para a formação de estudantes mais humanos, críticos e expressivos

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