Portal de Periódicos da Universidade do Estado de Mato Grosso
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SENHORA, DE JOSÉ DE ALENCAR: ENTRE O AMOR E POLÍTICA
O presente artigo analisa o romance Senhora, de José de Alencar, sob a perspectiva das tensões políticas e sociais do Brasil no século XIX. Ao explorar a relação entre os protagonistas Aurélia e Fernando, interpreta-se a obra como uma alegoria das contradições enfrentadas pela sociedade brasileira durante a transição entre o regime monárquico e a ascensão das ideologias republicanas. Por meio do enredo, o escritor expõe a permanência das estruturas hierárquicas e patriarcais, ao mesmo tempo em que critica as restrições impostas às liberdades pessoais e sociais, refletindo a realidade histórica marcada pela continuidade da escravidão e pela forte influência do legado colonial. Destaca-se também o papel do casamento como transação econômica e social, evidenciando a subordinação feminina e a busca da protagonista pela autonomia em um contexto opressor. Além disso, o romance é abordado como um reflexo do conservadorismo político do autor, defensor da monarquia, que utiliza a ficção como espaço privilegiado para expressar suas convicções ideológicas. Por fim, Senhora revela-se não somente como uma narrativa sobre amor e vingança, mas também como uma contundente crítica às contradições de uma sociedade em transformação, ainda profundamente marcada pelo autoritarismo e pela desigualdade social, evidenciando, assim, a habilidade do romancista em retratar literariamente os dilemas sociais e políticos de seu tempo, bem como em destacar a complexidade e as ambivalências características do Brasil oitocentista
A HORA DA ESTRELA, DE CLARICE LISPECTOR: UMA PROPOSTA DIDÁTICA A PARTIR DA SEMIÓTICA DISCURSIVA
Neste artigo, analisamos como as práticas pedagógicas de letramento literário, voltadas para uma perspectiva pragmática e presentes no Caderno Pedagógico da Secretaria de Estado da Educação do Maranhão (SEDUC/MA), relegam o texto literário a um plano secundário ao priorizar apenas o estudo do gênero textual. Com isso, essa abordagem instrumentaliza o ensino da literatura e acaba por apagar a centralidade do texto literário nas salas de aula, uma vez que prioriza a preparação dos alunos para avaliações padronizadas em detrimento de uma leitura mais aprofundada das obras literárias. Nessa direção, objetivamos partir da análise de uma proposta de atividade desenvolvida no Caderno a fim de propormos uma abordagem alternativa. Nossa proposta, portanto, visa (re)centralizar o texto literário por meio da obra A Hora da Estrela, de Clarice Lispector — utilizada na atividade em foco —, apresentando uma abordagem que valorize a subjetividade do aluno e favoreça múltiplas leituras e interpretações. Para a análise da obra e da proposta de atividade, mobilizamos a Semiótica Discursiva, teoria da significação desenvolvida por Greimas; Courtés (2016), por sua atenção aos modos como os sentidos são construídos no interior do texto e pelos sujeitos. Além desses autores, recorremos também a estudiosos que aprofundam essa abordagem teórica, como Bertrand (2003), Barros (2005) e Fiorin (1990; 2004). Nessa direção, centramos nossa atenção, especialmente, nos conceitos de tematização e figurativização, da Semiótica Discursiva, compreendidos como processos semânticos que integram a construção do percurso gerativo de sentido. A partir dessa abordagem, sugerimos estratégias que permitam ao estudante construir significados a partir de sua vivência e de sua interação com o texto
A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NOS CONTOS “ VOCÊ VAI VOLTAR PRA MIM” E “SOBRE A NATUREZA DO HOMEM”, DE BERNARDO KUCINSKI
Discutir e refletir sobre violência se torna cada vez mais importante, principalmente violência contra as mulheres, portando o presente trabalho analisa dois contos de Bernardo Kucinski, que estão presentes na coletânea de contos Você vai voltar pra mim (2014), intitulados como “Sobre a natureza do homem” e “Você vai voltar pra mim”, nos quais ambas as personagens são femininas e sofrem de violência em meio ao período ditatorial brasileiro. O artigo tem como objetivo analisar as nuances dessas violências a partir de alguns pensamentos críticos e teóricos, tais como As formas de violência (2011) de Xavier Crettiez, “O narrador na literatura brasileira contemporânea” (2012) de Jaime Ginzburg e A dominação masculina (2012) de Pierre Bourdieu. Com o objetivo de analisar e discutir como e de que forma a violência se consolida nos contos mencionados acima
NASCIDAS NO TEMPO DA MALDADE: A VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS RETRATADA NOS CONTOS DE PERRAULT, IRMÃOS GRIMM E ANDERSEN
Esta pesquisa teve o objetivo de analisar historicamente a violência contra crianças retratada nos contos O Pequeno Polegar, de Perrault, João e Maria, dos irmãos Grimm, e A Pequena Vendedora de Fósforos, de Andersen. Para tanto, o presente estudo dispôs da pesquisa bibliográfica como técnica de coleta de dados. Estes encontram-se dispostos em obras literárias, obras de divulgação e artigos de periódicos científicos. O primeiro grupo é constituído por Andersen (2012), Grimm & Grimm (2020) e Perrault (2017); o segundo por Ariès (1986), Coelho (1985; 2000), Coelho, Lindner & Silva (2014), Darnton (1988), Minayo (2006), Müller (2007) e Tatar (2003); e o terceiro por Hermida (2020) e Reis (2005). Os últimos dois grupos constituem, ainda, o nosso referencial de base. Os resultados da pesquisa destacam o abandono, o infanticídio, os castigos físicos e o trabalho infantil, vistos em O Pequeno Polegar, João e Maria e A Pequena Vendedora de Fósforos, como formas de violência sofridas por crianças nascidas na Europa no período de publicação dos contos, o que decorreu entre os séculos XVII e XIX. Tal catalogação possibilitou a conclusão de que a violência infantil retratada nos contos, apesar de ter sofrido amenizações em decorrência da propagação do sentimento da infância a partir do século XVIII, fazia-se presente, especialmente, nas infâncias reais das classes inferiores da sociedade europeia dos séculos XVII, XVIII e XIX
INTERMIDIALIDADE NA PRODUÇÃO LITERÁRIA PARA CRIANÇAS E JOVENS: UMA PROPOSTA DE ENSINO A PARTIR DA OBRA A FLAUTA MÁGICA
A apreciação musical crítica realizada através da literatura desempenha um papel importante na formação das crianças e jovens, uma vez que, ao abarcar aspectos interdisciplinares, auxilia no desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Com o avanço das novas tecnologias, a interseção entre música e literatura enriqueceu as vivências pedagógicas, fomentando uma compreensão mais profunda da arte. Abordaremos o diálogo entre música e literatura, afim de propor uma atividade didática em sala de aula, a partir das relações intermidiáticas tecidas na obra: A flauta mágica, adaptada por Lee Mi Oak (2012), ilustrada por Edmme Cannard e traduzida por Heloisa Prieto. Esta obra integra a coleção Música clássica em cena, da editora FTD, cujo objetivo é apresentar ao público jovem, narrativas de libretos significativos vistos como clássicos no universo musical. Será realizada uma investigação com pressupostos da pesquisa qualitativa a luz do viés interpretativista. Para fundamentar o estudo, foram consideradas contribuições de autore(a)s como: Schafer (1991), Loureiro (2003), Clüver (2006), Diniz (2012), Moreira e Ferraz (2023) entre outro(a)s. A confluência entre música e literatura se transformou em um terreno propício para inovação e educação. Ao utilizar recursos interativos, ensejamos ampliar as práticas pedagógicas, estimular a imaginação dos jovens e valorizar os elementos intermidiáticos presentes na obra
EXPEDIENTE
Expediente, vol. 18, nº. 53. Dossiê "A literatura infantil e juvenil em novos contextos para novos leitores"
POR ABORDAGENS MENOS CONSENSUAIS: UM EXERCÍCIO CARTOGRÁFICO POR OUTROS MAPAS E POSSIBILIDADES NARRATIVAS NO JORNALISMO CULTURAL DE MT
O presente texto consiste na adaptação de um breve ensaio que foi apresentado durante o I Ciclo de Palestras: Perspectivas no estudo em periódicos, que foi realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da Universidade do Estado de Mato Grosso – PPGEL/Unemat, no ano de 2021. O objetivo é apresentar outras possibilidades jornalísticas para a cobertura especializada de acontecimentos, personagens e lugares da Cultura Popular, a partir do método cartográfico. As constatações e análises devem apontar para a urgência de roteiros mais alternativos para jornalistas culturais no contexto geográfico do interior de Mato Grosso. Trata-se de um trabalho interdisciplinar, com ênfase nas intersecções possíveis entre os Estudos de Jornalismo e do Cotidiano, cujas ressonâncias nos permitem traçar algumas aproximações com a tradição dos estudos literários sobre periódicos de Mato Grosso
A REVISTA LITERÁRIA PIXÉ NO PANORAMA DE PERIÓDICOS MATO-GROSSENSES
A Revista Literária Pixé é um periódico eletrônico com sede na capital do Estado de Mato Grosso, Cuiabá e teve sua primeira edição publicada em março de 2019 e a última em maio de 2023, totalizando cinquenta e três edições publicadas ao longo de, aproximadamente, cinco anos. Este artigo, resultado da dissertação de mestrado sobre os editoriais da Pixé, tem como intuito apresentar o panorama de alguns periódicos literários mato-grossenses, partindo do século XX até chegarmos no final da primeira década do século XXI, com a publicação da Revista Literária Pixé. Após este movimento elucidaremos alguns pontos relevantes sobre este periódico, como sua diagramação e projeto visual, o fato de ser uma revista independente, seu suporte digital, sua periodicidadee ser um espaço para difusão da produção artístico-literária contemporânea, enquanto órgão de publicação coletiva
O IMPACTO DAS LITERATURAS DE MARGENS CENSURADAS, A PARTIR DA ÓTICA DA IMPRENSA BRASILEIRA
A discussão sobre a conexão entre literatura e imprensa tem cada vez mais ganhado espaço nos estudos acadêmicos. Na presente pesquisa, objetivamos investigar de que forma a imprensa brasileira abordou as literaturas de margens censuradas entre os anos de 2019 e 2024. Assim, relacionamos as discussões em torno das literaturas de margens e o modo como a imprensa brasileira propõe diálogos sobre a censura dessas obras. Este estudo é uma revisão bibliográfica de artigos publicados em jornais eletrônicos brasileiros – tais como G1, Folha de São Paulo, IstoÉ, O Globo, Ecoa Uol e Porvir – que noticiaram a censura de obras literárias. Para tanto, foram utilizadas autorias que abordaram temas que circulam literaturas de margens, imprensa e vida social, como por exemplo, Terry Eagleton (2006), Regina Dalcastagnè (2012), Ronaldo Soares Farias (2019) e Michel Foucault (1988), dentre outras. A partir dos dados coletados, foi constatado que a imprensa brasileira aborda de formas diferentes as notícias acerca das censuras, podendo ter tanto abordagens pedagógicas, quanto imparciais, críticas e formadoras de opinião