Portal de Periódicos da Universidade do Estado de Mato Grosso
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O ALMANAQUE LEÃOZITO E O SOFTWARE PRIMUS: estratégias didáticas para o ensino de números primos
O objetivo deste artigo é compartilhar dois materiais didáticos para o ensino de números primos o almanaque Leãozito e o software Primus e oferecer um panorama sobre as pesquisas desenvolvidas na Educação Básica. Os materiais foram aplicados em turmas do Ensino Médio. A pesquisa adotou uma metodologia mista, combinando observações e registros qualitativos com uma análise quantitativa baseada em estatística descritiva, aplicada a 143 alunos, a qual indicou elevada aceitação dos materiais, com média de 7,88 e taxa de recomendação de 96,5%. Conclui-se que o uso desses materiais contribui para o engajamento dos estudantes e compreensão dos números primos
O USO DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS NO ENSINO DE MATEMÁTICA PARA ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA VISUAL: uma metanálise
Esse estudo tem como objetivo sintetizar, por meio de uma metanálise, os efeitos das tecnologias assistivas no ensino de matemática para estudantes com deficiência visual. A presente metanálise foi realizada com base no protocolo Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) 2020. Foram analisados oito estudos empíricos (2016–2025), revelando efeitos positivos no desempenho matemático, especialmente em compreensão, resolução de problemas e engajamento. Tecnologias como aplicativos acessíveis, materiais táteis e softwares de leitura destacaram-se. Fatores como mediação docente e acessibilidade também influenciaram os resultados. A análise qualitativa realizada no estudo evidenciou percepções, estratégias e desafios no ensino de matemática para estudantes com deficiência visual. Conclui-se que as tecnologias assistivas promovem aprendizagem, inclusão e autonomia dos estudantes com deficiência visual
USO DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS NO ENSINO SUPERIOR: uma percepção acerca dos acadêmicos com deficiência visual no campus de Sinop
O artigo analisa a contribuição das Tecnologias Assistivas para a inclusão de estudantes com deficiência visual no ensino superior. A pesquisa, de abordagem qualitativa e caráter exploratório, utiliza entrevistas semiestruturadas e questionários aplicados a acadêmicos da Universidade do Estado de Mato Grosso. O estudo fundamenta-se nas concepções de Danielle da Silva, Luciana de Lima, Robson Loureiro, Gerusa Lourenço, Enicéia Gonçalves Mendes, Mônica Kassar, Teófilo Galvão Filho, Wanessa Borges e Dulcéria Tartuci. Os resultados indicam que o uso de leitores de tela, ampliadores de fonte e aplicativos acessíveis favorece a autonomia, embora persistam desafios formativos e institucionais para uma inclusão efetiva
DIREITO À EDUCAÇÃO E A EFETIVIDADE DA LEI Nº 13.716/2018 EM SINOP/MT
Este trabalho tem como objetivo analisar a efetividade da Lei nº 13.716/2018, que assegura o direito ao atendimento educacional ao aluno da educação básica internado para tratamento de saúde em regime hospitalar ou domiciliar por tempo prolongado. Utilizou-se uma abordagem qualitativa e narrativa, com a aplicabilidade de entrevistas, questionários e observações com professores, coordenadores e familiares de alunos atendidos ou não atendidos em escolas públicas de Sinop/MT. A pesquisa fundamenta-se nos princípios constitucionais do direito à educação, dialogando com os autores Paulo Freire, Minayo, Maria Teresa Mantoan. Immanuel Kant entre outros. Os dados apontam desafios como falta de conhecimento da legislação por parte das famílias, escassez de recursos e burocracias institucionais. A pesquisa conclui que, embora existam lacunas na execução da lei, o atendimento domiciliar representa um instrumento poderoso de inclusão, desde que amparado por ações articuladas e humanizadas entre escola, família e órgãos públicos
OFICINA DE LITERATURA E CINEMA NO PROJETO UNIVERSIDADE ABERTA (PUA) COMO INCENTIVO À FORMAÇÃO DE NOVOS LEITORES
O presente artigo tem como objetivo apresentar uma reflexão sobre a realização de uma oficina voltada para o estudo articulado de cinema de autor e literatura, desenvolvida com estudantes do Cursinho Pré-Vestibular do Projeto Universidade Aberta (PUA), na Universidade Federal do Pará. A proposta visou incentivar a formação de novos leitores, aproximando os participantes de manifestações artísticas que fogem à lógica da indústria cultural de massa. A atividade buscou estimular a fruição estética e o senso crítico dos estudantes por meio da leitura de trecho da obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e da exibição de sua adaptação cinematográfica, dirigida por Nelson Pereira dos Santos. A análise das experiências vivenciadas na oficina revelou o potencial do cinema e da literatura como ferramentas educativas eficazes para ampliar o repertório cultural e artístico dos jovens, promovendo práticas de letramento literário e audiovisual.
A POESIA DE PEDRO TIERRA: TEMPO, MEMÓRIA E RESISTÊNCIA
O presente artigo tem como objetivo debruçar-se sobre a poesia de Pedro Tierra, pseudônimo de Hamilton Pereira da Silva. Tendo sido encarcerado entre 1972 e 1977 pelo regime ditatorial brasileiro, Hamilton encontrou na poesia uma forma de resistência e também de registro das torturas sofridas por ele e outros que se opuseram ao regime de exceção. Em nosso artigo, explora-se a presença de imagens referentes ao tempo, tomando como corpus os textos constantes em Poemas do povo da noite, textos estes que foram escritos clandestinamente na prisão e contrabandeados para fora dos porões do DOI-CODI e do DOPS. Busca-se demonstrar como a recorrência ao tempo em seus poemas serve de mecanismo para a manutenção da memória dos anos de chumbo. Conceituaremos tal relação entre tempo e memória a partir dos estudos de Jacques Le Goff, o qual estabelece que a história, enquanto sucessão de acontecimentos definidores do social, encontra-se intimamente ligada à memória, tanto a coletiva quanto a individual. Dada a escassez de artigos sobre a obra de Pedro Tierra, a fortuna crítica utilizada primariamente é composta por textos constantes no que parece a edição definitiva do livro enfocado (2010), escritos por nomes como Pedro Maria Casaldáliga, Ettore Masina, Tristão de Athayde, etc., além dos prefácios de outras obras escritos por Hermann Schulz (A palavra contra o muro) e Alberto Pucheu (Poemas para exumar a história viva)
O KIMBUNDU: A Diversidade Linguística na Província do Bengo-Angola
O presente estudo visa apresentar e discutir as diversidades linguísticas na província do Bengo com maior destaque às línguas faladas, à importância cultural e aos desafios e oportunidades no ensino de língua portuguesa pelos professores da escola do ensino primário do Bairro Kissoma, município do Dande. O trabalho situa-se na sequência do silenciamento das línguas de Angola na perspectiva de Matos (1926), CRA (2010), as Leis 17/16 de 7 de outubro e 32/20 de 12 de agosto. Estes três últimos documentos oficializam o português como língua veicular de comunicação e de ensino em todo o país. Adotou-se uma abordagem qualitativa do tipo descritiva com a análise textual discursiva. Os resultados apontam que as diversidades das línguas de Angola influenciaram o português de Portugal com termos e expressões que vêm do Kimbundu-Umbundu dando a formação de outros vocábulos tais como: (Kota) – o que significa irmão mais velho ou simplesmente mais velho em termos etários; Kikongu. Makongo e Mambos – o que quer dizer meus pertences, minhas coisas ou situações); (Kumbu, faz me rir, Kitadi para dizer dinheiro) esposa- o que significa conjunge, companheira diz-se mboa, minha canuca ou minha fofa
MANOLITO GAFOTAS, MOLA, MOLA MUCHO, MOLA UN PEGOTE: A SOBREVIDA DO PERSONAGEM E AS DIFERENTES MÍDIAS EM QUE TRAFEGA A OBRA DE ELVIRA LINDO
Neste artigo, apresentaremos um estudo que tem como objetivo analisar a sobrevida do personagem Manolito Gafotas e a intermidialidade presente na criação da obra homônima de Elvira Lindo. O personagem foi criado para vinhetas radiofônicas, nas quais monólogos com vozes caricaturescas preenchiam os espaços vagos na programação diária da emissora em que a autora trabalhava. Anos mais tarde, a autora resgata o personagem que havia se tornado um sucesso de audiência, para adaptá-lo à literatura. O primeiro livro Manolito Gafotas foi traduzido para mais de vinte idiomas, e o sucesso de vendas possibilitou o surgimento de uma série de livros. A característica mais marcante do personagem, independentemente da mídia em que apareça, é justamente o humor, repleto de percepções muito peculiares, permitindo abordar temas de contexto social a partir de um ponto de vista infantil. Ao mesmo tempo, a narrativa eleva questões pertinentes ao segmento da classe trabalhadora espanhola, tanto nos anos em que a obra foi transmitida pela rádio e adaptada para a forma literária, como na adaptação cinematográfica. A metodologia utilizada é a análise sociológica com ênfase nas vertentes do objeto de estudo
DELÍRIO E DECOMPOSIÇÃO EM MORTE A CRÉDITO DE L.-F. CÉLINE: A LENDA DO REI KROGOLD COMO IDEAL PERDIDO
O artigo analisa o romance Morte a crédito (1936), de Louis-Ferdinand Céline, como o ponto em que o autor radicaliza a ruptura iniciada em Viagem ao fim da noite (1932), transformando o delírio em princípio formal da escrita. A partir da declaração de Céline de querer “elevar todo o tom ao plano do delírio”, o estudo mostra que o romance abandona a linearidade e a coerência narrativa em favor de uma sintaxe fragmentada, marcada por ritmo convulsivo e pela contaminação do lírico pelo grotesco. A infância disfuncional de Ferdinand revela-se o laboratório da degradação física e moral, onde o sublime e o abjeto coexistem: urina, vômito e sangue são tratados como matéria poética. Nesse universo em decomposição, a lenda do rei Krogold irrompe como resíduo mítico e ideal perdido. Sua presença, dissonante e anacrônica, introduz um vestígio de ordem e transcendência num mundo governado pela ruína. O artigo interpreta Krogold como projeção de um desejo de beleza e justiça que o narrador já não pode viver – um eco do sublime corroído pela linguagem e pelo corpo. Assim, Céline constrói uma poética do delírio e da decomposição, em que a verdade só pode ser enunciada através da ruína da forma e da matéria verbal. O delírio se converte em lucidez e a morte em ritmo constitutivo da escrita, revelando o impasse entre o ideal e a decomposição que estrutura toda a obra
MESTRE DOS BATUQUES: FALSO ROMANCE HISTÓRICO DE JOSÉ EDUARDO AGUALUSA
A obra literária, Mestre dos batuques, é uma narrativa esculpida no gênero romance, de autoria do escritor angolano José Eduardo Agualusa. Corresponde ao mais recente livro literário publicado por esse premiado autor e foi anunciada entre as obras finalistas, na modalidade prosa, do badalado Prêmio Oceanos, em sua edição de 2025. Narrativa fictícia, centrada numa história de amor entre o protagonista, o sargento Jan Pinto – homem branco mestiço, filho de pai português e mãe angolana – e sua amada, Lucrécia – mulher de epiderme negra, também proveniente da mestiçagem – para narrar, nos primeiros anos do século XX, aventuras e desventuras, borradas de amor, traição, tirania, preconceitos, reviravoltas, redenção e luta por liberdade, em torno de um acontecimento histórico, central na diegese, que nucleia, atrai e dilata a gama de peripécias espalhadas pelos inúmeros episódios que compõem a estrutura de sua partitura romanesca: a Revolta do Bailundo (1902-1904)