Revista Educação em Debate (Faculdade de Educação - FACED da Universidade Federal do Ceará - UFC)
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NOVAS PRÁTICAS DE LEITURA EM LÍNGUA PORTUGUESA:: APRECIAÇÃO E RÉPLICA COMO DESENVOLVIMENTO DA HABILIDADE SOCIOCOGNITIVA
A abordagem sociocognitiva é uma ferramenta proposta pelos estudos contemporâneos da linguagem, cuja importância é tanta para a Língua Portuguesa que sequer cogitamos a hipótese de ela não fazer parte das aulas nos dias atuais. Por isso, nosso objetivo é detalhar como desenvolvemos e aplicamos um plano de aula para ser trabalhado remotamente numa escola da rede pública local. Em nossa pesquisa, cuidamos de fazer uma reflexão sobre a importância do estudo das novas práticas de linguagem na Língua Portuguesa e como elas podem definir a vida durante e depois da escola. Durante a atividade pesquisada exercemos também nosso papel crítico, momento em que observamos qual o perfil de leitura dos alunos, o que nos possibilitou a elaboração de uma regência docente que contribuísse para o desenvolvimento das habilidades e competências necessárias para uma prática de leitura crítico-reflexiva dentro e fora da escola. No nosso trabalho, tivemos a preocupação de investigar e compreender como se dá o processo de formação do leitor e qual a posição que o professor deve ocupar na sala de aula, dadas as peculiaridades do ambiente investigado e as condições socioeconômicas dos alunos
HETEROGENEIDADE EM SALA DE AULA: PERSPECTIVAS E DESAFIOS NO TRABALHO COM AGRUPAMENTOS PRODUTIVOS
Através de uma análise bibliográfica, este estudo apresenta notáveis perspectivas de uma prática pedagógica que utilize, como ferramenta, os agrupamentos produtivos para lidar com a heterogeneidade em sala de aula, vislumbrando essa heterogeneidade como uma oportunidade potente na construção de conhecimento. Partindo da reflexão sobre heterogeneidade e benefícios do trabalho colaborativo, este artigo propicia uma reflexão sobre o desenvolvimento da habilidade de trabalhar em grupo, do papel no professor no uso dessa ferramenta e dos possíveis desafios para a implantação dessa forma de trabalho no cotidiano escolar. Reflete ainda, sobre como avaliar e como planejar o trabalho com agrupamentos produtivos para superação de dificuldades de aprendizagem
QUEBRANDO AMARRAS: DISCURSOS DE RUPTURA E CONTINUIDADE NO PROCESSO CONSTITUTIVO IDENTITÁRIO DA MULHER NEGRA
A produção partiu de inquietações postuladas a partir da leitura da obra “Cartas para Minha Avó” (Ribeiro, 2021). Nesta, a autora Djamila Ribeiro, considerada uma das vozes de destaque no ativismo negro no Brasil, fez um revisitar a sua infância e adolescência, por meio de textos dedicados a Vó materna Antônia. Investigamos discursos de ruptura e continuidade que se reverberaram em seu processo constitutivo identitário enquanto mulher negra. A base teórica advém da área de Estudos da Linguagem com foco na Análise do discurso de linha francesa (Pêcheux, 1995 e Orlandi, 1999, 2007, 2012), fazendo um entrelace com discussões sobre Diversidade étnico-racial (Almeida, 2018; Guimarães, 2005, 2008; Munanga, 2003, 2004, 2006, 2009) e Identidades (Bauman, 2005 e Hall, 2003, 2005). A metodologia foi de base qualitativa-interpretativista (Moita-Lopes, 1994). Os resultados se desmembraram em um compilado de discursos que reafirmaram a luta feminina negra em uma sociedade marcada pelo mito da democracia racial, o qual procura escamotear o tratamento negativo e excludente do povo branco em relação ao povo negro. Os discursos são representativos de ruptura com identidades unilaterais, a exemplo de práticas preconceituosas e discriminatórias que tentam invisibilizar a figura da mulher negra, como também de continuidades com ensinamentos e aprendizados advindos de seus ancestrais
OFICINA DE LEITURA COM TEXTOS MULTIMODAIS: UMA PROPOSTA DE LETRAMENTO SOBRE O RACISMO ESTRUTURAL
O nosso objetivo é trazer os resultados de uma oficina de leitura de gêneros multimodais promovida para a comunidade acadêmica da UFJF. Utilizamos Bakhtin (1997) e Marcuschi (2010) para trabalhar a noção de gêneros discursivos/textuais Kress e Van Leeuwen (2006) para debater as noções de construção de sentido, por meio da multimodalidade para discutir sobre estratégias de leitura, utilizamos Solé (1998) e, para tratar sobre o racismo estrutural, pautamo-nos em Ribeiro (2019) e Almeida (2019). A oficina, avaliada como uma prática de letramento, na concepção de Street (2014), foi uma proposta de ensino pensada para um evento de letramento: a “V Semana da Consciência Negra da UFJF”. A oficina instigou um posicionamento crítico por parte do participante que reconheceu a existência do racismo no Brasil e fez tal sujeito pensar em formas particulares de ação para combatê-lo em nossa sociedade
ENSINO MÉDIO, JUVENTUDES E DESINFORMAÇÃO EM MEIO À CULTURA DIGITAL
Explora-se a Base Nacional Comum Curricular frente aos processos de desinformação no contexto da cultura digital. O foco está na etapa do Ensino Médio e seu público-alvo. Objetiva-se contribuir com reflexões, a partir do levantamento bibliográfico (à luz de estudiosos da cultura/comunicação no tempo presente e da educação brasileira) e documental (escritos oficiais da política educacional, como a Base Nacional Comum Curricular), acerca das formas de disseminação de informações falsas, que trazem prejuízos à sociedade brasileira neste século fortemente marcado pela influenciadora digital das/nas pessoas. Ao mesmo tempo, as tecnologias digitais possibilitam que redes de divulgação de informação e resistência se formem. A discussão, então, é feita sob três dimensões: juventudes na cultura digital; desinformação; perspectiva crítica junto ao Ensino Médio, constituindo um estado do conhecimento. Os resultados evidenciam alterações nas práticas sociais e comunicativas na sociedade contemporânea, que redundam na escola e o papel da instituição para uma dimensão de atuação cidadã, crítica e ética
ANÁLISE DA ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS EM GUINÉ-BISSAU: O IMPACTO DA EVASÃO NA EXCLUSÃO SOCIAL
O estudo investiga o abandono escolar de adultos não alfabetizados na Missão Católica São Daniel Comboni, em Bafatá, Guiné-Bissau. Baseando-se em estudos de Cá (2005), Gomes (2018), Mendes (2019) e documentos oficiais, adota uma abordagem qualitativa com elementos etnográficos exploratórios. Os dados foram construídos por meio de entrevistas com o diretor da escola para compreender o papel dos contextos socioculturais na evasão escolar. Constatou-se a escassez de investimentos educacionais no país, agravando o abandono devido à colheita da castanha de caju e à distância entre as residências e a escola. A falta de preparo dos professores e a precariedade das instalações escolares afetam negativamente o ensino. Destaca-se a importância de debater a Alfabetização de Adultos em Guiné-Bissau para promover a emancipação, garantindo acesso à educação e incentivando ambições. O estudo ressalta a necessidade de melhorias na educação de adultos no país para reduzir o abandono e promover a capacitação e inclusão social
A INCLUSÃO EXCLUDENTE NA LÓGICA DA PRIVATIZAÇÃO DA ESCOLARIZAÇÃO AO ALUNO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL : “SANTOS COMEÇA A TERCEIRIZAR A EDUCAÇÃO”
Este artigo visa discutir a realidade do atendimento de estudantes na condição da educação especial no município de Santos, litoral paulista. Entendemos que o exercício da cidadania do referido público tem historicamente amplas disputas, as quais o direito à educação é cada vez mais atrelado à mercadificação das políticas públicas, consequentemente, do atendimento dos sujeitos educativos, educadores e alunos. Com a privatização da educação, na realidade aqui explicitada, vemos diferenças entre o estabelecido e praticado no direito à Educação Básica de qualidade. Objetivamos aqui levantar o histórico das políticas públicas neste âmbito e discutir o atual cenário na cidade de Santos, São Paulo. Metodologicamente, nos dedicamos à abordagem qualitativa no estudo de caso. Assim, a partir do levantamento da legislação sobre a temática e as práticas sobre a implementação desta modalidade de ensino e sob a lógica das parcerias público-privada exploramos a introdução da terceirização na rede de ensino para atividade de apoio ao aluno com deficiência e ou transtornos de aprendizagem e a reação da comunidade escolar. Os resultados da pesquisa revelam que apesar de uma complexa e bem fundamentada legislação acerca dos direitos educativos do grupo aqui especificado, há também, uma profunda lógica de desigualdades perante à condição concreta de participação política e democrática nos processos decisórios de interesse da comunidade escolar com deficiência
POBREZA MENSTRUAL: QUESTÕES BIOLÓGICAS OU DICURSO DA “MONSTRUAÇÃO”?
Essa pesquisa objetiva explorar a essência das falas destrutivas da menstruação, bem como questões envolvidas sobre domínio, além de explorar a necessidade de transformação do contexto sócio destrutivo da menstruação para o respeito corporal feminino. É pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo, que utiliza o Relatório Oficial da UNICEF (2021) para realizar a compreensão dos elementos da pobreza menstrual, destacando a falta de informações. O corpo teórico se respalda no sexismo, por ser um processo de verbalizações sobre a menstruação que serve à desmoralização da fase cíclica feminina. Foram analisadas doutrinas que fundamentam a diferença entre homens e mulheres, respaldada na diferença dos seus gêneros, estruturada pelo preconceito, sendo extrema urgência que a ciência seja provocada e esclareça os aspectos negativos das reproduções dos discursos que “monstruam” a menstruação
FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES NOS ESPAÇOS E TEMPOS DO COTIDIANO ESCOLAR
Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa de mestrado, que vem sendo ampliada durante o doutorado em educação e tem por objetivo apresentar as narrativas de professores de uma escola da Rede Municipal de Ensino de Salvador sobre os processos de formação continuada construídos nos tempos e espaços do cotidiano escolar. O estudo apresenta algumas reflexões sobre diferentes paradigmas de formação docente, bem como as concepções dos professores sobre o papel da formação continuada no desenvolvimento do seu trabalho pedagógico. O estudo revela que os professores aprendem e reinventam a sua profissão nos espaços e tempos do cotidiano escolar, além de atribuírem maior importância às aprendizagens que acontecem nesses espaços e tempos, tais como o planejamento, as trocas diárias com os colegas, os encontros pedagógicos, as trocas no grupo do WhatsApp. Apesar dos desafios encontrados, os professores criam condições para realizar e fortalecer os momentos coletivos no cotidiano escolar