9 research outputs found

    Moisés Bertoni e o Povoamento da América: primeiras questões

    Get PDF
    Qual a origem dos povos que habitavam a América quando da chegada dos europeus? Entre as mais diferentes respostas já construídas nos últimos séculos, a obra La Civilización Guarani (1922) foi escrita  a partir de relatos da América colonial e de análises da antropologia linguística do cientista suíço-paraguaio Moisés Bertoni. Nela, Bertoni objetivou localizar a origem dos povos guaranis como sinônimo da origem humana na América. Neste percurso, motivado pela crença na ideia de uma ciência universal, sua pesquisa procurou estabelecer hipóteses sobre o povoamento da América do Sul. Imerso em um vasto campo de experimentação científica e intenso confronto entre empiria e teoria, os debates de que participou sobre a origem dos povos americanos pode ter como efeito colateral a discussão sobre a origem, a identidade e o lugar social das populações indígenas no estado-nação moderno. Até este momento da pesquisa, pode-se afirmar que a ciência produzida por Bertoni insere-se numa rede de (re)significação do passado colonial e indígena

    Moisés Bertoni: Ciência e Estado-Nação (1890-1929)

    Get PDF
    Poderia ser a ciência uma forma de afirmar, consolidar ou estremecer relações internacionais? Em que medida a ciência se produziu nesta relação entre nacional e internacional na América Latina no início do século XX? Estas perguntas surgiram na pesquisa sobre a obra de Moisés Bertoni durante o período em que viveu e publicou na República do Paraguai (1890-1929). Nascido na Europa, Bertoni escolheu o Paraguai para trabalhar e findar seus dias. Ali, empreendeu enorme trabalho científico de campo e fundou sua própria editora, a Ex Sylvis. A partir dali, publicava seus resultados e também recebia publicações do mundo todo. O financiamento estatal, mesmo que precário, estabeleceu estreitas relações entre o Estado e a produção intelectual de Bertoni. Não sem razão, ele e sua família representavam o Paraguai em congressos científicos internacionais, estabelecendo contatos e buscando afirmar um lugar para ele no circuito científico e para aquele país no concerto das nações. Em fase inicial, a pesquisa aponta a relação entre o esforço científico de perseguir leis e regras universais, e a delimitação dessas práticas em fronteiras nacionais. Neste sentido, o cientista Bertoni é co-participante da construção do estado-nação paraguaio, de suas significações identitárias e da fixação de suas fronteiras simbólicas

    Moisés Bertoni e o Povoamento da América

    No full text
    Na obra “La Civilización Guarani” (1922), a partir de escritos da América colonial e de análises da antropologia linguística, o cientista suíço-paraguaio Moisés Bertoni objetivou localizar a origem dos povos guaranis. Neste percurso, motivado pela crença na ideia de uma ciência universal, sua pesquisa procurou estabelecer hipóteses sobre o povoamento da América do Sul. Imerso em um vasto campo de experimentação científica, os debates de que participou colocavam no centro da discussão a origem, a identidade e o lugar social das populações indígenas no estado-nação moderno. Até este momento da pesquisa, pode-se afirmar que Bertoni reinterpretou a origem e constituição dos povos guaranis no Paraguai na mesma medida em que forjou identidades para eles ao estabelece-los como patrimônio nacional paraguaio

    Moisés Bertoni: Ciência e Estado

    No full text
    Seria a ciência uma forma de afirmar, consolidar ou estremecer relações internacionais? Em que medida a ciência se produziu nesta relação entre nacional e internacional na América Latina no início do século XX? Estas perguntas surgiram na pesquisa sobre a obra de Moisés Bertoni durante o período em que viveu e publicou na República do Paraguai (1890-1929). Nascido na Europa, Bertoni escolheu o Paraguai para trabalhar e findar seus dias. Ali, empreendeu enorme trabalho científico de campo e fundou sua própria editora, a Ex Sylvis. A partir dela, publicava seus resultados e também recebia publicações do mundo todo, especialmente de autores da América. O financiamento estatal, mesmo que precário, estabeleceu estreitas relações entre o Estado e a produção intelectual de Bertoni. Não sem razão, ele e sua família representavam o Paraguai em congressos científicos internacionais, estabelecendo contatos e buscando afirmar um lugar para ele no circuito científico e para aquele país no concerto das nações. Em fase inicial, a pesquisa aponta a relação ambivalente entre o esforço científico de perseguir leis e regras universais, e a delimitação dessas práticas em fronteiras nacionais. Neste sentido, Bertoni é co-participante da construção do estado-nação paraguaio, de suas significações identitárias e da fixação de suas fronteiras simbólicas

    Fronteiras em Movimento: o Oeste nos Estados Unidos e no Brasil

    Get PDF
    A construção de estados nacionais na América pode ser visualizada por distintos movimentos políticos, culturais e socioeconômicos. Diferentes intelectuais, em diferentes países, buscaram formulações teóricas para explicar seu passado e ensejar políticas de territorialização e legitimação do nacional. Neste sentido, o texto compara o conceito de fronteira aberta, desenvolvido por Frederick Jackson Turner em 1893, ao conceito de fronteiras guaranis de José de Melo e Silva, publicado em 1939. Entende-se que conceitos podem ser apropriados em contextos geográficos e temporais diferentes, resultando em propostas diferenciadas da construção de identidades nacionais e representações de fronteira. Entende-se que demarcar fronteiras significa estabelecer representações do outro e erigir regiões. Neste caso, tanto os Estados Unidos rumo ao Pacífico quanto o Brasil nação em relação ao país vizinho Paraguai, em que Melo e Silva buscava combater a fronteira aberta e demarca-la na construção da brasilidade em oposição ao outro indígena sul-americano. Tais fronteiras desvelam relações de poder que instauram processos de crença e di-visão do mundo social

    Exército, Nação e Saúde: A medicina militar brasileira como elemento de criação de fronteira nacionais

    Get PDF
    Pretendemos a partir deste texto investigar e analisar, a atuação do médico e higienista do exército brasileiro Arthur Lobo da Silva, como produtor do conhecimento cientifico da área da saúde desta instituição, entre os anos de 1920 a 1940. Do mesmo modo, será preciso entender de que maneira a medicina militar se constituiu como um elemento criador de fronteira no início do século XX. A participação de Arthur Lobo da Silva nestes campos foi materializada em diversas publicações como jornais, periódicos, entre outros. Tais obras servirão de componente básico para analise deste trabalho. Destaca-se que as ideias do autor sobre higiene, saúde, e o papel do exército nos permitirão compreender a sua representação de nação, fronteira e região e o que este autor acredita ser o papel do Estado brasileiro no período. Ao expor tais opiniões e posicionamentos Arthur Lobo da Silva ira se inserir no debate com outros intelectuais brasileiros, a respeito dos problemas sanitários do país o que inviabilizava no período a criação de uma “nação”, “fronteira” e de um “povo brasileiro”, a inserção destes militares nesta discussão legitimou o papel do Exército como uma das soluções sociais para estes problemas. Para fazer tal analise, além de utilizar algumas publicações de Arthur Lobo da Silva, em periódicos militares e civis, os livros A luta contra as moléstias venéreas no Exército brasileiro (1929), O serviço de saúde do Exército brasileiro (1958), Antropologia no Exército brasileiro (1929), também serão utilizados para mapear a sua trajetória intelectual

    Narrativas Guaranis de José de Melo e Silva (1939) na Fronteira Brasil/Paraguai

    Get PDF
    Neste trabalho, entende-se que a produção de conhecimento veiculada por meio de textos e autores foi um alicerce de expansão do modelo de estado nacional brasileiro denominado Estado Novo (1937-1945). Tal produção visava estabelecer limites de atuação do estado, legitimando uma política de valorização do nacional em relação ao elemento estrangeiro. Neste contexto, o trabalho objetiva discutir a visão do outro no texto Fronteiras Guaranis (1939), obra de José de Melo e Silva, à época profundamente engajado com o projeto político de Getúlio Vargas denominado Marcha para Oeste. Em seu trabalho, Melo e Silva constrói a brasilidade em oposição ao “guaranizado” paraguaio, elemento fronteiriço que estaria ameaçando culturalmente a fronteira brasileira. O autor trabalha argumentos eugênicos para caracterizar aquela população, condicionando suas ações por sua etnia, e propondo soluções para integrar aquelas pessoas ao que chamava de civilização brasileira. Entende-se que ao buscar narrar uma história e constituir uma geografia humana na fronteira, Melo e Silva instituiu identidades, (re)criando aquele espaço e com isso delimitando os lugares sociais que deveriam ser ocupados pelos indígenas paraguaios, no geral como mão-de-obra barata para a extração da erva-mate e o treinamento para o trabalho agrícola em escolas profissionais. Tais ideias integram elementos materiais e imateriais do discurso, demarcam e legitimam projetos políticos e processos de classificação e controle estatal de povos indígenas em prol de um modelo de sociedade baseado na agropecuária

    Fronteira Brasil/Paraguai: narrativas guaranis na obra de José de Melo e Silva (1939)

    No full text
    O trabalho analisa a visão do outro texto Fronteiras Guaranis (1939), obra de José de Melo e Silva, escrito durante o Estado Novo (1937-1945). Em seu trabalho, Melo e Silva constrói a brasilidade em oposição ao “guaranizado” paraguaio, cuja presença estaria ameaçando a fronteira brasileira. O autor propunha soluções para integrar aquelas pessoas ao que chamava de civilização brasileira, buscando narrar uma história e constituir uma geografia humana na fronteira. Neste processo, Melo e Silva delimitou lugares sociais a serem ocupados pelos indígenas paraguaios, no geral como mão-de-obra barata para a extração da erva-mate e o treinamento para o trabalho agrícola em escolas profissionais. Sendo assim, inscrito nas páginas dos textos de Melo e Silva encontra-se um modelo de civilidade para aqueles guaranis, o que significava o controle estatal de povos indígenas em prol de um modelo de sociedade brasileiro baseado na agropecuária

    Avaliação docente no Brasil e em Portugal : analise das políticas e dos obstáculos políticos

    Get PDF
    Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Florianópolis, 2014.O objetivo da pesquisa foi analisar políticas de avaliação docente (AD) adotadas por governos desde os anos 1990 na educação básica. Procuramos analisar as justificativas de Organismos Multilaterais (OM) que sustentam suas recomendações de AD, bem como conhecer a sua visão sobre as organizações sindicais docentes, que eles consideram ?obstáculos políticos? às reformas educacionais porque emperram iniciativas e interesses do capital no campo educativo. Buscamos conhecer propostas e políticas de AD no Brasil e em Portugal, especificamente, o modelo português de Avaliação de Desempenho Docente (ADD) implementado em 2008 e as políticas de bonificação instituídas no Estado de São Paulo desde 2000. Identificamos as estratégias utilizadas pelos governos português e paulista para instituir suas políticas de AD. Também pesquisamos os posicionamentos e as reações da Federação Nacional dos Professores (FENPROF) e do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) às políticas de AD e as repercussões de sua luta sobre essas políticas. Com este propósito, efetuamos pesquisa bibliográfica, documental e de campo. Analisamos documentos dos OM, dos governos brasileiro, paulista e português e da FENPROF e da APEOESP. A pesquisa tomou como referencial teórico-metodológico o materialismo histórico. Desenvolvemos a pesquisa de campo em Portugal, onde entrevistamos dirigentes das organizações sindicais docentes. A política de ADD foi objeto de grandes embates entre governo e organizações sindicais docentes em Portugal, especialmente no ano de 2008 e, por isso, constituiu um terreno fértil para a investigação dessas organizações como ?obstáculos políticos?. Num contexto em que o capital procura avançar o processo de despolitização e enfraquecimento da luta sindical, a pesquisa buscou identificar o papel exercido pelas organizações sindicais docentes diante da tentativa de governos implementarem políticas educacionais neoliberais. A pesquisa sobre o processo de resistência dos professores e sindicatos à implantação das políticas de AD em São Paulo e Portugal permitiu ressaltar a relevância e a positividade dos obstáculos
    corecore