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Uma estética da deriva digital em Mar de Sophia, de Rui Torres
Na era da revolução digital, identidades e discursos se revelam cada vez mais impermanentes, em uma liquidez cara às telas de cristal dos aparatos tecnológicos que hoje medeiam parte significativa dos encontros entre leitores e textos literários. A fim de indagar os impactos da crescente liquefação cultural e discursiva no âmbito da lírica contemporânea, este artigo analisa a obra digital Mar de Sophia, de Rui Torres. Misturando recursos multimídia e procedimentos da lírica moderna, Torres relê poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen, transpostos para o suporte digital e transcriados por recursos intertextuais de recorte, colagem e hibridação. Interessa-nos, sobretudo, compreender como elementos semióticos presentes nos textos da poetisa portuguesa são relidos em uma estética da deriva e da liquidez no softwarepoema de Rui Torres, o qual põe em deslize na tela os sintagmas de Andresen – flutuação do signo poético análoga à da navegação no cyberespaço.********************************************************************An Aesthetics of the Digital Leeway in Mar de Sophia, by Rui TorresAbstract: In the era of digital revolution, identities and discourses are growingly more impermanent, in a liquidity similar to that of the crystal screens of technological devices. Such devices mediate a significant share of the encounters between readers and literary texts nowadays. In order to question the impacts of the growing cultural and discursive liquefaction on contemporary poetry, we herein analyze the digital poem Mar de Sophia, by Rui Torres. By mixing multimedia resources and structures from modern poetry, Torres revisits poems by Sophia de Mello Breyner Andresen, which were transposed into the digital medium and transcreated by intertextual procedures of cutting, pasting and hybridization. We aim to understand how semiotic elements from texts by Andresen are revisited in an aesthetics of leeway and liquidity in the software-poem by Rui Torres. Such software sets Andresen’s phrases adrift on the screen, so that the poetic sign floats the same way one surfs in the cyberspace. Keywords: Rui Torres; Digital poetry; Sophia de Mello Breyner Andresen; Leeway; Liquidity</jats:p
Amor(es) de Clarice e Rui Torres
Este trabalho, buscando demonstrar uma das várias formas de diálogo entre as literaturas de expressão portuguesa, propõe uma análise do conto Amor, de Clarice Lispector e do poema Amor de Clarice, de Rui Torres. Levando em consideração que o poema parte de um texto preexistente, ou um “hipotexto”, segundo definição de Genette, analisaremos essas produções sob a ótica da tradução intersemiótica, de acordo com os trabalhos de Julio Plaza e Claus Clüver, já que esses teóricos tratam a “tradução” menos como uma transferência de sentido do original, que deve a ele se subordinar, que uma atividade a qual implica criação, portanto, transformação. A (re)escrita de Torres propõe, conforme o poeta, uma forma de fazer crítica literária na contemporaneidade. Assim, este estudo se desenvolverá no sentido de analisar como os elementos do texto clariceano foram (re)elaborados, (re)criados, transformados no poema de Rui e de que forma um trabalho do século XXI pode lançar novos questionamentos, novas perspectivas e novas reflexões a um texto do século passado
Poesia Experimental Portuguesa: Contextos, Ensaios, Entrevistas, Metodologias
"Poesia Experimental Portuguesa: Contextos, Ensaios, Entrevistas, Metodologias", organizado por Rui Torres e editado em formato eBook e em Acesso Aberto pelas Ed. UFP, inclui textos dos investigadores: Débora Silva, Hugo Silvestre & Maurício Santos; Diana Pimentel; Eduardo Paz Barroso; Eunice Ribeiro; Jorge Luiz Antonio; Manuel Portela; Maria do Carmo Castelo Branco; Pedro Reis; e Rui Torres, além de uma entrevista realizada por Raquel Monteiro ao poeta E. M. de Melo e Castro, e ainda uma Justificação metodológica da taxonomia do Arquivo Digital da Literatura Experimental Portuguesa.
Publicando alguns dos resultados do projecto ‘PO.EX’70-80 - Arquivo Digital da Literatura Experimental Portuguesa’, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia com fundos da União Europeia com a Referência PTDC/CLE-LLI/098270/2008, o qual teve como Investigador Responsável Rui Torres, e como Instituição Proponente a Fundação Ensino e Cultura Fernando Pessoa (FECFP), este livro pode ser complementado com a consulta de uma rica variedade de obras disponíveis, também em acesso aberto, no Arquivo Digital da Literatura Experimental Portuguesa (http://www.po-ex.net).
São vários os autores estudados neste livro: Abílio-José Santos; Alberto Pimenta; Álvaro Lapa; Álvaro Neto; Ana Hatherly; Antero de Alda; António Aragão; António Areal; António Barros; António Sena; Arnaldo Antunes; Augusto de Campos; Décio Pignatari; E. M. de Melo e Castro; Emerenciano; Fernando Aguiar; Gabriel Rui Silva; João Vieira; Jorge Pinheiro; José-Alberto Marques; Mário Cesariny de Vasconcelos; e Salette Tavares.
O projecto “PO.EX’70-80 - Arquivo Digital da Literatura Experimental Portuguesa”, realizado entre Março de 2010 e Fevereiro de 2013, teve como objectivo dar continuidade a um projecto anterior, “CD-ROM da PO.EX (Poesia Experimental Portuguesa - Cadernos e Catálogos)”, no âmbito do qual se fizeram estudos acerca do experimentalismo literário português dos anos 1960 e se criou um CD-ROM interactivo com as principais revistas e catálogos da poesia experimental portuguesa (conhecida como PO.EX, embora essa designação não seja consensual). As recomendações de diversos agentes e consultores deste primeiro projecto, no sentido de alargar aos anos 1970 e 80 o trabalho de recolha, classificação e reprodução digital da Poesia Experimental Portuguesa, estão na origem deste Arquivo digital.
Esta dilatação temporal permitiu aperfeiçoar e desenvolver os estudos e recolhas já iniciados, incluindo agora a poesia visual e sonora, a videopoesia, o happening e a literatura cibernética, que entendemos como extensões e/ou renovações do experimentalismo literário do perído anteriormente analisado, já que partimos efectivamente do princípio de que existe uma ligação entre as poéticas do concretismo e as poéticas digitais.
Caracterizado pela abertura e pelo livre acesso de recursos, este projecto permitiu garantir a preservação e organização de um espólio literário fundamental para compreender as textualidades e as materialidades literárias emergentes. Entre outros, foram estes os objectivos propostos (e alcançados) pelo projecto: contribuir para a disseminação e o conhecimento da poesia portuguesa da segunda metade do século XX; motivar novas proposições teóricas e novas metodologias de investigação, ligando a investigação teórica com o desenvolvimento de produtos hipermédia e de arquivos digitais; contribuir para a preservação de documentos literários frágeis e/ou raros; distribuir e dar a conhecer, gratuitamente, em escolas, universidades e instituições culturais, representações digitais da produção literária experimental, criando condições para políticas e estratégias de utilização de novas tecnologias na produção e disseminação da literatura contemporânea; alcançar novos e diferenciados públicos; encorajar a produção de literatura electrónica, disponibilizando as competências e as condições técnicas necessárias para uma utilização consciente e pedagogicamente sustentada das ferramentas digitais
Rui Torres e a poesia digital: as novas formas de produção e interação na poesia experimental
Apresentação do poeta português Rui Torres, com a focalização em sua produção em meios digitais
Pintura como pensamento: Ana Pais Oliveira, Ema M, Felipe Rocha da Silva, João Paulo Queiroz, Rui Macedo, Sofia Torres, Zalinda Cartaxo
Obra publicada por ocasião da exposição patente na Galeria Municipal de Torres Vedras, sala 1 e 2; de 23 de nov. 2019 a 25 de jan. de 2020info:eu-repo/semantics/publishedVersio
Árvore: ecologia na literatura impressa e na literatura digital – uma comparação entre Rui Torres e Adélia Prado
The objective of the following article is to compare the printed and digital literature, from the poems “Árvore”, by Rui Torres, and the poem “Anímico”, from the work Bagagem (1976), by Adélia Prado. The article is theoretically supported by Octávio Paz, in O Arco e a Lira (2012); N. Katherine Hayles, in Electronic Literature: New Horizons for the Literary (2009); Rui Torres, in Portuguese Experimental Poetry: Notebook and Catalogs Theoretical framework and critical context of PO. EX (2004); Daniele Cortês Maduro, in Cadaver queer, reader, cyborg and magnetic inscription: three views of the electronic text (2012); Umberto Eco, in Far beyond the Internet (2003); Jorge Luiz Antonio, in Tecno-Arte-Poetry in Brazil (2011). In the article, what poetry is according to Octávio Paz's Arco and Lira will be defined, then digital and printed literature will be differentiated, emphasizing the poetry genre. In the third part, the similar characteristics between the poems chosen to exemplify the discussion will be highlighted. As an expected result, we seek to contribute to research in the academic world about digital literature, the concept of poetry and studies aimed at poetry by Adélia Prado and Rui Torres.O objetivo do seguinte artigo é de comparar a literatura impressa da digital, a partir dos poemas “Árvore”, de Rui Torres e o poema “Anímico”, da obra Bagagem (1976), de Adélia Prado. O artigo tem como suporte teórico Octávio Paz, em O Arco e a Lira (2012); N. Katherine Hayles, em Literatura Eletrônica: Novos Horizontes para o literário (2009); Rui Torres, em Poesia Experimental Portuguesa: Caderno e Catálogos Enquadramento teórico e contexto crítico da PO.EX (2004); Daniele Cortês Maduro, em Cadáver esquisito, leitor, ciborgue e inscrição magnética: três visões do texto eletrônico (2012); Umberto Eco, em Muito além da Internet (2003); Jorge Luiz Antonio, em Tecno-Arte-Poesia no Brasil (2011). No artigo, será definido o que é poesia conforme o Arco e a Lira de Octávio Paz, depois será diferenciado a literatura digital e a impressa, dando ênfase no gênero poesia. Na terceira parte, será evidenciadas as características semelhantes entre os poemas escolhidos para exemplificar a discussão. Como resultado esperado, busca-se contribuir para pesquisas no meio acadêmico sobre literatura digital, o conceito de poesia e estudos voltados para poesia de Adélia Prado e Rui Torres.
Do vegetal ao digital em Árvore, de Rui Torres
Oppositely to the invisibility plants are usually relegated to in daily and literary discourses, Árvore, an electronic work of generative poetry, devised by Rui Torres (2008), gives prominence to endemic vegetal species from the north of Portugal. By rearranging excerpts from canonic twentieth-century Portuguese poems that talk about plants, this piece of software enacts an intertextual reticular structure to compose new verses where different poems and vegetal species are hybridized, approximating the semantic fields of Botany and writing. To analyze such piece of digital art, this paper addresses the rationale underneath how Árvore works and some of its possible poetic products; we herein adopt as analytical lenses some conceptual metaphors from the sphere of vegetality, such as ecosystem, vegetal memory, rhizome, grafting and plagiotropism. This investigation evidences the complex intertextual weaving inherent to the poetic generation processes of Árvore, which, in turn, posit reading procedures that must be rhizomatic too, somewhere between the botanic and the digital.Na contramão da invisibilidade que as plantas recebem usualmente nos discursos cotidianos e literários, Árvore, obra eletrônica de poesia generativa ideada por Rui Torres (2018), dá papel de destaque às espécies vegetais endêmicas da região norte de Portugal. Recombinando trechos de poemas canônicos lusitanos do século XX nos quais figuram imagens de plantas, o software mobiliza uma estrutura reticular intertextual para compor novos versos que revelam hibridizações de poemas e de espécies vegetais distintas, bem como uma aproximação entre os campos semânticos da botânica e da escrita. Para a análise de tal obra digital, o presente artigo se volta para a lógica subjacente ao funcionamento de Árvore e para alguns de seus possíveis produtos poéticos, adotando como lentes analíticas metáforas conceituais da esfera da vegetalidade, tais como ecossistema, memória vegetal, rizoma, enxertia e plagiotropismo. Por meio dessa investigação, evidencia-se a complexa trama intertextual inerente aos processos de geração poética de Árvore, os quais, a seu turno, postulam um procedimento de leitura que deve ser também rizomático, a meio do caminho entre o botânico e o digital
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