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    Entre bonecas, palmadas e reflexões- a literatura infantil de Lúcia Miguel Pereira

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    ResumoMaria e seus bonecos, de Lúcia Miguel Pereira, é uma das quatro publicações da autora destinada ao público infantil. Tendo como foco essa obra, este texto objetiva discutir a crítica que a autora imprime sobre o uso da violência e da religiosidade como estratégia para educar as crianças, simbolizadas na ficção pela menina Maria.Palavras-chave:Literatura Infantil. Crítica. Violência. Religião.Among dolls, spankings and reflections- children\u27s literature by Lúcia Miguel Pereira AbstractMaria e seus bonecos (Maria and her dolls), by Lúcia Miguel Pereira, is one of the author\u27s four publications aimed at children. Focusing on this work, this text aims to discuss the author\u27s criticism on the use of violence and religiosity as a strategy to educate children, symbolized in fiction by the girl Maria. Keywords:Children\u27s Literature. Criticism. Violence. Religion

    Relações de gênero e gestão dos tempos – a articulação entre o trabalho profissional e doméstico em equipes de enfermagem no Brasil

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    The article analyzes the time spent at work and the time spent at home, taking for granted the assumption that time is the raw material through which gender relations are expressed in social practices. Having the work of Norbert Elias as a starting point, the paper aims to reflect on working time in public and domestic spheres, from a relational perspective. The notions of configuration and interdependencies are articulated to the proposition of the sexual division of labor (Kergoat, 2009). The paper describes the outcomes of research on nursing teams in Brazil using qualitative and quantitative techniques. The centrality of domestic work permeates the lives of the female workers, demanding the management of complex relationships between the domestic and the professional spheres, with implications for health. The text highlights the need for research instruments which are sensitive to the sexual division of labor, in order to support discussions on social policies aiming at social reproduction, as proposed by Dedecca, Ribeiro and Ishii (2009) in the Brazilian context

    Fórum: horários de trabalho e saúde Forum: work hours and health

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    Fundação Oswaldo Cruz. Instituto Oswaldo Cruz. Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde. Rio de Janeiro, RJ, Brasil

    Night work and mental suffering in two hospitals health workers in Manaus, AM

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    Fundação Oswaldo Cruz. Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.Os estudos sobre o trabalho noturno revelam diferenças individuais quanto à tolerância ao horário de trabalho, de forma que alguns trabalhadores desenvolvem doenças, enquanto outros, não. No que se refere à saúde psíquica, são escassos os estudos brasileiros com profissionais da saúde, principalmente em relação a equipes de médicos. O objetivo desta Tese foi investigar o sofrimento psíquico (transtornos mentais comuns e depressão) quanto a sua relação com o horário de trabalho em equipes de enfermagem e de médicos, considerando diferenças individuais entre os trabalhadores. Foi realizado estudo epidemiológico de corte transversal com médicos e equipes de enfermagem de dois hospitais gerais de Manaus (AM), perfazendo um total de 432 trabalhadores (57,7% dos elegíveis). O questionário padronizado abordava aspectos sociodemográficos, do trabalho e da saúde, incluindo o Self Report Questionnaire (SRQ-20) e o Patient Health Questionnaire (PHQ-9) para rastreamento de transtornos mentais comuns (TMC) e depressão, respectivamente. Duas modalidades de análise foram realizadas: (1) os grupos com atuação no trabalho noturno atualmente ou no passado (ex-noturnos) foram comparados àquele sem experiência no trabalho noturno e (2) considerando apenas os trabalhadores noturnos, aqueles que referiram o desejo de deixar os plantões noturnos foram comparados aos que não manifestaram este desejo. O tratamento dos dados incluiu análises bivariadas (teste de qui-quadrado ou Fisher) e análises múltiplas através de regressão logística binomial. A adesão ao estudo foi menor entre os médicos e no hospital público, tendo variado entre 4,6% (médicos do hospital público) a 91,6% na equipe de enfermagem do hospital privado. Considerando as equipes de enfermagem e de médicos, o percentual de mulheres foi de 80,5% e de 30,4%, a idade média foi de 39,3 e de 41,5 anos, sendo a jornada media de 44,2 e 63,1 horas semanais, respectivamente. Em ambas as equipes, a maioria trabalhava em mais de um local e fazia plantões noturnos, sendo baixa a proporção de trabalhadores sem experiência prévia no trabalho noturno (14,4% e 5,4% nas equipes de enfermagem e de médicos). A prevalência de TMC foi de 25,5% e 17,9% nas equipes de enfermagem e de médicos; a prevalência de depressão foi de 13,1% e 8,9%, respectivamente. Embora sem significância estatística, na equipe de enfermagem, os trabalhadores noturnos e ex-noturnos apresentaram maior prevalência de sofrimento psíquico, comparados àqueles sem experiência no trabalho noturno, principalmente quanto à depressão, cuja chance aumentou em 50% e 82%, respectivamente. A chance de manifestar TMC na equipe de enfermagem que refere o desejo de deixar os plantões noturnos foi próxima ao dobro daquela relativa ao grupo que não referia este desejo (OR=1,93; IC95% 0,95-3,90), com significância estatística no valor limítrofe. Os médicos não foram comparados quanto ao horário de trabalho em função da reduzida amostra sem experiência no trabalho noturno. Um percentual significativamente maior de médicos com TMC foi observado entre aqueles que desejavam deixar os plantões noturnos, comparado aos que não manifestavam este desejo (31% e 0%, respectivamente). Os resultados sugerem um possível efeito a longo prazo do trabalho noturno sobre a saúde psíquica, revelando a importância do histórico dos horários de trabalho na análise deste tema. O desejo de deixar o trabalho noturno, utilizado como proxy da satisfação com o horário de trabalho, permitiu distinguir, entre os trabalhadores noturnos, aqueles com maiores chances de manifestar transtornos mentais comuns, relevando diferenças individuais na tolerância ao trabalho noturno. O estudo contribui com reflexões sobre o tema no sentido de subsidiar propostas de melhorias no processo de trabalho destes profissionais, considerando tanto a saúde dos trabalhadores, como aspectos da qualidade da assistência prestada aos pacientes.Studies on night work reveal individual differences in tolerance to work schedules, so that some workers develop diseases, while others do not. With regard to mental health, there are few Brazilian studies with health professionals, especially in relation to physician teams. The aim of this thesis was to investigate the psychological distress (common mental disorders and depression) and their relationship with night work in a nursing staff and doctors, considering individual differences among workers. An epidemiological cross-sectional study was performed with physicians and nursing teams from two hospitals in Manaus, Amazonas, Brazil (N=432 workers, 57.7% of the eligible group). A standardized questionnaire included questions regarding sociodemographic characteristics, work and health, including the Self Report Questionnaire (SRQ-20) and the Patient Health Questionnaire (PHQ-9) for screening of common mental disorders (CMD) and depression, respectively. The data treatment included bivariate analyzes (chi-square and Fisher tests) and multivariate analyzes using binomial logistic regression. Two analysis procedures were performed: (1) workers engaged in night work currently and former night workers were compared to those without experience in night work and (2) considering only night workers, those who mentioned the desire of leaving the night shifts were compared to those who did not. The adherence to the study was lower among physicians and in the public hospital, ranging between 4.1% (doctors at the public hospital) and 91.6% in the nursing staff of the private hospital. Considering the nursing staff and the doctors, the percentage of women was 80.5% and 30.4%, mean age was 39.3 and 41.5 years, with 44.2 and 63.1 weekly work hours, respectively. In both teams, most worked in more than one location and worked night shifts, with few workers without previous experience in night work (14.4% and 5.4% of the nursing staff and doctors). The prevalence of CMD was 25.5% and 17.9% in the nursing and in the medical staff; the prevalence of depression was 13.1% and 8.9%, respectively. Although not statistically significant, in the nursing team, night workers and former night workers had higher prevalence of psychological distress, compared to those without experience in night work, especially as regards depression whose chances increased in 50% and 82%, respectively. In the nursing team, the chance to express CMD in the group who refers to the desire to leave the night shifts was close to double that of the group that did not report this desire (OR = 1.93; 95% CI 0.95 to 3.90) (threshold of statistical significance). Doctors have not been compared in terms of work schedule hours due to the reduced sample without experience in night work. A significantly higher percentage of physicians with CMD were observed between those who referred to the desire to leave the night shifts, compared to those who did not manifest this desire (31% and 0%, respectively). The results suggest a possible long-term effect of night work on mental health, revealing the importance of the occupational history as regards work schedules in the analysis of this issue. The desire to leave the night work used as a proxy of satisfaction with their work schedule allowed distinguishing – among night-shift workers - those most likely to express common mental disorders, revealing individual differences in tolerance to night work. The study contributes with reflections on the subject in order to subsidize proposals for improvements in the work process of these professionals, considering both their health, as well as aspects of quality of assistance provided to patients

    The construction of female sexuality in stories of the black river and sails. By whom ?

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    In this article, we will analyze the short stories "Das Dores" and "Giselle", by Vera do Val, and "Candles. By whom?", by Maria Lúcia Medeiros, present in the books Histórias do Rio Negro and Velas. For Whom?", respectively, with the aim of verifying how the representation of representation of identity and female sexuality. We will use as fundamental the book The Second Sex, of the feminist author Simone de Beauvoir and The dialectic of of sex, by Shulamith Firestone, which seek to clarify the myths about the feminine, about their rights and rights and historical struggles and the texts Feminine Criticism and Literature of feminine authorship, by Lúcia OsanaZolin, which discuss the problems about female authorship and visibility. Palavras-chave:Gender; Feminism; Amazonian Short Stories; Vera do Val; Maria Lúcia Medeiros.Neste artigo,analisaremos os contos“Das Dores” e “Giselle”, de Vera do Val, e “Velas. Por quem?”, de Maria Lúcia Medeiros, presentes nos livros Histórias do Rio Negro e Velas. Por quem?, respectivamente, tendo como objetivo verificar como ocorre a representação da identidade e da sexualidade feminina. Usaremos como embasamento teórico fundamental o livro O Segundo Sexo, da autora feminista Simone de Beauvoir e A dialética do sexo, de Shulamith Firestone, que buscam esclarecer os mitos sobre o feminino, sobre seus direitos e lutas históricas e os textos Crítica Feminina e Literatura de autoria feminina, de Lúcia OsanaZolin, que discutem os problemas sobre a autoria e visibilidade feminina. Palavras-chave:Gênero; Feminismo; Contos Amazônicos; Vera do Val; Maria Lúcia Medeiros

    SOBRE TERROR E PERFORMANCE: VISLUMBRES DO ‘ALÉM DE’

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    In this essay, Lúcia Fabrini de Almeida makes a critic presentation about the new book by Rustom Bharuscha, Terror and Performance, published from Tulika Books, at Nova Delhi. After a general presentation of the intentions of the publication, the author goes through referential stretches of the book intertwining them with potent reflections based in her ideas and establishing important dialogues with texts of Laura Rita Segato. Neste ensaio, Lúcia Fabrini de Almeida faz uma apresentação crítica do novo livro de Rustom Bharucha, Terror and Performance, publicado pela Tulika Books, em Nova Delhi. Após uma apresentação geral das intenções da publicação, a autora percorre trechos referenciais do livro entrelaçando-os com reflexões potentes apoiadas em suas próprias ideias e estabelecendo significativo diálogo com textos de Laura Rita Segato.

    Correction: Correia et al. Beyond Penicillin: The Potential of Filamentous Fungi for Drug Discovery in the Age of Antibiotic Resistance. 2023, 12, 1250

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    Manuel Simões was included as a corresponding author in the original publication [1] by mistake. The corrected corresponding author should be Lúcia C. Simões, and the email is updated accordingly. The authors state that the scientific conclusions are unaffected. This correction was approved by the Academic Editor. The original publication has also been updated.(undefined)info:eu-repo/semantics/publishedVersio

    Morbidity referred in professionals of the nursing: relationships with the schedule of work, weekly day and work domestic

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    Fundação Oswaldo Cruz. Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.O trabalho noturno e as longas jornadas semanais afetam a saúde e vida familiar dos profissionais. O enfoque de gênero é essencial neste contexto, dada a interação entre os trabalhos doméstico e profissional na gênese de alterações à saúde, observada em populações femininas. Este é um estudo exploratório, que visa avaliar associação entre a morbidade fisica/mental e queixas sobre o sono, fadiga e falta de tempo e (a) o horário de trabalho, (b) a longa duração das jornadas profissionais e domésticas e (c) a sobrecarga doméstica em profissionais da enfermagem. A coleta de dados foi realizada em dois hospitais públicos federais, através de questionário e formulário. Os supostos fatores de risco (trabalho noturno, longas jornadas profissional e doméstica e a sobrecarga doméstica) tomados como elementos focais de estudo, foram tratados, em suas relações com efeitos à saúde, através de análises univariadas, de forma a se poder instituir hipóteses, a serem abordadas no estudo longitudinal referido. Participaram do estudo 260 mulheres com idade entre 17 e 64 anos (média=37,4, desvio-padrão=7,4 anos), em sua maioria, casadas (70%). Quanto à categoria profissional, 23,5% eram enfermeiras, 69,2% eram técnicas de enfermagem e 7,3% eram auxiliares de serviços hospitalares; trabalhavam, em média, há 12,7 anos nesta ocupação (dp=5,9 anos). O trabalho noturno (nos hospitais estudados ou em outros locais) se associou a altos níveis de colesterol (quando há mais de 10 anos), à falta de tempo para si, os filhos e o descanso/lazer; ao menor número de atendimentos médicos e de enxaqueca. A jornada profissional superior a 40 h/semana associou-se à falta de tempo para si, a casa, os filhos e o descanso/lazer, mas relacionou-se à redução de problemas de saúde na última quinzena. O relato de enxaqueca e de distúrbio emocional severo foram mais freqüentes dentre as mulheres com carga de trabalho doméstico superior a 28 h/semana que, em contrapartida, foram as que menos se queixaram de problemas digestivos, sonolência e falta de tempo para os filhos e o descanso/lazer. Sobrecarga doméstica (considera tarefas domésticas e número de beneficiados) relacionou-se à falta de tempo para si e ao relato de varizes. Altas prevalências de varizes e de queixas de falta de tempo para si se associaram tanto à alta sobrecarga doméstica, como à alta carga total de trabalho (superior a 84 horas semanais). A prevalência do relato de hipertensão arterial foi menor entre as que detinham maior carga total de trabalho. A conciliação entre as atividades profissional e doméstica se revela complexa, em termos de seu possível impacto à saúde e à vida familiar, considerando que não há como separá-las na análise das relações trabalho-saúde em populações femininas. Os dados indicam caminhos para a realização de estudo longitudinal, com base em amostragem mais ampla, e a necessidade de aprofundamento do tema. É intenção promover maior integração com os Núcleos de Saúde do Trabalhador dos hospitais, de forma a que os resultados deste estudo possam subsidiar ações concretas que visem a melhoria das condições de trabalho nestes hospitais.Night work and long weekly work hours have negative effects on workers' health and family life. The gender approach is essential in this context, given that domestic and professional work are strongly interrelated among women, and may affect their health. This is an exploratory study, aiming at investigation whether referred physical and mental health conditions, and aspects of time management are associated to (a) to night work, (b) to long work hours both at hospitals and at home, and (c) to heavy housework among nursing personnel. Data collection was carried out in two public federal hospitals, through questionnaires and forms. The hypothetized risk factors (night work, long work hours per week both at hospitals and at home, and domestic overload) were taken as central elements, so that their relations to health conditions were evaluated through univariate analysis, in order to build hypothesis to be dealt with in the referred longitudinal study. Two hundred and sixty women took part in the study, their age range was between 17 and 64 y (mean values: 3.4 and standard deviation of 7.4 y); most of them were married (70%). As to professional category, 23.5 were nurses, 69.2 were nursing aids and 7.3 were auxiliaries in practical nursering; their mean time in career was 12.7 y y). Working at night (at the studied hospitals or at other places) was associated to high cholesterol (when working at night for more than 10 years), to the lack of time to themselves, to the children and to rest/leisure, as well as to a lower frequency of physician assistance and of complaints on migraine. Working for more than 40 hours per week was related to the lack of time for themselves, to the house, to the children and to rest/leisure, but it was related to the reduction of health problems in the last fortnight. Reports on migraine and severe emotional disturbance were more prevalent among women whose work hours at home were higher than 28 hours/week, nevertheless, those women showed a lower frequency of complaints about digestive problems, somnolence and lack of time to children and to rest/leisure. Domestic overload (considering domestic basic tasks as well as the number of potential beneficiaries) was related to the lack of time to herself and to the report of varicose veins. High prevalence of varicose veins report and of complaints about lack of time for themselves were associated both to the high domestic overload and to the high total working hours (higher than 84 hours/week). The prevalence of hypertension report was lower among those whose total working hours were high. The conciliation between professional and domestic activities is shown to be complex, as to their possible impact on health and family life, provided that there is no way to separate them when analyzing relations between work and health in female populations. These data indicate ways to carry out a longitudinal study based on a larger sample, and the need to deeper the subject. There is an intention to promote integrated actions with the Health Workers'Comissions at the hospitals under study, so that results here presented may subsidise concrete actions aiming at improving their work conditions at those hospitals

    Relations between psychosocial stress at work according to the demand-control model and blood pressure monitored: the role of domestic work

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    Fundação Oswaldo Cruz. Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.Este estudo teve como objetivo avaliar a relação entre o estresse psicossocial no trabalho, avaliado segundo o modelo demanda-controle e a pressão arterial monitorada ao longo das 24 horas em trabalhadoras da enfermagem. A coleta de dados foi realizada em 2008 e 2009, em um hospital geral de grande porte na cidade do Rio de Janeiro. Foram consideradas elegíveis todas as mulheres que prestavam assistência aos pacientes durante o dia e incluiu enfermeiras, técnicas e auxiliares de enfermagem. Todas as participantes aceitaram participar voluntariamente da entrevista e do monitoramento da pressão arterial. O estudo incluiu 175 trabalhadoras selecionadas a partir de amostragem por conveniência. A coleta de dados foi realizada por um membro treinado da equipe de pesquisa, responsável pelo monitoramento da pressão arterial e preenchimento do questionário. Foram utilizados monitores ambulatoriais da pressão arterial da marca SpaceLabs Medical (modelo 90207, SpaceLabs Medical, Inc., Redmond, WA), programados para aferir a pressão arterial a cada meia hora a partir do início de um dia de trabalho. As participantes foram instruídas a registrar no diário de atividades, ao final da aferição, a hora e sua localização (trabalho, casa, sono). A partir destes dados, foram calculadas as médias da pressão arterial correspondentes a três situações: no trabalho, em casa e durante o sono, descartando-se dados referentes a menos de cinco leituras. As informações referentes aos dados sócio-demográficos, ao trabalho profissional e doméstico e ao estresse psicossocial foram obtidas através de entrevistas baseadas em questionários. O estresse no trabalho foi avaliado segundo a formulação dos quadrantes, que define os seguintes grupos: alta exigência (alta demanda psicológica e baixo controle), considerado como o grupo de maior risco, trabalho ativo (alta demanda psicológica e alto controle), baixa exigência (baixa demanda psicológica e alto controle) e trabalho passivo (baixa demanda psicológica e baixo controle). A sobrecarga doméstica considera o número de moradores (excluindo o profissional estudado) e o grau de responsabilidade em relação às tarefas domésticas (limpar a casa, cozinhar, lavar e passar roupa). Quanto maior o grau de responsabilidade e/ou o número de beneficiados, maior a sobrecarga doméstica. As trabalhadoras tinham idade entre 21 e 68 anos (média: 46,1 anos; DP ±11,9 anos). A maioria era casada ou vivia em união estável (53,7%) e 16,7% tinham filhos menores de 14 anos; 59,2% se identificavam como pardos ou pretos; 29,1% enfermeiras, 33,2% técnicas e 37,7% eram auxiliares. O tempo médio de trabalho na área era de 20 anos (DP±10,8) e a média semanal de horas dedicadas ao trabalho profissional foi 25,7 horas (DP= ±12,9). Já a média semanal de horas dedicadas ao trabalho doméstico foi 20 horas (DP ± 15,4). Apenas 23,4% relatou praticar atividade física pelo menos uma vez por semana, 32% eram fumantes ou ex-fumantes e 63,4% estava com sobrepeso ou eram obesas. 2 Não foram encontradas associações significativas entre a alta exigência no trabalho (combinação de alta demanda e baixo controle) e alterações na pressão arterial. Contudo, a análise estratificada segundo a sobrecarga doméstica revelou valores da pressão arterial sistólica e diastólica em casa mais altos para as mulheres com alta sobrecarga doméstica. Não foram encontradas associações significativas entre o estresse no trabalho e a pressão arterial nos demais períodos do dia, tampouco no grupo com baixa sobrecarga doméstica. Os resultados sugerem a existência de interação da sobrecarga doméstica nas relações entre as variáveis de exposição e desfecho. Em relação às dimensões do modelo, não foram observadas associações significativas entre a demanda psicológica no trabalho e a pressão arterial. Já em relação ao controle, as mulheres com maior controle sobre o trabalho tendem a apresentar maior pressão sistólica no trabalho e maior pressão arterial diastólica no trabalho e nas 24 horas de monitoramento. Os maiores valores pressóricos entre os indivíduos com maior controle contradiz o esperado segundo o modelo teórico. É possível que os itens que avaliam o controle no trabalho não tenham considerado características importantes do trabalho em hospitais, entre as quais, as relações de hierarquia. Em que pese algumas limitações em termos do desenho e do tamanho da amostra, o objetivo principal deste estudo foi alcançado. Os resultados estimulam a investigação do trabalho doméstico em estudos no campo da saúde do trabalhador com amostras femininas. É possível que a participação do trabalho doméstico explique, em parte, a maior inconsistência nos resultados de estudos desta natureza com amostras femininas, quando comparados a estudos com amostras masculinas.This study was conducted in nursing workers and aimed to assess the relationship between psychosocial stress at work, evaluated according to the demandcontrol model, and ambulatory blood pressure, monitoring during 24h. Data collection took place from 2008 to 2009 at a Brazilian general hospital in Rio de Janeiro city (State of Rio de Janeiro). Eligible participants were those directly providing patient care such as nurses, nursing assistants and nurses’ aides. All participants were day workers which volunteered both to complete a self-administered questionnaire and to wear the blood pressure monitor. The studied sample included 175 workers selected from convenience sampling. A trained member from the research team was responsible for the monitoring and interviews. During 24 hours, participants wore a SpaceLabs Medical ambulatory BP monitor (Model 90207, SpaceLabs Medical, Inc., Redmond, WA). The monitors were programmed to measure the arterial BP every half hour since the beginning of a regular working day. Participants were asked to register in a diary the time and their location (i.e., work, home, sleep). The diary information was used to calculate average AmBPs for each location category: at work, at home and sleeping. When less than five readings were obtained for any of those categories, the corresponding average was treated as missing data. Information regarding socio-demographic data, professional work, housework and psychosocial stress were obtained through interviews based on questionnaires. Work psychosocial stress was assessed according to the quadrant form that defines the following groups: high strain (high demands and low control), active job (high demands and high control), low strain (low demands and high control) and passive job (low demands and low control). To calculate the domestic overload we considered the number of potential domestic work beneficiaries and the sharing degree for cleaning, cooking, washing, and ironing The higher the degree of responsibility and/or the number of beneficiaries, the higher is the domestic workload. Mean age for the whole group was 46.1 years-old (standard deviation ± 11.9 years-old), ranging from 21 to 68 years-old. Most workers live with a partner (53.7%), 16.7% have children younger than 14 years-old; 59.2% of subjects identified themselves as mixed skin color background or black; 29.1% were registered nurses, 33.2% were nursing assistants’ and 37.7% were nurses’ aides. Job tenure in the nursing profession was, on average, 20.0 years (SD=±10.8) and average professional work hours was 25.7 hours/ week (SD= ±12.9). Mean value for domestic work hours was 20.0 hours per week (SD ± 15.4). Only 23.4% reported to practice some physical activity, 32% were smokers and 63.4% were over weighted or obese. No significant association between high strain and increased blood pressure was detected. We observed evidences for an interaction between job strain and domestic overload, thus stratified analyses were performed for workers with high and low 4 domestic overload. Both systolic and diastolic blood pressures measured at home were higher in subjects exposed to both high strain and high domestic overload. There were no significant associations between job stress and blood pressure in the group with low domestic overload. Thus, the presented results allowed us to hypothesize the existence of an interaction among the domestic workload, outcome variables and exposure. Regarding the dimensions of the demand-control model, there were no significant associations between higher psychological demands at work and blood pressure. In relation to the control, women with higher control over work showed higher systolic blood pressure at work and higher diastolic blood pressure both at work and during the 24 hours of monitoring. The highest blood pressure values were detected in ere detected with higher control, contradicting the theoretical model. It is possible that the job control items did not consider important hospitals’ work characteristics such as hierarchical relationships. Despite some limitations, our main objective was achieved. The results stimulated the domestic work research with female samples within the occupational health field of study. Domestic work could explain, in part, the poor consistency of results obtained from studies with female samples when compared to studies with male samples

    Women at the wheel: an analysis of gender, health and work

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    Fundação Oswaldo Cruz. Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.A presente dissertação, que está inserida no campo da Saúde do Trabalhador, abordou o trabalho de mulheres motoristas de ônibus na cidade do Rio de Janeiro, buscando compreender o fenômeno imbricado na articulação trabalho-gênero-saúde. Umapesquisa empírica foi realizada com motoristas, uma supervisora de Recursos Humanos (RH) e uma instrutora que trabalham em uma empresa de ônibus situada na Zona Nortedo Rio de Janeiro e com motoristas de duas empresas da Zona Oeste da cidade. O objetivo deste estudo foi analisar como as condições de trabalho repercutem na saúde de mulheres que atuam como motoristas de ônibus urbanos na cidade do Rio de Janeiro. O referencial teórico adotado nos aproximou do conceito de gênero e da divisão sexual do trabalho e considerou uma concepção ampliada de saúde, que prioriza as experiências vividas pelos próprios trabalhadores na produção de conhecimentos sobre as relações entre o trabalho e a saúde. A metodologia adotada seguiu uma abordagem qualitativa, a partir de um mosaico científico composto de observações participantes no interior de ônibus guiados por mulheres, entrevistas semi-estruturadas e análise de matérias de revista especializada no transporte urbano por ônibus. Como resultado, destacamos que as condições de trabalho no setor de transporte rodoviário de passageiros por ônibus geram repercussões distintas à saúde, cujas principais diferenças podem ser compreendidas pela perspectiva de gênero. Nesse sentido, apontamos em nosso estudo que diferenças biológicas entre os sexos se apresentam como desvantagens ergonômicas para as mulheres que dirigem ônibus projetados para homens, uma vez que esta atividade parece ser ainda considerada, socialmente e, portanto com reflexos nas técnicas e tecnologias, como exclusiva para homens. Outro ponto fundamental analisado foram as repercussões geradas pela acoplagem dos trabalhos domésticos à atividade de motorista de ônibus que favorecem sobrecargas físicas e mentais no processo saúdedoença das mulheres que, apesar de sua inserção no trabalho assalariado ainda conservam como suas atribuições de gênero os cuidados com a casa e a família. A análise das entrevistas sobre o trabalho na perspectiva de gênero e suas repercussões à saúde adotou como referencial a ambiguidade apreendida nos discursos sobre as mulheres nessa atividade. Essa ambiguidade foi identificada na relação argumentativa entre um discurso genérico e comum a homens e mulheres sobre direção de ônibus como prática profissional qualificada e isenta de especificidades para um discurso entremeado por qualidades masculinas e femininas orientadas por atribuições e expectativas de gênero.This dissertation, which is inserted in the field of Worker’s Health, discussed the work of female bus drivers in the city of Rio de Janeiro, seeking to understand the phenomenon in light of work-gender-health issues. The research was conducted with female bus drivers, a supervisor in Human Resources (HR) and an instructor, who work at a bus company located in the northern zone of Rio de Janeiro, and with female bus drivers from two companies in the western zone of the city. The study aimed to analyze the effect of work conditions on the health of female bus drivers in Rio de Janeiro. The theoretical references for this study centered on the concepts of gender and the sexual division of labour, and considered a broader conception of health that prioritized the experiences of the workers themselves in the production of knowledge about the relations between work and health. The methodology followed a qualitative approach, based on a scientific mosaic made up of participants’ observations inside the buses driven by women, semi-structured interviews and analysis of articles from a magazine that specialized in urban bus transport. As a result, we can affirm that the work conditions in the bus transportation sector generate different consequences in terms of health, and that the main differences can be understood through the perspective of gender. In this sense, we identified in our study that biological differences between the sexes represent ergonomic disadvantages for the women that drive buses designed for male drivers, since this activity still seems to be socially considered an exclusively male area, and this fact impacts on the techniques and technology used. Another key point analyzed by the paper were the repercussions generated by the fact that female drivers carry out domestic work as well as their bus driving duties, which contributes to a physical and mental overload in the health-illness process of the women. Despite their insertion in the salaried workforce, these women must still take care of their house and family, as part of the attributes of their gender. The analysis of the interviews about the work under the perspective of gender and its repercussions on the health adopted as the reference the ambiguity found in the discourse about the women engaged in this activity. This ambiguity was identified in the argumentative relation between a generic discourse common to men and women about bus driving as a qualified professional practice exempt of specificities and a discourse with a wide range of masculine and feminine qualities oriented by gender attributions and expectations
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