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    Emoções, vulnerabilidade e educação para um ethos democrático em Martha Nussbaum

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    Diferentemente do que ocorreu na antiguidade clássica, no contexto contemporâneo o tema das emoções não tem ocupado todo o seu merecido espaço na esfera filosófica e educacional. Sem dúvida, a importância dada às emoções na vida humana foi atestada pelo lugar que lhes fora atribuído na filosofia, poesia, literatura e paideia grega, assim como nas escolas filosóficas helenistas. Temas complexos, angustiantes e decisivos para os seres humanos como o temor à morte, o amor, a compaixão e o sofrimento se faziam claramente presentes em tais tradições e eram situados entre os mais importantes para a vida humana. Tais temas traduziam a tensão antropológica fundamental existente entre a vulnerabilidade, que marca distintivamente o ser humano, e seu anseio por autossuficiência. As emoções se colocam, pois, no centro de um dos âmbitos mais peculiares e complexos da existência humana, qual seja, a própria condição de seres vulneráveis que os humanos são. No atual contexto o trato com as emoções tem sido marcado com frequência por um sentimentalismo reducionista, expresso pela busca ou compra, embalada pela publicidade, de sensações fortes e únicas. O pressuposto desse modo de entender as emoções está em interpretá-las na linha equivocada do “somos emotivos e não racionais” ou na suposição de que “todas as emoções são boas”, razão pela qual deveriam ser deixadas a manifestarem-se livremente tais como são, em sua pretensa pureza. O equívoco aí presente, repleto de implicações educativas, reside em supor que tudo o que brota espontaneamente do indivíduo é bom. Na perspectiva da filósofa norte-americana Martha Nussbaum, as emoções não se reduzem apenas a sentimentos e manifestações do corpo, pois envolvem também crenças, valorações e discernimento sobre as coisas que nos rodeiam. Podem ser positivas, como o amor e a compaixão, ou negativas como a repugnância projetiva. A seu ver, uma adequada educação das emoções tem profundas implicações para a constituição de um ethos democrático e necessita levar devidamente em conta a problemática da vulnerabilidade humana e do anseio de autossuficiência já bem conhecida pelos antigos. Quando entregues ao espontaneismo, ou mal orientadas, as emoções podem resultar em efeitos nefastos, como é o caso da repugnância projetiva de pessoas sobre determinados indivíduos e grupos sociais e da vergonha primitiva. Como lembra a filósofa, a repugnância faz com que certas pessoas sejam escolhidas como animais substitutos para que as outras – dominantes – supostamente se distanciem de aspectos de sua condição animal e da mortalidade que as apavora. De fato, a repugnância, enquanto forte desejo de separação da condição animal dos humanos, tem sido utilizada historicamente como arma poderosa para oprimir e excluir socialmente determinados grupos e pessoas. Nesse sentido, ela é um sinal da necessidade de as emoções serem bem orientadas desde a infância e os processos educativos, formais e informais, teriam um papel indispensável para tal. Quanto à vergonha primitiva, o ponto chave é que a marca do narcisismo infantil é profunda na vida humana e o amor, como seu contraponto, deveria ser entendido em termos de intercâmbio e de reciprocidade ao invés de fusão narcisista e desejo de controle e, nesse caso, o eu é compreendido como humano, ou seja, como incompleto. Por essa razão, a vergonha primitiva é um perigo constante na vida moral e social. Sob o prisma educativo, sua adequada orientação demanda um processo em que a criança vai se tornando capaz de renunciar gradualmente às demandas de completo controle sobre o cuidador ao ver que essas são inapropriadas. Como o campo das emoções é complexo, uma vez que concerne a dimensões profundas do humano e ao próprio modo de sua constituição, não basta focar a tarefa de sua educação somente no esforço dos pais e educadores, o que indiscutivelmente se faz necessário. Na perspectiva de Nussbaum, um ethos democrático somente pode ser constituído socialmente se se desenvolver também “ambientes facilitadores” institucionais, capazes de prevenir hierarquias sociais nocivas. Tais ambientes, enquanto necessários para um bom desenvolvimento das emoções de um cidadão, demandam não apenas um círculo familiar apropriado, mas também instituições políticas e sistemas legais adequados. Por essa razão, o caminho para fazer frente a emoções nocivas a um ethos democrático, como a repugnância projetiva e a vergonha primitiva, passa pelo reconhecimento da debilidade humana e pela aprendizagem de competências práticas, tais como a capacidade ver o mundo a partir da perspectiva do outro, nutrir um genuíno interesse pelos demais sujeitos, fomentar o sentido da responsabilidade individual e desenvolver a imaginação empática, a capacidade de se colocar no lugar do outro. No presente texto partiremos da teoria das emoções de Nussbaum visando discutir a necessidade de bem orientar emoções como a repugnância e a vergonha primitiva para dar conta da educação voltada para um ethos democrático. Após apresentarmos brevemente a relação existente entre emoções e vulnerabilidade humana em sua abordagem teórica, explicitaremos a caracterização que a autora faz da repugnância e da vergonha primitiva enquanto articuladas ao anseio humano de invulnerabilidade. No passo final, exploraremos como uma adequada orientação da vulnerabilidade humana, expressa em tais emoções, ajuda a tematizar indicativos na direção de uma educação das emoções voltada para um ethos democrático.Fil: Cenci, Angelo Vitório. Universidade de Passo Fundo; BrasilFil: Petry, Cleriston. Universidade de Passo Fundo; Brasi

    Despertando de sonhos intranquilos: a relação tensional entre a escola e a burocracia

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    Proponho, no presente artigo, pensar a articulação entre escola e burocracia, compreendendo o funcionamento e articulação do “aparato burocrático” nas escolas, extraindo as consequências para o processo de subjetivação e singularização dos sujeitos. Para tanto, parto dos estudos realizados por Max Weber (1864-1920), explicitando que ainda há uma gestão burocrática nas escolas entravando o desenvolvimento da cidadania e a formação do sujeito, enquanto indivíduo singular. Como o sociólogo está preocupado em explicar o funcionamento do modelo de gestão burocrático, elaborando uma tipologia da dominação por meio de uma análise empírica, não é apropriado buscar nele juízos normativos ou condições de possibilidade para a superação da relação entre escola e burocracia. Ademais, atento para a crítica de Jürgen Habermas (1929 -), explicando que a análise de Weber pode ser determinista na medida em que opera com um conceito reduzido de “racionalidade”. Habermas distingue “sistema” de “mundo da vida”, sendo que um é o espaço da racionalidade e da ação instrumental e o segundo da racionalidade e da ação comunicativa. Assim, garante a possibilidade de resistência e emancipação frente às possíveis patologias sociais, que podem ser encontradas, alegoricamentente, no livro O castelo , de Franz Kafka (1883-1924), em que se apresentam os limites e as consequências da burocracia para a singularização dos sujeitos. Por fim, ancorado em Hannah Arendt (1906-1975), parto do pressuposto de que a educação pode vir a contribuir com a esperança na superação da burocracia, por meio do “ensaio” para a vida pública, em que os estudantes são preparados para atuarem e fundarem novos corpos políticos, rompendo com estruturas burocráticas de relação, gestão e avaliação no interior de instituições educacionais.Fil: Cleriston Petry. Universidade de Passo Fundo; Brasi

    Going Beyond Counting First Authors in Author Co-citation Analysis

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    The present study examines one of the fundamental aspects of author co-citation analysis (ACA) - the way co-citation counts are defined. Co-citation counting provides the data on which all subsequent statistical analyses and mappings are based, and we compare ACA results based on two different types of co-citation counting - the traditional type that only counts the first one among a cited work's authors on the one hand and a non-traditional type that takes into account the first 5 authors of a cited work on the other hand. Results indicate that the picture produced through this non-traditional author co-citation counting contains more coherent author groups and is therefore considerably clearer. However, this picture represents fewer specialties in the research field being studied than that produced through the traditional first-author co-citation counting when the same number of top-ranked authors is selected and analyzed. Reasons for these effects are discussed

    O NOVO “ESPÍRITO DO CAPITALISMO” NA REFORMA CURRICULAR DO ENSINO MÉDIO DA REDE PÚBLICA ESTADUAL DO RS

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    Articulo, no presente texto, o novo “espírito do capitalismo” com a educação escolar por meio de uma interpretação dos documentos referentes à reforma curricular do Ensino Médio no estado do Rio Grande do Sul, efetivada pela Secretaria da Educação. O novo “espírito do capitalismo” começa a se constituir nos anos 70, a partir da defesa de um estilo de vida móvel, flexível e leve. Por meio dele, angariam o engajamento de trabalhadores e capitalistas oferecendo a empregabilidade como garantia àqueles que se engajarem nos projetos. Assim, os documentos do Ensino Médio Politécnico apresentam uma defesa de um novo “espírito do capitalismo”, ao passo que criticam, a partir da “cidade por projetos”, o “espírito” anterior, bem como o modelo de gestão burocrático. Apesar de se apoiarem numa epistemologia marxista, o Regimento Padrão e a Proposta Pedagógica acabam por legitimar o novo capitalismo, ao fazer a defesa da flexibilidade como eixo normativo da educação pública estadual. Ademais, o foco nessa perspectiva legitima uma linguagem da aprendizagem em detrimento de uma linguagem da educação e a ênfase no “trabalho” como princípio educativo e objetivo da educação, em detrimento da “ação” e dos ensaios para a cidadania

    Variations on the Author

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    “Variations on the Author” discusses two of Eduardo Coutinho’s recent films (Um Dia na Vida, from 2010, and Últimas Conversas, posthumously released in 2015) and their contribution to the general question of documentary authorship. The director’s filmography is characterized by a consistent yet self-effacing form of authorial self-inscription: Coutinho often features as an interviewer that rather than express opinions propels discourses; an interviewer that is good at listening. This mode of self-inscription characterizes him as an author who is not expressive but who is nonetheless markedly present on the screen. In Um Dia na Vida, however, Coutinho is completely absent form the image, while Últimas Conversas, on the contrary, includes a confessional prologue that moves the director from the margins to the center of his films. This article examines the ways in which these works stand out in the filmography of a director who offers new insights into the notion of cinematic authorship

    Appropriate Similarity Measures for Author Cocitation Analysis

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    We provide a number of new insights into the methodological discussion about author cocitation analysis. We first argue that the use of the Pearson correlation for measuring the similarity between authors’ cocitation profiles is not very satisfactory. We then discuss what kind of similarity measures may be used as an alternative to the Pearson correlation. We consider three similarity measures in particular. One is the well-known cosine. The other two similarity measures have not been used before in the bibliometric literature. Finally, we show by means of an example that our findings have a high practical relevance.information science;Pearson correlation;cosine;similarity measure;author cocitation analysis

    Dispelling the Myths Behind First-author Citation Counts

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    We conducted a full-scale evaluative citation analysis study of scholars in the XML research field to explore just how different from each other author rankings resulting from different citation counting methods actually are, and to demonstrate the capability of emerging data and tools on the Web in supporting more realistic citation counting methods. Our results contest some common arguments for the continued use of first-author citation counts in the evaluation of scholars, such as high correlations between author rankings by first-author citation counts and other citation counting methods, and high costs of using more realistic citation counting methods that are not well-supported by the ISI databases. It is argued that increasingly available digital full text research papers make it possible for citation analysis studies to go beyond what the ISI databases have directly supported and to employ more sophisticated methods

    Author Index

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    Profanar a natureza, instituir o comum: fundamentos filosófico-políticos para a educação ambiental

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    The article assumes that required a rapprochement between the concepts and the words that designate the perceptions and understandings about the idea of nature, when it comes to studies in the field of environmental education. The objective of the text was revisiting the theoretical-conceptual aspects that help in understanding nature, approaching the historical, political and philosophical foundations. This theoretical essay purposely approaches and moves away from the field of environmental education, it is justified by the attempt to extend the comprehensive horizon of the fundamentals. The study proposes the desecration of nature and the institution of the common as possibilities to this area.El artículo defiende que es necesario un acercamiento entre los conceptos y las palabras que designan las percepciones y comprensiones sobre la idea de la naturaleza cuando tratamos de estudios en el campo de la educación ambiental. El objetivo de este trabajo es revisar los aspectos teóricos y conceptuales que ayudan a comprender la naturaleza, acercándola a los fundamentos históricos, políticos y filosóficos. Este ensayo teórico se acerca y, en el mismo tiempo, se aleja del campo de la educación ambiental, con la finalidad de ampliar el horizonte de comprensión de sus fundamentos. El estudio propone la profanación de la naturaleza y la institución del común como posibilidades para el campo en evidencia.O artigo parte do pressuposto de que é necessária uma reaproximação entre os conceitos e as palavras que designam as percepções e entendimentos acerca da ideia de natureza, quando se trata dos estudos no campo da educação ambiental. Assim, o objetivo do texto foi o de revisitar os aspectos teórico-conceituais que auxiliam na compreensão da natureza, aproximando-a da fundamentação histórica, política e filosófica. Trata-se de um ensaio teórico que tanto se aproxima quanto se afasta, propositalmente, do campo da educação ambiental, justificando-se pela tentativa de alargamento do horizonte compreensivo de seus fundamentos. O estudo propõe a profanação da natureza e a instituição do comum como possibilidades ao campo em tese
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