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Interrogativas encobertas em português
This paper studies the grammatical behaviour of concealed questions, structures that superficially coincide with noun phrases, but are equivalent to sentential indirect questions, expressing propositions rather than denoting common entities – e.g. (ninguém me perguntou) [NP as pessoas que foram nomeadas] (lit.
‘(nobody asked me) the people that were nominated’). Normally, concealed questions can be paraphrased by equative interrogative clauses with qual – (ninguém me perguntou) [F quais são as pessoas que foram nomeadas] (lit.
‘(nobody asked me) who the people that were nominated were’) – and it is plausible to analyse the former as derived from the latter by ellipsis. However, this is not always the case. After a brief survey of the literature on concealed questions in English, Portuguese and Spanish, I will summarise their main semantic and syntactic properties in Portuguese. It will be shown, on the one hand, that concealed questions form a heterogeneous class in Portuguese, containing subclasses with special properties, viz. those that are selected by predicates of surprise – e.g. (surpreendeu-me) [NP as pessoas que foram nomeadas] (lit. ‘(it’s amazing) the people that were nominated’) –, which do not allow the paraphrase mentioned above. On the other hand, it will be shown that even the group of concealed questions that can be paraphrased by equative constructions exhibits variation in grammatical behaviour: some concealed questions display standard sentential properties, others standard nominal properties, others still oscillate between sentential-like and nominal-like behaviours.Este trabalho estuda o comportamento gramatical das interrogativas encobertas, estruturas que coincidem superficialmente com sintagmas nominais, mas equivalem a orações interrogativas indiretas, sendo objetos do plano proposicional e não do plano da referência comum – e.g. (ninguém me perguntou) [SN as pessoas que foram nomeadas]. Prototipicamente, as interrogativas encobertas são parafraseáveis por orações interrogativas equativas com qual – (ninguém me perguntou) [F quais são as pessoas que foram nomeadas] –, sendo plausível uma análise das primeiras como derivadas das segundas por elipse. Porém, esta possibilidade de paráfrase nem sempre existe. Após uma breve revisão da literatura sobre as interrogativas encobertas no inglês, no português e no espanhol, serão sumarizadas as propriedades semânticas e sintáticas mais destacadas das interrogativas encobertas em português. Por um lado, conclui-se que a classe é heterogénea, integrando subclasses com propriedades especiais, como as que dependem de predicados mirativos – e.g. (surpreendeu-me) [SN as pessoas que foram nomeadas] –, que não admitem a paráfrase atrás referida. Por outro lado, verifica-se ainda que, mesmo no grupo maioritário das interrogativas encobertas parafraseáveis por interrogativas equativas, há comportamentos gramaticais variáveis, uns tipicamente oracionais, outros tipicamente nominais, outros reveladores de oscilação entre comportamentos oracionais e nominais
Semântica e sintaxe das orações interrogativas com o quantificador quão no português contemporâneo
This paper discusses the semantics and the syntax of interrogative clauses (in a broad sense that encompasses the so-called subordinate exclamative clauses) with quão (‘how’) in contemporary Portuguese. It assesses the semantic value of quão as a quantifier over degrees, exploring the diversity of categories to which it applies: adjectival, adverbial or prepositional phrases, and quantifiers. It analyses the internal structure of quão-sentences, considering the variation in their sentence-initial wh-constituents. It looks at differences in the form of the quantifier (quão vs. o quão), at the compatibility with the focus-like phrase é que (typical of interrogative clauses), and at the competition between adjectival quão and adverbial quanto, both counterparts of English how. The work is centred on the analysis of contemporary usage, in the standard varieties of European and Brazilian Portuguese, and records differences between these two varieties. Data from extensive corpora of newspaper texts is used systematically. The number of different syntactic-semantic clause subtypes in these corpora is recorded in five tables in the paper.Este trabalho faz uma análise gramatical, semântica e sintática, das orações interrogativas (num sentido lato que abrange também as chamadas orações exclamativas subordinadas) com o morfema quão no português contemporâneo. Discute o valor semântico de quão como quantificador de graduação, explorando a diversidade de categorias a ele que se aplica: adjetivais, adverbiais, prepositivas e quantificacionais. Analisa a estrutura interna das orações com quão, considerando a diversidade de formas dos constituintes-Q que as encabeçam. Refere a variação na forma do quantificador (quão vs. o quão), a compatibilidade com a inserção de é que e a competição entre quão adjetival e quanto adverbial. O trabalho é orientado para a análise do uso contemporâneo, nas variedades padrão do português europeu e brasileiro, e para o registo de diferenças nesse uso. São usados sistematicamente dados de extensos corpora de texto jornalístico. O número de registos dos diferentes subtipos sintático-semânticos de orações com quão nesses corpora é contabilizado e apresentado em cinco quadros
The non-anteriority compound gerund and its licensing conditions
Esta dissertação tem como tópico o gerúndio composto (tendo + particípio
passado; doravante GC) em orações adverbiais em português europeu e
insere-se no marco teórico do Programa Minimalista (Boeckx 2006). Para
referir as relações discursivas será usada a terminologia proposta por Asher
e Lascarides (2005).
Tradicionalmente considerava-se que o GC em português expressa uma
relação de anterioridade relativamente à situação descrita pela frase matriz.
No entanto, em certas construções, o GC pode veicular outros valores
temporais, nomeadamente posterioridade relativamente à situação descrita
pela oração principal, inclusão temporal ou relações discursivas que não
especificam a ordenação temporal das duas situações, como tem sido notado
por vários autores em trabalhos mais recentes (cf. por exemplo Leal
2001; Móia e Viotti 2004, 2005; Lobo 2006, 2013; Cunha, Leal e Silvano
2008). Este GC de não anterioridade ainda é um tópico pouco estudado
e mal compreendido. Os trabalhos sobre o gerúndio mais recentes têm
descrito algumas das suas particularidades, nomeadamente que (i) o GC
de não anterioridade só pode ocorrer à direita da matriz, (ii) o verbo da
frase matriz ocorre num tempo com o traço [+ ANT], isto é, num tempo
verbal que localize a situação por ele descrita antes do momento de enunciação,
e (iii) o GC pode alternar livremente e sem alteração de significado
com o gerúndio simples, em certos casos. Estas três propriedades e restrições
de ocorrência não se verificam para o GC de anterioridade. No
entanto, relativamente ao GC de não anterioridade, os trabalhos acima
mencionados são, na sua maioria, meramente descritivos e não propõem
uma explicação para as particularidades observadas. Para além disso, as
poucas tentativas de explicação feitas até agora assumem implicitamente
uma abordagem morfológica (cf. por exemplo Leal 2001; Cunha, Leal e
Silvano 2008; Oliveira 2013), que não consegue dar conta de todas as possíveis
ocorrências do GC de não anterioridade. Estas análises assumem
que o GC adjunto à direita da frase matriz tem a particularidade de poder
expressar tanto anterioridade à situação descrita pela oração matriz, como anterioridade ao momento de enunciação. No entanto, esta afirmação é
empiricamente falsa, pois são possíveis frases em que o GC não expressa
nem anterioridade ao momento de enunciação nem anterioridade à situação
descrita pela frase a que está adjunto.
Nas línguas germânicas observa-se um fenómeno semelhante, nomeadamente
os chamados particípios parasíticos. Wurmbrand (2012) refere
três características comuns destes particípios: (i) são opcionais e alternam
livremente com o infinitivo, (ii) só podem ocorrer c-comandados por certos
núcleos e (iii) não possuem valor semântico perfetivo, tendo a mesma
interpretação que o infinitivo. Se compararmos estas três propriedades
com as propriedades do GC de não anterioridade, observamos (apesar
das várias diferenças) um certo paralelismo. Isto poderia ser um indício
de que ambos os fenómenos se baseiam no mesmo mecanismo sintático.
Wurmbrand propõe uma análise sintática dos particípios parasíticos que
se baseia na valoração de traços temporais subespecificados em Upward
Agree.
O primeiro objetivo desta dissertação é, portanto, oferecer uma descrição
tanto quanto possível exaustiva das possíveis ocorrências do GC de
não anterioridade, descrever as suas particularidades, rever as análises
propostas na literatura e avançar com uma análise sintática, semelhante
àquela proposta para os particípios parasíticos, que consiga captar todas
as particularidades observadas. Defenderei que o GC de não anterioridade
é estruturalmente diferente do tradicional GC de anterioridade e
surge de forma parasítica em certas configurações sintáticas. Assumindo
com Lobo (2006) que o núcleo T das gerundivas é inserido na derivação
com traços temporais subespecificados e que o complexo V-T tem de subir
para C, defenderei que, no caso do GC de não anterioridade, o núcleo
C da gerundiva é defetivo e não permite valorar os traços temporais do
T gerundivo. Se o T da gerundiva é c-comandado pelo T matriz e se
este T matriz contiver um traço [+ ANT], o T gerundivo valora os seus
traços temporais subespecificados contra o T matriz para [+ ANT] em Upward
Agree. Esta valoração de traços subespecificados permite a ocorrência
do GC como marca morfologicamente visível desta relação estrutural necessária
para a valoração de traços.
A partir da análise sintática do GC de não anterioridade proposta nesta
dissertação, surgem uma série de questões teóricas e empíricas. De um
ponto de vista teórico, a direcionalidade tradicionalmente assumida da
operação Agree (em que a sonda c-comanda o alvo) por exemplo por Chomsky
(2000, 2001), Pesetsky e Torrego (2007) ou Boškovi´c (2007) é posta em
causa ainda mais (para críticas prévias, cf. Wurmbrand 2012; Zeijlstra
2012; Bjorkman e Zeijlstra no prelo). Além disso, se aceitarmos a análise sintática proposta nesta dissertação, a divisão binária que foi proposta
para as orações gerundivas adjuntas em integradas (adjuntas a uma projeção
baixa) e periféricas (adjuntas a uma projeção alta) tem de ser reconsiderada
(cf. por exemplo Fernández Lagunilla 1999; Lobo 2006, 2013). De
um ponto de vista empírico, a análise sintática do GC de não anterioridade
faz uma série de predições sobre a aceitabilidade desta construção
em outras línguas românicas. Se a análise sintática for correta, a ocorrência
do GC de não anterioridade depende crucialmente da subespecificação de
traços temporais no núcleo C da gerundiva. Por este motivo, esperar-se-ia
que nas outras línguas românicas, o GC de não anterioridade que veicula
relações discursivas que não especificam a ordenação temporal das duas
situações (como por exemplo, Continuação, Comentário, Contraste etc.)
deveria ser possível.
O segundo objetivo desta dissertação é explorar as implicações teóricas
e empíricas da análise sintática proposta. Na parte teórica, serão discutidas
diferentes versões da operação de Agree, relativamente à direcionalidade
desta operação (sentido descendente ou ascendente) e ao trigger desta
operação (eliminação de traços não interpretáveis ou valoração de traços
não valorados). Para além disso, serão discutidas as propriedades geralmente
usadas para distinguir gerundivas integradas e periféricas e a adequação
destas propriedades para a classificação das gerundivas adjuntas.
Na parte empírica, esta dissertação tem o objetivo de proporcionar uma
comparação interlinguística com algumas línguas românicas, nomeadamente
o catalão, o galego, o francês e o espanhol. Para este efeito, foi
revista a literatura sobre o GC nestas línguas. No entanto, este fenómeno
é ainda pouco estudado e nenhuma das obras consultadas menciona o GC
de não anterioridade, apesar de encontrarmos algumas ocorrências nos
corpora das diferentes línguas. Por este motivo foi criado um teste de aceitabilidade
exploratório, com o objetivo de aferir a disponibilidade do GC
de não anterioridade nas línguas referidas. Este teste foi levado a cabo com
um grupo relativamente extenso de falantes nativos de galego, espanhol
e francês, assim como com um grupo de controlo português. Sendo um
teste exploratório, consideraram-se diferentes variáveis possíveis, nomeadamente
a presença ou ausência de um sujeito lexicalmente realizado,
a relação temporal (anterioridade, posterioridade, inclusão temporal ou
relações temporalmente não especificadas), assim como fatores sociolinguísticos,
como o conhecimento linguístico explícito do falante. Os resultados
foram analisados usando métodos estatísticos, nomeadamente o
teste de Wilcoxon (Field 2009). Os resultados deste teste de aceitabilidade
revelam que, de facto, o GC que expressa relações discursivas que não
especificam a ordenação temporal das duas situações é aceitável em todas as línguas testadas. Isto é um argumento adicional a favor da análise
sintática proposta previamente. O GC de posterioridade, por outro lado, é
geralmente rejeitado pelos informantes das três línguas românicas. O GC
de inclusão temporal, ainda por outro lado, apresenta resultados pouco
conclusivos e que apontam para a influência de fatores extralinguísticos,
nomeadamente o conhecimento linguístico explícito do informante. Serão
necessários estudos mais aprofundados e direcionados para responder às
várias questões de investigação que surgiram desta dissertação.This study focuses on the compound gerund (CG) in adjunct clauses. In
European Portuguese, contrary to traditional descriptions (e.g. Cunha and
Cintra 1987), this form (gerund of the auxiliary ter ’have’ + past participle)
can express not only anteriority, but various other types of temporal ordering,
in connection with a whole range of different rhetorical relations,
namely posteriority, temporal inclusion and temporally unspecified discourse
relations (henceforth the non-anteriority CG).
This non-anteriority CG is an understudied and still poorly understood
phenomenon. Previous accounts of the gerund in European Portuguese
remain largely descriptive and do not fully capture the variety of possible
occurrences of this structure (see for example Leal 2001; Móia and Viotti
2004, 2005; Lobo 2006, 2013; Cunha et al. 2008). The first goal of this study
is, therefore, to further explore the temporal interpretations of the CG in
adjunct clauses, and to develop a syntactic analysis of the non-anteriority
CG within the framework of the Minimalist Program (Boeckx 2006).
Previous accounts assume that the compound gerund normally expresses
anteriority to the situation described by the clause to which it is
adjoined, and that sentence-final adjoined clauses have the particularity
that they can also express anteriority to the utterance time. However,
empirically this assumption is not borne out. I will alternatively propose
a syntactic analysis that explains the non-anteriority CG through
feature underspecification on the gerund T head and subsequent valuation
of these features in Upward Agree. Based on this syntactic analysis,
a series of theoretical and empirical questions arise. From a theoretical
perspective, the downward directionality of Agree, as traditionally
assumed (e.g. by Chomsky 2000, 2001; Pesetsky and Torrego 2007), is further
put into question (for previous criticism see, for example,Wurmbrand
2012; Zeijlstra 2012). Furthermore, if we accept a syntactic analysis of this
phenomenon, then the classic binary division of gerund adjunct clauses
into integrated (low adjunction) and peripheral (high adjunction) (see for
example Fernández Lagunilla 1999; Lobo 2006, 2013) needs to be reconsidered. From an empirical perspective, a syntactical analysis of the nonanteriority
CG in Portuguese makes a series of predictions on its availability
in certain constructions. Furthermore, it predicts that at least one
type of non-anteriority CG (the one expressing temporally unspecified discourse
relations) should be available in other Romance languages. The
second goal of this study is, therefore, to explore some of the theoretical
and empirical questions raised by this analysis. In order to broaden the
picture and test the hypotheses concerning the availability of the nonanteriority
CG in other Romance languages, this study includes a crosslinguistic
comparison of a sample of Romance languages (Portuguese, Galician,
Spanish and French). Given that there is little research on this phenomenon
in other Romance languages, despite the non-anteriority CG being
attested in corpora, an exploratory acceptability judgment task was
developed. This test was carried out with a relatively large number of
native speakers of these three languages and with a Portuguese control
group, then analyzed using statistic methods (namely the Wilcoxon rank
sum test and the Wilcoxon signed rank test, see Field 2009). The results
of this exploratory test not only provide some insight on the availability
of the non-anteriority CG constructions in these Romance languages, but
also shed some light on the range of temporal interpretations of the gerund,
in general, in these languages
The non-anteriority compound gerund and its licensing conditions
Esta dissertação tem como tópico o gerúndio composto (tendo + particípio
passado; doravante GC) em orações adverbiais em português europeu e
insere-se no marco teórico do Programa Minimalista (Boeckx 2006). Para
referir as relações discursivas será usada a terminologia proposta por Asher
e Lascarides (2005).
Tradicionalmente considerava-se que o GC em português expressa uma
relação de anterioridade relativamente à situação descrita pela frase matriz.
No entanto, em certas construções, o GC pode veicular outros valores
temporais, nomeadamente posterioridade relativamente à situação descrita
pela oração principal, inclusão temporal ou relações discursivas que não
especificam a ordenação temporal das duas situações, como tem sido notado
por vários autores em trabalhos mais recentes (cf. por exemplo Leal
2001; Móia e Viotti 2004, 2005; Lobo 2006, 2013; Cunha, Leal e Silvano
2008). Este GC de não anterioridade ainda é um tópico pouco estudado
e mal compreendido. Os trabalhos sobre o gerúndio mais recentes têm
descrito algumas das suas particularidades, nomeadamente que (i) o GC
de não anterioridade só pode ocorrer à direita da matriz, (ii) o verbo da
frase matriz ocorre num tempo com o traço [+ ANT], isto é, num tempo
verbal que localize a situação por ele descrita antes do momento de enunciação,
e (iii) o GC pode alternar livremente e sem alteração de significado
com o gerúndio simples, em certos casos. Estas três propriedades e restrições
de ocorrência não se verificam para o GC de anterioridade. No
entanto, relativamente ao GC de não anterioridade, os trabalhos acima
mencionados são, na sua maioria, meramente descritivos e não propõem
uma explicação para as particularidades observadas. Para além disso, as
poucas tentativas de explicação feitas até agora assumem implicitamente
uma abordagem morfológica (cf. por exemplo Leal 2001; Cunha, Leal e
Silvano 2008; Oliveira 2013), que não consegue dar conta de todas as possíveis
ocorrências do GC de não anterioridade. Estas análises assumem
que o GC adjunto à direita da frase matriz tem a particularidade de poder
expressar tanto anterioridade à situação descrita pela oração matriz, como anterioridade ao momento de enunciação. No entanto, esta afirmação é
empiricamente falsa, pois são possíveis frases em que o GC não expressa
nem anterioridade ao momento de enunciação nem anterioridade à situação
descrita pela frase a que está adjunto.
Nas línguas germânicas observa-se um fenómeno semelhante, nomeadamente
os chamados particípios parasíticos. Wurmbrand (2012) refere
três características comuns destes particípios: (i) são opcionais e alternam
livremente com o infinitivo, (ii) só podem ocorrer c-comandados por certos
núcleos e (iii) não possuem valor semântico perfetivo, tendo a mesma
interpretação que o infinitivo. Se compararmos estas três propriedades
com as propriedades do GC de não anterioridade, observamos (apesar
das várias diferenças) um certo paralelismo. Isto poderia ser um indício
de que ambos os fenómenos se baseiam no mesmo mecanismo sintático.
Wurmbrand propõe uma análise sintática dos particípios parasíticos que
se baseia na valoração de traços temporais subespecificados em Upward
Agree.
O primeiro objetivo desta dissertação é, portanto, oferecer uma descrição
tanto quanto possível exaustiva das possíveis ocorrências do GC de
não anterioridade, descrever as suas particularidades, rever as análises
propostas na literatura e avançar com uma análise sintática, semelhante
àquela proposta para os particípios parasíticos, que consiga captar todas
as particularidades observadas. Defenderei que o GC de não anterioridade
é estruturalmente diferente do tradicional GC de anterioridade e
surge de forma parasítica em certas configurações sintáticas. Assumindo
com Lobo (2006) que o núcleo T das gerundivas é inserido na derivação
com traços temporais subespecificados e que o complexo V-T tem de subir
para C, defenderei que, no caso do GC de não anterioridade, o núcleo
C da gerundiva é defetivo e não permite valorar os traços temporais do
T gerundivo. Se o T da gerundiva é c-comandado pelo T matriz e se
este T matriz contiver um traço [+ ANT], o T gerundivo valora os seus
traços temporais subespecificados contra o T matriz para [+ ANT] em Upward
Agree. Esta valoração de traços subespecificados permite a ocorrência
do GC como marca morfologicamente visível desta relação estrutural necessária
para a valoração de traços.
A partir da análise sintática do GC de não anterioridade proposta nesta
dissertação, surgem uma série de questões teóricas e empíricas. De um
ponto de vista teórico, a direcionalidade tradicionalmente assumida da
operação Agree (em que a sonda c-comanda o alvo) por exemplo por Chomsky
(2000, 2001), Pesetsky e Torrego (2007) ou Boškovi´c (2007) é posta em
causa ainda mais (para críticas prévias, cf. Wurmbrand 2012; Zeijlstra
2012; Bjorkman e Zeijlstra no prelo). Além disso, se aceitarmos a análise sintática proposta nesta dissertação, a divisão binária que foi proposta
para as orações gerundivas adjuntas em integradas (adjuntas a uma projeção
baixa) e periféricas (adjuntas a uma projeção alta) tem de ser reconsiderada
(cf. por exemplo Fernández Lagunilla 1999; Lobo 2006, 2013). De
um ponto de vista empírico, a análise sintática do GC de não anterioridade
faz uma série de predições sobre a aceitabilidade desta construção
em outras línguas românicas. Se a análise sintática for correta, a ocorrência
do GC de não anterioridade depende crucialmente da subespecificação de
traços temporais no núcleo C da gerundiva. Por este motivo, esperar-se-ia
que nas outras línguas românicas, o GC de não anterioridade que veicula
relações discursivas que não especificam a ordenação temporal das duas
situações (como por exemplo, Continuação, Comentário, Contraste etc.)
deveria ser possível.
O segundo objetivo desta dissertação é explorar as implicações teóricas
e empíricas da análise sintática proposta. Na parte teórica, serão discutidas
diferentes versões da operação de Agree, relativamente à direcionalidade
desta operação (sentido descendente ou ascendente) e ao trigger desta
operação (eliminação de traços não interpretáveis ou valoração de traços
não valorados). Para além disso, serão discutidas as propriedades geralmente
usadas para distinguir gerundivas integradas e periféricas e a adequação
destas propriedades para a classificação das gerundivas adjuntas.
Na parte empírica, esta dissertação tem o objetivo de proporcionar uma
comparação interlinguística com algumas línguas românicas, nomeadamente
o catalão, o galego, o francês e o espanhol. Para este efeito, foi
revista a literatura sobre o GC nestas línguas. No entanto, este fenómeno
é ainda pouco estudado e nenhuma das obras consultadas menciona o GC
de não anterioridade, apesar de encontrarmos algumas ocorrências nos
corpora das diferentes línguas. Por este motivo foi criado um teste de aceitabilidade
exploratório, com o objetivo de aferir a disponibilidade do GC
de não anterioridade nas línguas referidas. Este teste foi levado a cabo com
um grupo relativamente extenso de falantes nativos de galego, espanhol
e francês, assim como com um grupo de controlo português. Sendo um
teste exploratório, consideraram-se diferentes variáveis possíveis, nomeadamente
a presença ou ausência de um sujeito lexicalmente realizado,
a relação temporal (anterioridade, posterioridade, inclusão temporal ou
relações temporalmente não especificadas), assim como fatores sociolinguísticos,
como o conhecimento linguístico explícito do falante. Os resultados
foram analisados usando métodos estatísticos, nomeadamente o
teste de Wilcoxon (Field 2009). Os resultados deste teste de aceitabilidade
revelam que, de facto, o GC que expressa relações discursivas que não
especificam a ordenação temporal das duas situações é aceitável em todas as línguas testadas. Isto é um argumento adicional a favor da análise
sintática proposta previamente. O GC de posterioridade, por outro lado, é
geralmente rejeitado pelos informantes das três línguas românicas. O GC
de inclusão temporal, ainda por outro lado, apresenta resultados pouco
conclusivos e que apontam para a influência de fatores extralinguísticos,
nomeadamente o conhecimento linguístico explícito do informante. Serão
necessários estudos mais aprofundados e direcionados para responder às
várias questões de investigação que surgiram desta dissertação.This study focuses on the compound gerund (CG) in adjunct clauses. In
European Portuguese, contrary to traditional descriptions (e.g. Cunha and
Cintra 1987), this form (gerund of the auxiliary ter ’have’ + past participle)
can express not only anteriority, but various other types of temporal ordering,
in connection with a whole range of different rhetorical relations,
namely posteriority, temporal inclusion and temporally unspecified discourse
relations (henceforth the non-anteriority CG).
This non-anteriority CG is an understudied and still poorly understood
phenomenon. Previous accounts of the gerund in European Portuguese
remain largely descriptive and do not fully capture the variety of possible
occurrences of this structure (see for example Leal 2001; Móia and Viotti
2004, 2005; Lobo 2006, 2013; Cunha et al. 2008). The first goal of this study
is, therefore, to further explore the temporal interpretations of the CG in
adjunct clauses, and to develop a syntactic analysis of the non-anteriority
CG within the framework of the Minimalist Program (Boeckx 2006).
Previous accounts assume that the compound gerund normally expresses
anteriority to the situation described by the clause to which it is
adjoined, and that sentence-final adjoined clauses have the particularity
that they can also express anteriority to the utterance time. However,
empirically this assumption is not borne out. I will alternatively propose
a syntactic analysis that explains the non-anteriority CG through
feature underspecification on the gerund T head and subsequent valuation
of these features in Upward Agree. Based on this syntactic analysis,
a series of theoretical and empirical questions arise. From a theoretical
perspective, the downward directionality of Agree, as traditionally
assumed (e.g. by Chomsky 2000, 2001; Pesetsky and Torrego 2007), is further
put into question (for previous criticism see, for example,Wurmbrand
2012; Zeijlstra 2012). Furthermore, if we accept a syntactic analysis of this
phenomenon, then the classic binary division of gerund adjunct clauses
into integrated (low adjunction) and peripheral (high adjunction) (see for
example Fernández Lagunilla 1999; Lobo 2006, 2013) needs to be reconsidered. From an empirical perspective, a syntactical analysis of the nonanteriority
CG in Portuguese makes a series of predictions on its availability
in certain constructions. Furthermore, it predicts that at least one
type of non-anteriority CG (the one expressing temporally unspecified discourse
relations) should be available in other Romance languages. The
second goal of this study is, therefore, to explore some of the theoretical
and empirical questions raised by this analysis. In order to broaden the
picture and test the hypotheses concerning the availability of the nonanteriority
CG in other Romance languages, this study includes a crosslinguistic
comparison of a sample of Romance languages (Portuguese, Galician,
Spanish and French). Given that there is little research on this phenomenon
in other Romance languages, despite the non-anteriority CG being
attested in corpora, an exploratory acceptability judgment task was
developed. This test was carried out with a relatively large number of
native speakers of these three languages and with a Portuguese control
group, then analyzed using statistic methods (namely the Wilcoxon rank
sum test and the Wilcoxon signed rank test, see Field 2009). The results
of this exploratory test not only provide some insight on the availability
of the non-anteriority CG constructions in these Romance languages, but
also shed some light on the range of temporal interpretations of the gerund,
in general, in these languages
Going Beyond Counting First Authors in Author Co-citation Analysis
The present study examines one of the fundamental aspects of author co-citation analysis (ACA) - the way co-citation
counts are defined. Co-citation counting provides the data on which all subsequent statistical analyses and mappings
are based, and we compare ACA results based on two different types of co-citation counting - the traditional type that
only counts the first one among a cited work's authors on the one hand and a non-traditional type that takes into
account the first 5 authors of a cited work on the other hand. Results indicate that the picture produced through this non-traditional author co-citation counting contains more coherent author groups and is therefore considerably clearer. However, this picture represents fewer specialties in the research field being studied than that produced through the traditional first-author co-citation counting when the same number of top-ranked authors is selected and analyzed. Reasons for these effects are discussed
Variations on the Author
“Variations on the Author” discusses two of Eduardo Coutinho’s recent films (Um Dia na Vida, from 2010, and Últimas Conversas, posthumously released in 2015) and their contribution to the general question of documentary authorship. The director’s filmography is characterized by a consistent yet self-effacing form of authorial self-inscription: Coutinho often features as an interviewer that rather than express opinions propels discourses; an interviewer that is good at listening. This mode of self-inscription characterizes him as an author who is not expressive but who is nonetheless markedly present on the screen. In Um Dia na Vida, however, Coutinho is completely absent form the image, while Últimas Conversas, on the contrary, includes a confessional prologue that moves the director from the margins to the center of his films. This article examines the ways in which these works stand out in the filmography of a director who offers new insights into the notion of cinematic authorship
Appropriate Similarity Measures for Author Cocitation Analysis
We provide a number of new insights into the methodological discussion about author cocitation analysis. We first argue that the use of the Pearson correlation for measuring the similarity between authors’ cocitation profiles is not very satisfactory. We then discuss what kind of similarity measures may be used as an alternative to the Pearson correlation. We consider three similarity measures in particular. One is the well-known cosine. The other two similarity measures have not been used before in the bibliometric literature. Finally, we show by means of an example that our findings have a high practical relevance.information science;Pearson correlation;cosine;similarity measure;author cocitation analysis
Dispelling the Myths Behind First-author Citation Counts
We conducted a full-scale evaluative citation analysis study of scholars in the XML research field to explore just how different from each other author rankings resulting from different citation counting methods actually are, and to demonstrate the capability of emerging data and tools on the Web in supporting more realistic citation counting methods. Our results contest some common arguments for the continued
use of first-author citation counts in the evaluation of scholars, such as high correlations between author rankings by first-author citation counts and other citation
counting methods, and high costs of using more realistic citation counting methods that are not well-supported by the ISI databases. It is argued that increasingly available digital full text research papers make it possible for citation analysis studies to go beyond what the ISI databases have directly supported and to employ more
sophisticated methods
- …
