1,744,835 research outputs found
A Escola no contexto das lutas do MST
Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Florianópolis, 2010Esta pesquisa tem por objetivo analisar a importância atribuída à escola pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, investigando o conjunto do trabalho escolar desenvolvido por esse Movimento. A problemática da pesquisa situa-se em um contexto de aprofundamento das contradições sociais no modo capitalista de produção, do avanço do capital no campo brasileiro e na crescente precarização da escola ofertada à classe trabalhadora. Nessa realidade contraditória, o MST desenvolve um vasto trabalho educacional por dentro do sistema público, buscando articular a escola aos seus interesses de classe, de onde surge nossa questão de pesquisa: qual o sentido da luta por escola no MST e como ela se articula com a luta mais geral do MST e da classe trabalhadora? O que há na instituição escolar que interessa ao MST? Por qual escola o Movimento luta? O que essas escolas evidenciam na direção da emancipação? Para responder a essas indagações buscamos nas obras de Marx, Lukács e Mészáros a explicação das estruturas contraditórias e alienantes das sociedades divididas em classe, a fragmentação do trabalho e do conhecimento. Também nos empenhamos em apreender como a sociedade capitalista molda a instituição escolar e quais seriam os fundamentos para ela voltar-se à emancipação humana, apoiando-nos em Manacorda, Suchodolski, Pistrak e Freitas. Detivemo-nos ainda em situar a luta do MST no contexto do campo brasileiro. Em termos metodológicos realizamos pesquisa nos documentos do MST sobre escola; entrevistas com integrantes desse Movimento; pesquisa bibliográfica de teses e observações em atividades do setor de educação. Buscamos identificar como a questão escolar se constitui na trajetória desse Movimento Social, qual o sentido atribuído à escola, os objetivos que dela se esperam, a concepção que a orienta, as principais dificuldades de implementação da proposta e a novidade desta experiência. Evidenciamos haver grande articulação entre a construção de um projeto escolar no Movimento e o conjunto das lutas empreendidas por este. O sentido maior atribuído à escola é o de ligar-se à transformação social, especialmente por meio de três objetivos: a formação para o trabalho, para o conhecimento elaborado e para a formação de militantes. A experiência estudada busca construir um novo conteúdo/forma escolar, tendo por base a Educação Popular, a Pedagogia Socialista, a Pedagogia do Movimento e a Educação do Campo. Identificamos, porém, dificuldades para realizar essa articulação dialética entre forma e conteúdo, com maior fragilização do acesso ao saber culto. Observamos, ainda, grande expectativa sobre as possibilidades de a escola contribuir com a formação pretendida num contexto de descenso das lutas sociais. Entendemos, finalmente, que a experiência estudada revela uma importante contribuição à construção de uma escola coerente com a perspectiva da emancipação humana, gestada no seio da luta do MST
A necessisdade histórica da cultura corporal: possibilidades emancipatórias em áreas de reforma agrária - MST/Bahia
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Florianópolis, 2009.Esse estudo tem como problemática central o desenvolvimento da cultura corporal em áreas de reforma agrária e seus nexos com o projeto de formação revolucionário da classe trabalhadora, no caso do MST/ Regional Recôncavo, no estado da Bahia. Para atingir o objetivo da pesquisa, realiza estudo sobre a produção e a reprodução do ser social, a interdependência dos complexos sociais e a questão do complexo da cultura, buscando demonstrar as bases e os princípios da cultura corporal, sua necessidade histórica e sua forma predominante na sociedade do capital. Com base no Materialismo Histórico e Dialético, realiza a investigação sobre a participação da cultura corporal na política cultural do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, a partir de documentos e textos do MST, entrevistas e pesquisa de campo no assentamento Menino Jesus, localizado na Regional Recôncavo - MST/Bahia. Entre os resultados alcançados na pesquisa, destacam-se: a) a presença da cultura corporal na produção teórica do MST é ínfima, apesar de existir uma vasta produção sobre cultura de forma geral; b) independente da sistematização teórica, as práticas da cultura corporal existem de forma significativa nos assentamentos; c) as atividades da cultura corporal realizadas em áreas de reforma agrária assemelham-se à perspectiva hegemônica, no que se refere ao trato dos conteúdos; d) a formação dos Sem Terra impõe um olhar crítico próprio da sua luta diária sob os elementos da cultura corporal, promovendo indícios de uma perspectiva contra-hegemônica; e) as crianças e jovens Sem Terra são os responsáveis pelo impulsionar das práticas corporais; f) a precária produção da existência nos assentamentos e acampamentos limita o desenvolvimento da cultura corporal. A partir das discussões desenvolvidas, é possível concluir que a cultura corporal desenvolvida em áreas de reforma agrária expressa as contradições próprias da luta de classe enfrentada pelo MST, apresentando os germes de uma perspectiva emancipatória, apontando os indícios de uma cultura corporal que supere a forma hegemônica da sociedade capitalista. No entanto, essas experiências estão ameaçadas pelas precárias condições da produção da existência nas áreas de reforma agrária e seu avanço limitado pelas vitórias da classe trabalhadora. É perceptível nessas atividades a presença do novo sendo gestado no seio do velho/atual em degeneração
A formação da criança e a ciranda infantil do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Florianópolis, 2013.Esta pesquisa teve como objetivo principal o estudo das Cirandas Infantis do MST, suas peculiaridades, particularmente as que se referem à organização e proposição de atividades formativas para a criança, entre elas a brincadeira. Fundamentada na perspectiva histórico-cultural do desenvolvimento humano, realizou-se no ano de 2013, por meio de estudos bibliográficos, questionários e observações do espaço organizado pela Ciranda Infantil de Rio Bonito do Iguaçu, PR, das atividades cotidianas, das brincadeiras realizadas e dos processos educativos realizados pelos educadores. Para aperfeiçoamento e reconhecimento do campo de estudo, realizamos a leitura das dissertações que tiveram como tema a Ciranda Infantil, dando atenção especial aos objetivos, metodologia e conclusões, para identificar os aspectos comuns e as particularidades com relação a cada pesquisa. Entre as dissertações, este estudo é pioneiro no estado do Paraná. Neste estado brasileiro foram identificadas quatro Cirandas Infantis Permanentes. A Ciranda Infantil Permanente de Rio Bonito do Iguaçu foi selecionada para a realização da pesquisa de campo, por ser considerada uma das experiências que, há vários anos, busca exercitar os princípios da proposta educativa dos Movimentos Sociais do Campo, no estado. Partimos do pressuposto de que identificar a criança no interior das práticas educativas conduzidas pelos Movimentos Sociais do Campo parte da necessidade de conhecer o constituir-se criança, os modos, os tempos e espaços reservados para potencializar a formação das máximas qualidades humanas na infância. Os resultados apontam que a Ciranda Infantil representa uma conquista e traz a possibilidade de oferecer elementos que permitem contribuir para os estudos e debates sobre as relações entre Educação, Infância, Criança e Escola. As crianças que participam das Cirandas Infantis são filhos e filhas de trabalhadores rurais Sem Terra e consideradas participantes e integrantes de uma luta, como projeto de futuro. Por meio da luta, da educação e do trabalho, é formada a identidade Sem Terrinha. Essa condição pode indicar o reconhecimento e a visibilidade do MST em relação à criança. Todavia, a criança, como sujeito humano e histórico, está presente no sujeito militante que o MST pretende formar. Quando intenciona a formação omnilateral, reconhece a Ciranda Infantil como espaço educativo, no qual são compartilhadas experiências de um modo de viver, que inclui processos de aprendizagem que geram desenvolvimento humano, mediante situações e interações sociais basilares para a apropriação da cultura. Assim, as brincadeiras se constituem como instância importante para isso. Apesar dos limites e das contradições históricas que há na proposta educacional e em algumas ações do MST, nota-se a existência de uma grande preocupação com a formação educacional e política dos sujeitos do campo. A pesquisa também revelou o quanto é relevante, científica e socialmente, conhecer a criança, seja aquela vinculada ao MST ou não, e o quanto se faz necessário o aprofundamento teórico e metodológico nos estudos da infância na escola.Abstract : This research aimed to study the MST's Child Cirandas, its peculiarities, particularly those relating to the organization and proposing training activities for the child, including the prank. Grounded in historical and cultural perspective of human development, was held in 2013, through bibliographic studies, questionnaires and observations of space organized by Children CIRANDA Rio Bonito do Iguaçu, PR, daily activities, the games performed and educational processes conducted by educators. For improvement and recognition of the field of study, we performed the reading of essays that had as its theme Children Ciranda with special attention to the objectives, methodology and conclusions, to identify commonalities and particularities with respect to each search. Among the theses, this study is the first in the state of Paraná. In this Brazilian state, 4 child Cirandas were identified. The Permanent Child Ciranda of Rio Bonito do Iguaçu was selected to carry out the field research, since it is considered one of the experiments that has sought to exercise of the principles of the educational proposal of the Social Movements of the rural workers in the state. Our starting point is that identify the child inside the educational practices conducted by the Field's Social Movements need to know the make - up child, modes, times and venues to enhance the formation of the maximum human qualities in childhood. The results indicate that the Child Ciranda is an achievement and brings the ability to provide information to enable them to contribute to research and debate for the Early Childhood Education field. Children who participate in Cirandas Kids are sons and daughters of landless rural workers and considered participants and members of a fight, as future project. Through struggle, education and work is formed the identity Little Landless. This condition may indicate the recognition and visibility of the MST for the child. However, the child as a human and historical subject is present in the militant subject that MST intends to form. When intends to omnilateral training, recognizes the Child Ciranda as an educational space in which experiences a way of living, which includes learning processes that generate human development by basic social situations and interactions for the appropriation of culture. Thereby, the games are as important to this instance. Despite the limits and historical contradictions in the educational proposal and some actions of the MST, there is the existence of a great concern for the educational and political education of the country people. The survey also revealed how is scientific and socially relevant to know the child, is the one linked to the MST or not, and how much is necessary the theoretical and methodological deepening in the studies of childhood
Educação, trabalho e emancipação humana: um estudo sobre as escolas itinerantes dos acampamentos do MST
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação.Esta pesquisa tem por objetivo analisar a experiência da Escola Itinerante que se desenvolve nos acampamentos organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, considerando o contexto de constituição histórica da escola pública, gratuita e universal e o projeto sócio-político-educacional do MST de emancipação social. As problemáticas centrais da pesquisa são: Partindo da materialidade atual, situada num contexto de crise marcadamente contra-revolucionário, como a educação, em especial a escola, pode se encaminhar na direção de um projeto de emancipação humana? O que há de contestador na proposta da Escola Itinerante? Como ela se contrapõe à escola do capital? Quais suas contradições ao buscar reconhecimento do Estado e, ao mesmo tempo, instituir espaços e formas alternativas de escolarização? Quais são os principais limites para que sua proposta se materialize? A proposição escolar do MST representa um embrião, uma referência de escola para a classe trabalhadora? Buscamos conhecer o MST e suas práticas educativas tendo como referência, principalmente, as obras de Marx e Mészáros, para a compreensão da materialidade atual que tem se caracterizado pelo acirramento da lógica destrutiva do capital e pela necessidade histórica da emancipação humana como única alternativa viável frente à destruição da humanidade. Também nos referenciamos nos pressupostos teóricos da Pedagogia Socialista e da Teoria Marxista para desenvolver nossas análises. Em termos metodológicos, realizamos a pesquisa na Escola Itinerante Sementes do Amanhã no Acampamento Chico Mendes, que se localiza no município de Matelândia - PR; realizamos entrevistas, aplicamos questionários e participamos de diferentes encontros do MST. Para analisar as contradições e as potencialidades do trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas no MST na direção da emancipação humana, partimos das seguintes categorias: a relação entre a escola e a vida; a realidade como ponto de partida e chegada da escola; a relação entre trabalho e escola; a auto-organização dos estudantes; a participação dos acampados na escola; os ciclos como forma de resistência da escola; a Escola Itinerante e a relação com o Estado, a escola em movimento e na luta social. Concluímos que esta Escola Itinerante precisa incorporar de forma coletiva e consciente as discussões e ações tendo como eixos centrais a mudança, a história, a luta e o trabalho. Enfim, uma escola que contribua com a elevação do padrão cultural da classe trabalhadora, o que inclui a socialização dos conhecimentos historicamente produzidos, ainda que limitada numa sociedade de classes, auxiliando assim, no acúmulo de forças para a construção do projeto de emancipação humana
A Formação técnico-profissional em agroecologia no MST/SP
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação. Programa de Pós-Graduação em EducaçãoOs cursos técnico-profissionais em agroecologia propostos pelo MST visam propiciar uma formação técnica que responda às necessidades dos assentamentos no que se refere à produção e, ao mesmo tempo, à escolarização de nível médio. Essa formação tem se apresentado como uma estratégia frente ao agronegócio, expressão do capitalismo no campo na atualidade. Três questões nortearam nossa pesquisa: "Como os alunos produzem suas vidas?" "O que é preciso aprender para se viver hoje?" "O que é preciso aprender para transformar essa realidade?" Tais questões partiram dos seguintes aspectos: o debate sobre a educação técnico-profissional no MST intensifica-se nos anos 2000; esse Movimento Social tem organizado trabalhadores também nas periferias das cidades e constituído assentamentos em regiões situadas nos limites urbanos; as fronteiras entre campo e cidade são cada vez menores; o trabalho coletivo é expressão ou síntese do trabalho na atualidade; a agroecologia tem sido colocada em oposição e como alternativa ao agronegócio. Esta pesquisa tem por objetivo analisar a relação entre a proposta do MST de formação técnico-profissional em agroecologia para jovens assentados do estado de São Paulo e o contexto dos assentamentos desses jovens, ampliando para a totalidade do campo brasileiro. Nosso objeto de pesquisa foi o Curso Integrado Médio Técnico de Agroecologia, realizado no período de 2008 a 2010, e especificamente a turma de Ribeirão Preto, local em que se situam os dois primeiros assentamentos agroecológicos do estado de São Paulo. Desenvolvendo nossa pesquisa a partir do materialismo histórico dialético, as categorias trabalho e espaço emergiram apontando para a contradição capital e trabalho e reduzindo as oposições campesinato e agricultura familiar, campo e cidade, agroecologia e agronegócio, às especificidades a que correspondem. Em termos metodológicos, realizamos entrevistas com alunos, educadores, lideranças do MST dos Setores de Formação, Educação e Produção e componentes da Coordenação Político-Pedagógica do curso; aplicamos questionários aos alunos; fizemos observações de campo; analisamos documentos do MST; e realizamos pesquisa bibliográfica de teses relacionadas ao tema de nossa pesquisa. Concluímos que a agroecologia é possível para a produção nos assentamentos e objeto de processos educativos, desde que esteja inserida numa proposta formativa que avance para a relação entre trabalho e educação, o que pressupõe condições materiais concretas nos assentamentos e que, enquanto especificidade, esteja inserida numa estratégia maior, correspondendo também a um ensaio para o novo, na perspectiva de contribuir para a transformação da realidade.The professional technical courses in agroecology proposed by the MST aim provide the professional education that meets the needs of settlements in relation to production and at the same time, the high school education. This education has emerged as a strategy against the agribusiness, expression of capitalism in the field today. Three questions guided our research: "As students produce their lives?" "What they have to learn to live today?" "What they have to learn to transform this reality?" Such questions result from the following aspects: the debate on technical education in the MST is intensified in the 2000s; the Social Movement has organized workers on the outskirts of cities and established settlements in regions located in the city limits; the boundaries between country and city are more and more smaller; the collective work is the expression or synthesis of work today; agroecology has been placed in opposition and as an alternative to agribusiness. This research aims to examine the relationship between what MST propose about professional education in agroecology for young settlers from the state of Sao Paulo and the context of settlements of these young people, expanding to the whole of the Brazilian countryside. Our research was about the professional high school education in agroecology, conducted from 2008 to 2010, and specifically the class of Ribeirão Preto, where two settlements agroecological in the state of Sao Paulo are located. Developing our research consider the dialectical historical materialism, the categories work and space have emerged pointing to the contradiction between capital and working and reducing the oppositions peasantry and family farming, rural and urban, agribusiness and agroecology, that were only specificities. In methodological terms, we conducted interviews with students, educators, leaders of the Formation, Education and Production Sectors of the MST and components of the Political-Pedagogical Coordination; apply questionnaires to students, made field observations, analyze documents of the MST, and conduct research bibliography of theses on the theme of our research. We concluded that agroecology can be a possibility for the production in the settlements and the object of the educational process, since it is inserted into a educational proposal that consider the relationship between work and education, which requires concrete material conditions in the settlements, and that, while specificity, is inserted into a larger strategy, also corresponding to a test for the new, as a contribution to the transformation of reality
A educação no MST diante do estado e da política pública de educação do campo sob influência dos organismos multilaterais
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Florianópolis, 2015.O objetivo deste estudo é analisar em que medida a educação no MST manteve seu caráter de classe na relação com o Estado, Organismos Multilaterais e as políticas públicas para a Educação do Campo, apontando para as possibilidades em curso. Analisamos nosso objeto a partir de determinações históricas e conjunturais com foco nas contradições da luta de classes entre capital e trabalho num contexto em que os ajustes estruturais no modo de produção capitalista e as reformas do Estado estão articulados com as reformas educacionais. Adotamos como procedimento metodológico a pesquisa bibliográfica, documental e de campo. As problemáticas centrais da pesquisa são: Sob que conjuntura se moveram as disputas educacionais entre o MST, o Estado e Organismos Multilaterais? A Educação do Campo seria uma construção de consenso entre as forças? Que contradições e possibilidades se expressam nestas disputas frente ao avanço de um projeto educacional para a classe trabalhadora? Para responder as questões acima realizou-se pesquisa bibliográfica, documental e entrevistas a fim de analisar as determinações históricas e conjunturais e o estudo do contexto político educacional da década de 1990; analisar a educação no MST considerando sua relação com o Estado, Organismos Multilaterais e a Educação do Campo; levantar as contradições e possibilidades para a educação no MST no contexto da luta de classes. Afirmamos que a educação no MST surge da necessidade de vincular a educação, a luta pela terra, Reforma Agrária e a transformação social. Porém, a partir do I ENERA, o caráter de classe da educação no MST é subsumido à relação estabelecida entre Organismos Multilaterais e o MST, posteriormente com o Estado, resultando na normatização da política pública de Educação do Campo. Fruto da ofensiva do Estado, representado pelo governo de FHC por meio do fechamento de escolas nos assentamentos, a relação estabelecida entre frações de classes distintas possibilitou um consenso entre as forças antagônicas em torno da educação. A luta do MST pela Educação do Campo esbarra no limite do Estado burguês. Apontamos como possibilidades para uma educação da classe trabalhadora o fortalecimento do ENE e seu segundo encontro e o II ENERA como momento de análise e possibilidade de tomar rumos políticos direcionados para uma educação vinculada a classe trabalhadora.Abstract : The objective of this study is to analyze how the MST education kept its class nature while relating to the state, multilateral organizations and the public policies for the rural education, pointing out the ongoing possibilities. We analyzed our object from the historical and conjunctural determinations focusing on the contradictions of the class struggle between the capital and the labour in a context where the structural adjustments in the capitalist mode of production and the state reforms are articulated with the educational reforms. We adopted as the methodological procedure the bibliographic, documentary and field research. The core issues of the research are: Under what circumstances have the educational disputes between the MST, the state and the multilateral organizations moved? Would be the rural education a consensual construction between the forces? Which contradictions and possibilities are expressed in these disputes toward the advancement of an educational project to the working class? To answer these questions a bibliographic, documentary research, and interviews were conducted to: analyze the historical and conjunctural determinations and the study of the educational-political context in the 1990s; analyze the education in the MST considering its relationship to the state, multilateral organizations and the rural education; bring the contradictions and the possibilities for the education in the MST in the class struggle context. We affirm that the education in the MST comes from the possibility of connecting the education, the struggle for the land, the land reform and the social transformation. However, from the I ENERA, the class nature of the education in the MST is subsumed to the relationship established between the multilateral organizations and the MST, and later with the state, resulting in the normalization of the public policies in the rural education. The result of the state?s offensive ? represented by the FHC administration by closing schools in the settlements ? the relationship established between fractions of different classes has made it possible a consensus between the opposing forces around education. The MST struggle for the rural education collides in the limits of the bourgeois state. We pointed out as the possibilities for a working class education the strengthening of the ENE and its second meeting and the II ENERA as an opportunity of analysis and the possibility of taking political directions toward an education connected to the working class
Formação para o trabalho no contexto do MST
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação.Esta dissertação se insere na linha de Pesquisa Trabalho e Educação. Trata-se do resultado de um estudo sobre formação para o trabalho no contexto do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Por meio dela, procurou-se levantar algumas questões relativas à contraditória tarefa de propor formação técnica profissional a partir de um movimento social que busca a transformação, mas que, no entanto, deve relacionar-se com a sociedade de classes. O estudo evidencia a relação entre educação e sociedade, contextualizando a origem e disseminação do pensamento liberal e utópico e suas influências na educação, considerando a sociedade moderna. Observando o contexto educacional do MST, procura situar as propostas e as ações na perspectiva da formação profissional, buscando compreender a concepção de trabalho que predomina nos materiais e cursos existentes. Por fim, pretende compreender a essência da formação defendida pelo Movimento Sem Terra, com base nas entrevistas realizadas, na análise dos documentos e na observação de algumas experiências educacionais já desenvolvidas. Embora muitos cursos de formação profissional tenham surgido com o objetivo de atender necessidades técnicas e produtivas relacionadas à própria sobrevivência dos assentamentos, a proposta de educação defendida pelo MST procura se constituir como um projeto de emancipação, colocando em evidência os princípios de resistência e luta social
Juventude que ousa lutar!: trabalho, educação e militância de jovens assentados do MST
Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação.A juventude que vive o início do século XXI apresenta as marcas da sociabilidade do capital. Ao mesmo tempo em que se coloca a possibilidade de alongamento da escolarização com a ampliação de acesso ao ensino superior, vive-se uma situação de desemprego, perdas de conquistas com a flexibilização de contratos trabalhistas, a terceirização e a informalidade. As lutas presentes na constituição de assentamentos do MST são forças que se colocam contrárias a esse processo. O objetivo da pesquisa foi compreender como ocorre a formação de jovens militantes do MST, com o foco nos egressos do ensino médio do Colégio Estadual Iraci Salete Strozak, considerando a mediação entre a escolarização de nível médio, o trabalho, a militância e a continuidade dos estudos. A escola se situa no Assentamento Marcos Freire, em Rio Bonito do Iguaçu, PR e ambos foram constituídos a partir da ocupação da Fazenda Giacomet-Marodin, no ano de 1996, período de amplas mobilizações do MST. Realizamos entrevistas com 22 egressos do nível médio da escola, do período de 2001 a 2009, com três lideranças do assentamento, com a vice-diretora e a coordenadora pedagógica do curso de Formação de Docentes. Outros dados foram coletados por meio da observação participante e análise de documentos. A situação de trabalho dos egressos evidencia a presença do setor de serviços no assentamento; a mecanização da produção, que tem alterado a vida dos jovens; a saída do assentamento em busca de trabalho e estudo; bem como a sua inter-relação com a militância. O MST é o grupo no qual os jovens militantes podem estabelecer relações sociais mais amplas e complexas, permitindo a constituição de uma autonomia financeira, intelectual e emocional. Entretanto, a condição material e o espírito de sacrifício são elementos que aproximam a militância da alienação do trabalho assalariado. A continuidade de estudos tem sido possibilitada principalmente pelos cursos organizados pelo MST. Num período de massificação e mercadorização do ensino superior, tais cursos têm contribuído para uma formação pautada pelo enfrentamento a essa situação. Nesse contexto, para que a escola, e nela a etapa de nível médio, possa contribuir na formação dos jovens, é preciso que esteja articulada com a materialidade da vida, sobretudo com a organização da produção dos assentamentos, suas contradições e lutas sociais
A construção pluralista das normas dos acampamentos do MST: uma análise sob a ótica do pluralismo jurídico comunitário-participativo
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Jurídicas, Programa de Pós-Graduação em Direito, Florianópolis, 2014A presente dissertação teve como ponto de partida uma inquietação acerca da possibilidade de produção de normas nos acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Brasil, a partir do marco teórico do Pluralismo Jurídico Comunitário-Participativo. Dentro de uma análise contextual macro onde o Estado tem-se apresentado deficitário em seu papel de responder as demandas sociais, muitas críticas tem-se desencadeado relativas ao cumprimento ou não das funções desse organismo público. Tendo como elementos básicos de análise a própria história da concentração fundiária no País, bem como os contundentes exemplos que envolvem as disputas territoriais que no decorrer dos séculos tem contribuído significativamente para o aumento das estatísticas dos assassinatos impunes, a questão da terra no Brasil constitui-se em um dos pontos nevrálgicos também do Direito brasileiro. Este, conservador e monista, não tem possibilitado os avanços mínimos e necessários para que uma ampla reforma agrária se efetive no País. Dessa forma, a luta nacional empreendida pelo MST, com repercussão internacional e servindo de modelo para outros movimentos sociais organizados espalhados pelo mundo, ganhou relevância e respeito inclusive daqueles que com ela não concordam. Nesse sentido, não se pode negar que o MST demonstrou com suas experiências que é viável uma forma diferenciada de se viver em coletividade, inclusive criando no campo de sua normatização interna, suas próprias regras de convivência e resolvendo mais rapidamente os problemas iminentes do grupo.Abstract: The present work had as its starting point the uneasiness about the possibility of producing regulations in the camps of the Landless Rural Workers Movement (MST) in Brazil, from the theoretical framework of Community-Participatory Legal Pluralism. Within a macro contextual analysis where the state has presented itself deficient in its role of responding to social demands, much criticism has been unleashed on the compliance or otherwise of the functions of this public body. Having as their basic elements of analysis the history of land concentration in Brazil, as well as striking examples involving territorial disputes that over the centuries have contributed significantly to the increase in the statistics of unpunished killings, the issue of land in Brazil is in one of the hot spots also of Brazilian law. This, conservative and monistic, has not allowed the minimum and necessary advances for a broad agrarian reform to become effective in the country. In this way, the national struggle waged by the MST, with international repercussions and serving as a model for other organized social movements worldwide, has gained prominence and respect even from those who disagree with it. In this sense, one cannot deny that the MST has demonstrated with their experiments that a different way of living in society is possible, including creating in the field of its internal norms, its own rules of coexistence and for quickly solving imminent problems of the group
Da pedagogia da hegemonia burguesa ao difícil caminho de construção de uma contra-hegemonia: o protagonismo do MST nas lutas de reistência no governo Lula
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Sócio-Econômico. Programa de Pós-Graduação em Serviço Social.A conjuntura política brasileira, particularmente, no período (2003-2010) que gerara grande expectativa em boa parte da esquerda no Brasil, principalmente, no âmbito dos movimentos sociais e organizações da sociedade civil, acabou por disseminar a perplexidade, a decepção e a frustração da classe trabalhadora no país. O PT não havia amadurecido uma agenda política alternativa que pudesse orientar a transição para um outro padrão de desenvolvimento, mantendo a política econômica do neoliberalismo, em um contexto de crise do capital. Além de provocar, ousadamente, um processo de desmobilização e despolitização crescente das massas subalternas. Neste sentido, a presente dissertação tem como tema as expressões da sociedade civil e luta de classes e as tensões no governo Lula e o MST. O objetivo norteador é realizar um estudo do MST enquanto movimento organizativo da sociedade civil vinculado às classes subalternas nos dois mandatos do governo petista, com vistas à identificação e análise das principais propostas, estratégias e formas de luta nos campos político e social bem como as ações que buscaram tencionar a atual direção social, política e econômica do governo, e em que medida contribuíram para a construção de um novo projeto societário. O estudo é de natureza qualitativa e de caráter exploratório e documental, sendo fundamental para subsidiar o desvendamento do objeto. Do ponto de vista teórico-metodológico, o método crítico-dialético se afigurou como suporte para a compreensão das contradições dos processos sociais contemporâneos e as lutas travadas para o seu enfrentamento na disputa de hegemonia, o que permitiu ir além das aparências dos fatos buscando mostrar o protagonismo do MST nas lutas de resistência no governo Lula. A pesquisa sinaliza que os sem-terra, organizados sob a forma de MST, repõem os antagonismos que produzem a luta de classes que se tenciona entre um processo de expropriação permanente dos trabalhadores e uma luta mediada pela dialética da resistência na perspectiva da "classe para si", ao se colocar diante da tarefa histórica de superação da ordem burguesa. Razão que nos leva a assinalar o seu potencial revolucionário (ainda que "episódico") frente às configurações da "questão social", ao tempo que possibilita desnudar uma intervenção regressiva do Estado que é orientada, paulatinamente, para a "pequena política", através das respostas sociais governamentais pulverizadas à "assistencialização" dos processos de luta pela terra, reforma agrária e mudanças sociais no país. Nesse cenário, procuramos evidenciar os traços de disputa e resistência protagonizados por esses sujeitos e que são potencializados nas experiências auto-organizativas das massas e que convidam à "universalização" da luta das classes subalternas numa efetiva disputa contra-hegemônic
- …
