1,720,967 research outputs found
A emersão do homo friabilis: subjetivação em tempo de cleptoafetividade
Resumo: O artigo investiga a seguinte hipótese: o homo friabilis tem se tornado uma nova condição para a compreensão humana emergente da experiência contemporânea. O homo friabilis é uma experiência de fragmentação, no sentido de friável, ou seja, aquilo que se fragmenta facilmente, esboroa-se, ou em sua aquisição mais figurativa, desagrega-se. Para tanto, parte-se de uma questão teórica situada por Deleuze e Guattari em Mil Platôs acerca da complexa relação da potência-impotência do poder na produção de subjetivação. Ver-se-á que tal perspectiva diz respeito ao coeficiente afetivo dos sujeitos. Nesse caso, o sujeito contemporâneo estaria padecendo de uma cleptoafetividade, entendida como roubo da potência de agir e demanda maior à adaptação aos circuitos afetivos padronizados. Ao explorar esse cenário, o artigo sustenta que não se pode ignorar o impacto de tais mutações para se avançar nas pesquisas concernentes às ciências humanas.
Palavras-chave: Subjetivação. Afetos. Homo friabilis. Condição humana. Deleuze e Guattari.
The rise of homo friabilis: subjectivation in klepto affectivity times
Abstract: The article investigates the following hypothesis: the homo friabilis has become a new condition for the emerging human understanding of contemporary experience. The homo friabilis is an experience of fragmentation, meaning friable, i.e., that which breaks up easily, crumbles up, or in its figurative acquisition, disintegrates. To this purpose, it starts from a theoretical question posed by Deleuze and Guattari in Thousand Plateaus about the complex power-powerlessness relation of power in the production of subjectivation. It will be seen that such perspective concerns the affective coefficient of the subjects. In this case, the contemporary subject would be suffering from klepto affectivity, understood as theft of the power to act and demands greater adaptation to the standardized affective circuits. In exploring this scenario, the paper argues that the impact of such mutations cannot be ignored to advance research on the humanities.
Key-words: Subjectivation. Affections. Homo friabilis. Human condition. Deleuze and Guattari.
La emersion del homo friabilis: subjetivación en tiempos de clepto afectividad
Resumen: El artículo investiga la siguiente hipótesis: el homo friabilis se ha convertido en una nueva condición para la comprensión humana emergente de la experiencia contemporánea. El homo friabilis es una experiencia de fragmentación, en el sentido de friabilidad, es decir, lo que se fragmenta fácilmente, se desborda, o en su adquisición más figurativa, se desintegra. Con este fin, se parte de una pregunta teórica planteada por Deleuze y Guattari en Mil Mesetas sobre la compleja relación potencia-impotencia del poder en la producción de subjetivación. Se verá que tal perspectiva concierne al coeficiente afectivo de los sujetos. En este caso, el sujeto contemporáneo sufriría una clepto afectividad, entendida como robo de la potencia de actuar y demanda de una mayor adaptación a los circuitos afectivos estandarizados. Al explotar este escenario, el artículo argumenta que el impacto de tales mutaciones no puede ser ignorado para avanzarse en la investigación de las ciencias humanidades.
Palabras clabe: Subjetivación. Afectos. Homo friabilis. Condición humana. Deleuze y Guattari
Lugares, formas e ações do dizer-verdadeiro no cuidado de si: o que isto tem a ver com o campo da educação contemporânea?
The article aims to analyze the relationship of the places, ways and actions around of the tell-true in the culture of the care of the self with the field of Education contemporary human. The hypothesis is that such exercise does emerge, on the one hand, the ways in which subjects are committed to relate to truth; on the other hand, investigates the possibilities to affect the experiences with the current truths, starting from the experiences with truth in the field of education. For this purpose, it investigates four figures, according to the interpretation of Foucault, representing in the history of the constitution of the subject, fundamental modalities of experience with the true and tell-true: the prophet, sage, teacher and parrêsiastês. For this analysis, it is intended reach the kind of relationship with the truth closer to the challenges of a culture of the care of self, and see how this conjuncture exerts to the field of Education a critical power and an invitation to transform it.Este artículo busca analizar la relación entre los lugares, las formas y las acciones de la verdad en el autocuidado y el campo del desarrollo humano contemporáneo. La hipótesis es que este ejercicio revela, por un lado, las maneras en que los sujetos están destinados a relacionarse con la verdad; por otro, explora las posibilidades de influir en las experiencias con las verdades actuales, a partir de las experiencias con la verdad en el campo de la educación. Para ello, investigamos cuatro figuras que, según la interpretación de Foucault, representan modalidades fundamentales de la experiencia con la verdad y la verdad en la historia de la formación del sujeto: el profeta, el sabio, el maestro y el parroquiano. A través de este análisis, buscamos llegar al tipo de relación con la verdad que mejor se alinea con los desafíos de una cultura del autocuidado y ver cómo esta situación ejerce un poder crítico en el campo de la educación y una invitación transformadora a sus experiencias con la verdad.O artigo tem por objetivo analisar a relação dos lugares, das formas e das ações do dizer-verdadeiro no cuidado de si com o campo da formação humana contemporânea. A hipótese é de que tal exercício faz emergir, de um lado, as formas pelas quais os sujeitos são destinamos a se relacionarem com a verdade; de outro lado, indaga pelas possibilidades de se afetar as experiências com as verdades atuais, a partir das experiências com a verdade no campo da educação. Para tanto, investiga-se quatro figuras que, segundo a interpretação de Foucault, representam na história da constituição dos sujeitos, modalidades fundamentais da experiência com o dizer-verdadeiro e a verdade na: o profeta, o sábio, o professor e o parrisiasta. Por esta análise, pretende-se chegar ao tipo de relação com a verdade mais próxima aos desafios de uma cultura do cuidado de si, e enxergar como esta conjuntura exerce para o campo da educação um poder crítico e um convite transformador para as suas experiências com a verdade
A FIGURA GENEALÓGICA DO MONSTRUOSO: CORPOS DEFORMADOS, DESMEDIDOS E REPUGNANTES
O objetivo do artigo é o de colocar em questão os valores homotópicos ao redor do corpo. O texto pretende construir uma cartografia de problematização para além do jogo significado-significante estético e subjetivo quando se trata do corpo. Para tanto, leva-se em consideração o filme Mangue Negro tomando-o como disparador caótico para a crítica genealógica. Por seu intermédio, encontra-se o monstruoso personificado na figura do zumbi. A hipótese é a de que o zumbi pode ser um conjunto estético potencialmente capaz de abalar um conjunto de domínios responsável por fixar e engessar o sujeito contemporâneo em uma territorialidade de sentidos, de semiotização, de significantes, de corporeidade enrijecida, padronizada e, certamente, consumível. Será, contudo, necessário compreender três dimensões. Primeiro, o que se pode dizer do lugar donde emergem os zumbis, o próprio mangue? Segundo, quais as implicações para se pensar o corpo na atualidade a partir do instante que se assume e se aceita o zumbi como figura monstruosa? Finalmente, o que se pode extrair, por consequência, para a constituição de subjetividade, isto é, sob qual proporção o fato de se considerar o zumbi em uma dimensão semiótica pode afetar a autoestetização, a semiótica corporal dos sujeitos
Foucault e as telas-escolas: entre disciplina e ilegalismos
The essay proposes to dig holes in the school’s ground, in order to explode the common notion of school taken from the Foucaultian work that, so often, imprison it in a regulation logic and in an infinite exercise of power. It bets on the importance of showing a radical mismatch between discourses and school images. Therefore, the writing uses Foucault's thought as a toolbox and performs the work of a craftsman, exploding school images from paintings that place, at the center of their experiments, the questioning of their limits constituted as frames, forcing its subjects to a violent and forced adaptation. If Foucault painted in his genealogical writing the schools of power, it is possible to find, in parallel, a curious second painting in which the control technologies fail to imprint their totalizing machinations on the bodies. Emerges a Foucault painting school-canvas between discipline and illegalisms. Finally, it states that holes in school images summon more disputes in school diagrams.El ensayo propone cavar hoyos en el suelo de la escuela, para hacer estallar la noción común de escuela tomada de la obra foucaultiana que, tantas veces, la aprisiona en una lógica de regulación y en un ejercicio infinito del poder. Apuesta por la importancia de mostrar un desencuentro radical entre los discursos y las imágenes escolares. Por tanto, la escritura utiliza el pensamiento de Foucault como caja de herramientas y realiza el trabajo de un artesano, explotando imágenes escolares a partir de pinturas que sitúan, en el centro de sus experimentos, el cuestionamiento de sus límites constituidos como marcos, obligando a sus sujetos a una violenta y forzada adaptación. Si Foucault pintó en su genealogía las escuelas del poder, es posible encontrar, paralelamente, un curioso segundo cuadro en el que las tecnologías de control no logran imprimir en los cuerpos sus maquinaciones totalizadoras. Emerge una escuela-lienzo de pintura de Foucault entre la disciplina y los ilegalismos. Finalmente, afirma que los agujeros en las imágenes escolares convocan más disputas en los diagramas escolares.O ensaio propõe esburacar a terra das escolas, a fim de explodir as noções comuns de escola tomadas mediante a obra foucaultiana que, tantas vezes, a aprisionam em uma lógica de regulação e infinito exercício do poder. Aposta na importância de mostrar um desencontro radical entre os discursos e as imagens de escola. Para tanto, a escrita usa o pensamento de Foucault como uma caixa de ferramentas e realiza o trabalho de um artífice, explodindo as imagens de escola com base em pinturas que ponham, no centro de suas experimentações, o questionamento de seus limites constituídos como molduras, obrigando seus sujeitos a uma adaptação violenta e forçada. Se Foucault pintou em seus escritos genealógicos as escolas do poder, é possível encontrar, em paralelo, uma segunda e curiosa pintura na qual as tecnologias de controle falham em imprimir sobre os corpos suas maquinações totalizantes. Surge um Foucault a pintar telas-escolas entre a disciplina e os ilegalismos. Por fim, afirma que os buracos nas imagens de escola convocam mais disputas nos diagramas escolares
Confier et dire la vérité : pour réussir une communauté politique de production du lien éthique dans la relation pédagogique
Cet article vise à discuter la question de la confiance dans les relations pédagogiques établies dans les écoles et prend comme point central la notion de parrêsia proposée par Michel Foucault lors de l'étude des anciens textes grecs. Ce concept est présenté et commenté au long des derniers cours de Foucault, mais on utilise également la lecture contemporaine proposée par Maurizio Lazzarato dans ses récents ouvrages, qui problématisent principalement les aspects éthiques et politiques de la parrêsia. Dans le domaine des relations pédagogiques, on problématise les effets de « dire la vérité » et comment de nouveaux liens éthiques et de nouvelles relations de confiance (en soi-même et aux autres) sont produits à partir de tels actes parrésiastiques. Si Foucault en pensant la parrêsia a parfois pensé à la figure de l'enseignant, dans cet article le « dire la vérité » est considéré du point de vue des étudiants afin de comprendre les effets qu'il produit dans les processus de subjectivation.This paper aims to problematize the theme of trust in the pedagogical relationships established in schools, and it does so by taking as a central one the notion of parrhesia, proposed by Michel Foucault based on the study of ancient Greek texts. Such concept is presented and commented on from the last courses of Foucault, but also with the aid of a contemporary reading proposed by Maurizio Lazzarato in recent works, which mainly problematizes the ethical and political aspects of the parrhesia. In the field of pedagogical relations, the effects of "telling the truth" are problematized and how new ethical bonds and new relations of trust (in oneself and in others) are generated from such parrhesiastic acts. Thinking parrhesia and its effects, sometimes Foucault has mentioned the figure of the teacher; in this article, the telling the truth is thought from the point of view of the students, in order to understand the effects it produces in the processes of subjectivation
Anarquizar la clínica en denfensa de otras vidas para la educación
O objetivo do artigo é desenvolver a hipótese analítica de que a experiência da doença na clínica, uma vez perpassada por condições históricas e críticas, desenrolou-se paralelamente a uma concepção de vida e que, portanto, prenunciou implicações para a concepção de biopolítica em Foucault. Para haver uma concepção de vida, outras tiveram de ser abandonadas. Em jogo encontra-se “o conjunto dos gestos pelos quais a doença, em uma sociedade, é envolvida, medicamente investida, isolada, repartida em regiões privilegiadas e fechadas, ou distribuída pelos meios de cura, organizados para serem favoráveis”. Conceberemos na ideia de “anarquizar” a clínica como possibilidade de romper com seus fundamentos, na direção da anarqueologia proposta por Foucault nas primeiras aulas de 1980, a possibilidade de uma resistência a esse processo. Daí, é necessária uma atitude de desconfiança a todo e qualquer poder, em sua origem mesma de normalização; desconfiar dos poderes sobre a vida que se construíram e se constroem em torno da clínica, colocando em questão seu fundamento (arkhé) significa colocar em questão as alianças entre a clínica e a biopolítica, pensando a educação.The objective of the paper is to develop the analytical hypothesis that the experience of illness in the clinic, once permeated by historical and critical conditions, unfolded in parallel with a conception of life and that, therefore, foreshadowed implications for Foucault’s conception of biopolitics. In order to affirm a conception of life, others had to be abandoned. At stake is “the set of gestures by which the disease, in a society, is involved, medically invested, isolated, distributed in privileged and closed regions, or distributed by means of cure, organized to be favorable”. We will conceive in the idea of “anarchizing” the clinic as a possibility of breaking with its foundations, in the direction of the anarcheology proposed by Foucault in the first classes of 1980, the possibility of resistance to this process. Hence, an attitude of distrust of any power is necessary, in its very origin of normalization; distrusting the powers over life that were built and are built around the clinic, questioning its foundation (arkhé) means questioning the alliances between the clinic and biopolitics, thinking about education.El objetivo del artículo es desarrollar la hipótesis analítica de que la experiencia de la enfermedad en la clínica, una vez permeada por condiciones históricas y críticas, se desarrolló paralelamente a una concepción de vida y que, por lo tanto, presagiaba implicaciones para la concepción de biopolítica de Foucault. Para que existiera una concepción de vida fue necesario abandonarse otras. Está en cuestión “el conjunto de gestos mediante los cuales la enfermedad, en una sociedad, está involucrada, médicamente investida, aislada, distribuida en regiones privilegiadas y cerradas, o distribuida a través de medios de curación, organizados para ser favorables”. Se concibe la idea de “anarquizar” la clínica como una posibilidad de romper con sus fundamentos, en la dirección de la anarqueología propuesta por Foucault en las primeras clases de 1980, por lo tanto, posibilidad de resistencia a este proceso. Desde luego, es necesario una actitud de desconfianza hacia cualquier y todo poder, en su origen mismo de normalización; desconfiar de los poderes sobre la vida que se construyeron y se construyen en torno a la clínica, cuestionar su fundamento (arkhé) significa cuestionar las alianzas entre clínica y biopolítica, pensando la educación
Retesamentos discursivos: Um olhar foucaultiano do estilo antidogmático de Nietzsche
O presente artigo investiga, segundo a noção foucaultiana de nível discursivo, como o pensamento de Nietzsche explora determinados limites linguísticos em favor de uma renovação da escrita filosófica. Esses limites podem ser averiguados no constante tensionar discursivo e experimental presentes no estilo aforismático. Explicita-se esses retesamentos discursivos na clara associação do antidogmatismo nietzschiano ao estilo de sua escrita filosófica, opção realizada essencialmente em Além do bem e do mal
Vida (im)possíveis entre o clínico e o pedagógico: 60 anos de o Nascimento da Clínica de Michel Foucault : Apresentação do dossiê temático
O marcador analítico deste dossiê perpassa a relação do clínico com o pedagógico na medida em que o avanço do “olhar médico” tem colonizado vidas de modo precoce e determinado experiências pedagógicas pautadas pela normalidade clinicamente definida. Daí, cumpre-nos indagar: por que as verdades clínicas são desejadas para a educação? Como se atualiza o “olhar médico” nas formas de constituição dos sujeitos, principalmente daqueles cuja forma de vida se confrontam com a normalidade instituída? Que vidas (im)possíveis estariam nas franjas relacionais da clínica e da pedagogia, de modo específico, e que consequências analíticas poderiam ser eivadas, de modo geral, para a educação?O marcador analítico deste dossiê perpassa a relação do clínico com o pedagógico na medida em que o avanço do “olhar médico” tem colonizado vidas de modo precoce e determinado experiências pedagógicas pautadas pela normalidade clinicamente definida. Daí, cumpre-nos indagar: por que as verdades clínicas são desejadas para a educação? Como se atualiza o “olhar médico” nas formas de constituição dos sujeitos, principalmente daqueles cuja forma de vida se confrontam com a normalidade instituída? Que vidas (im)possíveis estariam nas franjas relacionais da clínica e da pedagogia, de modo específico, e que consequências analíticas poderiam ser eivadas, de modo geral, para a educação?O marcador analítico deste dossiê perpassa a relação do clínico com o pedagógico na medida em que o avanço do “olhar médico” tem colonizado vidas de modo precoce e determinado experiências pedagógicas pautadas pela normalidade clinicamente definida. Daí, cumpre-nos indagar: por que as verdades clínicas são desejadas para a educação? Como se atualiza o “olhar médico” nas formas de constituição dos sujeitos, principalmente daqueles cuja forma de vida se confrontam com a normalidade instituída? Que vidas (im)possíveis estariam nas franjas relacionais da clínica e da pedagogia, de modo específico, e que consequências analíticas poderiam ser eivadas, de modo geral, para a educação
- …
