52 research outputs found
Editores convidados - Markus Erwin Brose, Rosí Cristina Espindola da Silveira e Silvio Cezar Arend
Editores convidados
Markus Erwin Brose - UNISC
Rosí Cristina Espindola da Silveira - UNISC
Silvio Cezar Arend - UNIS
FLORESTAS E PARTICIPAÇÃO COMO VETORES DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL: REFLEXÕES SOBRE OS CASOS ACRE E RIO GRANDE DO SUL – BRASIL
Na diversidade da federação brasileira, dois estados chamam atenção pela qualidade da governança: Acre e Rio Grande do Sul. Ao longo da última década, ambos os estados conferiram através de processos participativos, prioridade à cadeia produtiva florestal como estratégia para dinamização de suas economias, estratégia central para adaptação às mudanças climáticas. No entanto, obtiveram resultados diversos entre si. Este artigo objetiva sintetizar semelhanças e diferenças entre os casos, contribuindo para a análise crítica quanto à participação no desenvolvimento regional. É possível confirmar que processos participativos, sem orientação técnica, podem ter impactos adversos daqueles incialmente planejados
Cadeias produtivas sustentáveis no desenvolvimento territorial: a castanha na Bolívia e no Acre, Brasil
A cadeia produtiva da castanha tem sua produção limitada a dois territórios vizinhos, historicamente baseada na servidão por dívida. Ambas as regiões passaram por profundas modificações nas últimas décadas e oferecem rara oportunidade para comparar as condições de trabalho em uma mesma cadeia produtiva. Apresentamos indicadores de que, ao contrário da Bolívia, a mobilização social no Acre viabilizou a reestruturação da cadeia produtiva, tornando-a mais inclusiva e sustentável. </jats:p
Mobilização social para adaptação à mudança climática: uma experiência na bacia do Rio Pardo (RS)
Face à inatividade de governos nacionais em promover adaptação à mudança do clima, a adaptação pela esfera subnacional vem ganhando relevância no debate acadêmico. Na diversidade de iniciativas inovadoras de adaptação subnacional no âmbito da federação brasileira, a legislação adotada no Rio Grande do Sul recebeu destaque. As ferramentas para a Política Gaúcha de Adaptação Climática, porém, (ainda) não estão operacionais. O presente trabalho sintetiza resultados de projeto de pesquisa aplicada, entre 2016 e 2017, que visa identificar e dar visibilidade a inovações na adaptação adotadas de forma voluntária por atores privados e não governamentais na Região Central do RS. Foram identificadas cerca de uma centena de organizações, entre empresas de pequeno e grande porte, cooperativas, universidades e órgãos públicos locais, que estão testando mecanismos para compensar suas emissões de gases de efeito estufa, promovendo a eficiência energética ou o pagamento por serviços ambientais. O projeto aqui descrito visa a contribuir para registro, análise e difusão dessas inovações, entendidas como iniciativa de divulgação científica pela universidade comunitária UNISC para o debate e a mobilização social na esfera regional.
Palavras-chave: Mudança Climática. Adaptação Climática. Vale do Rio Pardo (Brasil)
As origens da participação e da qualidade democrática no Rio Grande do Sul
O objetivo do artigo reside na análise dos elementos que possibilitaram a transição de uma sociedade regional militarista para uma das democracias de mais alta qualidade na América Latina. A história da sociedade gaúcha não explica o nascedouro de movimentos sociais e de inovações na gestão pública nos anos 1980 e 1990, necessitando, portanto, de uma análise mais profunda para entender a forte participação popular. Este artigo resume em seis secções os resultados da observação participante entre 1996 e 2002, bem como a revisão bibliográfica realizada entre 2002 e 2005. Na primeira secção é apresentada a necessidade de entender os processos de democratização de forma diferenciada para sistemas políticos de grande dimensão, e na segunda secção, a bibliografia que apóia esta perspectiva. A terceira secção resume o processo formativo da sociedade gaúcha através da análise da criação de redes de núcleos urbanos, fornecendo a base para a quarta secção sobre as origens da sociedade civil. A quinta secção analisa os atores que influíram de modo ativo na promoção da participação popular nos anos 1970 e 1980, concluindo na sexta secção sobre o papel fundamental exercido pela utopia da Igreja Católica
Por que um Estado com vocação florestal como o Acre não produz palmito?
Palm heart constitutes a major non-timber forest product within the pro poor development strategy in Acre State. The 1990s it witnessed a boom of native palm processing, that proved to be unsustainable and processing units migrated to northern Bolivia. This article aims to rescue the impacts of this process, and subsequent initiatives of peach palm cultivation, originated by public and private, which, however, experienced difficulties to access the market. Given the scarce bibliography on the topic, we seek to contribute to the debate of this productive chain in Acre as an input to the debate on strategies to support the marketing of non-wood forest products, essential to the state’s policy of providing value to the standing forest
Subnational Climate Policies: a proposal for monitoring in Rio Grande do Sul, Brazil
Monitoring and evaluation of climate policies promote transparency and enable public engagement. Covering the period 2011 to 2017, this essay presents a qualitative analysis of the Policy on Adaptation to Climate Change adopted by the state of Rio Grande do Sul, as contribution to the debate about subnational adaptation policies. We use the set of tools developed by the Open Climate Network, which differs from the measurement of greenhouse gas emissions by the territory to assess the progress made in the implementation of the adaptation policies through public governance. While adoption by the state government started 2010, we conclude that this subnational adaptation policy still is in the stage of validation against the emission reduction targets proposed by the Paris Agreement, until 2025. Several adaptation policies are under way in Rio Grande do Sul, however, in a (still) fragmented mode. We identified gaps in the state budget, as well as governance constrains for the next step of implementation
Governança e desgovernança após 30 anos de planejamento regional no Rio Grande do Sul: tinha um desastre no meio do caminho
Declaring a state of public calamity implies formal recognition of the state's inability to govern. In the period following the extreme event, insecurity about the re-establishment of law and order spreads. Uncertainties and insecurities do not exist on their own, but are produced through narratives forged in the heat of events that will shape the memory and identity of the communities affected. In this essay we seek to record and contextualize narratives constructed during the rains and flooding of April/May 2024 in Rio Grande do Sul that emphasized the erosion of state governance. This is an instigating phenomenon in a state renowned for its historic capacity for planning, both state and private, whose expertise in the direction of economic growth has been exported to other regions. We sought to reconstruct the versions of the event based on primary public documents. From a decolonial perspective, in addition to studies of the global North, we used the comparative analysis of disasters in Asia by S. Bandopadhyayde. For this author, there is no contradiction between governance and disasters, because disasters reinforce state organizations that seek to normalize events in order to preserve, or even expand, their decision-making power and access to new resources. In this sense, recording and debating narratives during disasters becomes part of resilience.Decretar o estado de calamidade pública implica no reconhecimento formal da incapacidade de governança pelo Estado. No período que sucede ao evento extremo vai sendo disseminada a insegurança quanto ao reestabelecimento da lei e da ordem. Incertezas e inseguranças não existem por si só, são produzidas mediante narrativas forjadas no calor dos acontecimentos que irão moldar a memória e a identidade das comunidades atingidas. Nesse ensaio procuramos registrar e contextualizar narrativas construídas durante as chuvas e a inundação de abril/maio de 2024 no Rio Grande do Sul que enfatizaram a erosão da governança estatal. Fenômeno instigante em um estado reconhecido pela sua histórica capacidade de planejamento, tanto estatal, como privado, cuja expertise quanto aos rumos do crescimento econômico foi exportada a outras regiões. Em uma perspectiva decolonial recorremos, além de estudos do Norte global, à análise comparativa a partir de desastres na Ásia por S. Bandopadhyayde. Para o autor não existe contradição, pois catástrofes reforçam organizações estatais que buscam normalizar os eventos visando conservar, ou mesmo ampliar, seu poder decisório e novos recursos. Neste sentido, o registro e o debate das narrativas durante os desastres tornam-se parte da construção da capacidade de resiliência.La declaración del estado de calamidad pública implica el reconocimiento formal de la incapacidad del Estado para gobernar. En el periodo posterior al acontecimiento extremo, se extiende la inseguridad sobre el restablecimiento de la ley y el orden. La incertidumbre y la inseguridad no existen por sí solas, sino que se producen a través de narrativas forjadas al calor de los acontecimientos que conformarán la memoria y la identidad de las comunidades afectadas. En este ensayo buscamos registrar y contextualizar narrativas construidas durante las lluvias e inundaciones de abril/mayo de 2024 en Rio Grande do Sul que enfatizaron la erosión de la gobernanza estatal. Se trata de un fenómeno instigador en un estado reconocido por su histórica capacidad de planificación, tanto estatal como privada, cuya experiencia en la dirección del crecimiento económico ha sido exportada a otras regiones. Intentamos reconstruir las versiones del acontecimiento basándonos en documentos públicos primarios. Desde una perspectiva decolonial, además de los estudios sobre el Norte global, recurrimos al análisis comparativo de las catástrofes en Asia de S. Bandopadhyayde. Para este autor, no hay contradicción entre gobernanza y desastres, porque las catástrofes refuerzan las organizaciones estatales que tratan de normalizar los acontecimientos para preservar o incluso ampliar su poder de decisión y el acceso a nuevos recursos. En este sentido, registrar y debatir las narrativas durante las catástrofes forma parte de la resiliencia
Governança e desgovernança após 30 anos de planejamento regional no Rio Grande do Sul: tinha um desastre no meio do caminho
Declaring a state of public calamity implies formal recognition of the state's inability to govern. In the period following the extreme event, insecurity about the re-establishment of law and order spreads. Uncertainties and insecurities do not exist on their own, but are produced through narratives forged in the heat of events that will shape the memory and identity of the communities affected. In this essay we seek to record and contextualize narratives constructed during the rains and flooding of April/May 2024 in Rio Grande do Sul that emphasized the erosion of state governance. This is an instigating phenomenon in a state renowned for its historic capacity for planning, both state and private, whose expertise in the direction of economic growth has been exported to other regions. We sought to reconstruct the versions of the event based on primary public documents. From a decolonial perspective, in addition to studies of the global North, we used the comparative analysis of disasters in Asia by S. Bandopadhyayde. For this author, there is no contradiction between governance and disasters, because disasters reinforce state organizations that seek to normalize events in order to preserve, or even expand, their decision-making power and access to new resources. In this sense, recording and debating narratives during disasters becomes part of resilience.La declaración del estado de calamidad pública implica el reconocimiento formal de la incapacidad del Estado para gobernar. En el periodo posterior al acontecimiento extremo, se extiende la inseguridad sobre el restablecimiento de la ley y el orden. La incertidumbre y la inseguridad no existen por sí solas, sino que se producen a través de narrativas forjadas al calor de los acontecimientos que conformarán la memoria y la identidad de las comunidades afectadas. En este ensayo buscamos registrar y contextualizar narrativas construidas durante las lluvias e inundaciones de abril/mayo de 2024 en Rio Grande do Sul que enfatizaron la erosión de la gobernanza estatal. Se trata de un fenómeno instigador en un estado reconocido por su histórica capacidad de planificación, tanto estatal como privada, cuya experiencia en la dirección del crecimiento económico ha sido exportada a otras regiones. Intentamos reconstruir las versiones del acontecimiento basándonos en documentos públicos primarios. Desde una perspectiva decolonial, además de los estudios sobre el Norte global, recurrimos al análisis comparativo de las catástrofes en Asia de S. Bandopadhyayde. Para este autor, no hay contradicción entre gobernanza y desastres, porque las catástrofes refuerzan las organizaciones estatales que tratan de normalizar los acontecimientos para preservar o incluso ampliar su poder de decisión y el acceso a nuevos recursos. En este sentido, registrar y debatir las narrativas durante las catástrofes forma parte de la resiliencia.Decretar o estado de calamidade pública implica no reconhecimento formal da incapacidade de governança pelo Estado. No período que sucede ao evento extremo vai sendo disseminada a insegurança quanto ao reestabelecimento da lei e da ordem. Incertezas e inseguranças não existem por si só, são produzidas mediante narrativas forjadas no calor dos acontecimentos que irão moldar a memória e a identidade das comunidades atingidas. Nesse ensaio procuramos registrar e contextualizar narrativas construídas durante as chuvas e a inundação de abril/maio de 2024 no Rio Grande do Sul que enfatizaram a erosão da governança estatal. Fenômeno instigante em um estado reconhecido pela sua histórica capacidade de planejamento, tanto estatal, como privado, cuja expertise quanto aos rumos do crescimento econômico foi exportada a outras regiões. Em uma perspectiva decolonial recorremos, além de estudos do Norte global, à análise comparativa a partir de desastres na Ásia por S. Bandopadhyayde. Para o autor não existe contradição, pois catástrofes reforçam organizações estatais que buscam normalizar os eventos visando conservar, ou mesmo ampliar, seu poder decisório e novos recursos. Neste sentido, o registro e o debate das narrativas durante os desastres tornam-se parte da construção da capacidade de resiliência
Qual o Planejamento Regional na Sociedade de Risco? Reflexões para uma Renovação da Agenda de Pesquisa no RS
The perception of risks due to climate change encourages a re-discussion of research priorities on regional planning. Climate change is not just an 'environmental issue', it alters power relations in markets, by changing prices, and in politics, through new costs. The essay aims at an empirical reflection, contributing to integrate resilience as a transversal dimension in regional planning. He uses aspects of the Society of Risk theory, proposed by sociologist Ulrich Beck, discussing connections with the work of Anthony Giddens, especially his proposal of the New Green Deal. We argue that, contrary to Giddens' optimism as to the capacity of the state, it is possible to recognize in Rio Grande do Sul evidence of the exhaustion of the classic redistributive conflicts of capitalism, and that increasing uncertainties stimulate the renewal of research priorities in regional planning.A percepção de riscos pela mudança do clima fomenta a rediscussão das prioridades da pesquisa sobre o planejamento regional. Mudança climática não se resume a um ‘tema ambiental’, altera relações de poder nos mercados, mediante alteração de preços, e na política, através de novos custos. O ensaio tem como objetivo uma reflexão em base empírica, contribuindo para integrar a resiliência como dimensão transversal no planejamento regional. Utiliza aspectos da teoria da Sociedade de Risco, proposta pelo sociólogo Ulrich Beck, discutindo conexões com a obra de Anthony Giddens, em especial sua proposta do New Green Deal. Argumentamos que, contrariando o otimismo de Giddens quanto à capacidade do Estado, é possível reconhecer no Rio Grande do Sul evidências do esgotamento dos clássicos conflitos redistributivos do capitalismo e que incertezas crescentes estimulam a renovação nas prioridades da pesquisa em planejamento regional
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