CEM – Cultura, Espaço & Memória (E-Journal)
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A educação religiosa nos manuais escolares de história : entre a ditadura e a liberdade (1947-2011)
A disciplina de História, utilizada, segundo alguns estudos, para a transmissão de ideais políticos, reúne condições favoráveis para promover a laicização da sociedade. O objectivo deste estudo é perceber, utilizando o exemplo desta disciplina, se o ensino português, cem anos após a legislação que visava separar o Estado das Igrejas, já tinha implementado uma educação religiosa que fomente esta transformação. Para este fim, procedemos a uma comparação entre os currículos de História no Estado Novo (período de retrocesso na laicização da sociedade) e actualmente, utilizando como fonte os manuais adoptados em 1951 para o segundo ciclo do ensino liceal e o manual mais adoptado em 2009 para o terceiro ciclo do ensino básico. Foi, assim, possível concluir que a disciplina de História, em 2009, ainda não transmite uma educação religiosa totalmente adaptada às actuais necessidades educativas
Pedras, montes e protecções: a religião no norte pré-cristão
Lendas, crenças, superstições e folclore insinuam imagens fragmentárias de antigas religiões. No Norte, como na Galiza, repetem-se séries investigadas (monumentos funerários, santuários, inscrições, estatuária) que nos surgem associadas habitualmente ao levantamento de capelas, cruzes ou igrejas, que assim consagravam o novo espaço cristão. Esta apropriação do espaço sagrado, desde S. Martinho de Dume é feita contra a religião romana e engloba as religiões anteriores sob o termo de superstições. O cruzamento dos lugares da civilização castreja, onde parece destacar-se o uso de peregrinações e romarias estabelece uma série significativa de montes e pedras sagradas que se repetem numa série aparentemente alheia, as fragas e pedras de moiros e moiras igualmente encerrados por encantamento, o que a tradição popular e a nomeação conservaram
A economia portuguesa no tempo de napoleão – constantes e linhas de força : António Alves Caetano. Lisboa: Tribuna Da História, [2008], 271, [1] P., IL., Bib., ISBN 978-972-8799-79-3
Ejércitos y armadas de los reyes católicos – Nápoles Y El Rosellón (1494-1504) : Miguel Ángel Ladero Quesada. Madrid: Real Academia De La Historia, 2010, 861 P. ISBN: 9788496849969 - ISBN: 8496849961
Fragmentos de vidro fragmentos da memória : aproximação à actividade vidreira em Bracara Augusta
Com o avançar da investigação arqueológica torna-se finalmente possível apresentar uma primeira visão panorâmica da actividade vidreira em Braga nos primeiros seis séculos da nossa era, não só em termos de impacto da produção e comercialização de objectos de vidro na economia local como também em termos de relações socioeconómicas que essa actividade veio gerar. Sabemos agora que a produção secundária de vidro, feita em pequenas oficinas a partir de vidro bruto importado ou de vidro reciclado, estava mais difundida e vulgarizada do que se supunha, disputando espaço e estatuto com as olarias, ferrarias e demais actividades artesanais. Bracara Augusta, com as suas três oficinas de vidreiro até agora identificadas, é mais um exemplo paradigmático da redescoberta do vidro e da sua importância na economia e no quotidiano das populações romanas
As bibliotecas nos mosteiros da antiga Congregação Beneditina Portuguesa
O autor pretende contribuir para o conhecimento da importância que os beneditinos, seguindo as determinações de S. Bento, davam à cultura nos seus mosteiros, quer através dos «scriptoria», na Idade Média, quer através das bibliotecas, desde o século XVI. Neste ponto, procura realçar o papel dos mosteiros da antiga Congregação Beneditina Portuguesa (1567-1834) e sublinha o interesse que nos mosteiros portugueses se dava às bibliotecas dos respectivos mosteiros. Com este objectivo baseia-se num documento de 1785 já publicado por Camilo Castelo Branco (cfr. Mosaico e Silva), bem como nos inventários dos mosteiros, ao tempo da expulsão dos religiosos, em 1834
O código d\u27honra e as alterações na prática de duelar em Portugal nos séculos XIX-XX
A história da vida privada é maioritariamente dependente de fontes escritas. Por acentar em fontes materiais, o método de investigação passa por uma memória material para chegar a uma história imaterial, entendendo a forma do ser humano se ver a si mesmo e se comportar com outros. Os duelos de cavalheiros dos séculos XIX-XX em Portugal, como campo de estudo da vida privada, possuem esta dinâmica entre material e imaterial. A necessidade existente de um código de duelo de onde se retirassem os ideais e regras para o duelo entre cavalheiros existentes à margem da lei do Estado, punível pela mesma mas aceite socialmente, era visível no século XIX. Surge assim no século XX o «Ponto d’Honra», num oficializar de algo já vivido há muito tempo no país. Pretende-se estudar como este código manuscrito afecta a forma de se duelar, estudando os casos antes do depois do código existir, verificando o impacto provável nos homens da existência de um objecto nacional acessível onde se pudessem basear para fundamentar uma tradição
As viagens ferroviárias em Portugal (1845-1896)
Entre 1852 e 1893 Portugal dotou-se de mais de dois mil quilómetros de caminhos-de-ferro, que alteraram a forma como se viajava no Reino. Os portugueses, que antes apenas circulavam nos rios, junto à costa ou onde a ausência de obstáculos o permitia, passaram a dispor de um novo meio de locomoção que lhes encurtava as distâncias e aumentava o tempo disponível. Este artigo pretende, através dos discursos parlamentares coevos, dos pareceres técnicos da engenharia nacional (manuscritos do Ministério das Obras Públicas ou publicados nas revistas da especialidade) e da literatura da época enumerar e explicar algumas mudanças verificadas nos comportamentos itinerários dos portugueses. Verificar-se-á que o caminho-de-ferro criou novos hábitos, suscitou novas preocupações e desenvolveu novas oportunidades, acabando por se transformar num serviço público usual em Portugal
Uma época histórica, uma cidade, três motins : análise comparativa dos motins do Porto de 1592, 1661 e 1757
Ao longo da época moderna, a cidade do Porto foi cenário de várias manifestações populares. Estas têm despertado algum interesse da historiografia portuguesa, que tende a analisar cada motim como um fenómeno isolado, originando estudos que perdem os traços gerais que orientavam todas estas manifestações. Deste modo, o objectivo deste estudo é, então, analisar comparativamente três motins da Cidade do Porto (1592; 1661; 1757), utilizando, para a sua concretização, as descrições existentes sobre estas manifestações. Foi, assim, possível concluir que, por detrás destes motins na cidade do Porto, existiam evidentes motivações, espaços, lideranças e consequências característicos que propiciavam a sua eclosão
Lettere e privilegi papali durante il pontificato di Ugo di Oporto (1112-1136) : Nuovi studi ed ipotesi di ricerca
O objetivo deste trabalho é o estudo da linguagem conteúda nas fontes pontifícias portuguesas e italianas da primeira metade do século XII. O artigo concentra -se em particular nos documentos papais sobre os problemas fronteiriços da diocese do Porto, durante o bispado de dom Hugo (1112 -1136), com as dioceses de Coimbra e Braga. Através do estudo das fontes romanas e a comparação do bispado Porto com a diocese de Cremona (Norte de Itália), vamos analisar os conflitos locais e a situação eclesiastica portuguesa nos primeiros decénios do século XII; a progressiva transformação da linguagem papal na comunicação com os bispos; a necessidade de estudar dinâmicas politicas e eclesiásticas do Porto e do bispo dom Hugo numa escala europei