CEM – Cultura, Espaço & Memória (E-Journal)
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    On otherness and India : o livro de Duarte Barbosa (C. 1516) seen in context

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    Neste artigo foi analisada a contribuição do Livro de Duarte Barbosa (c. 1516) para a receção e a interpretação da cultura e da sociedade indianas pelos europeus. O Livro só foi publicado em Portugal no século XIX. No entanto, esta narrativa conheceu, desde o início, uma grande circulação em Portugal e no resto da Europa. Antes de mais, a versão manuscrita era conhecida dos mais importantes cronistas do Oriente Português: Gaspar Correia, Lopes de Castanheda e João de Barros. Este relato foi igualmente traduzido para castelhano, alemão e italiano ainda durante o século XVI. Referimos, por exemplo, a tradução para a língua italiana incluída no primeiro volume da obra Navigazzioni e Viaggi (1550) por Giovanni Battista Ramusio, uma das mais importantes compilações de textos relativos às narrativas de viagens por europeus fora da Europa desde a Idade Média.O Livro sofre certamente de algumas limitações características da época, como preconceito religioso, um discurso fomentando com frequência uma identificação civilizacional não necessariamente verdadeira entre europeus e não europeus, ou a associação da tipologia de pele com determinado nível civilizacional. No entanto, trata-se de um dos mais completos relatos escritos por autores portugueses acerca da Índia no início do século XVI. De facto, este relato inclui informação fundamental acerca de aspectos políticos, militares, sociais, culturais, comerciais e religiosos característicos da Índia contemporânea. Como indicado pelo título da obra, o Malabar é a região da Índia, cuja descrição foi objeto de maior cuidado. Tal deverá estar relacionado com o facto de Barbosa ter vivido durante quase cinquenta anos nesta região

    O concelho de Caminha em 1828 : população e aglomerados domésticos

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    A vila de Caminha e o seu concelho encontravam-se numa posição marítimo-fluvial privilegiada. Cedo, viram a sua importância estratégico-militar ser reconhecida, sendo a sede do termo agraciada com o seu primeiro foral em 1284, ao qual se seguiram outros privilégios no sentido da salvaguarda das terras recém-conquistadas e na defesa fronteiriça. Reconhecida igualmente por uma assinalável atividade mercantil até finais do século XVII, na centúria seguinte registou-se um declínio gradual, fruto do assoreamento da barra do rio Minho que impediu lentamente o transporte das mercancias até Valença. Neste movimento de lenta decadência e, no dealbar das primeiras rebeliões miguelistas, em 1828 foram elaboradas listas de Ordenanças em todo o concelho, onde constam todos os fogos por freguesia. Apesar da reduzida dimensão do concelho e da sua aparente uniformidade, a análise individual de cada comunidade revelou uma diversidade significativa. Neste contexto, é nosso objetivo efetuar a caraterização individual de cada freguesia ao nível da caracterização das chefias de fogo, bem como, recorrendo à tipologia de Cambridge, verificar a existência ou não de um padrão dominante no tocante à estrutura interna dos fogos

    Território e paisagem a ambiguidade da apropriação da tradição moderna pela fotografia

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    : Tornou-se convencional considerar a paisagem no Ocidente como um efeito de um novo olhar saído da Modernidade (um individualismo renascentista que abandona o «olhar para o céu» e os seus imaginários Jardins do Paraíso e manifesta o «olhar para a terra», característico das culturas mercantis modernas; uma prática das Descobertas, com os seus mapas com indicações geográficas, botânicas e étnicas ou ainda, o culto dos jardins privados e públicos…) Porém, o olhar que cria a paisagem como uma entidade diferente do território mas a partir da observação desse mesmo território, não releva apenas de um novo olhar moderno, está presente nas diversas representações cívicas, (como emblemas das cidades), levanta-se em minuciosas iluminuras dos «Livros de Horas» e faz, indiscutivelmente parte do imaginário medieval. É esta pintura e representação emblemática que norteia uma das orientações do olhar fotográfico, motivando ainda a fotografia documental que representa a cidade ou o campo através de concepções que são bandeira da sua representatividade e legitimidade. Acresce que a fotografia traz consigo a contaminação da representação do território, seja através do naturalismo e realismo ou da simulação simbólica do olhar (Pictorialismo) ou da realidade construída da fotografia conceptual

    Le corps-paysage dans ambas as mãos sobre o corpo de Maria Teresa Horta

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    A representação do corpo feminino enquanto paisagem é um tópico da literatura que, por analogia, estabelece correspondências entre a mulher e o relevo geográfico. À distância, o olhar do sujeito reifica o corpo feminino que se reduz então a um mero objecto de contemplação. O nosso propósito é analisar como Ambas as mãos sobre o corpo de Maria Teresa Horta desconstrói este tipo de representação.Trata-se de estudar como o entrelaçar do olhar permite o surgimento do corpo-paisagem e a sua valorização, já não como objecto passivo de desejo, mas enquanto sujeito erótico que fascina e incorpora o sujeito que observa. O corpo está assim na origem de uma sinestesia a partir da qual surge uma paisagem que já não é só visual, e é esse excesso dos sentidos que permite a sua reinscrição no cosmos, segundo a proposta de Michel Collot

    A construção da rede ferroviária do Minho : (1845-1892)

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    Na segunda metade do século XIX, reuniram-se em Portugal condições de estabilidade para se iniciar uma política de obras públicas. Os primeiros carris começaram a ser assentes em 1852, mas só em 1867 se decreta a construção na província do Minho, apesar de as propostas neste sentido datarem do início do fontismo. Porém só em 1872 se iniciaria a construção. Recorrendo aos debates em ambas as câmaras do parlamento português, ao Dicionário Biográfico Parlamentar para caracterizar os tribunos e aos pareceres dos engenheiros portugueses e submetendo-os à técnica da análise de conteúdo, pretende-se com este texto explicar o desenvolvimento da rede minhota entre 1850 e os inícios da década de 1890 (o período dos grandes investimentos em obras públicas) e como esta ficou aquém do desejado pelos governantes nacionais

    Epistolários e preservação da memória : a correspondência de João Penha

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    Graças à sua natureza híbrida, oscilando entre vida e literatura, as cartas trocadas por escritores assumem um valor documental inestimável, não só na preservação da memória biográfica do autor, como no auxílio ao estudo da génese de uma obra literária, conforme salientado por Gérard Genette. O caso de João Penha (*1839 †1919) é exemplo paradigmático, pois a investigação sobre o vate bracarense beneficia sobremaneira com a leitura da correspondência. As cartas por si trocadas constituem testemunhos explícitos das ideias do homem e do poeta, mas sobretudo fontes indirectas de informação sobre a sua Obra, permitindo contextualizar o itinerário de criação e assim enriquecer a edição crítica

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