CEM – Cultura, Espaço & Memória (E-Journal)
Not a member yet
409 research outputs found
Sort by
Cartas para Almeida Garrett : lembranças do exílio
A proposta deste trabalho é analisar e apresentar cartas privadas recebidas pelo escritor João Baptista de Almeida Garrett no período em que esteve no «exilio». São um conjunto de 25 cartas, aproximadamente, escritas por sua mãe e familiares num momento conturbado da história de Portugal. Escolhi três momentos de «exílio» de Garrett. O primeiro ocorreu entre os anos de 1823 e 1826, foi um momento de crise, onde os liberais mais radicais põem-se em fuga e as sociedades secretas são dissolvidas. O segundo ocorreu entre os anos de 1828 e 1832, por causa do retorno de D. Miguel a Portugal e o provável endurecimento político contra os liberais. O terceiro, que classifico como «exílio», mas teve características diferentes das demais, ocorreu entre os anos de 1834 e 1836. Nesse período Garrett foi afastado de Portugal, que estava devastado por uma guerra civil, com o pretexto de compor uma missão diplomática. Todas as cartas escolhidas fazem parte do espólio literário localizado no setor de reservados da Biblioteca da Universidade de Coimbra
António Sérgio na intimidade : epistografia íntima – análise de um acervo íntimo
Este artigo tem por base a análise da correspondência trocada entre António Sérgio de Sousa e Luísa Estefânia, sua futura mulher, entre outubro de 1902 e abril de 1910, ano em que formalizaram o seu casamento. Através dela conseguimos compreender os diversos fatores que contribuíram para a formação da sua personalidade e posterior percurso de vida. Nela, António Sérgio, faz referência à importância da família, ao magma sociocultural que experienciou durante os seus primeiros anos de vida e que terá sido fundamental na formação da sua personalidade, às leituras que fez e aos pensadores que leu. Todos eles terão sido preponderantes para que abandonasse a escolha da carreira inicialmente iniciada, por influência familiar, e se dedicasse, inicialmente, à poesia e, posteriormente, à escrita de ensaios, tornando-se numa figura incontornável no panorama cultural português do início do século passado
A «experiência do jesuíta em aldeia» na epistolografia de António Vieira
Obedecendo a prescrições da Companhia de Jesus e os preceituários do gênero epistolar, as cartas do padre António Vieira, escritas entre 1626 e 1697, tratavam de diversas questões que perpassam variados textos seiscentistas e se reportavam a problemas políticos, econômicos, jurídicos, militares e religiosos relativos ao império português. Nesse corpo documental, este trabalho tem a finalidade de analisar como a tópica da experiência era mobilizada de forma específica segundo os objetivos e as prescrições do texto em que está inserida, mas também como ela encontra -se em um mesmo sistema de correspondências conceituais que envolvia diversos tipos discursivos. Partindo disso, observaremos como Vieira usava a experiência associando -a ao espaço dos aldeamentos e à condução dos índios ao corpo social hierárquico português
«Para aprender, viajar e escrever» : uma carta para Domingos de Oliveira Maia (1821)
Através do conjunto de 27 cartas adquiridas num alfarrabista antiquário da cidade do Porto em 2011, todas dirigidas a Domingos de Oliveira Maia e datadas de 1821, procuramos aferir das potencialidades desta fonte, como documento para o estudo social, político e até estético num ano particularmente importante da história de Portugal. Do universo epistolográfico, submetido à devida crítica interna e externa, apresentamos e analisamos, com maior enfoque, uma carta que narra a jornada entre o Porto e Lisboa e que consideramos exemplar sobre a apresentação e interpretação do tempo através da viagem, os seus lugares e os indivíduos que neles se cruzam. Carta e jornada encontram -se no século XIX como eixos de uma expressão literária e também documental – aspectos que procuramos abordar neste artigo
Redes de interesse empresariais e ditaduras políticas : o caso da expansão da silvicultura no estado do Espírito Santo/Brasil
O presente artigo tem por objetivo central apresentar dados sobre a inter-relação entre ações de governo, materializada por meio de implantação de legislação específica, e o desenvolvimento de monoculturas no Brasil na década de 1960. Destaca-se que há pesquisas que apontam as consequências desse modelo de apropriação socioeconômica da natureza, como morte social de comunidades, desequilíbrios ambientais, bem como maior centralização econômica. Especificamente no estado do Espírito Santo/Brasil – foco territorial para este artigo – o apoio do governo está relacionado à instalação da 2.ª maior produtora de celulose do mundo – a Fibria S/A, antiga Aracruz Celulose S/A. O modus operandi político, representado pela ausência de diálogo com a sociedade, característico de ditaduras, é o contexto mais geral de debate
As paisagens marítimas na pintura portuguesa (finais do século XIX - primeira metade do século XX)
A representação pictórica da paisagem nos finais do século XIX, meados do século XX, configura-se numa perspetiva inovadora no momento em que os pintores começam a atribuir uma importância específica à pintura realizada na presença da própria paisagem. Os fenómenos resultantes de diferente intensidade lumínica são percecionados com configurações diferentes dando-nos assim representações díspares da morfologia dos espaços. Os artistas expressam emoções através das suas representações e na forma como interpretam as paisagens em causa, evidenciando igualmente um conhecimento mais estruturado da morfologia dos espaços e dos fenómenos atmosféricos. Este artigo pretende mostrar as mutações ocorridas na representação da paisagem marítima, considerando também a inovação de novas correntes pictóricas que refletiam uma nova postura do artista perante a sociedade. A paisagem marítima humanizada poderá ser também uma fonte de estudo da sociedade
Onde moravam os outros? : -a casa corrente na época moderna (a cidade de Viseu como estudo de caso)
Este estudo pretende analisar o complexo universo da casa corrente, entre os séculos XVI e XVIII, apresentando como estudo de caso a cidade de Viseu e a análise, qualitativa e quantitativa, dos Prazos do Cabido, e confrontando a realidade local com os dados conhecidos para o panorama nacional. A designação «casa corrente» pretende agrupar, sob uma mesma denominação, realidades habitacionais e sociais sem dúvida diversas, mas que escapam ao universo da casa nobre, percentualmente menos representativo mas mais estudado. Moldada, ao longo da época em análise, pelas subtis mudanças de paradigma social, caracteriza-se formalmente pelas suas reduzidas dimensões de implantação e elevada expressão em altura e pela precariedade dos seus materiais de construção
Fotografia e profilaxia social : a visão do «outro» nas campanhas da LPPS
A Liga Portuguesa de Profilaxia Social é, desde 1924, uma instituição vocacionada para a defesa da saúde pública. Desenvolveu um programa de ação orientado para a sensibilização da população aos perigos das doenças contagiosas e de algumas práticas sociais, questionando o campo físico, psicológico e moral. Na sua ação direta com os «outros», a Liga usou meios de comunicação como a fotografia e o cartaz, recorrendo ainda ao cinema. O artigo pretende estudar a sua produção visual com a intenção de analisar a mensagem emitida relativa à educação para a saúde no período de entre as duas guerras mundiais, focalizando os cartazes que a Liga produziu para o efeito, bem como os cartazes estrangeiros que funcionaram com modelos inspiradores
A memória do outro : o sistema de valores dos transmontanos no Estado Novo
O tema do presente estudo teve como objectivo principal a análise e interligação de memórias, recolhidas, através de entrevistas, não só de cidadãos do Romeu, mas também de outros locais do país. As memórias retidas pelas pessoas de locais diferentes, sobre os anos 60 e 70 do século XX, ajudarão a comprovar se houve diferenças nesse registo e se a imagem identitária, em relação ao regime, apresentou ou não características idênticas. O mundo rural transmontano, em que vigorou, durante muito tempo, o isolamento territorial e cultural, ter-se- -á identificado com outros locais do país na captação de um suporte de memórias, relativo a um mesmo tempo histórico? O estudo provou que a apropriação de memórias coincidiu em muitos aspectos e que as pequenas diferenças se adaptaram aos aspectos particulares da região
Perspetivas desencontradas sobre a guerra fria em manuais de história europeus
O artigo desenvolve um estudo comparativo sobre as representações da Guerra Fria na Europa Ocidental, Europa Nórdica e Europa de Leste, entre os anos de 1980 e de 1990. A investigação foi desenvolvida através da análise de Manuais Escolares de História e, sempre que possível, dos Programas Escolares. Procedemos a uma investigação eminentemente qualitativa de análise de conteúdo a partir do texto informativo, documentos e propostas de experiências de aprendizagem presentes nos Manuais. No quadro teórico foi considerada a natureza da Ciência Histórica e a sua repercussão no ensino da História; o processo de formação da consciência histórica; a importância da História na formação do indivíduo; uma abordagem aos estudos mais recentes sobre a Guerra Fria e ao estado da arte da investigação em Manuais Escolares. A investigação revela a forma como o desenvolvimento dos conteúdos sobre a Guerra Fria foi evoluindo em perspetivas desencontradas em vários países da Europa e com assinaláveis alterações entre as décadas de 1980 e 1990. Chegamos a conclusões sobre os diferentes usos da História, a partir das representações culturais, históricas e geopolíticas das referidas áreas geográficas da Europa