CEM – Cultura, Espaço & Memória (E-Journal)
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The Tua Valley : symbolical and technological landscape
O vale do Tua, no norte de Portugal, está neste momento a passar por uma intensa transformação com a conclusão da construção da barragem de Foz-Tua. Como consequência, parte do vale e da centenária linha do Tua serão submergidos. Contudo, as ramificações completas deste empreendimento ainda não são conhecidas. Neste artigo não iremos fazer julgamentos sobre a barragem ou o encerramento da linha. Pretendemos sim apresentar as transformações tecnológicas do vale do Tua e interpretar esta região como paisagem simbólica e tecnológica, contribuindo para o debate sobre a compreensão da paisagem e sobre a problematização das fronteiras entre tecnologia e paisagem, muitas vezes consideradas realidades inconciliáveis
Aliados versus inimigos da nação: : sociabilidades no Porto da Grande Guerra (1914-1918)
Os sentimentos nacionalistas decorrentes da Grande Guerra de 1914-1918 foram pródigos na transfiguração das fronteiras mentais das sociedades coevas, fomentando singulares diretrizes históricas e sociológicas nas relações entre cidadãos nacionais e estrangeiros. Os novos valores e comportamentos nas formas de interação social em Portugal, sublimados pelo complexo enredo diplomático e militar global, cedo despontaram em reações antagónicas face às diferentes comunidades internacionais aqui residentes. O estudo da cidade do Porto nas suas muitas especificidades oferece uma visão transversal sobre este novo fenómeno e o redesenhar do seu tecido social em tempos de guerra, revelando curiosos quadros das vivências e das conceções ideológicas entre aliados e heróis versus inimigos e anti-heróis da Nação
Los imperios portugués y español. : un análisis de su tratamiento en los libros de texto de ambos países durante las dictaduras y los años inmediatamente posteriores
Como é que os rostos políticos dos anos 70 e 80 influenciaram a forma como se transmitiu a história dos impérios coloniais português e espanhol? Essa é a principal questão a que procura responder este artigo. Os manuais de História podem estigmatizar uma época ou exaltar para sempre a figura de um determinado monarca ou político. É interessante analisar a forma como esses livros apresentaram aos estudantes portugueses e espanhóis a história e os personagens da ação imperial de ambos os países. Para isso este artigo analisa alguns dos livros mais populares na Península Ibérica durante as décadas de 70 e 80 com a intenção de reflectir sobre a relação entre os conteúdos históricos e as distintas etapas políticas de Espanha e Portugal. Os manuais selecionados pertencem ao 2.º ciclo do Ensino Liceal (no caso do Estado Novo), correspondente depois ao 3.º ciclo do Ensino Básico (período Democrático), no caso do Portugal e, também, à Educação Básica Geral, em Espanha
«Home is where your heart is» : experiências migratórias familiares de topofilia e de resiliência territorial
A noção de pertença geográfica refere-se aos laços afectivos que o indivíduo estabelece com o território. A construção da noção de topofilia baseia-se por isso em concepções pessoais e colectivas, na relação com o território. Em caso de experiências de mobilidade, a dinâmica migratória implicará a (re)construção da identidade numa lógica de resiliência. Então onde é de facto a nossa casa? Como é que a capacidade de resiliência dos sujeitos determina a escolha e permanência em determinados locais e em contexto migratório? Estas e outras questões serão abordadas a partir da discussão de duas obras fílmicas. A primeira – A Gaiola Dourada, de Ruben Alves (2013); a segunda – O Caminho das Nuvens, de Vicente Amorim (2003). Ambas as histórias se cruzam, apresentando dilemas familiares relativamente ao território de pertença e à busca de lugar entre a casa que deixaram e a nova casa
Relações entre História e Filosofia ou a complexidade da reflexão histórico-filosófica em Razão e História (1940) de Vitorino Magalhães Godinho
Uma reflexão sobre o outro revela-se estimulante. Este artigo divide-se em duas partes. Na primeira, estabelece-se um enquadramento teórico-conceptual genérico das relações entre a Filosofia e a História, sublinhando a importância de autores como Roger Chartier (que efectuou leituras parcialmente tributárias de Foucault e de Certeau). Na segunda parte, analisa-se Razão e História (Introdução a um problema) de Magalhães Godinho. Esta dissertação de licenciatura (1940) tematiza o neopositivismo presente em trabalhos anteriores de Abel Salazar, Delfim Santos ou ensaios subsequentes, da autoria de Vasco Magalhães-Vilhena ou Egídio Namorado, parecendo configurar um racionalismo crítico
Fogo a fogo, ano a ano : inserção portuguesa no Brasil Meridional nos períodos pré e pós independência a partir das listas nominativas de habitantes (Paranaguá 1800-1830)
A vila portuária de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá, localizada na marinha sul do litoral brasileiro, foi um importante polo de imigração portuguesa em fins do século XVIII. A partir das Listas Nominativas de Habitantes, tratadas com o software SPSS, se buscará recuperar a situação dos portugueses radicados nesta vila em basicamente dois recortes. O primeiro refere-se à Paranaguá de inícios do século XIX, ainda no período colonial. O segundo, recortando o ano de 1830, enfatizará este mesmo sítio já inserido numa dinâmica portuária de comércio externo, no contexto pós-independência. Sempre em confronto com a situação global da população parnanguara, a análise será direcionada, para que se recupere qual era o estado específico do grupo lusitano na hierarquia social de Paranaguá, também nesses dois momentos
Marta Macedo, projetar e construir a nação. Engenheiros, ciência e território em Portugal no século XIX. Lisboa: ICS, 2012 : recensão
Contributo para o reconhecimento de «estratigrafia» na paisagem da bacia do Douro : o caso do território entre Marão, Montemuro, Sousa, Tâmega e Douro
Este trabalho é assumido como um contributo para o reconhecimento de «estratigrafia» na paisagem da bacia do Douro, particularizado para o território entre Marão, Montemuro, Sousa,Tâmega e Douro. A partir de um «observador», procuramos evoluir a análise que nos permita reconhecer a estratigrafia milenar desta Paisagem e fazemo-lo através daquilo que denominamos como «unidades de paisagem património», as quais constituem áreas relativamente homogéneas que denotam a estreita relação entre as características ecológicas de um território e as atividades que nele se desenrolaram, exemplificadas e identificadas como património construído (arquitetónico e arqueológico) num intervalo de tempo «ante» e «post» bem definido. Suportada na Geografia de Estrabão e nos resultados da escavação de Tongobriga, apresenta-se com alguma pormenorização a unidade que denominamos «do castrejo ao tardo-romano: travessia e estruturação do território», assumindo-a como um contributo para o reconhecimento da «estratigrafia» da construção da Paisagem entre o ano zero e o século V