CEM – Cultura, Espaço & Memória (E-Journal)
Not a member yet
409 research outputs found
Sort by
Sob o olhar da construção da memória : Ricardo Jorge na tribuna da história
Figura incontornável da medicina e saúde pública entre o último quartel do século XIX e a primeira metade do século XX, Ricardo Jorge constitui, por si só, tema de abordagem obrigatório quando nos debruçamos sobre a história do higienismo na contemporaneidade portuguesa. Frequentemente, mas de um modo ainda parcelar ou tematicamente circunscrito, escreve-se e disserta-se sobre esta figura. Com este artigo pretende-se reflectir criticamente sobre a História que se fez em torno de Ricardo Jorge, dando a conhecer um projecto de investigação biobibliográfico em curso, especialmente dedicado à integralidade da sua vida e obra
Livres como livros
Do nascimento das palavras, e logo do afã da comunicação, aos incomensuráveis livros – e englobemos aqui toda a produção escrita, independentemente do seu suporte – o homem tem vindo a percorrer um caminho único. Se o registo de tal aventura não tivesse sido feito, por muito que se tivesse evoluído, a necessidade de recuar no tempo seria incontornável. Porque haveria que voltar a perceber, de novo, cada manhã do mundo. Porém, e porque a palavra se tornou letra, e a letra vida, atravessámos já milénios, lado a lado com os livros, que se foram tornando baluartes de algo que configura o nosso desejo maior: a Liberdade
A paisagem urbana oitocentista embelezamento e política urbana na renovação da imagem de Coimbra
Durante o século XIX, as intervenções oitocentistas de modernização e melhoramento das cidades portuguesas adotaram os princípios de embelezamento urbano, que se vinham desenvolvendo por toda a Europa, desde o século XVIII. As intervenções de saneamento e infraestruturação da frente ribeirinha da cidade de Coimbra no quadro nacional de emulação das experiências internacionais e, para além de preconizarem uma política de projeção da cidade na hierarquia territorial nacional. Mais do que um projeto de modernização esta intervenção afirmou-se como um projeto simbólico de construção de uma nova paisagem urbana
O documento fotográfico : da mediação cultural à mediação técnica
A sociedade da comunicação é uma sociedade global, nómada e de registo que, com a prática do digital levou à definição do documentalidade (fenomenologia dos objectos sociais). Como documento social a fotografia depende e existe se as pessoas acreditarem que ela existe como documento – com uma intenção, vontade e uma expressão. Hoje aborda-se a foto-documento como forma, signo e médium. Se é um registo apreendido com significado é partilhável. Com o digital as operações passam a ser feitas em qualquer lugar e em qualquer tempo; deslocaliza-se o arquivo de conservação de dados (não há apropriação directa); a leitura exige o interface de uma máquina, quebrando-se a imbricação e continuidade entre o suporte tradicional e a inscrição, agora sujeita à formatação do programa, que pode por em causa a interpretação. A conservação apenas permite migração para outro dispositivo, o que se mantém é a estrutura lógica, a capacidade de reproduzir. À mediação cultural juntou-se, prioritária, a mediação técnica
Apontamentos sobre cultura escrita e práticas epistolares
A carta não é uma invenção dos séculos XVI e XVII, entretanto, é nesse período que adquire importância como instrumento de comunicação social; escrever cartas é uma prática social da cultura escrita que se generaliza e populariza ao mesmo tempo em que uma parcela maior da população é alfabetizada e são criados os sistemas escolares. Além disso, é possível apreender, através da materialidade da escritura epistolar, como os artefatos culturais implicados nas práticas de correspondência são postos em ação na erudição, na caligrafia, na gramática, no estilo, na arte epistolar, na construção das sociabilidades e no pacto epistolar
Impossível é não viver (José Luís Peixoto) : o que nos mostram as cartas
O presente artigo é composto por duas partes distintas. Na primeira o principal objetivo prende -se com a contextualização da prática epistolográfica. De acordo com Roger Chartier, entre o século XVI e o século XVIII, as sociedades ocidentais foram desenvolvendo uma cultura única da palavra escrita. Até então, apenas podemos considerar elites bem circunscritas. A partir do século XIX, no entanto, a multiplicação de registos escritos, independentemente de qualquer tipologia, atinge transversalmente níveis inimagináveis algum tempo antes. Convém, porém, não esquecer que, como afirma Michel de Certeau, é o leitor quem confere significado ao texto. Na segunda parte deste artigo, surgem exemplos concretos do que entendemos ser o fio condutor que nos une através dos séculos. Entre as cartas de vultos tão afastados no tempo e tão diversos nos seus interesses, o que poderá haver de comum? Santo Agostinho, Felipe II, Mozart, Vieira da Silva, entre mais de duas dezenas de outros nomes assinados em folhas de papel, testemunham momentos de dúvidas e certezas; de guerra e de paz; de saudade e reencontro. Em suma, mesmo na adversidade, prezam a vida
Cartas pela salvaguarda do património no Portugal das Luzes : testemunhos de Frei Manuel do Cenáculo e de Francisco Xavier Fabri
Através da análise de três cartas datadas do termo do século XVIII e início do seguinte, demonstra -se a relevância da documentação epistolográfica para a história do património e da teoria do restauro em Portugal, em particular na época das Luzes. O estudo considera uma missiva do bispo de Beja, D. Manuel do Cenáculo, sobre a muralha e a torre de menagem medievais pacenses, e duas do arquiteto italiano Fabri que têm como objeto o teatro romano da colina do castelo em Lisboa. Por meio da leitura integrada destes testemunhos, expressivos de atitudes de salvaguarda de bens reconhecidos como património histórico, reflete -se acerca da consciência patrimonial prévia ao Romantismo no país
Da ocupação do território à degradação ambiental : o caso da exploração mineira em S. Domingos
Um empreendimento de escala grandiosa como o que foi levado a cabo em São Domingos, entre meados do século XIX e meados do século XX, para a exploração das pirites, tinha de ter impacto no ambiente. Nesta história da exploração moderna de um recurso geológico descrevemos o caso concreto da mina desta pequena localidade do território de Mértola, destacando os problemas de natureza ambiental identificados. O empreendimento que motiva este estudo teve igualmente reflexo na imprensa regional e nacional, as fontes que privilegiámos como reflexo de um hipotético debate no espaço público, juntamente com documentos dos serviços oficiais que regularam a atividade da empresa exploradora, a nível económico mas também ambiental. À ocupação de um território praticamente deserto, no interior alentejano, onde o capital inglês fez surgir uma povoação próspera, seguiu-se a degradação ambiental, evidenciada pelo impacto na paisagem, pela poluição do ar e pela poluição da água, sem esquecer a desertificação humana associada ao encerramento da mina, apesar dos esforços para a reconversão económica da região por parte das entidades envolvidas
Energia potencial na transformação da paisagem : a bacia carbonífera do Douro
Duas décadas após a introdução do fuelóleo na termoeléctrica da Tapada do Outeiro, encerra a última exploração de combustível nacional: fica suspensa a transformação da paisagem determinada pela linha de produção de energia a partir do carvão. Durante o século XX, é o combustível o motor de desenvolvimento da bacia carbonífera do Douro. A dependência perante o carvão determina a relevância do sistema energético na transformação da paisagem, agora tecnológica, que se estende desde as estruturas de apoio à extracção aos sistemas infra-estruturais da cidade. Desmaterializada a fonte de energia, todo o Sistema perde significância. Perante a morte funcional do sistema energético subjacente à transformação do carvão, problematiza-se a sua assimilação aquando da substituição das lógicas (infra)estruturantes