CEM – Cultura, Espaço & Memória (E-Journal)
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Cartas de mulheres : história social da cultura escrita de e/imigrantes portuguesas no Brasil (1896-1929)
Incorporando perspectivas teórico -metodológicas da História Cultural e da História Social da Cultura Escrita, esta investigação visa a interpretar e discutir dezenove correspondências pessoais com assinaturas de nomes femininos, escritas em língua portuguesa por e/imigrantes, entre 1896 a 1929, catalogadas e classificadas pelo Museu da Imigração do Estado de São Paulo (Brasil) como «cartas de chamada». Para tanto, buscou -se entender que documentos são estes, quem os escreveu e por que tais missivas foram escritas, considerando o contexto histórico em que foram produzidas e sua funcionalidade sociocultural
Origem e distinção : as marcas de vinhos no final do século XIX
Em finais do século XIX, num contexto de profundas transformações da produção vitivinícola, com a reconversão pós-filoxérica, e de grande instabilidade dos mercados de vinhos, com o desenvolvimento da concorrência e com a proliferação de imitações e falsificações dos principais tipos de vinhos de denominações reconhecidas, assiste-se à emergência do direito das marcas comerciais, visando reprimir as práticas de concorrência desleal e a utilização abusiva das indicações de proveniência falsas ou falaciosas. Em Portugal, a aprovação da «lei das marcas» de 4 de Junho de 1883, na sequência da assinatura, em Março desse ano, da Convenção da União de Paris para a protecção da Propriedade Industrial, iria dar origem à criação do registo de marcas comerciais para os diversos produtos. A partir do levantamento das marcas registadas entre 1883 e 1900, em que se verifica uma forte presença de marcas de vinhos e produtos vinícolas, procuramos perceber de que forma os diferentes agentes comerciais recorreram a imagens rurais associadas às regiões de origem dos vinhos, como elementos de distinção e valorização das suas marcas. A par dessa articulação entre marcas e denominações de origem, e dos diferentes interesses envolvidos, desde os produtores aos retalhistas, pretende-se compreender a valorização conferida às características dos vinhos (castas, qualidades, categorias e processos de vinificação e envelhecimento, etc.)
Extincionismo : catástrofe em massa? Filosofando a ciência ambiental contemporânea através da ideologia pré-eugénica nietzschiana
O artigo tem por objectivo realizar uma análise filosófico-científica do problema da «extinção» e, em particular, da «sexta extinção em massa». Para tal, e considerando recentes dados paleontológicos e biológicos, discutir-se-á sobre o seu realismo científico e a sua adequação epistémica. Teremos também em conta os seus vectores teóricos e filosóficos, nomeadamente a influência da ideologia pré-eugénica (Galtoneana) Nietzschiana. Concluir-se-á o extincionismo científico contemporâneo como (ainda) um «wishful thinking» filosófico que pode, no entanto, ser atingido mediante a ocorrência de certos fenómenos envolvendo agentes humanos do que propriamente uma convulsão sinérgica
Os outros na idade média : fantasmas e revenants
Os relatos de aparições de fantasmas e de testemunhos das viagens além-túmulo de revenants são uma constante na literatura da Idade Média entre os séculos XII e XV. Esses eventos foram registados essencialmente em escritos de carácter moralizante – os exempla – de forma a incitar os fiéis a reger-se por uma conduta estabelecida pela Igreja mas, sobretudo, como meio de afirmação de um terceiro local de permanência no Além: o Purgatório. Este artigo pretende definir e distinguir os conceitos de fantasma e de revenant, elencar as principais obras acerca destas temáticas e os exempla nas quais se alicerçaram, e expor de que forma contribuíram para substanciar a crença no Purgatório
Os «outros» no ensino de história : a pluralidade cultural como representação da identidade nacional nos currículos escritos de história no Brasil
O objetivo deste artigo é compreender o conceito de identidade cultural brasileira nos currículos escritos nas últimas décadas, em especial aqueles dedicados ao ensino de História do Brasil. A definição da pluralidade cultural como elemento formador da nacionalidade apoia-se nos debates multiculturalistas que propõem a valorização e o respeito do Outro e de suas diferenças. No entanto, pesquisadores dedicados à questão das identidades no ensino apontam para o caráter liberal do multiculturalismo proposto pelos currículos oficiais. Assim, buscaremos compreender através dos currículos escritos às propostas do Estado para configuração de uma nova identidade, marcada pela pluralidade cultural, seus avanços e limites, compreendendo a construção social do currículo, a partir das teorias críticas e pós-críticas, sobretudo, apoiado nos Estudos Culturais
Tensões e cruzamentos em público ou privado : – o «outro» em júlio dinis e alguns escritores ingleses
É consabido que o «outro lado do saber» sempre fará parte de qualquer processo investigativo, e seja qual for a matéria equacionada para objeto de estudo, na espiral evolutiva de cada projeto o investigador confronta-se, e por vezes surpreende-se, com «o outro», seu par na mesma ou noutras matérias, mas sempre de capital importância na produção do conhecimento. E só após a consciente interpenetração de saberes, regidos embora por contextualizações e conceptualizações segundo quadros epistemológicos de cada época, se chega ao ato da palavra escrita. Transferindo-nos entretanto dos rigores do trabalho académico para a liberdade do trabalho literário ficcional, de facto também estes autores se debatem com processos de interação. O esforço por contrariar a centralidade no «eu» a que se tem vindo a assistir nos últimos tempos fora já, afinal, uma preocupação de outros momentos, dos escritores romântico-realistas, por exemplo, cuja plasticidade de recursos literários se procurará demonstrar através de alguns romances de Júlio Dinis, com clara intervenção do pensamento de Jane Austen e Charles Dickens. Na criação das personagens destes escritores denota-se o respeito, individual ou coletivo, à presença do «outro», ainda que pela afirmação andrógina dos carateres ou pelo recurso à expressividade mimética da arte pictórica
Influências estrangeiras nos hospitais portugueses : o caso da enfermagem religiosa (finais do século XIX)
Ao longo do século XIX, um conjunto de avanços científicos e técnicos começaram a transformar os cuidados de saúde dispensados nos hospitais. Contudo, em Portugal revelava-se difícil encontrar um pessoal auxiliar qualificado, o que conduziu a um debate sobre as possíveis soluções: recorrer a enfermeiras religiosas ou formar o pessoal de enfermagem laico. A situação vivida no estrangeiro, nomeadamente em França, influenciou fortemente os acontecimentos em Portugal. Através da análise de relatórios e artigos publicados na época, pretende-se compreender como essa influência chegou a Portugal e qual o impacto nos hospitais e nos cuidados de saúde dispensados
Estudio de la longevidad en la isla de Pico : (archipiélago de las Azores)
Los determinantes de la longevidad humana han sido ampliamente estudiados, señalándose factores culturales, nutricionales y genéticos, como principales causantes del incremento de los años de vida. En la Isla de Pico, archipiélago de las Azores, varios estudios han detectado entre los siglos XVIII y XX trayectorias diferenciadas en los niveles de mortalidad respecto a los registrados en otras poblaciones europeas contemporáneas. Considerando datos procedentes de los registros parroquiales de nacimientos, matrimonios y óbitos, se establecieron las relaciones de parentesco y se describieron las principales características demográficas de los habitantes de 9 de las 17 parroquias de la isla para dicho periodo. Tras aplicar la metodología de reconstitución de parroquias y mediante el método de Desjardins e Charbonneau se analizó la correspondencia intergeneracional en la edad de defunción, considerando el sexo de los progenitores e hijos, así como distintos grupos de edad, con el objetivo de verificar la existencia de una correspondencia intergeneracional de la longevidad. Los resultados confirman su componente hereditario, y subrayan los efectos negativos de la edad avanzada del padre al nacimiento en la duración de la vida de las hijas, pero no de los hijos, tal y como ha sido señalado anteriormente por otros autores
Aproximações empíricas à mortalidade diferencial : trajetórias da mortalidade na paróquia de Esporões (Baixo Minho), séculos XVII e XIX
Objetivos – Pesquisar a concentração de mortalidade infantil, juvenil e infantojuvenil (às idades de 0, 1 a 4 e abaixo de 5 anos) em certas famílias, segundo o seu estatuto socioeconómico e fatores biodemográficas, e por extensão, analisar a transmissão intergeracional desses riscos. Dados e método: Dados dos registos vitais da paróquia de Esporões, dos fins do século XVI aos fins do século XX, cruzados com outras fontes nominativas, segundo a Metodologia de Reconstituição de Paróquias de M. Norberta Amorim (1991). O estudo foi restrito às mulheres casadas com 45 anos de idade ou mais, que tiveram pelo menos 4 filhos, mas sem gémeos, nos séculos XVII e XIX. Resultados – O nível da mortalidade das crianças nas famílias selecionadas foi de 208%o e 237‰, respectivamente nos séculos XVII e XIX. Contudo, cerca de 15% daquelas famílias mostraram níveis de mortalidade das crianças a oscilar entre 400%o e 1000%o: estas famílias foram «famílias de alto risco» de mortalidade. Conclusão – Os resultados parecem mostrar que a mortalidade das crianças estava concentrada em certas famílias
Los espacios portuarios vizcaínos mutaciones y adaptaciones de los puertos vizcaínos, siglos XIV-XVI
Desde tiempos medievales el Golfo de Vizcaya fue el cauce natural del comercio entre el eje mediterráneo-atlántico y el báltico. En esta coyuntura, las instalaciones portuarias de las villas vizcaínas que tenían puerto de mar – Bermeo, Lequeitio, Ondárroa, Plencia, Portugalete –, así como el interior de la ría de Bilbao, comenzaron a experimentar grandes cambios. Pasaron de ser puertos naturales, con ninguna o escasas infraestructuras con las que atender las necesidades del tráfico, a dotarse de muelles, astilleros, almacenes navales e industrias subsidiarias de todo tipo y condición. Una transformación física pareja al desarrollo de redes socio-laborales acordes con las nuevas actividades. Ahora bien, todas las obras que se emprendieron fueron demasiado costosas, por su magnitud y por la propia situación de los puertos enclavados frente a un mar rebelde e imprevisible que destruía una y otra vez lo construido; sobre todo si se tiene en consideración que su financiación corría a cargo principalmente de las cuentas concejiles. Porque los concejos bajomedievales eran instituciones de financiación autónoma, que dependían de las recaudaciones fiscales, casi siempre indirectas, para asumir el mantenimiento de su territorio: villa y mar o, en otras palabras, villa y puerto. Sin embargo, y pese a las dificultades, los puertos vizcaínos estuvieron a la altura de las circunstancias ya que organizaron una estructura portuaria que les permitió, por una parte, convertirse en puertos redistribuidores de las mercancías que llegaban desde el sur o desde el norte; y, por otra, transformar un paisaje natural y convertirlo en un paisaje industrial al servicio del comercio, de la pesca y de la conserva, de la industria naval y de las industrias subsidiarias. Todo ello a costa de unas cuentas concejiles exhaustas