CEM – Cultura, Espaço & Memória (E-Journal)
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A Serra da Estrela e a origem do movimento sanatorial português : (1881-1907)
Nos meados do século XIX, os sanatórios de montanha tornaram-se centros especializados no tratamento da tuberculose pulmonar. Seguindo a tendência europeia, alguns médicos e figuras públicas portuguesas centraram esforços para verem edificado um sanatório de montanha. O lugar escolhido foi a Serra da Estrela, ponto mais alto de Portugal continental, pelas suas condições climáticas, telúricas, higrométricas e pela ausência de actividade social. Foram encetadas diversas experiências com doentes, que voluntariamente se instalaram na serra, considerada a Suíça portuguesa, procurando vencer o mal do século. No lugar do Poio Negro foi instalado um posto meteorológico e construídas várias barracas que albergaram os primeiros doentes, mas dificuldades de vária ordem desviaram a atenção para a cidade da Guarda. Este artigo tem por objectivo identificar as doutrinas médicas subjacentes ao tratamento pela vida em montanha e as motivações médicas para a edificação dum sanatório na Serra da Estrela. Procuraremos igualmente fazer uma síntese retrospectiva do que foram as primeiras experiências terapêuticas na paisagem serrana até à construção do primeiro sanatório. Utilizaremos para tal documentação como as dissertações médicas, artigos médicos da especialidade e algumas monografias de referência
Para uma análise do tema electricidade na revista da Associação dos Engenheiros Civis e Portugueses : (1870-1945)
A electricidade, desde a sua aparição na segunda metade do séc. XIX, é notícia e objecto de periodismo. Em Portugal, foram escassas as revistas que lhe dedicaram exclusividade. Foi nas revistas científicas e técnicas das associações sócio-profissionais que o tema da electricidade alcançou maior expressividade. Nesse grupo, assume destaque a Revista da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses fundada e publicada desde 1870. A electricidade, enquanto objecto de publicismo, produziu informações de interesse para a História da Energia. O presente artigo, focando-se na revista citada, entre 1870 e 1945, procura dar resposta aos seguintes objectivos: identificar as publicações sobre electricidade; analisar essas publicações; demonstrar as potencialidades e contributos informativos dessas publicações para a história da electricidade nacional
Ambrosio de Morales : un viaje para la reconstrución de la memoria cristiana de un reino
El objetivo de este trabajo es el análisis del viaje emprendido por el cronista Ambrosio de Morales, entre junio de 1572 y febrero de 1573, por tierras de León, Castilla y Galicia, y por encargo de Felipe II, atendiendo a una dimensión específica: ser este viaje y su protagonista instrumentos para la reafirmación del poder real, a través de la identificación de reliquias, sepulturas reales y libros antiguos. Elementos que transmiten un poder simbólico del que el monarca se quiere apropiar en su proceso de construcción de un poder centralizado y de una imagen de rey cristiano, integrando en un mismo proyecto religión, política y cultura. Para esto, analizamos la relación del viaje, escrita por su protagonista y su contribución a la colección de reliquias del Real Monasterio de El Escorial
A lição do nordeste. Severino e Boa-Morte : Cabras marcados para morrer
O objectivo deste artigo consiste numa abordagem intertextual de Morte e Vida Severina (1956), de João Cabral de Melo Neto e João Boa-Morte, Cabra marcado para morrer (1962), de Ferreira Gullar. Denúncia social e reivindicação participativa na tematização do Nordeste brasileiro. A condição de severinidade e nordestinidade como idiossincrasia topológica. Géneros textuais: o auto de natal e o romance de cordel
Albert T’Serstevens,Olivier Rolin e Max Alhau em Portugal : aproximações a um país
Albert TÕSerstevens, Olivier Rolin e Max Alhau, escritores de língua francesa, cruzaram Portugal, em diferentes momentos do século XX: Albert TÕSerstevens na década de 40, Olivier Rolin e Max Alhau, na segunda metade do século. Itinéraire portugais, «Lisbon revisited» e Retour à Lisbonne são resultado desses momentos viáticos. No presente estudo e num quadro teórico imagológico, propomo-nos, com base nesses textos, reflectir sobre processos de construção de representações culturais, formas de aproximação ao outro inevitavelmente reveladoras duma definição identitária do eu textual
Por terras de França : viagem pedagógica de um professor casapiano
Prática comum desde os finais do século XIX, as viagens de educadores portugueses ao estrangeiro inflacionaram no decorrer da centúria seguinte, graças à consciencialização da necessidade de se conhecer o que se fazia lá fora para avaliar a distância percorrida ou ainda a percorrer. A Casa Pia de Lisboa, instituição modelar no panorama nacional, não representou excepção. Por isso, a viagem de um eminente professor casapiano, Fernando Pinto Ferreira, a terras de França não ofereceu dúvidas, nem ao Director da Casa Pia que a propôs, nem ao Ministro do Interior que a autorizou, em 1917. Tratava-se, afinal, dos preparativos para o pleno funcionamento do primeiro instituto de Educação Especial em Portugal – o Instituto Médico-Pedagógico
A epistolografia como paralelo e contraste : mãe e filha em Eneasroman de Heinrich Von Veldeke
O presente artigo problematiza a relação de paralelo e de contraste entre mãe e filha, a Rainha anónima e Lavinia, em Eneasroman de Heinrich von Veldeke, texto paradigmático do período clássico da literatura alemã medieval (c. 1170 -1190). Esta relação de analogia e diferença é conseguida através do motivo da carta: ambas escrevem com a própria mão a elementos do sexo masculino, mostrando todavia intenções muito distintas. Enquanto que na Eneida de Vergílio a concretização do destino a ser cumprido depende em grande medida da ação dos deuses, as adaptações medievais do texto, especialmente a alemã, trazem a esfera do fado ao nível das personagens, pelo que a presença das cartas enviadas por mãe e filha no texto de Veldeke é certeira na ilustração desta tendência
Conflitos ambientais e progresso técnico na indústria mineira em Portugal (1858-1938)
Este texto descreve como os conflitos ambientais emergentes condicionaram o desempenho ou levaram à busca de soluções técnicas alternativas no caso de grandes minas da Faixa Piritosa Ibérica em Portugal. A informação disponível mostra que, em mercados de concorrência global, o sucesso da empresa britânica em Santo Domingo teve por base a busca activa de novas soluções técnicas para a criação e adaptação de conhecimentos existentes para problemas locais, a fim de maximizar os recursos minerais disponíveis. O desenvolvimento inicial da hidrometalurgia para o tratamento de minérios pobres foi uma solução para resolver problemas de competitividade, desenvolvendo economias de escala. Neste processo, as empresas transferiram os fardos ambientais que recaíam sobre os proprietários e agricultores para os grupos sociais mais frágeis, os pescadores da região
O ensino técnico: : um subsistema inovador mas marginal
Este artigo, sob o prisma da disciplina escolar de História, procura mostrar como o ensino técnico foi um subsistema inovador mas marginalizado face ao seu companheiro do ensino secundário, o ensino liceal. Durante o Estado Novo, espaço temporal deste artigo, o ensino técnico mostrou-se atento às mais recentes correntes pedagógicas e didáticas e procurou, nomeadamente a partir de 1948, formar mais cidadãos do que simples operários. Contudo, este continuou a ser visto como o ensino dos outros e para os filhos dos outros. De forma a mostrar o caráter inovador do ensino técnico e a sua marginalização face ao ensino liceal, este artigo baseou-se na imprensa pedagógica da época, nomeadamente nas revistas Labor e no Boletim Escolas Técnicas destacando práticas educativas desenvolvidas no âmbito da disciplina escolar de História nos dois subsistemas do ensino