CEM – Cultura, Espaço & Memória (E-Journal)
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República e republicanismo na região duriense, 1910-1926: : contributos para a sua caracterização política e partidária
A republicanização da Região Duriense confrontou-se com as dificuldades inerentes às zonas rurais, de acordo com o quadro teórico formulado por Oliveira Marques e Romero Magalhães. Com base em bibliografia especializada e em imprensa da época, procuramos caracterizar a evolução política e partidária do Alto Douro ao longo da Primeira República, identificando as estratégias e as redes políticas e clientelares do Partido Republicano Português nos diversos concelhos da Região, em confronto com a prevalência de redes caciquistas. Pretendemos ainda quantificar o grau de implantação e crescimento do PRP através do número de comissões e centros republicanos e,por fim, reconhecer as estratégias dos líderes republicanos perante os desafios colocados à manutenção do predomínio do PRP a partir da cisão de 1912 e surgimento de novas forças partidárias
«Geo» diversidade, cultura e património : uma leitura integrada da paisagem
A paisagem envolve componentes naturais, socioeconómicas e culturais, onde, cada vez mais, parecem esvaziar-se de sentido as leituras fragmentadas que distinguem património natural e património cultural. A paisagem deve ser encarada como o resultado de uma articulação recíproca entre o suporte biofísico e os valores culturais que o moldaram. Neste artigo, revisita-se o conceito de paisagem e reinterpreta-se, à luz da necessária integração geográfica e nos quadros de vida atual, o essencial da diversidade e conservação do património, enquanto âncoras da promoção e valorização do relacionamento entre o Homem e os recursos territoriais, nomeadamente através do geoturismo
Etapas de consolidação da paisagem urbana do Porto contemporâneo : da programação dos Almadas ao plano de 1952
O presente trabalho procura conhecer e interpretar as soluções dos processos de transformação, permanência, desenvolvimento, reorganização e consolidação do tecido urbano da cidade do Porto entre a segunda metade do século XVIII e primeira metade do século XX. Clarificam-se as relações intrínsecas da expansão da cidade do Porto com os novos espaços construídos, através da análise dos principais estudos e planos urbanísticos, desde a acção dos Almadas e, particularmente, do plano implementado pela Junta das Obras Públicas do Porto, de 1763, ao «Plano Regulador da Cidade do Porto» (1952). As relações entre os sucessivos planos são alvo de análise, salientando-se a evolução da forma de pensar a cidade, que culmina com uma visão global desta, numa óptica de planeamento do território baseada nos princípios da Cidade Moderna
A freguesia da Sé De Lisboa : demografia e sociedade (1563-1755)
A exploração dos registos paroquiais de baptismos, casamentos e óbitos da freguesia da Sé de Lisboa, desde meados do século XVI a meados do século XVIII, com base na metodologia de reconstituição de paróquias de Norberta Amorim, viabilizou a análise de comportamentos demográficos da sua população, antes do grande terramoto ocorrido nesta cidade, e uma aproximação à realidade social da paróquia, através dos dados qualitativos, como cargos, condição e profissões. Situada num local central, próximo da Ribeira e do Tejo, a Sé foi um dos primeiros espaços urbanizados de Lisboa e uma das maiores freguesias desta cidade. Segundo Cristóvão Rodrigues de Oliveira, a sua população situava-se nas seis mil cento e oitenta e sete almas e setecentos e dezoito vizinhos, em 1551. Em 1620, Frei Nicolau de Oliveira, apresentou-a como a sexta maior de Lisboa e a maior das sete freguesias da Cerca Moura. Pela análise demográfica, observámos tratar-se de uma freguesia urbana com uma forte mortalidade e mobilidade, compreensível pela sua localização junto ao porto de Lisboa, num período em que a capital vivia tempos áureos, devido ao comércio marítimo. Percebemos que as idades médias femininas e masculinas ao primeiro matrimónio eram baixas, mas a grande percentagem dos casamentos aí realizados envolviam nubentes não naturais da paróquia, vindos de uma diversidade de pontos do país, sobretudo do norte, mas também do estrangeiro
A junta patriótica do norte : um projecto republicano de rememoração da I Guerra Mundial em Portugal
A Junta Patriótica do Norte constituiu-se passado um mês da declaração de guerra da Alemanha, determinando que a sua actividade acompanharia o conflito. Porém, o seu esforço prolongou-se e acentuou- -se no pós-guerra, nomeadamente no que diz respeito à assistência aos órfãos de guerra, às comemorações das efemérides e, por fim, mas não menos importante, à divulgação e concretização de manifestações artísticas de homenagem aos homens mortos. Neste artigo procura-se, num primeiro momento, para além do entendimento orgânico da instituição, analisar o seu papel na mobilização para o conflito e, numa segunda fase, estudar, em estreita dialéctica com os processos rememorativos oficiais, o seu lugar na delineação – material e imaterial – da memória da I Guerra Mundial em Portugal
Memória (i)material da Praça do Infante, Porto
Este artigo pretende dar a conhecer o enquadramento histórico e arqueológico da Praça do Infante, situada na freguesia de S. Nicolau no Porto, proporcionado pela construção de um parque de estacionamento subterrâneo. Esta praça insere-se no espaço urbano da Zona Histórica do Porto, tendo-se considerado relevante a coordenação de trabalhos de prospecção geofísica com os arqueológicos. Assim, os primeiros condicionaram a localização das sondagens arqueológicas, que uma vez concluídas nos revelaram uma sequência ocupacional desde o século XVII ao século XX, apesar dos vestígios materiais remontarem à época romana. Hoje, esta praça é um reflexo frustre do outrora fervilhar comercial e humano que as memórias materiais não conseguem glorificar
Resgatar a memória
Sem livros, o Mundo não era nada. Nada seria, na medida em que é certo que praticamente tudo devemos a quem por cá passou antes de nós. E de quem passou, o que ficou? Naturalmente, o registo da sua passagem; a memória da sua existência em múltiplos registos. O anonimato não existe, porque a memória se encarrega de integrar o testemunho de cada indivíduo num outro conceito – o colectivo. É do contributo pessoal que vive o colectivo – da conjugação de vidas sem nome e de nomes que para sempre serão lembrados. Nos livros, tanto os que desapareceram, como os que preservamos, está a Memória do Mundo. Dos primeiros, dão notícia os segundos. Destes, colhemos cada palavra para que não venham a cair no esquecimento. Ninguém escreve para ser esquecido. Não se daria a tal, se não entendesse que o que quer transmitir é importante e deve chegar ao futuro. É por isso mesmo que os leitores são fulcrais. São eles que transportam a memória e se encarregam de a resgatar a todo o momento. A memória, qualidade da mente humana, mecanismo complexo associado a epítetos vários, eles próprios passíveis de análise, é o que os livros carregam; têm vindo a carregar, ao longo de milénios, mesmo que aos primeiros «livros» não nos possamos referir deste modo. Múltiplos têm sido os suportes em que o registo «escrito» tem sido feito. Perenidade e destruição, a par disso, têm coincidido, ora promovendo a memória, ora concorrendo para que desapareça. Porém, continuamos a viver entre livros; entre livros que falam de livros, que falam dos homens do passado e do presente; livros que, já hoje, são o futuro