Revista Brasileira de Desenvolvimento Regional
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Interfaces entre estruturas valorativas no Sul do Amapá: o sistema de aviamento e a organização comunitária
O presente artigo objetiva expor e analisar aspectos estruturais valorativos herdados do sistema de aviamento e presentes na conduta de moradores das comunidades tradicionais no sul do Amapá. São populações residentes em duas Unidades de Conservação de Uso Sustentável nas quais enfrentam grandes dificuldades para implementar processos de desenvolvimento social local. O trabalho configura-se como um estudo de caso duplo, com pesquisa de campo de cunho qualitativo realizada nas RESEX Cajari e RDS do Rio Iratapuru. Com instrumentos peculiares ao método etnográfico, foram utilizados caderno de campo, roteiro de entrevista e técnicas de observação in loco com uso de registros fotográficos. Com o material recolhido em campo, foi possível compreender que a herança valorativa pretérita do sistema de aviamento é marcante nestes territórios, o que pode ser observado nos discursos, na percepção estética, nas formas de atividades econômicas e nas relações cotidianas dos indivíduos em família. Essa realidade valorativa vem influenciando negativamente a construção de caminhos voltados às melhorias socioambientais nessas UC
Cenários de desenvolvimento para o Amapá 2020-2050
Este artigo descreve as atividades econômicas atualmente em curso no estado do Amapá e prospecta cenários de desenvolvimento para o período 2020-2050. Apresenta as atividades que mobilizam recursos naturais e o uso da terra, como mineração, hidrelétricas, petróleo e gás, agronegócio, áreas protegidas, além das condições da urbe amapaense. Em termos metodológicos, utiliza variáveis de empregabilidade, impactos, riscos e conflitos distributivos para prospectar três possíveis cenários: um trágico, um tradicional e um sustentável. Conclui-se que o Amapá segue tendência que caminha para uma realidade que se situa entre o trágico e o tradicional, embora não se descarte o cenário sustentável como utopia societária emancipatória. Contudo, este cenário somente é admitido epistemologicamente, em contexto de radical mudança política, distante do atual quadro dominado pela regulação social neoliberal
Ativação territorial das agroindústrias rurais familiares na Região do Alto Médio Uruguai
O artigo busca compreender se e como as agroindústrias familiares do CODEMAU podem tornar-se ativos territoriais, permitindo seu desenvolvimento e da região. Para tanto, realizou-se pesquisa qualitativa e exploratória, baseada em dados disponíveis no “Plano de desenvolvimento: arranjo produtivo local, agroindústria familiar e diversidade no Médio Alto Uruguai”, e pesquisa empírica, baseada na aplicação de um questionário para 66 agroindústrias familiares, distribuídas por 16 municípios pertencentes ao CODEMAU. Concluiu-se, por um lado, que as agroindústrias do CODEMAU, com a formação da ADEMAU, apresentaram estratégias coletivas de ação, aproveitando os recursos genéricos e específicos do território, o que favorece a possibilidade de ativação territorial; por outro lado, que são necessárias políticas públicas adequadas para a revelação dos “recursos escondidos” para a eficácia da ação dos atores no território, sem o que o processo de ativação territorial tende a ser prejudicado
Turismo de base comunitária e desenvolvimento sustentável em Urupema-SC
Neste artigo procurou-se identificar o conhecimento e a valorização do patrimônio comunitário, as práticas turísticas atuais sustentáveis e insustentáveis e o envolvimento com a política pública de turismo de representantes da sociedade civil e política de Urupema, no estado de Santa Catarina. A pesquisa que deu origem ao presente artigo foi qualitativa e se utilizou da técnica do Grupo de Discussão e da Análise de Conteúdo. Os referenciais teóricos para analisar as categorias de investigação provêm de diferentes paradigmas de turismo e desenvolvimento local. A pesquisa revelou discurso e práticas contraditórias no que tange à concepção de turismo, valorização do patrimônio comunitário e o papel do Estado local. Outrossim, afirmou a relevância do ethos cultural, expresso em atitudes de hospitalidade, acolhimento, solidariedade e cooperação vivenciados pela população local. Nesta perspectiva, o artigo propõe o Turismo de Base Comunitária, por seus valores serem concernentes à identidade socioeconômica local
Localização e especialização nas mesorregiões do Paraná: uma abordagem teórico-empírica
O presente artigo se propõe a analisar a economia regional do estado do Paraná a partir de uma revisão bibliográfica e da aplicação de indicadores de especialização e localização para os anos de 2010 e 2017. O principal objetivo foi verificar a localização e especialização dos principais setores econômicos no Paraná e possíveis mudanças setoriais e mesorregiões no período. Para tanto foram calculados, a partir de dados fornecidos pela Relação Anual de Informações Sociais, cinco indicadores: quociente locacional, coeficiente de localização, coeficiente de redistribuição, coeficiente de reestruturação e coeficiente de especialização. Os resultados apontaram que o setor de extração mineral está localizado, principalmente, nas mesorregiões: RMC, Norte Pioneiro e Sudoeste; construção civil: RMC e Centro Sul; indústria, no Noroeste; agropecuária e afins, no Norte Pioneiro; comércio e serviços possuem uma distribuição homogênea pelo estado. Ao se analisar transformações regionais e setoriais nas mesorregiões paranaenses ocorridas ao longo do período, estas não se mostraram significativas, indicando a inexistência de alterações no padrão de distribuição e especialização nos setores e mesorregiões do estado
Burguesia industrial e a construção de uma agenda de desenvolvimento: a perspectiva da FIERGS
Com base nos posicionamentos políticos da FIERGS (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul) no contexto das eleições de 2018, o artigo apresenta a agenda de desenvolvimento defendida pela burguesia industrial do Rio Grande do Sul. Depois de resgatar a participação da FIERGS na discussão sobre o desenvolvimento no Rio Grande do Sul, desde os anos 1980, são analisados os cinco temas que estruturaram a agenda de desenvolvimento, defendida por essa fração subnacional da burguesia industrial no Brasil nas eleições de 2018: 1. Segurança jurídica, desburocratização, simplificação e eficiência administrativa/tributária do setor público; 2. Infraestrutura e logística; 3. Adequação do tamanho e peso do setor público, estabilidade macroeconômica e financiamento; 4. Inserção externa e novas tecnologias; 5. Empreendedorismo, indústria e sociedade. O artigo indica que a burguesia industrial do Rio Grande do Sul atua como força social e coletivamente organizada na defesa de uma agenda de desenvolvimento sustentada num processo histórico de afirmação/reafirmação dos pressupostos neoliberais