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    Volitividade, Modalidade e Subjetividade: uma abordagem dialógica entre a Gramática Discursivo-Funcional e a Linguística Textual

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    Este artigo propõe uma descrição e análise da expressão da subjetividade nas homilias do Papa Leão XIV, com ênfase na manifestação da volitividade e da modalidade, a partir da Gramática Discursivo-Funcional (GDF) de Hengeveld e Mackenzie (2008) e dos pressupostos da Linguística Textual (LT), especialmente os aportes de Koch (2015[1984]) sobre a argumentação e a construção da subjetividade no discurso por meio da modalidade. Para isso, foi utilizado um corpus constituído por 10 homilias do Papa Leão XIV disponíveis em língua espanhola e publicadas no site oficial do Vaticano, em que foram selecionadas apenas as ocorrências de volitividade (Ilocuções Declarativas, Exortativas, Imperativas etc.) e modalidade (deôntica, volitiva e axiológica). Após a análise dos dados, conclui-se que as principais formas de Expressão Linguística foram as Palavras Lexicais (51,6%), que funcionam como recursos linguísticos de carga argumentativa e avaliativa. Por sua vez, a terceira pessoa do singular (38,5%) e a primeira pessoa do plural (20,9%) foram majoritárias na codificação da subjetividade, em que esta é usada como forma de envolver os ouvintes e mitigar a assimetria entre o locutor (líder religioso) e os interlocutores (fiéis católicos), enquanto aquela remete aos desejos e às opiniões da divindade. Por fim, as Ilocuções Declarativas se revelaram preponderantes (69,2%), visto que buscam legitimar posições doutrinárias e orientar condutas

    Causalidade e contraste em sala de aula: uma proposta funcional-textual

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    O artigo focaliza a abordagem a elementos coesivos de causalidade e contraste em sala de aula na Educação Básica. Objetiva examinar o uso desses elementos em textos produzidos por concluintes do Ensino Fundamental e apresentar uma sequência didática para o estudo desse objeto de conhecimento nas aulas de Língua Portuguesa. Fundamenta-se, teórico-metodologicamente, na interface entre Linguística Funcional e Linguística Textual (Abreu, 2017) e na relação entre funcionalismo norte-americano e ensino de língua (Bispo, 2025). Trata-se de uma investigação quali-quantitativa, com viés descritivo e interpretativista. Foi constatado que os usos de elementos coesivos de causalidade e contraste em artigos de opinião produzidos por estudantes do Ensino Fundamental relacionam-se tanto a motivações icônicas, em termos do subprincípio de quantidade, quanto à expressividade, em termos discursivos. Do ponto de vista da marcação, esses usos estão associados à complexidade estrutural e cognitiva. Os achados demonstram, ainda, uma profícua aproximação entre essas perspectivas teóricas relativamente à análise de fatos linguísticos e, em particular, para o tratamento de fenômenos gramaticais no contexto escolar, conforme ilustra a intervenção pedagógica reportada

    Emprego de advérbios de lugar em português por falantes nativos de alemão: análise da interlíngua

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    Na língua portuguesa, o sentido dos advérbios de lugar “aqui”, “cá”, “aí”, “ali” e “lá” se constrói de acordo com a posição do objeto de referência em relação ao falante ou ao seu interlocutor: “aqui” e “cá” denotam proximidade do falante; “aí”, proximidade do interlocutor; e “ali” e “lá” indicam distância tanto do falante quanto do interlocutor (Blühdorn, 2003). Dada a semântica desses advérbios, entretanto, nem todos eles encontram equivalentes na língua alemã. Esta pesquisa objetivou, por meio de uma análise interlinguística apoiada em dados coletados em entrevistas remotas com falantes de alemão aprendizes de português, identificar se os participantes privilegiam, na comunicação oral, o uso de alguns advérbios em relação a outros e quais desvios são mais frequentes. Os resultados indicam que os respondentes utilizaram os advérbios “aqui” e “lá” com maior frequência, sendo que os principais desvios se referiram ao uso inadequado do advérbio “lá” no lugar de “aí”. Ademais, os dados mostram que a experiência com a língua portuguesa, como tempo de aprendizagem, não parece impactar na frequência de uso e desvios dos advérbios de lugar. Os dados desta pesquisa são relevantes tanto para a área de português como língua adicional como para a linguística aplicada contrastiva visto que lançam luz a especificidades da interlíngua entre o par linguístico alemão-português, buscando explicações para os desvios cometidos com base nas análises semântica e interlinguística do uso desses advérbios em língua portuguesa (Blühdorn, 2005)

    A microconstrução “daí que” e a orientação argumentativa dos textos: um estudo textual-funcional

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    Este estudo investiga a microconstrução “daí que” e a orientação argumentativa dos textos, focalizando seus efeitos pragmático-discursivos e sua contribuição para as estratégias de textualização, coesão e coerência. Adota uma proposta de interface entre a Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU) (Cunha, Bispo e Silva, 2013) e a Linguística Textual (LT) (Neves, 2004; Abreu, 2017; Castanheira, 2020, 2022). A metodologia empregou uma análise sincrônica de 32 ocorrências do conector “daí que” extraídos do Corpus do Português NOW. A análise quantitativa identificou a frequência de uso do conector, enquanto a qualitativa explorou suas funções discursivas e implicações para a progressão e coerência textual. Em conclusão, o estudo sugere que a microconstrução “daí que” desempenha um papel fundamental nas estratégias de textualização, particularmente em sequências argumentativas, contribuindo significativamente para a coesão e progressão textual. Seu uso recorrente, conforme o processo de construcionalização, reforça seu papel como articulador de relações de causalidade e conclusão corroborando os estudos de Arena (2014, 2015). O estudo também destaca os desafios em classificar sequências textuais de forma rígida, pois o “daí que” transita entre funções de consequência e conclusão, especialmente em contextos expositivo/descritivos, sugerindo a necessidade de se considerar que os gêneros textuais são dinâmicos e frequentemente mesclam diferentes sequências

    Os usos discursivos de 'aunque' no espanhol peninsular

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    Embora seja tradicionalmente apresentado como um conectivo concessivo que une orações em uma relação de contra-expectativa, um levantamento dos usos de aunque em dados reais revela que esse conectivo pode atuar como marcador discursivo, unindo porções textuais maiores que a oração. Desse modo, o presente trabalho objetiva descrever os usos discursivos de aunque em dados do espanhol peninsular falado e escrito. Para tanto, adota-se o modelo teórico da Gramática Discursivo-Funcional (GDF), cuja arquitetura, organizada em níveis e camadas hierárquicos, considera a pragmática como componente mais abrangente, a partir do qual a semântica, a morfossintaxe e a fonologia são descritas. Além do referencial teórico da GDF, consideram-se também os conceitos da Linguística Textual apresentados em Jubran (2006a, 2006b) a respeito da noção de tópico discursivo. O levantamento dos dados faz uso de entrevistas sociolinguísticas extraídas do Projeto PRESEEA (Proyecto para el Estudio Sociolingüístico del Español de España y de América), representativo da modalidade falada, e de uma coletânea de editoriais publicados on-line pelo jornal El País. A análise dos dados revela que o conectivo aunque pode atuar discursivamente para marcar descontinuidade tópica, seja por meio de ruptura ou de cisão tópica. Neste último caso, o conectivo aunque é utilizado tanto para introduzir inserções como parênteses a um discurso em andamento.

    Aprendizagem da língua escrita: uma análise sobre o impacto do Ensino Remoto Emergencial

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    A pandemia da Covid-19, no ano de 2020, demandou a implementação do Ensino Remoto Emergencial (ERE) no Brasil a fim de diminuir a distância entre a escola e os educandos. Ainda que medidas tenham sido tomadas, há evidências de que os alunos apresentaram dificuldades de aprendizagem durante o período pandêmico, porém os impactos do ERE na complexa teia educacional após o fim da pandemia ainda carecem de investigações. Dessa forma, conscientes de que é relevante analisar como se encontra o nível dos estudantes em um período pós-pandêmico, por meio deste trabalho, investigamos em que medida o ensino remoto interferiu na aprendizagem da língua escrita de estudantes do ensino básico. A perspectiva teórico-metodológica adotada se baseia na teoria da psicologia da escrita fundamentada por Ferreiro e Teberosky (1999). Analisamos os dados de produção escrita de 41 alunos do 1° ano do ensino fundamental de uma escola pública da cidade de Fortaleza, considerando dois grupos: (i) dados escritos dos alunos do ano de 2019, antes da pandemia (N = 19) e (ii) dados escritos dos alunos do ano de 2022, depois da pandemia (N = 22). Em termos comparativos, as análises dos dados sugerem que os alunos do ano de 2022 se mostraram ainda mais abaixo do nível satisfatório do que os alunos do ano de 2019 em termos de aquisição do sistema escrito da língua, o que evidencia que a implantação do ERE, durante a pandemia, trouxe prejuízos para o processo de ensino-aprendizagem

    Brasil inabitável em 50 anos... De novo: a veridicção às vistas de um jornalismo cientificamente irresponsável

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    O presente trabalho, pautado nos pressupostos da teoria semiótica de linha francesa, tem por objetivo discutir os regimes veridictórios presente no jornalismo digital em período recente. Tomando por base uma série de notícias veiculadas em redes sociais que afirmam que o Brasil se tornaria inabitável nos próximos 50 anos, aplicamos as propostas de Barros (2022) sobre os deslizamentos que permitem transitar entre a verdade (parecer e ser) e a falsidade (não parecer e não ser), e de Lisboa Soares e Mancini (2023) em relação às gradações das modalidades do /ser/ e do /parecer/, para compreender as formas pelas quais uma notícia, mesmo viral, pode ser, e não ser, verdadeira. Concluímos, assim, pela necessidade de uma maior responsabilidade por parte dos jornalistas e divulgadores da ciência no ambiente digital em relação ao modo como veiculam e replicam estudos científicos

    Resenha da obra “Colonialismo de dados e modulação algorítmica: tecnopolítica, sujeição e guerra neoliberal

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    Esta coletânea analisa criticamente os efeitos do avanço das tecnologias digitais, da inteligência artificial e da dataficação na consolidação de um novo regime de dominação: o colonialismo de dados. A partir de uma perspectiva tecnopolítica e decolonial, os autores investigam como plataformas digitais, big techs e sistemas algorítmicos intensificam desigualdades históricas, submetendo territórios periféricos à lógica extrativista de dados. A obra articula teoria crítica, estudos pós-coloniais e exemplos do contexto brasileiro para revelar formas de sujeição, resistência e modulação algorítmica no neoliberalismo

    Gírias paulistanas e uso de léxico obsceno em letras de canção

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    O artigo analisa gírias paulistanas utilizadas sob a forma de léxico obsceno em letras de canção, com o objetivo de elaborar um quadro semântico-pragmático, de viés variacionista, no qual especificamente o léxico obsceno gírio figura em letras de canção. O aporte teórico se baseia em teóricos da Sociolinguística Variacionista e da Pragmática e, como procedimento metodológico, seleciona os itens com base, em geral, no funk paulistano da última década, tendo como critério a seleção de, ao menos, duas canções de cada região geográfica de São Paulo capital e duas canções de cada ano, entre 2016 e 2023; além disso, cria a categorização de análise para a classificação dos léxicos obscenos selecionados como corpus. Ao final, chegamos à conclusão de que há uma tendência no uso de léxico obsceno de forma vasta e diversificada, criativa e subversiva, muitas vezes fronteando com a ambiguidade e a polissemia das palavras pelos artistas paulistanos de funk/batidão

    O gênero infográfico em livros didáticos de L.I para o ensino médio: uma análise multimodal

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    Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar de que forma as coleções de Livros Didáticos de Língua Inglesa (LDLI) para o ensino médio promovem os multiletramentos. Como objetivos específicos, procuramos: i) investigar de que maneira os enunciados indicam a necessidade do letramento visual em questões com infografia; ii) averiguar como é orientada a leitura e a escrita multimodal; iii) apurar se os aspectos multimodais são requeridos como forma de apoio à resolução das atividades. Como aporte teórico principal, destaca-se a Gramática do Design Visual (Kress; Van Leeuwen, 2021). No que concerne ao processo metodológico, partimos da seleção das coleções de LDLI para compor esta pesquisa, sendo elas: a coleção Joy (2020), a coleção English Vibes for Brazilian learners (2020) e a coleção Take action (2020). Posteriormente, coletamos todos os exercícios com infografias dos livros didáticos, totalizando 21. Por fim, seguimos para a análise multimodal dos infográficos. A partir da análise realizada, constatou-se que os infográficos que integram as coleções de LDLI selecionadas para este trabalho promovem amplamente o desenvolvimento de habilidades de multiletramentos. Os multiletramentos são desenvolvidos tanto por meio da riqueza multimodal das infografias quanto pela variedade de assuntos importantes abordados nos textos verbo-visuais

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